E eu então pensei em suicídio.
É fácil matar o que é vivo.
Mas como matar o subjetivo, aquilo que existe e não existe.
Eu ainda sou viva no que escrevo.
Mas de nada servem essas palavras correndo soltas.
Ocupando espaços.
Inúteis
Sucata acumulada nos terrenos baldios.
Eis minhas frases escritas como árvores secas.
Elas marcam meus olhos, nas olheiras e na insônia.
Eu não sou tranqüila, não quero ser.
Prefiro a angústia, a briga interminável com todos os meus eus.
As coisas não vão bem.
E por isso penso
Matar-me, se só existo, quando escrevo.
Só existo quando confesso assim em letras tortas e mal feitas.
Vou matar-me aos poucos.
Escolho uma panela torta na cozinha.
Um escritor sem livros, sem papel.
Despejo o álcool e atiro o fósforo.
No meio da sala, derretendo o carpete.
O fogo limpo nas chamas azuis.
Vai rasgando palavra por palavra.
São pequenas histórias, se soltando.
Vão queimando e aos poucos deixam de existir.
Em pouco tempo terei cinzas.
Deixo o tempo esfriar, num inverno mítico, as recolho.
Meticulosa, colhendo o resto das palavras;
Matei uma história, alguns versos e um poema.
Guardo num envelope, espero o vento.
Faço cerimônia e correndo, atravesso a ponte e as solto.
E o que o fogo queimou, o vento confirmou...
Escondi-me atrás da luz, rápida pra ser só uma sombra.
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Mona Lisa Budel
🐶🐱 Caramelos agora têm direitos em SC!
Há 2 dias

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