O general Geisel enquanto ministro do Supremo Tribunal Militar, 1965 Paradoxalmente, foi a ele, ao “Alemão”, como seus companheiros de farda o chamavam, um homem ideologicamente comprometido com a ditadura militar e de forte inclinação filofascista, de inspiração mussolineana, quem terminou por conduzir o regime militar ao seu fim. Desde o discurso da posse, proferido em 15 de janeiro de 1974, seu nome passou a ser identificado com a “abertura”, isto é a estratégia de gradativa recuperação das liberdades democráticas, suprimidas da vida republicana desde a publicação do AI-5 (o Ato Institucional nº 5), ocorrida em 13 de dezembro de 1969, por obra do general Arthur da Costa e Silva. Secundado pelo seu escudeiro, o general Golbery do Couto e Silva, ex-chefe e mentor do SNI (Serviço Nacional de Informações), entendeu que o sistema sufocante e paranóico que os serviços de segurança (SNI, CIE, CISA, CENIMAR e dos DOI-CODIs, entre outros) haviam imposto ao país, e ao próprio govenro ditatorial, era intolerável. A “abertura” porém, articulada por quem Elio Gaspari chamou (A ditadura derrotada, Cia das Letras, SP, 2003) de “sacerdote” (o general Geisel) e seu companheiro , o “feiticeiro” (o general Golbery do Couto e Silva), não se faria de supetão. Fato, tratou-se de uma retirada milimetricamente calculada e executada que se estendeu por dez anos (de 1974 até 1984), até que o regime militar, desgastado, finalmente foi obrigado a aceitar a vitória no Colégio Eleitoral de um candidato civil à presidência: Tancredo Neves.
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A escolha do general Geisel para suceder o general Emílio Garrastazu Médici (1969-1974), na condução suprema do regime militar foi um tanto sui generis. Num país de 150 milhões de habitantes, a indicação do maior mandatário da nação, se bem que gozando da aprovação dos demais líderes militares, foi feita apenas por um voto: o do próprio general Médici. Grande parte disso devia-se ao sucesso do governo ditatorial, pois na Era Médici, época do Milagre Econômico, a repressão brutal convivia com taxas de crescimento de mais de 11% ao ano. Foi o prestígio amealhado pelo presidente-ditador que fez com que ele, tornando-se o Grande Eleitor, dispensasse a necessidade de realizar amplas consultas aos comandante das forças armadas ou ter que convocar um consistório de generais para encontrar um nome consensual para a sua sucessão. Para ele era o “Alemão” e fim de conversa.
