sábado, 28 de fevereiro de 2009

Fotografando o Mundo

Fator previdenciário

Finanças debaterá projeto que extingue fator previdenciário
O projeto de lei que extingue o fator previdenciário será um dos primeiros assuntos da agenda da Comissão de Finanças e Tributação em 2009. O relator da proposta (PL 3299/08, do Senado), deputado Pepe Vargas (PT-RS), vai pedir a realização de três audiências públicas para debater o tema.
A comissão retoma seus trabalhos na quarta-feira (4), com a eleição de seu presidente. A previsão de Pepe Vargas é de que as audiências sejam realizadas até 20 de março, para que seu relatório seja apresentado até o fim do mês. A intenção do relator é ouvir representantes dos trabalhadores, dos empresários e do governo
(Fonte: Agência Câmara).

Ranzinzices

CÉSAR VALENTE
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Insensatez (atualizado)

Quem não me conheça e leia as notas que estão abaixo, pode pensar que sou um insensível. Ao contrário: gosto de mágica e mágicos, não vejo nada de errado em fazer ou assistir a um festival de mágicas. Acho que o servidor público precisa de qualificação e quanto melhores cursos lhe forem oferecidos, melhor. A vocação da Ilha de Santa Catarina é mesmo o turismo e todo o esforço de aprimorar os serviços, treinar mão-de-obra, dotar a região de infra-estrutura, é importante.

Então por que essa implicância com o LHS?

Ontem conversei com um professor de uma escola pública em Itajaí, que foi inundada na enchente do final do ano passado. Minha mulher tinha ido levar alguns livros para ajudar a repor o que foi perdido na biblioteca da escola. Além dos livros de literatura, eles estão também sem livros didáticos: o que a água não destruiu na escola, destruiu na casa dos alunos, a maioria dos quais teve enormes perdas. Não encontram, naturalmente, quem ouça seus pedidos e reclamos. Não há recursos, não há gerência, não há vontade, ao que parece, de resolver esses “pequenos” problemas que tornam o dia-a-dia das comunidades pobres um inferno.

Mas o governo estadual tem R$ 4 milhões para editar um atlas de Santa Catarina, cujo principal uso, além de ajudar o amigo editor, é mostrar para investidores como é lindo este paraíso.

Os governos federal, estadual e municipal têm alguns caralhões de reais para adular os abobrões do turismo e fazer a festa dos “parceiros” da mídia.

O governo tem também merdalhões de reais para financiar festivais de todo tipo e importar tudo o que o provinciano e inculto (verniz cultural não é suficiente para que alguém seja considerado culto) governador acha lindo mundo afora.

Nos hospitais públicos falta tudo. Basta ir a qualquer emergência. Pode ser na capital do estado. Conversem com os servidores da saúde, ouçam as queixas de quem está lá com algum parente com a vida por um fio.

A segurança pública está jogada às traças. Soldados da tropa de elite da briosa Polícia Militar vão, fardados, bater em rivais, atendendo não seus deveres constitucionais, mas aos reclamos do ciúme.Valentões em causa própria.

Traficantes informam que policiais têm esquema de extorsão. Um deles confirma o que a cidade toda suspeitava: foi solto por policiais que estão acima da lei. As “autoridades” da segurança, em ridículos óculos de grife, de boné e gravata, posam para fotos entregando chaves de viaturas, enquanto o cidadão cumpridor dos deveres se borra de medo dos bandidos propriamente ditos e dos policiais bandidos.

As prisões viraram piada internacional: as fugas não podem mais ser, tecnicamente, classificadas como fugas, porque não há obstáculos sérios a serem vencidos. Há um criminoso favorecimento que, no entanto, passa batido. Ninguém está nem aí para isso.

Portanto, gastar R$ 4 milhões com assinaturas de jornais e revistas quando faltam às escolas livros didáticos básicos, gastar mais outro tanto de milhões comprando produtos da dinamarquesa Lego, sem investir um centavo na construção de recursos didáticos locais, entre outras iniciativas que nascem como soluços, sem qualquer planejamento amplo ou integração a uma ação de médio ou longo prazos, nada mais é que insensatez.

E, antes que me esqueça: numa democracia, cada povo tem o governo que merece.

Tenham todos um ótimo final de semana. Segunda eu volto (ou a qualquer momento, em edição extraordinária).

ATUALIZAÇÃO DAS CINCO

Enquanto não aparecem comentários e cartinhas defendendo LHS e suas iniciativas contra as aleivosias que lancei, um e-mail me avisa que na listinha acima esqueci outras coisas que estão mal postas no estado. Diz que eu não poderia ter deixado de falar nas estradas, no escandaloso relacionamento de graduados servidores com as empreiteiras e, principalmente, nas duas pontes (Colombo Salles e Pedro Ivo), que estão há anos sem a conservação devida. Me avisa, o leitor, que pontes desse tipo precisam, de tempos em tempos, de inspeções detalhadas, usando inclusive mergulhadores para avaliar o estado dos pilares que estão embaixo dágua. Só que, ao que tudo indica, as verbas são consumidas sem que o trabalho seja feito. Quando ocorrer um desastre, certamente recorrerão à caridade do magnânimo e cego povo brasileiro. E dirão, com os olhos lacrimejantes e uma entonação de fazer inveja a Procópio Ferreira, Paulo Autran ou Mazzaropi: “eu não sabia!”

Tucanos não escondem o jogo

Tucanos não escondem o jogo se voltarem ao palácio do planalto os aposentados continuarão amargando o famigerado fator previdenciário, que é óbvio não atinge as altas autoridades do estado.

A resistente

OUTROS TEMPOS

Brasil x Uruguai Copa 70

Canadá

Fotografando o Mundo

Underground Santiago de Chile


La Moneda



Charge


Um grito parado no ar

Do Blog do Alon:
O PMDB que se cuide. Por sua força e suas fraquezas, a agremiação está no alvo. E nele ficará, pelo menos até definir com quem vai casar em 2010

Enquanto em São José dos Campos os demitidos da Embraer constatam a inutilidade (para os trabalhadores, claro) do sindicalismo brasileiro, em Brasília a curiosidade converge para os próximos lances do affair PMDB. No chão das fábricas (e das lojas, e dos escritórios) Brasil afora o facão vai solto, mas nos carpetes da capital só se quer saber dos movimentos para atrair a noiva desejada. Atrair pela sedução ou pela força. Na base da conversa ou arrastada pelos cabelos. Ou ambas as coisas.

Nos muitos palácios de Brasília, entre uma e outra lamentação pública sobre a situação dos empregados postos na rua por causa da crise (ou a pretexto dela), o esporte da hora é bater no PMDB. Os mais otimistas (ou ingênuos) dirão que estamos diante de uma nova oportunidade para melhorar a política brasileira, para escoimá-la de alguns graves defeitos. Já os mais habituados a raios em céu azul procuram enxergar o que vai por trás das cortinas, tentam saber quem movimenta as cordas que fazem o boneco saltitar.

Desde que o senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) abriu fogo contra o seu próprio partido, distribuindo acusações sem porém nomear os culpados, ficou um grito parado no ar. Um Gianfrancesco Guarnieri atualizado à Matrix. De onde virá a bala? Quem vai acender o pavio? Quem vai tomar o primeiro tiro? Quem vai estar, por falta de sorte, no caminho dos estilhaços depois que tirarem o pino da granada?

Mas essas são apenas especulações, enquanto o jornalismo vai à caça da materialidade, já que ninguém deseja ser furado. O PMDB que se cuide. Mercê de sua força e de suas fraquezas, a agremiação está no alvo. E nele ficará, pelo menos até definir com quem vai casar em 2010. Dependendo da escolha, pode continuar na mira mesmo depois.

Dos defeitos do PMDB fala-se muito. Aliás, segundo o senador Pedro Simon (PMDB-RS), falhas encontradiças em todo o espectro partidário. Mas as qualidades do PMDB também são conhecidas, ainda que menos comentadas. A sigla tem musculatura e capilaridade. Ao PT e ao PSDB, por exemplo, falta o segundo quesito. O peemedebismo ocupa no espectro político um centro de viés democrático e vagamente nacionalista, o que acaba ajudando a legenda a obter músculos e a se manter localmente enraizada. O PMDB, numa comparação, preenche o lugar que entre 1945 e 1964 era do getulista Partido Social Democrático (PSD), fundado basicamente pelos interventores estaduais que Getúlio Vargas havia nomeado no Estado Novo.

Há uma certa unanimidade, entre os historiadores, de que a estabilidade política brasileira da Segunda Guerra Mundial até a queda de João Goulart podia ser medida em função da solidez da aliança entre o PSD e o Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), também getulista mas vindo de outra vertente, o sindicalismo. Qualquer semelhança não é mera coincidência. Se o PMDB é o herdeiro do PSD, o fio da meada leva a que o PT seja hoje o continuador de fato da velha tradição petebista. Ironias da história.

Daí que, agora como no passado, tanto a paz no que resta de governo a Luiz Inácio Lula da Silva como as perspectivas futuras do projeto de poder petista repousem na aliança que, aos trancos e barrancos, o antes antigetulista e visceralmente udenista PT foi obrigado pela vida a concertar com o mais do que pessedista PMDB. O PT parece ter compreendido isso bem. Assim como a oposição. O que torna arriscada a vida do PMDB, colhido no fogo cruzado.

Na política, assim como na guerra, as alianças costuram-se não principalmente pelas afinidades, ou por objetivos comuns. Tal visão idílica costuma frequentar os escritos dos teóricos, mas na vida prática os movimentos, aproximações e afastamentos são bem mais influenciados pelo temor do que pela paixão. O PMDB é um partido grande, porém flácido e dividido. Não tem uma cara, não tem um condutor que se coloque à frente dele e funcione como anteparo. Quando o PT foi alvejado na crise de 2005, havia Lula como reserva de força. Hoje, quando o PSDB tem um de seus governadores cassado e outra seriamente enrolada em todo tipo de confusão, o prestígio e o respeito angariados por José Serra e Aécio Neves funcionam como escudo.

Já o PMDB não tem quem o proteja, não tem um líder capaz de rivalizar com os demais caciques, não tem uma luz que aponte para o futuro. Não tem um projeto nacional. É situação de alto risco para um partido grande e que virou fiel da balança.

Coluna (Nas entrelinhas) publicada hoje no Correio Braziliense.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Epopéia paulista II

Eis a maior cidade do Brasil!


São Paulo (SP) Ônibus afunda no asfalto no inicio desta manhã (26) na esquina da rua Frederico Abranches com Dona Veridiana, bairro de Santa Cecília, centro de São Paulo. 26/02/2009
Foto: Marcelo Carlos Duailibi/FotoRepórter/AE

O paulistano e sua epopéia

São Paulo (SP) Passageiros andando pelos trilhos após descerem dos trens da CPTM que ficaram parados devido aos pontos de alagamento causados pelas chuvas no final de quarta-feira (25), no trecho Moóca-Bras, zona leste de São Paulo.
Foto: Hernandes/FotoRepórter/AE

Bela

UM OBAMA BRASILEIRO?

Por Carlos Chagas
Na Coluna do Cláudio Humberto

Está aparecendo um Obama brasileiro, de origem social mais humilde que o presidente americano, igualmente senador e tão preocupado quanto ele diante da pobreza e do desemprego. Negro, também.

É o senador Paulo Paim, do PT gaúcho. Vem de longe sua luta em favor dos aposentados, dos idosos, dos humilhados e ofendidos. Não se inclui na confraria do presidente Lula, apesar de haverem morado juntos nos tempos de deputados-constituintes. Dividiam um apartamento em Brasília, junto com Tarso Genro. Faz tempo que Paim deixou de ser incluído na comitiva presidencial, quando das visitas ao Rio Grande do Sul. Jantar no palácio da Alvorada, ainda não jantou. Tudo por haver-se tornado um crítico permanente da política econômica neoliberal, uma espécie de ferrinho de dentista posto diante do PT.

O desemprego em massa que começou a assolar o país tornou-se a preocupação maior do senador Paim. Todos os dias, da tribuna do Senado, ele atualiza os números e cobra providências efetivas do governo dos trabalhadores. No recente recesso parlamentar, percorreu diversos estados, reunindo-se com sindicalistas, aposentados e, em especial, jovens, nas universidades. Para ele, os assalariados são as maiores vítimas da crise, junto com as pequenas e médias empresas. Se o governo ajuda as grandes empresas, aquelas que mais demitem, por que não impõe a condição de evitar demissões?

Paim, se candidato á presidência da República, seria a segunda tentativa de mudanças fundamentais em nossas estruturas, agora em meio à crise. Representaria uma segunda onda depois de a primeira, com todo o respeito, muitas vezes parecer uma marolinha, em termos de justiça social. A expectativa é de que não venha a bandear-se para o outro lado, o lado dos bancos.

Sonho impossível, hipótese irreal, tendo em vista que a popularidade do Lula levou o PT a consagrar desde já Dilma Rousseff? Pode ser que não, caso os companheiros decidam realizar prévias junto às suas bases. Deve a decisão imperial do presidente considerar-se definitiva? Talvez. Mas o senador tem diante dele um espaço que a chefe da Casa Civil não ocupou e dificilmente ocupará: tornar-se o candidato dos sem-nome, dos que vem sendo demitidos aos montes. Em suas palavras, o desemprego está destruindo famílias, multiplicando a violência no campo e nas cidades, fazendo aumentar a criminalidade. Sem alarmismo, é preciso enfrentar a nova questão que se coloca. Vamos aguardar.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Aconcagua

Na Bahia o carnaval ainda vai longe

Para que servem esses diabólicos Blogs?

Para que servem esses diabólicos Blogs? Ora para ficarmos de olho no mundo como ele é, como foi no passado, e ir especulando como poderá ser no futuro.

Chaves

Falemos sobre a eleição de 2010

Quem no PT ira ter coragem no PT para dizer ao presidente que a senhora Dilma tem dificuldade de descer ao gosto popular? Alguém dirá? Até parece que todo o PT se acaudilhou sobre a liderança popular do presidente lula, a popularidade concedeu ao supremo mandatário a possibilidade de suprimir a vontade dos milhares de filiados desse partido.
O PT consegue se igualar ao PSDB na escolha do candidato. Entre os Tucanos já há muito tempo quem decide o candidato é um pequeno colégio de cardeais.
Agora o neto de Tancredo, atual governador de minas Aécio neves, ameaça se rebelar mas ele mesmo já fez parte do egrégio colégio, só se revolta porque está há iminência de não ser o ungido por restrito colégio.
Nossos partidos chegam a um grau de hilariedade que deveria nos fazer sorrir, e sorriríamos, se eles não fizessem tudo o que fazem, com o beneplácito do dinheiro público que irriga os seus cofres.

Tucanos ameaçam realizar uma prévia

Tucanos ameaçam realizar uma prévia, ora, ora ao que parece já passou o tempo de escolher candidatos em restaurantes finos, só entre os chamados cardeais. Tão aprendendo.

Falemos sobre aquilo que ninguém gosta de falar

Falemos sobre aquilo que ninguém gosta de falar, você Já tentou? Normalmente não falta alguém para censurar, mas o assunto estava tão bom e você vem logo estragar o papo. É mais ou menos assim que funciona o cérebro do nosso presidente, ele gosta de aplausos e de quem fale com ele sobre assuntos agradáveis aos seus ouvidos, foi ao carnaval carioca porque sabia que lá seria bem recebido e o papo seria do seu contentamento, o cordão dos puxa-sacos por lá é bastante amplo.

Os apressadinhos

A campanha presidencial já está a todo vapor na Internet, nem se fale que isso é antecipação, o que a turma mais gosta é falar de eleição, acaba uma e já vem outra. Gostamos mesmo é de falar de eleição, de governo, de administração, de projetos, enfim aquilo que pode melhorar a sociedade, bom isso não agrada e também deixaria desnuda toda nossa mediocridade nacional.

Esses maravilhosos computadores

Esses computadores são mesmo maravilhosos, neles facilmente qualquer um coloca suas ideais e joga na Internet, pois bem a qualidade do que aí é posto é outra assunto que devemos pensar com uma certa calma.

Quem iria vaiar?

Presidente Lula foi ao carnaval do RJ e se anunciou que houve grande preparação para que não houvessem vaias. Ora quem iria vaiar o homem, as pesquisas não sinalizam com uma aprovação recorde? Ou exista alguma dúvida em relação as pesquisas?

Mulher Maçã da Mangueira

Dançarinas do Moulin Rouge

Brasil - 18h03 - Dançarinas do Moulin Rouge, o mais famoso cabaré francês, posam para foto no saguão de um hotel, no Rio de Janeiro. Elas estão na cidade para desfilar na escola de samba Acadêmicos do Grande Rio, a segunda a entrar na Marquês de Sapucaí, no domingo de Carnaval

Áustria


Áustria - 11h33 - Morador tenta retirar a neve acumulada no telhado de sua casa após uma forte nevasca atingir a cidade de Lackenhof

Bulgária


Bulgária - Carros amanhecem cobertos pela neve em estacionamento de Sófia. Uma forte nevasca atingiu o país, provocando o bloqueio no tráfego de grandes rodovias, atrasos nos aeroportos e o fechamento de um porto no Mar Negro. Pelo menos 156 cidades no norte do país estão sem energia elétrica

O Povo Brasileiro - 27 - Brasil Caboclo C

O Povo Brasileiro - 28 - Invenção do Brasil A

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

É com grande emoção que o governo Lula

É com grande emoção que o governo Lula é defendido com todos os argumentos possíveis e imagináveis. Alguns argumentos são inclusive bastante curiosos, quanto tiver paciência e nada para fazer, absolutamente nada para fazer, escreverei aqui sobre alguns desses argumentos, ou será que nem vale a pena? Argumentar neste Brasil Lulesco parece ser uma atividade absolutamente fora de moda.

Ora, ora a corrupção é proporcional!

Não será estranho se os peemedebistas se defenderem dizendo que é natural que sejem apontados como o partido mais corrupto do Brasil. Afinal em política tudo deve ser proporcional, até a corrupção.

domingo, 22 de fevereiro de 2009

Era uma marolinha

Alguns milhares de descendentes de japoneses estão voltando para o Brasil. A causa fundamental é a crise econômica. E a crise era uma marolinha.

sábado, 21 de fevereiro de 2009

PSOL quer que Jarbas dê nomes de 'corruptos do PMDB'

GUSTAVO URIBE - Agencia Estado
SÃO PAULO - Não foram só os membros do PMDB que ficaram insatisfeitos com as declarações do senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) contra integrantes do próprio partido. Por outras razões, o PSOL enviou hoje carta ao peemedebista pedindo que o parlamentar torne públicos os nomes dos integrantes da legenda que estariam envolvidos em atos de corrupção. Assinada pelo senador José Nery (PSOL-PA) e pelos deputados Chico Alencar (PSOL-RJ) e Ivan Valente (PSOL-SP), a carta afirma que a divulgação dos nomes é uma "enorme contribuição à moralização da vida pública brasileira".

"Suas denúncias devem vir acompanhadas do detalhamento de situações, nomes e fatos que gerem iniciativas aguardadas por toda a sociedade, em nome do interesse público. Esta seria uma saudável providência para que os fatos por Vossa Excelência relatados não caiam no esquecimento e possam ser devidamente apurados", pedem os parlamentares.

Ainda segundo o PSOL, deveria ser criado um fórum permanente, no Congresso, para discutir a ética na política. Chico Alencar defendeu que o fórum deveria ser criado depois do carnaval. "O PSOL jamais se furtou a exigir apurações, no mais das vezes engavetadas, quanto a casos concretos, como os mensalões petista e tucano, o escândalo Sanguessuga e outros", afirma o partido, no texto.

Em entrevista à revista Veja, Jarbas afirmou que parte do PMDB "quer mesmo é corrupção". Ontem, em entrevista coletiva, ele repetiu todas as acusações. "O PMDB quer cargos para fazer negócios. Alguns buscam o prestígio político, mas a maioria dos peemedebistas se especializou nessas coisas pelas quais os governos são denunciados: manipulação de licitações, contratações dirigidas, corrupção em geral", afirmou.

Lula

O senador também acusou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva de ser "conivente" com a corrupção que, segundo ele, está impregnada em todos os partidos, "sobretudo no PMDB". "Não é de hoje que o PMDB tem sido corrupto. Mas o Lula tem sido conivente com a corrupção. Lula e o PT não inventaram a corrupção, mas ela tem sido a marca do governo dele. É o governo do toma-lá-dá-cá", disse.

Apesar de insistir nas denúncias, Jarbas se recusou a apontar nomes de peemedebistas que praticam irregularidades. "Todo mundo sabe da corrupção do PMDB. Estou combatendo práticas, e não vou ficar puxando listas. Seria muito volumoso. Para que isso seja investigado deve haver uma pressão. Não sou eu quem vai comandar esse processo, eu apenas abri o debate dando o pontapé inicial."

Brasil, um país de mal educados

A frase que dá nome a este texto não está sendo escrita no sentido pejorativo. Está apenas querendo mostrar que nosso sistema educacional vai de mal a pior.

O Diário de S. Paulo 18 de fevereiro traz mais uma péssima notícia para as nossas famílias. Sua manchete é bem sugestiva: "Desempenho em português cai entre alunos da 4ª série". Trata-se de avaliação do aprendizado de crianças em escolas públicas do Ensino Fundamental do município de São Paulo, cidade conhecida como motriz da economia e da cultura (?) nacional. "A avaliação foi feita pelo Movimento Todos Pela Educação, com base em dados da Prova Brasil, avaliação aplicada pelo governo federal", diz a matéria. Pela avaliação de entidade federal, as crianças do ensino público paulistano deixam muito a desejar em termos de aprendizado da nossa própria língua.

Apenas 26,9% dessas crianças atingem a média necessária para serem consideradas satisfatoriamente alfabetizadas. É bom que se diga que a média esperada deveria atingir apenas 31% das crianças. Média baixíssima para que essas crianças possam ter um desempenho escolar seguinte com bom aproveitamento. Medíocre se queremos que nossas escolas preparem nossos filhos para a vida de trabalho, social e de cultura, para que "tenham vida em plenitude", como nos revelou o mestre Jesus Cristo.

A matéria vai além ao afirmar que "São Paulo teve um desempenho dentro do padrão Brasil. Nossa expectativa era de que fosse melhor, por causa dos recursos e da estrutura existente na cidade". São palavras de Mozart Ramos, presidente executivo do Todos Pela Educação.

Ora, se apenas 26 alunos entre 100 atingem um conhecimento de nossa língua razoavelmente adequado, o que podemos esperar do futuro dessa geração? Que capacidade terão esses futuros jovens para ler jornais e revistas e se informar? Que possibilidade terão de entrar no mundo das leituras que se fazem necessárias para compreender os graves problemas econômicos, sociais e culturais do mundo atual, especialmente do Brasil?

Avançando, a matéria revela ainda que na oitava série (fim do ensino fundamental) a matemática foi a grande vilã com apenas - pasmem – 7 crianças entre 100 atingindo um índice de aprendizado satisfatório. Vendo por outro lado, de cada 100 crianças 93 não fizeram o aprendizado mínimo na disciplina.

Se a estrutura escolar permitia prever melhor desempenho, ainda que medíocre, que nível de estrutura educacional é esta? Que quantidade de recursos vem sendo aplicada para a formação de nossa infância e juventude? Se compararmos o montante de dinheiro público que vem sendo jogado para o colo dos banqueiros agiotas – muitas centenas de bilhões de reais em apenas alguns anos –, veremos o grau do crime político e social que esses governantes (municipais, estaduais e federal) vêm cometendo contra todo o povo brasileiro.

Ficam algumas perguntas: onde estão os profissionais da educação que se calam ante essa barbárie? Como podem aceitar calados que sejam responsáveis por aplicar essa nefasta política educacional que vem sendo imposta pelos governantes inescrupulosos? Será que não pensam que estão construindo um mundo piorado para as futuras gerações, incluídos aí seus filhos, filhas, netas e netos? Onde estão os dirigentes de sindicatos e associações de professores que se contentam em disputar eleições e imprimir alguns jornais sem propostas de mobilização nacional? Com quem estão comprometidos? Com a qualidade de vida do nosso povo ou com aqueles que estão no poder?

A última pergunta vai para pais e mães: por que não aderir de corpo e alma aos movimentos que defendem a implantação de um sistema de educação que ajude a formar seus filhos para a vida, e para a vida com qualidade, em vez de vida vegetativa e de carneiros que tudo aceitam passivamente? Afinal, somos ou não responsáveis pelos filhos que colocamos no mundo?

Waldemar Rossi é metalúrgico aposentado e coordenador da Pastoral Operária da Arquidiocese de São Paulo.

Disceuzistas gostariam de rifar o PT gaúcho e apoiar o PMDB.

Tarso Genro sonhava com um PT sem a hegemonia do grupo de ex-ministro Zé Dirceu. A Luta era brava, todos sabiam. Aparentemente o ministro se reconciliou com alguns Disceuzistas, mas um setor expressivo do Dirceuzismo, rancoroso, faz de tudo para afundar a candidatura do ministro da Justiça ao governo do RS. Gostariam eles de rifar o PT gaúcho e apoiar o PMDB, é o que estão fazendo agora contando com a ativa participação da própria candidata a presidente.

DEBATE SOBRE ANISTIA - TV FUTURA - 26/08/2008 - PARTE 1

Gregorian - Voyage, Voyage

Kate Ryan - Voyage Voyage

Aécio que despaulistizar o PSDB

A idéia de prévias no PSDB, para escolha do candidato do partido à sucessão presidencial, vem da eleição passada, 2006. O hoje líder do partido no Senado, Arthur Virgílio (AM), foi o seu mentor. A idéia não foi para frente naquela ocasião por ter faltado a Virgílio força política para impulsioná-la. Ele próprio pretendia disputar as prévias, rechaçadas por Geraldo Alckimin.
A adesão do governador de Minas, Aécio Neves, à tese encontra apoio natural em Arthur Virgílio, que continua a vê-la como fator de motivação partidária e, ao contrário do que se apregoa, indutor da unidade. Não é o que pensa, no entanto, o guru do senador, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. E isso o neutraliza.
O PSDB paga caro por seu sotaque paulistano. É lá que foi gerado, e é lá que estão suas figuras principais, o que faz com que freqüentemente atropele ou mesmo ignore suas lideranças mais expressivas nos demais estados. Mesmo no âmbito do interior do estado de São Paulo, há reação a essa centralização paulistana, de que é exemplo o comportamento rebelde de Geraldo Alckmin na recente eleição municipal.
Aécio reproduz agora a reação que teve em 2002 o ex-governador do Ceará Tasso Jereissati, que quis também desafiar José Serra na sucessão de então, sem êxito. Tasso foi derrotado, mas contribuiu para que o partido partisse desunido para a campanha eleitoral, vencida por Lula.
Aécio sabe que tem pouca (ou nenhuma) chance contra a seção paulistana do partido. Mas pretende manter esticada a corda até quando lhe for possível, de modo a impedir que os demais estados, sobretudo o seu, fiquem para trás nas decisões em torno da disputa.
Quanto mais mantiver sob tensão o partido, mais fortalecerá seu cacife político pessoal. A idéia de trocar de legenda e ingressar no PMDB, partido que vive a cortejá-lo, existe, mas, por enquanto, apenas compõe seu arsenal de ameaças. Ele teme o PMDB, por sua natural fragmentação. É um partido de caciques regionais, unido apenas pelos interesses fisiológicos de apoio ao governo federal.
Não há uma liderança nacional, como o foi no passado Ulysses Guimarães, que possibilitava alguma unidade à legenda. Aécio poderia ocupar esse lugar, mas receia que já não haja espaço para aquele papel. Desde que se viu privado de Ulysses, o PMDB investe na sua descentralização, que lhe permite fechar acordos em frentes antagônicas. Neste momento, por exemplo, parte do partido fecha com a candidatura de Dilma Roussef, enquanto outra, representada pela seção paulista, sob o comando de Orestes Quércia, fecha com José Serra. O partido quer estar presente no futuro governo, seja ele qual for. A ala que vier a ser derrotada sabe que será absorvida pela vencedora na seqüência imediata da posse.
Foi assim na primeira eleição de Lula, quando o hoje ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima, apoiou José Serra. Na segunda eleição de Lula, já governista, Geddel o apoiou, enquanto outros correligionários, cumprindo a coreografia estabelecida, apoiavam Alckmin, mesmo sabendo-o com remotíssimas chances.
Aécio quer ser, no mínimo, um eleitor influente, capaz de garantir espaço expressivo no futuro governo. Se absorver José Serra desde já como fato consumado, terá que se conformar com um papel secundário. Se continuar sendo uma pedra no sapato daquela candidatura, será cortejado. Pode vir a ser o vice ou o indicar, garantindo também alguns ministérios importantes. Pode mudar de partido e vir a ser o candidato. Pode também estabelecer uma dissidência, que o leve a negociar votos com a candidata do PT.
Tudo dependerá dos desdobramentos. Serra, de sua parte, mantém distanciamento da briga para a qual está sendo chamado. Já admitiu as prévias, apenas para esvaziá-las. Há intermediários em cena, empenhados em inviabilizá-las. O bombeiro-chefe da operação é Fernando Henrique Cardoso, amigo de Aécio e defensor da candidatura de Serra. FHC, no entanto, não foi bem-sucedido na operação similar que pretendia, na eleição municipal do ano passado, tirar Alckmin de cena.
Até aqui, não obteve resultados melhores. Ao contrário, já recebeu de Aécio reprimendas por estar insistindo na paulistização do processo sucessório dentro do PSDB. O grande aliado tucano de Aécio não lhe tem sido de valia. É Tasso Jereissati, que, por representar o PSDB pobre – o do Ceará -, pode apenas integrar o coro dos ressentidos dentro do partido.
Mesmo sem chances, Aécio insistirá. Já agendou viagens por todo o país, em busca de apoio junto às seções regionais do PSDB. Com isso, fortalece seu cacife e impõe mais humildade aos tucanos paulistanos, fazendo-os ver que a sucessão não se resolve apenas em São Paulo. Lula assiste feliz ao embate, dando, por motivos óbvios, a maior força a Aécio.
Ruy Fabiano

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Simon: PMDB não pode "dar" pra quem paga mais

Especial para Terra Magazine


O PMDB se arrasta dividido. Parte de seus membros se apoiam no governo Lula, outra flerta com o PSDB do governador paulista José Serra. E ainda sobram críticas sobre a ausência de independência do partido que pode ser decisivo nas eleições de 2010.

Duas semanas depois de ter ganhado as disputas para as presidências do Senado e da Câmara, o PMDB é protagonista de uma intensa troca de acusações. O prenúncio de como será difícil articular uma unidade entre os peemedebistas.


Em entrevista a Terra Magazine, o senador Pedro Simon (PMDB-RS) materializa suas críticas ao fisiologismo do partido, que adere ao governo em troca de cargos. Simon concorda com as críticas feitas por Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) à revista Veja.

Na edição da revista, Jarbas criticou: "O PMDB é um partido sem bandeiras, sem propostas, sem um norte". Na sua avaliação, o partido se resume a "uma confederação de líderes regionais (...), sendo que mais de 90% deles praticam o clientelismo, de olho principalmente nos cargos".

Simon engrossa o coro e fala que o PMDB é um partido onde os membros "se preocupam com cargos, favores, vantagens". O senador recrimina a ausência de programa político do seu partido. "Um grupo está com Lula, outro com Serra. Quem é que está com o PMDB?".

- Não podemos ficar nessa posição de noiva que dá para quem oferece mais.

"Os homens do FHC são os homens do Lula", diz Simon. Prossegue: "Geddel é um caso típico, era o homem de mais absoluta confiança do FHC e hoje é o homem do Lula". O senador afirma não existir diferenças entre ex e atual presidente.

- Nada é mais igual que o PSDB do Fernando Henrique e o PT do Lula no governo.

Simon se diz concordar com as declarações de Jarbas e arrisca que "em cima da entrevista é possível que queiram expulsar o Jarbas", o que, na sua avaliação, "é ridículo".

Em nota à imprensa divulgada nesta segunda-feira, 16, a executiva do partido se manifestou dizendo que "trata-se de um desabafo ao qual a Executiva Nacional do Partido não dará maior relevo".

Sobre as eleições e a divisão do PMDB entre PT e PSDB, Simon reforça as palavras de Jarbas:

- Essa gente só quer saber de permanecer no governo e, se o Lula transferir sua popularidade para Dilma, vão de Dilma. Caso não consiga, vão de Serra. Ou seja, não existe um programa político próprio do PMDB.

Leia na íntegra a entrevista com o senador Pedro Simon:


Terra Magazine - O senhor concorda com as críticas do senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE)?
Pedro Simon - Concordo, ele disse muitas verdades. Talvez a forma não tenha sido a mais ideal. O PMDB é um partido que não se identifica com as bases. O partido teve grandes vitórias, eleições para presidência do Senado, Câmara, prefeitos e vereadores. Porém, na hora de assumir é um partido secundário, onde os membros se preocupam com cargos, favores, vantagens. Por oito anos, durante o governo FHC, o MDB estava lá, fazendo parte do Ministério. Agora, com o Lula, nada mudou. Não há interesse por formular um programa, apresentar uma candidatura própria.

Acredita que o País precisa de uma reforma ética e política?
Sim e não. Não podemos fugir dela, ela é necessária. Porém não acredito que os comandantes queiram a reforma. Nem Lula quer, nem a oposição. Eles fingem uma reforma. Não tratam com seriedade a fidelidade partidária, eleições corruptas vinculadas à verba pública. Frente a isto, todos falam em reformas, mas ninguém a quer de verdade. Nem governo, nem oposição.

Como o senhor avalia as críticas feitas ao PMDB? Carguista, só visa o prestígio político...
Isto não é só o PMDB. São todos os partidos. O próprio Jarbas diz que não sai do PMDB porque não tem para onde ir. Durante oito anos o PSDB fez tudo o que quis fazer. Vendeu a Vale em troca de banana. Medida mais antipatriótica que já vi em 30 anos de carreira política. A segunda medida foi a votação da ementa que permitia a reeleição do FHC. Foi comprada. Escandalosamente. Então, no tempo FHC foi assim. No tempo do Lula, nada mudou. Na oposição o PT era uma maravilha, na situação... Nada é mais igual que o PSDB do Fernando Henrique e o PT do Lula no governo.

Concorda no apoio a Serra?
Concordo plenamente com as críticas que meu amigo Jarbas teceu em relação ao atual governo. Mas faltou falar do governo anterior. Quando ele afirma que vai apoiar o Serra, está fazendo um desserviço. Um grupo está com Lula, outro com Serra. Quem é que está com o PMDB? Quem se preocupa com que tenhamos um programa, uma idéia, um candidato à presidência da república? Temos que nos valorizar enquanto partido. Não podemos ficar nessa posição de noiva que dá para quem oferece mais.

Ele fez críticas severas, mas não aponta nomes e quais os esquemas, acredita que ele deveria tê-lo feito? Por quê?
Ele deu inclusive percentuais. Disse que 90% dos líderes regionais praticam "o clientelismo, de olho principalmente nos cargos". Acredito que não cabia a ele falar mais do que isto. Em cima da entrevista é possível que queiram expulsar o Jarbas, o que é ridículo. É necessário chamá-lo para debater, analisar a situação e aprofundar a discussão.

Nesse momento, uma discussão desta fortalece ou enfraquece o partido para eleições presidenciais de 2010?
Acredito que uma entrevista como a dele não terá graves conseqüências. Porém, se o partido se reunir, debater, analisar, quem sabe transformaremos o limão numa limonada.

Acha que assim ele enfraquece os peemedebistas governistas?
No momento em que ele fala em apoiar o Serra, é ele quem fica enfraquecido. Parte do partido fecha com Lula e parte com Serra. O certo seria esperar para ver o que o PMDB quer. Quando ele declara seu voto, ele praticamente encerra a discussão.

Então ao apoiar Serra sem prévias ou convenções, Jarbas também não estaria reforçando essa visão de um PMDB que pleiteia cargos?
O que ele está dizendo hoje é o que acontecia no governo do Fernando Henrique também. Os homens do FHC são os homens do Lula. Geddel é um caso típico, era o homem de mais absoluta confiança do FHC e hoje é o homem do Lula. Para Jarbas, essa gente só quer saber de permanecer no governo e se o Lula transferir sua popularidade para Dilma vão de Dilma. Caso não consiga, vão de Serra. Ou seja, não existe um programa político próprio do PMDB.


Terra Magazine

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Videochat: Aldo Rebelo

Chat com Marco Antônio Villa

Chat com Marco Antônio Villa(18/1/2001)
Moderador 22:54:07
Marco Antônio Villa

O historiador Marco Antônio Villa tem provocado muita polêmica. Doutor em história social e professor universitário há 16 anos, sete deles na Universidade Federal de São Carlos (UFScar), ele é o autor da coleção Sociedade e História do Brasil, escrita para o Instituto Teotônio Vilela. A obra tem alcançado muita repercussão, pois Villa discute os mitos da história brasileira ao destronar heróis como Tiradentes, ao questionar a idéia de que a República realmente significou progresso ao País e ao classificar o ex-presidente João Goulart como incapacitado. Villa é autor de outros 15 livros, entre eles Vida e Morte no Sertão, que traz a história das secas entre os séculos 19 e 20.

Moderador 20:03:45
Anônimo pergunta: Professor, que história é esta de a República não ter dado certo? Você acha que a monarquia é melhor?
Marco Villa 20:04:57
Boa noite. Temos de pensar o problema na conjuntura histórica de 1889: naquele momento o Terceiro Reinado significaria a adoção de uma série de políticas favoráveis aos mais pobres, especialmente os negros recém-libertados.

Moderador 20:05:21
CarloJean pergunta: A sua abordagem tem a deliberada intenção de destruir ídolos?
Marco Villa 20:06:24
Carlo Jean, a idéia é de questionar a construção dos mitos na nossa História e não de destruir os "nossos ídolos".

Moderador 20:07:14
Rodrigo Furtado diz: Professor, trabalho com o tema da cidadania (ativa?) na transição do Império para a República, visando, a grosso modo, a análise do processo de 'republicanização' das instituições políticas brasileiras. Como tratar deste assunto, do povo bestializado com o processo? Sou recém-formado em ciências sociais pela Unesp de Araraquara e pretendo prestar o mestrado em São Carlos.
Marco Villa 20:09:30
Rodrigo Furtado, o seu tema é excelente e instigante. Diferentemente da França, a nossa república foi uma construção de um pequeno grupo de políticos e intelectuais sem apoio popular. Foi uma história de exclusão das maiorias desde o seu início. O sentido anti-povo está muito presente na história republicana.

Moderador 20:10:31
CarloJean pergunta: Sou antropólogo e gostaria de saber se a coleção chega a abordar o papel dos indígenas na formação da nacionalidade e se repensa ídolos do indigenismo, como o Marechal Rondon!
Moderador 20:11:18
ninguém pergunta: Gostaria de perguntar ao senhor Villa por que sua resposta ao deputado Aldo Rebelo na "Folha", não foi mais crítica ao PSDB, uma vez que sabemos a posição dos 'próceres'desse partido com relação aos movimentos populares. Sei que ele não é um simpatizante do PSDB, mas seria ótimo se não restassem dúvidas a respeito.

Moderador 20:11:50
Anônimo pergunta: Roberto/sp - Marco, qual o problema com Tiradentes? Sabemos que ela não tinha barba e que a história foi um pouco romanceada, assim como a declaração de independência feita por dom Pedro I, que na realidade desceu do cavalo para ir ao mato fazer suas necessidades.
Marco Villa 20:12:17
Carlo Jean, infelizmente não. A razão é que fizemos um texto sintético e voltado para o ensino de 2º grau. A coleção não tem o objetivo de reconstruir a história do Brasil mas simplesmente apontar alguns momentos da história do Brasil independente e discuti-los.

Moderador 20:13:12
Giovani pergunta: Historicamente como se explica a enorme diferença da riqueza de nosso país comparado com os EUA, ambas nações jovens?
Marco Villa 20:14:32
Caro ninguém, realmente nada tenho com o PSDB. Fui convidado a escrever esta coleção e fiz o meu trabalho da melhor forma possível, mas, é claro, são os leitores que julgarão a coleção. Quanto ao governo FHC, você sabe, há muitos problemas especialmente quando pensamos nas maiorias (negros, camponeses sem terra, indígenas) e que não tiveram suas demandas atendidas até hoje..
Marco Villa 20:15:24
Roberto, A discussão com Tiradentes é um pretexto para discutir a construção do mito pelos republicanos, somente isto.

Moderador 20:16:34
rr pergunta: Destruir mitos ou criar outros? Terceiro reinado a favor dos negros? Futurologia? Qual a base disso?
Marco Villa 20:17:08
Giovani, este é um problema complicado e que não dá para discutir neste espaço. Desde os anos 50 foram produzidos livros que de uma forma ou de outra acabarão tratando da questão. Celso Furtado em "Formação Econômica do Brasil" dedica dois capítulos a esta sua pergunta.

Moderador 20:17:21
mark pergunta: Como o senhor vê a importância da igreja na colonização açoriana e/ou portuguesa no Rio Grande do Sul?

Moderador 20:18:18
clara pergunta: Professor,ao chamar Jango de 'banana' o senhor avalia que ele não foi importante para o País?
Marco Villa 20:19:10
Rr, não é futurologia mas história. Basta analisar a conjuntura de 1889, as críticas violentas de Rui a D. Pedro II e a Princesa Isabel e o medo de uma aliança da Coroa com os negros. Lembre-se que a República exclui os negros do processo eleitoral quando retirou os analfabetos como cidadãos. Dos negros, 99,2% eram analfabetos.

Moderador 20:20:21
clara pergunta: Que outros mitos podemos entender melhor? É verdade que a Princesa Isabel assinou a Lei Áurea com outros pretextos?
Marco Villa 20:20:37
Mark, conheço pouco ou nada do assunto. O papel da Igreja Católica no processo mais geral de conquista do Brasil não foi nada louvável. Os indígenas acabam sendo exterminados em nome de Cristo. Raros foram os padres que defenderam os indígenas, como ocorreu na América espanhola com Las Casas, por exemplo.

Moderador 20:21:10
ninguém filosofa: Talvez o senhor pudesse ter aproveitado o pretexto da polêmica jornalística para estabelecer uma relação mais viva e concreta entre o passado e o presente, mostrando que da mesma forma que a esquerda passadista que critica seu trabalho por temer pelo destino das figuras históricas construídas
Marco Villa 20:21:46
Clara, Jango não foi uma figura à altura das contradições políticas que o Brasil vivia naquela época, infelizmente. Botou fogo no curso e depois foi para o Uruguai e nós tivemos de agüentar 21 anos de ditadura.
Marco Villa 20:23:21
Clara, que eu saiba, não. O abolicionismo foi o primeiro movimento de massas da nossa história. E a maioria dos líderes abolicionistas eram monarquistas, como Rebouças e Nabuco. Eles desejam a abolição juntamente com uma reforma agrária que transformasse o negro em cidadão.
Moderador 20:23:32
Rodrigo Furtado pergunta: Professor: como se poderia melhor recortar um objeto de estudo em se tratando de analisar a questão da cidadania nas décadas de 70/80 do século passado? Através de jornais de épocas, de bibliografia primária ou deveria se estender mais o período a ser estudado? Qual a relação que poderíamos fazer com a cidadania atualmente?
Moderador 20:23:38
clara pergunta: Como o senhor avalia as gestões de FHC? Como tucano o senhor não está decepcionado? E como avalia aliança com o ACM?
Marco Villa 20:24:17
Ninguém, você tem razão , mas na imprensa sempre falta espaço. O mais estranho é que se estivéssemos discutindo isto na década de 50, seria a direita que estaria furiosa.
Marco Villa 20:26:05
Rodrigo, você já respondeu mas é bom consultar os anais parlamentares, memórias, relatórios ministeriais e documentos governamentais em geral, Infelizmente temos pouquíssimos textos de ex-escravos para poder pesquisar.
Moderador 20:26:12
waack pergunta: Tenho a plena certeza de que a República foi um retrocesso para o nosso Brasil, mas ela está aí. Gostaria de saber com toda a sinceridade. Temos algum estadista para substituir Fernando Henrique Cardoso?
Moderador 20:26:24
clara pergunta: Corrupção e fraudes sempre fizeram parte da nossa história?
Marco Villa 20:27:29
Clara, você não deve ter lido uma das minhas respostas: não sou tucano. A aliança com ACM deve-se ao projeto do governo de obter maioria no Congresso. O grande problema é que uma aliança deste tipo acaba levando o governo para a direita e impede - caso o governo deseja - uma política de reforma em defesa das maiorias.
Marco Villa 20:28:20
Waack, sinceramente não sei. Nós nunca fomos fortes em estadistas...
Moderador 20:28:28
mark pergunta: O passado, tão distorcido e encoberto como o que temos em seus vários âmbitos, ainda assim serve de base para 'entender o presente e prever o futuro', dentro daquela velha máxima tão difundida?
Moderador 20:28:48
Giovani pergunta: Quais na sua opinião foram grandes nomes na construção de nosso país?
Marco Villa 20:29:39
Clara, infelizmente sim mas é inegável que se você analisar o Segundo Reinado comparando com a República Velha verá uma enorme diferença em relação ao trato da coisa pública. Veja que na resposta que publiquei na terça na Folha citei uma carta de Campos Sales tratando deste tema.
Moderador 20:29:59
rr pergunta: Sua análise da queda de Jango e do surgimento da ditadura não é muito simplista? Jango culpado e nós pagamos o pato?
Marco Villa 20:31:00
Mark, creio que sim mas isto não é determinante. Não estou entre aqueles que dizem que a razão do nosso atraso deve-se aos portugueses: estamos independentes há 200 anos de Portugal.
Moderador 20:32:19
Roger pergunta: Como o senhor avalia a chegada da família real ao País?
Marco Villa 20:32:36
Giovani, Do século XIX para cá foram D. Pedro I, D. Pedro II, Getúlio Vargas e Juscelino. É evidente que também tivemosgrandes líderes populares desde Antonio Conselheiro, Prestes, João Cândido, Lula (este ainda temos) e por aí vai.
Moderador 20:32:55
ninguém pergunta: Como o senhor acha que os historiadores podem contribuir mais para tornar a visão de história do cidadão comum mais sofisticada? Acha que polêmicas como as que o senhor travou são úteis nesse sentido?
Marco Villa 20:33:46
Rr, a discussão é complicada e não dá para fazer aqui. Até estou pretendendo escrever um livro sobre os anos 61-64.
Marco Villa 20:34:35
Roger, segundo os especialistas, a chegada da família real deu início ao processo independentista (veja, por ex., Caio Prado Jr.)
Moderador 20:34:52
Rodrigo Furtado pergunta: São Carlos, em uma pós em sociologia política, oferece-nos meios para obtermos esses materiais de pesquisa? Qual a viabilidade deste tema com as linhas de pesquisa da UFSCar?
Marco Villa 20:36:04
Ninguém, as polêmicas são fundamentais e nos historiadores precisamos escrever para um público leitor grande numericamente e que deseja conhecer História do Brasil.
Moderador 20:36:44
Roger pergunta: Na sua opinião qual foi o período de maior progresso para o País? Já vivemos algum momento com maior distribuição de renda?
Marco Villa 20:36:47
Rodrigo, eu trabalho também com este período: basta, inicialmente, apresentar um projeto.
Marco Villa 20:37:27
Roger, os anos 1930-1960 podem ter sido os anos dourados do nosso século XX.
Moderador 20:37:41
Clio pergunta: Parece expressar simpatias pelo regime monárquico. Poderia esclarecer isso? Em segundo lugar poderia, sucintamente, reafirmar a sua posição em relação ao personagem Tiradentes?
Moderador 20:38:16
jota pergunta: Em sua opinião qual será o melhor candidato para substituir FHC?
Moderador 20:39:29
walterney pergunta: Um povo deseducado pode assimilar líderes???
Marco Villa 20:41:13
Clio, quanto ao regime monárquico creio que já respondi e também escrevi sobre isso em alguns livros meus ("Canudos, o povo da terra"; "A Queda do Império: os últimos momentos da monarquia no Brasil", entre outros). Tiradentes foi um mito construído pelos nossos republicanos por volta de 1880: afinal, a república tinha de ter seu herói e preferencialmente do Sul, pois foi um movimento desta região. Lembre-se que Frei Caneca, por exemplo, teve um papel muito mais expressivo no século XIX.A Conjuração Mineira foi um movimento com um profundo sentido conservador muito menos importante do que a Conjuração Baiana, esta sim com participação popular.
Moderador 20:41:43
Roger pergunta: Como o senhor avalia a mudança do senador Teotônio Vilela no período da luta pela a Anistia?
Marco Villa 20:41:58
Jota, não tenho a mínima idéia. Só espero que seja alguém comprometido em atender as demandas dos mais pobres.
Moderador 20:42:00
Rodrigo Furtado pergunta: Vargas mereceu a alcunha de estadista? Em caso afirmativo, em que fase?
Marco Villa 20:42:44
Walterney, a educação é fundamental em um processo de transformação social. Infelizmente, neste quesito continuamos mal.
Marco Villa 20:43:28
Roger, o papel de Teotônio Vilela foi importantíssimo no final da ditadura, na luta pela anistia e em SP quanto das greves do ABC.
Marco Villa 20:45:33
Rodrigo Furtado, Vargas marcou o século XX brasileiro, independentemente se gostamos ou não dele.Vargas tem muitas facetas mas não é correto esquecer as barbáries do Estado Novo, quando centenas de oposicionistas foram presos, torturados e alguns expulsos do Brasil (lembre-se de Olga Prestas deportada grávida para a Alemanha).
Moderador 20:45:56
Giovani pergunta: Historicamente em nosso país podemos dizer que existe ou existia um descaso com a educação em geral como forma de melhor manipular as massas?
Moderador 20:46:11
walterney pergunta: Qual a dinâmica da história??? Quero dizer, não existe prêmio Nobel de História, existe???
Marco Villa 20:47:27
Giovani, é difícil responder seriamente esta questão. Panfletariamente poderia dizer que sim mas, lembre-se que para a própria classe dominante nem sempre é bom ter um povo sem educação formal. No nosso caso, a educação só se transformou em um grande tema político depois da revolução de 1930.
Marco Villa 20:48:16
Walterney, não entendi bem a sua pergunta. Prêmio Nobel de História não existe mas não seria nada mal criá-lo.
Moderador 20:49:14
mark pergunta: Existe algum partido político no Brasil que, efetivamente, possua um referencial histórico e ideológico, reavivando idéias de partidos de épocas mais distantes?
Moderador 20:49:25
Luciano-- pergunta: O Brasil ainda vai ser uma potência?
Moderador 20:49:47
Robson pergunta: Voltando a Tiradentes, qual era, na opinião do professor, o objetivo da Conjuração Mineira?
Marco Villa 20:50:43
Mark, temos mais de 3 dezenas de partidos, partidos para todos os gostos. Creio que cabe a cada um de nós analisar a ação prática de cada um deles e militar/votar naquele que estiver mais próximo do que desejamos para o Brasil.
Marco Villa 20:51:06
Luciano, vai ser difícil.
Marco Villa 20:52:37
Robson, os grandes estudos sobre a Conjuração Mineira (Maxwell em especial) demonstram que os conjuradores não queriampagar impostos que deviam a Portugal (os valores devidos eram altíssimos). Buscar um ideário republicano e de Brasil no movimento é um enorme exagero.
Moderador 20:52:57
mark pergunta: Qual sua opinião sobre Eduardo Bueno? Ele é apenas um historiador light, próprio para leituras rápidas, ou acrescenta informações às questões do descobrimento?
Marco Villa 20:54:23
Mark, Bueno é um jornalista que trabalha com a história e não um historiador. Obviamente, que não há qualquer problema nisso mas não podemos misturar as coisas. O grande problema é que nós historiadores nem sempre escrevemos para um público mais amplo. Nossas teses são herméticas e de difícil leitura.
Moderador 20:54:37
Roger pergunta: Como o senhor avalia a relação de Chatô e Getúlio Vargas?
Moderador 20:55:17
Luis Paulo pergunta: PRECISO MUITO LER ESTE LIVRO...COMO FAÇO?
Marco Villa 20:55:49
Roger, sinceramente desconheço o assunto. O Fernando Morais escreveu uma longa biografia do Chatô e lá certamente você encontrará a resposta.
Marco Villa 20:56:42
Luis Paulo, ligue para o ITV: (61) 311-3566.
Moderador 20:57:28
Roger pergunta: No seu ponto de vista a imprensa já esteve tão conivente ao governo como a atual?
Moderador 20:57:39
Rodrigo pergunta: Qual o motivo que levou o Brasil a ter uma dívida tão grande com os EUA?
Moderador 20:57:45
Luciano-- pergunta: Qual a sua opinião sobre Dona Leopoldina e o seu papel no processo de independência do Brasil?
Marco Villa 20:57:53
Roger, creio que não.
Marco Villa 20:58:46
Rodrigo, foram os empréstimos contraídos principalmente durante a ditadura militar. Muito dinheiro acabou "sumindo".
Marco Villa 21:00:00
Luciano, a Leopoldina tem um papel importante pois era filha do Imperador da Áustria, líder da Santa Aliança. O seu papel histórico é pouco estudado.
Marco Villa 21:00:54
Pela primeira vez participei de um bate-papo deste tipo e achei muito bom. Espero outra vez ser convidado. Abraço para todos.

domingo, 15 de fevereiro de 2009

Caçada aos imigrantes

Pois bem estamos na semana de Carnaval e nessa semana o que abundantemente se fala em nosso meio é sobre Carnaval, todos os demais assuntos que interessam a coletividade, vão ficando em segundo plano, é assim que somos no Brasil. Mas vale como registro o caso da brasileira supostamente agredida na Suiça. O que todos querem saber é se ouve ou não as tais agressões? Se forem confirmadas as ações de grupos neonazistas, o que se espera é que as autoridades brasileiras comecem a olhar a situação dos milhares de brasileiros que vivem no exterior e vem sofrendo vários tipos de humilhações, e agora ao que se noticia agressões. Na Itália se anuncia uma espécie de caçada aos imigrantes, incluindo os Brasileiros.

Maioria dos ministros do STF vota por processar Raupp

Do Blog do Noblat:

"Senador é acusado de ter desviado recursos de empréstimo quando era governador de Rondônia
De Mariângela Gallucci:
A maioria dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) votou ontem pela abertura de ação penal contra o senador Valdir Raupp (PMDB-RO). Mas um pedido de vista adiou pela segunda vez a abertura do processo por crime contra o sistema financeiro.
Por enquanto, seis ministros já se posicionaram a favor da abertura da ação, o que transformaria Raupp em réu, e um contra. Mas, teoricamente, os ministros podem mudar de ideia até a conclusão do julgamento."

Future of Panama Canal - and how it works - by Patrick Dixon

sábado, 14 de fevereiro de 2009

ESQUERDA EM SILÊNCIO

Feras domesticadas pelo Planalto
A esquerda brasileira anda silenciosa na Era Lula. Habituados a ocupar as avenidas de Brasília em manifestações gigantes contra os governos anteriores, partidos e organizações como a Central Única dos Trabalhadores (CUT) e o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) passaram a liderar eventos em defesa das ações do Planalto.

A mudança de comportamento começou em agosto de 2005, com a caminhada do “Fica Lula”, organizada para apoiar o governo, à época mergulhado no escândalo do mensalão. Com receio de que alguma das três CPIs então instaladas no Congresso resultasse num pedido de impeachment de Lula, CUT, MST e a União Nacional dos Estudantes (UNE) reuniram mais de 5 mil pessoas em frente ao Congresso, hostilizando parlamentares de oposição e prestando solidariedade ao presidente. Estava inaugurada uma nova prática em Brasília: o protesto a favor do Planalto, algo inédito, por exemplo, nos governos Fernando Collor (1990-1992) e Fernando Henrique Cardoso (1995-2002).

Desde então, são escassas as megapasseatas na Esplanada dos Ministérios e nas cercanias do Palácio do Planalto. Nos últimos anos, as manifestações se resumem a movimentos grevistas ou a pressões sobre o Congresso. No episódio mais virulento durante o governo Lula, 300 integrantes do Movimento de Libertação dos Sem Terra (MLST), uma dissidência radical do MST, invadiram e depredaram a Câmara em 2006, em protesto pela reforma agrária. Para reclamar de uma prerrogativa exclusiva do governo, a violência foi direcionada ao parlamento.

– A esquerda agora está no poder. Não há oposição como o PT e os movimentos sociais faziam. Imagina se hoje um grupo de direita iria invadir o apartamento de Lula, como fizeram na fazenda de Fernando Henrique Cardoso – analisa o antropólogo Roberto da Matta.

Apesar da relação amistosa com o governo, o MST tenta reforçar a imagem de independência. É comum, porém, a presença de líderes vinculados à defesa da reforma agrária na antessala de gabinetes ministeriais. No orçamento do ano passado, o Ministério do Desenvolvimento Agrário dispôs de R$ 5,9 bilhões para a organização de assentamentos. Somente para entidades privadas ligadas ao setor, o ministério destinou R$ 206 milhões em 2008.

– Não ficamos calados nem paramos com as ocupações e as marchas. Mas também não fizemos nenhum ato contra. Não queremos que o governo seja um fracasso – admite o vice-presidente da Confederação dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), Alberto Broch.

Para presidente da CUT, entidade “passou de fase”

Maior central sindical do país, na quarta-feira a CUT organizou nas principais cidades do país o Dia Nacional de Luta pelo Emprego e pelo Salário, mas o principal alvo da entidade foi o governador de São Paulo, José Serra, provável candidato do PSDB à Presidência em 2010. No Estado, a governadora Yeda Crusius enfrentou a campanha promovida por sindicatos que estampava, em cartazes e outdoors, fotos dela ao lado de mensagens como “Essa é a face da destruição do RS”.

Presidente da CUT, Artur Henrique da Silva refuta um eventual controle da entidade pelo Planalto. O sindicalista, contudo, admite manter uma relação amistosa com o governo.

De acordo com Henrique, a redução no volume de manifestações é fruto dos canais de diálogo abertos pelos ministros de Lula. Ele também descarta a convocação de greves gerais, instrumento utilizado com frequência contra governos anteriores.

– Greve geral para quê? Não podemos ter a infantilidade de alguns extremistas de esquerda que acham que vão derrubar o governo e instalar um regime revolucionário e socialista. A CUT já passou dessa fase. Fizemos cinco marchas no governo Lula, só que agora elas culminam em reuniões com os ministros e não em tentativas de invasões – justifica Henrique.

O sociólogo de orientação marxista Emir Sader aponta como um dos motivos para a passividade da esquerda a presença no governo de sindicalistas e representantes de movimentos. Ao atender a parte das demandas de categorias historicamente alinhadas ao PT, Lula teria apaziguado os ânimos de uma classe antes marginalizada.

– O governo tem 85% de popularidade, 5% de rejeição. Agora há mais crédito, mais terra. Nem a oposição é anti-Lula, ela se diz pós-Lula – afirma Sader, um dos idealizadores do Fórum Social Mundial, cuja edição deste ano obteve R$ 86 milhões em recursos federais.

fabio.schaffner@gruporbs.com.br

FÁBIO SCHAFFNER Brasília

Ações do documento Sarney pergunta ao filho se Abin lhe deu informação sigilosa

Sarney pergunta ao filho se Abin lhe deu informação sigilosa

A PF alegou que a menção à Abin, a única em várias horas de gravação, não é suficiente para que seja aberta uma investigação que apure o eventual repasse de informações sigilosas aos Sarney por agentes do órgão

Fabio Góis
Congresso em Foco
Mal tomou posse na presidência do Senado, o ex-presidente da República José Sarney (PMDB-RN) já está às voltas com um potencial escândalo. Uma interceptação telefônica feita pela Polícia Federal, com autorização da Justiça, registrou um diálogo no qual Sarney pergunta a seu filho, o empresário Fernando Sarney, se ele havia recebido informações da Abin, a Agência Brasileira de Inteligência, supostamente a respeito de uma ação judicial que corria sob sigilo. A notícia foi publicada na edição de sábado(7) do jornal O Estado de S. Paulo.
A conversa entre Sarney e Fernando foi gravada em 17 de abril do ano passado, e teria durado três minutos e 32 segundos. Ao telefone, Fernando pergunta ao senador peemedebista se ele tinha notícias de um processo sob segredo de Justiça ajuizado na 1ª Vara da Justiça do Maranhão, reduto eleitoral do clã dos Sarney.
“Não, até agora não me deram nada”, diz Sarney, no que é emendado pelo filho. “Muito bem, mas aqui eu já tive notícia, aqui do Banco da Amazônia”, responde Fernando, para ouvir do pai a menção à agência: “É, né? Da Abin?”, quer saber o senador. “Também”, arremata Fernando.
A PF alegou que a menção à Abin, a única em várias horas de gravação não é suficiente para que seja aberta uma investigação que apure o eventual repasse de informações sigilosas aos Sarney por agentes do órgão. As informações seriam referentes à Operação Boi Barrica, que investiga a possível participação de uma das empresas de Fernando Sarney em esquema de financiamento ilícito na campanha eleitoral de 2006.
Por meio de ofício enviado à 1ª Vara Criminal de São Luís, a PF considera que o comportamento dos investigados passou a ser suspeito depois que o inquérito foi instaurado. Em um dos diálogos grampeados, Fernando determina a uma secretária que esvazie as gavetas de seu escritório e guarde o material em segurança assim, um eventual mandado de busca e apreensão não traria problemas. Agentes da PF tentaram localizar os documentos, mas nada encontraram.

Que bela Itália!

Em 1º de fevereiro, três italianos, de 29, 28 e 16 anos espancaram e queimaram com gasolina um mendigo indiano em Nettuno, perto de Roma. Segundo a polícia, não foi um ato racista: fizeram isso “para divertir-se”.

Italianadas

Porque é tão importante para o governo da Itália a volta do senhor Batisti? Seria pelas mesmas razões que os imigrantes estão sendo caçados em toda a Itália e mandados de volta para os seus países de origem?

FASCISMO EM ALTA NA ITÁLIA

Eliakim Araújo

Com Berlusconi no comando, a Itália tem caminhado a passos largos em direção a novas formas de fascismo, no qual as grandes vítimas são os imigrantes. Na semana que passou, o Senado italiano aprovou a nova Lei de Segurança, na qual está inserida a norma que obriga os médicos a denunciarem os imigrantes indocumentados que procurem os postos de saúde pública.

Trata-se de mais uma medida autoritária e desumana dos dirigentes de um país que, no passado, teve seus cidadãos acolhidos em todo mundo, especialmente no Brasil. Os médicos estão revoltados e já disseram que não são dedo-duros. E a oposição teme que a medida leve os imigrantes a procurarem clinícas e médicos clandestinos, com risco de vida para os pacientes, ajudando assim a aumentar o número dessas clínicas ilegais.

Na mesma lei, os senadores aprovaram a legalização das “rondas padanas”, grupos de civis, paramilitares, que percorrem as ruas e albergues na caça aos imigrantes e ciganos. Esses grupos que têm como lema “nós não queremos os restos de outros países”, têm origem na Liga Norte, o partido dirigido por Umberto Bossi, um separatista, racista e radicalmente xenófobo, que aumentou imensamente sua influência no cenário politico italiano, ao aliar-se a Silvio Berlusconi.

A oposição, tendo à frente a senadora Anna Finnochiaro, lider do Partido Democrata, disse que a lei é uma vergonha e que "a Itália em vez de regular o fenômeno migratório passou a perseguir os imigrantes".

Faz parte dessa Liga Norte o tal deputado Ettore Pirovano, aquele que ofendeu gravemente nosso país ao declarar que “o Brasil é mais conhecido por suas dançarinas do que por seus juristas”.

Claro que nosso Judiciário não é nenhuma maravilha, mas é o que nós temos. Nem por isso, devemos admitir que um gringo racista e neo-fascista venha fazer esse tipo de insinuação, que ofende não só o poder judiciário como a própria mulher brasileira.

Tomara que o STF, ferido em seus brios, dê a resposta que esse cidadão merece, votando pela permanência de Cesare Battisti no Brasil.

Nada que venha da Itália de Berlusconi e da Liga Norte nos surpreende. Os italianos não merecem seus atuais dirigentes.

Motivo de surpresa, essa sim positiva, foi a decisão do presidente Barack Obama de limitar os salários dos executivos das instituiçõs financeiras que receberam ajuda financeira do governo, como questionamos em nossa coluna da semana passada (“Banqueiros sem-vergonhas”). Parece óbvio que, se o governo colocou dinheiro público para tirar essas empresas do buraco, delas se tornou sócio com direito a impor regras em seu gerenciamento. Foi o que fez Obama determinando que seus dirigentes não podem ganhar mais do que 500 mil dólares por ano, além de restrições aos gastos e benefícios pessoais.

Com essa medida, Obama mexe numa área sensível do capitalismo e mostra que o governo está de olho nos golpistas de Wall Street. Nos oito anos de Bush, a coisa corria frouxa, sem nenhuma fiscalização, e deu no que deu: o colapso da economia ianque com reflexos no mundo inteiro. Ponto para Obama.

A propósito, o salário do presidente dos Estados Unidos é de 400 mil dólares anuais, sem contar as mordomias.

A BARRIGA DA GLOBO QUASE COMPROMETE O BRASIL

Berna (Suiça) - A moça brasileira tinha seus problemas e provavelmente se autoflagelou. É triste.

Mais triste é o quadro da nossa imprensa irresponsável que mobilizou o país, levou o ministro das relações exteriores Celso Amorim a criticar um país amigo e Lula a quase criar um caso diplomático. É hora de denunciar a nossa grande imprensa sem deontologia, sem investigação, que afirma e desafirma sem qualquer cuidado e sem checar as notícias.

A agressão racista contra Paula Oliveira não foi um noticiario iniciado em Zurique, local da suposta agressão. Estourou no Brasil, detonada por um pai – e isso é muito compreensível – preocupado com sua filha distante. E a maior rede de televisão do Brasil, a Globo, vista por mais de uma centena de milhões de brasileiros, não teve dúvidas em transformar o caso na grande manchete do dia, fazendo com que outros milhões de brasileiros, no Exterior, já acuados pela Diretiva do Retorno, se solidarizassem e imaginassem passeatas e manifestações.

Essa é a maior barriga da história do nosso jornalismo, que revela o descalabro a que chegamos em termos de informação ou desinformação. Equivale ao conto do vigário do Madoff, ou das subprimes do mercado imobiliário americano. Só que o Madoff está preso, mesmo sendo prisão domiciliar e vivemos uma crise econômica, em consequência dos desmandos dos bancos americanos. Mas o que vai acontecer com a televisão Globo e todos quantos foram atrás ? Nada, vai ficar por isso mesmo.

Como um órgão de imprensa de tanta penetração pode se permitir divulgar com estardalhaço um noticiário de muitos minutos, reproduzido online, repicado por jornais, rádios e copiado por outras televisões sem primeiro checar no local ? Que jornalismo é esse que se faz sem qualquer investigação, sem se ouvir as partes envolvidas ? Sem deslocar antes um reporter para Zurique e entrevistar também o policial responsável pela ocorrência ? Sem ouvir a própria envolvida, fiando-se apenas no relato de um pai desesperado ? Sem pedir a opinião de um especialista em ferimentos e escoriações ?

Quem vai pagar o dano moral causado a essa jovem, que sem querer se tornou primeira página nos jornais ? Quem vai desfazer o ridículo a que se submeteu o nosso ministro Celso Amorim, que, baseado num noticiário de foca em jornalismo, sem ouvir acusação e acusado, ofendeu um país amigo exigindo que prestasse contas em Brasília por um noticiário tipo cheque sem fundo ? Quem assume o fato de quase levar nosso presidente a ficar vermelho de vergonha por se basear em noticiário sem crédito, com o mesmo valor de uma ação do banco Lehmann ?

E mais – o dano sofrido pela Suíça, em termos de imagem, justamente quando seu povo tinha justamente votado em favor dos imigrantes , quem vai reparar ?

Essa barriga da Globo, secundada pela grande imprensa, é prova do que se vem dizendo há algum tempo – não há credibilidade nessa mídia. Publica-se, transmite-se qualquer coisa, e quanto mais sensacionalista melhor. Não há responsabilidde no caso de erros, de noticiário mentiroso, vale tudo, o papel aceita tudo, a televisão transmite qualquer coisa, desde que dê Ibope – e existe melhor coisa que nacionalismo ofendido ? É o que os franceses chamam de "presse de boulevard", mentirosa, tendenciosa, com a opinião ao sabor das publicidades. Sem jornalismo investigadivo, sem confirmar as fontes, sem ouvir as opiniões divergentes.

Vão pedir a cabeça do redador-chefe ? Não, assim que se recuperarem da barriga, da irresponsabilidade cometida, da vergonha diante dos colegas, vão jogar tudo em cima da pobre jovem, que deve ter seus problemas e que a nós não compete saber, isso é vida privada, não é Big Brother.

É essa mesma imprensa marrom, que induz nossos dirigentes ao erro, que também publica qualquer coisa contra o quer chamam de “assassino desalmado” Cesare Battisti. A irresponsabilidade da imprensa é o pior inimigo da liberdade de imprensa, porque pode provocar reações legislativas limitando os descalabros cometidos.

Escrever num jornal, falar numa rádio ou numa televisão e mesmo manter um blog constitui uma responsbilidade social. Não se pode valer dessa posição para se difundir boatos, nem inverdades, nem ouvir-dizer, é preciso ir checar, levantar o fato, mencionar ou desfazer as dúvidas e suspeitas existentes. É também preciso se garantir o direito de ser mencionada a versão da parte acusada para evitar a notícia tendenciosa.

A barriga da Globo vai ficar na história do nosso jornalismo, será sempre lembrada nos cursos de comunicação, tornou-se antológica, e nela estão entalhadas, por autoflagelação, as palvras que a norteiam – sensacionalismo, irresponsabilidade e abuso do seu poder.

Existem, sim, problemas contra nossos emigrantes em diveros países, principalmente depois da criação da Diretiva do Retorno pelo italiano Silvio Berlusconi. Diariamente brasileiros são presos e mandados de volta, na Espanha, mas isso não mobiliza a nossa imprensa, não dá Ibope.

Ruy Martins

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Assinado convênio para pavimentação da estrada do aeroporto

Governo do Estado vai investir R$ 250 mil e Prefeitura, R$ 100 mil

13/02/2009 18:45 - Caçador Online



A estrada para o aeroporto Carlos Alberto da Costa Neves finalmente poderá ser pavimentada. O governador em exercício, Leonel Pavan, assinou um convênio com a Prefeitura de Caçador para as obras no valor de R$ 250 mil, com uma contrapartida da Prefeitura de aproximadamente R$ 100 mil.

“A operacionalização do Aeroporto já foi uma grande conquista para a cidade. Antigamente apenas as rodovias eram as portas de entrada do município e agora Caçador está ligada aos grandes centros da região Sul”, assinala o prefeito Saulo Sperotto, argumentando ainda que para os empresários os benefícios são ainda maiores.

“Vamos ter a possibilidade de auxiliar o crescimento econômico, uma vez que para os empresários locais e visitantes, há uma grande necessidade da logística do tempo para facilitar a locomoção”, salienta.

O Aeroporto Carlos Alberto da Costa Neves é considerado um dos melhores de Santa Catarina. “É um convênio inteligente, uma vez que se fôssemos terceirizar o serviço seria muito mais oneroso. A construção é em parceria com o Estado e a obra ainda dará acesso também ao Parque Empresarial”, acrescenta o prefeito.

Hangar
Além disso, a construção de um novo hangar no Aeroporto deverá ser efetuada. Na próxima semana, o Governo do Estado deverá fazer a transferência dos recursos do convênio para a Secretaria de Desenvolvimento Regional, através do Fundo Social. A previsão é de que a obra esteja concluída no mês de julho.

Qual a novidade?

Pois, em São Paulo três mil professores tiraram zero em um teste aplicado pela secretaria de educação. Ora qual a novidade, já não era esperado, não sejamos cínicos, qual a qualidade de certos cursos universitários? E que capacitações os governos tem fornecido aos professores?

Charges


Repensar a educação no Brasil

Victor José Faccioni

O Brasil precisa repensar a educação no país. Os tribunais de Contas, por meio do Promoex (Programa de Modernização do Controle Externo), estão realizando processo piloto de auditoria operacional na área da educação, para verificar os resultados, no que diz especificamente sobre formação e profissionalização dos educadores e professores da rede pública, com vista a atender aos critérios estabelecidos pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação. Mas não devemos esquecer o que já sabemos, por exemplo sobre o analfabetismo, cujos índices, no último ano, caíram apenas 0,4%, isto é, de 10,4% para 10%, de acordo com a recente Pnad (Pesquisa Nacional por Amostragem de Domicílios), do IBGE. Temos ainda 14,1 milhões de brasileiros nessa situação, considerado muito grave pela Unesco. Dos 23 países da América Latina, o Brasil ocupa o desconfortável 15º lugar, atrás, vejam bem, de Costa Rica (4,1%), Paraguai (6,3%), Colômbia (6,4%) e até da Bolívia (9,7%). Por incrível que pareça, Cuba tem apenas 0,2% de analfabetos, o que leva o professor mineiro Cláudio de Moura Castro, especialista em Educação, a dizer com certa ponta de ironia: 'O analfabetismo no Brasil cai porque não estão sendo gerados novos analfabetos. E os antigos estão morrendo'.
As questões preocupantes não se situam, entretanto, no acesso à educação básica, mas no baixo número de crianças que terminam a 8ª série, comprometendo o ingresso no 2º grau. Para se ter idéia dessa brutal defasagem, das 76,6% de crianças que se matriculam no 1º grau, apenas 9,7% vão para o 2º grau. Isso é grave, pois neste nível de ensino seria possível oferecer treinamento profissional a jovens que não têm interesse em um curso superior. E a preparação para o trabalho no 2º grau ou no nível médio contribuiria enormemente para melhorar a qualificação da mão-de-obra, fator determinante para o desenvolvimento.
Apesar do muito conseguido, as deficiências do sistema educacional brasileiro entravam a modernização da sociedade, já que a qualidade do ensino, público e privado, em todos os níveis, depara-se ainda com enormes deficiências. Em que pese a quase universalização do acesso à escola que se atingiu, é relativamente pequena a percentagem dos alunos que completam os oito anos de ensino básico, e o 2º grau, como referi, não consegue preparar adequadamente para a universidade ou, ao menos, para o ingresso no mercado do trabalho. Por tudo isso, é preciso repensar a educação no Brasil, valorizando as conquistas até agora, mas preparando o futuro, se desejamos realmente um país rico e próspero, alicerçado sobre a capacitação de seu potencial humano.
Conselheiro do TCE-RS

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Boris Fausto - Redemocratização - Parte 3 -3

Boris Fausto - Redemocratização - Parte 2 -3

Boris Fausto - Redemocratização - Parte 1 - 3

Regimes Militar - Parte 2 - 2

Regime Militar - Parte 1 - 2

Boris Fausto - Período Democrático - Parte 3 - 3

Boris Fausto - Período Democrático - Parte 2 - 3

Boris Fausto - Período Democrático - Parte 1 - 3

BRASIL PAIS DOS LADRÕES

Re: Você acha que o Brasil é um país pobre?

Professor nota zero

Dos 214 mil professores que se submeteram à prova da Secretaria Estadual da Educação de São Paulo, 3.000 tiraram zero: não acertaram uma única questão sobre a matéria que dão ou deveriam dar em sala de aula. Apenas 111, o que é estatisticamente irrelevante, tiraram nota dez. Os números finais ainda não foram tabulados, mas recebo a informação que pelo menos metade dos professores ficaria abaixo de cinco. Essa prova tocou no coração do problema do ensino no Brasil, o resto é detalhe.
Como esperar que um aluno de um professor que tira nota ruim ou mediana possa ter bom desempenho? Impossível. Se fosse para levar a sério a educação, provas desse tipo deveriam ser periódicas em toda a rede (assim como os alunos também são submetidos a provas). Quem não passasse deveria ser afastado para receber um curso de capacitação para tentar se habilitar a voltar para a escola.
A obrigação do poder público é divulgar as listas com as notas para que os pais saibam na mão de quem estão seus filhos. Mas a culpa, vamos reconhecer, não é só do professor. O maior culpado é o poder público que oferece baixos salários e das universidades que não conseguem preparar os docentes. Para completar, os sindicatos preferem proteger a mediocridade e se recusam a apoiar medidas que valorizem o mérito.
O grande desafio brasileiro é atrair os talentos para as escolas públicas --sem isso, seremos sempre uma democracia capenga. Pelo número de professores reprovados na prova, vemos como essa meta está distante.
Gilberto Dimenstein, 52, é membro do Conselho Editorial da Folha e criador da ONG Cidade Escola Aprendiz. Coordena o site de jornalismo comunitário da Folha. Escreve para a Folha Online às segundas-feiras.

Espetáculo e ilusão

Nas atuais Olimpíadas, bem como nas anteriores, imagens e sons vêm invadindo o cotidiano, vindas de longe, de um país que têm línguas, hábitos, histórias e culturas quase impenetráveis à maioria dos mortais que não são de lá. O que se tem visto, são, sobretudo, imagens pouco conclusivas e mesmo paradoxais.

Luís Carlos Lopes

No mundo do espetáculo e da ilusão midiática, fica cada vez mais difícil separar o real da ficção. Esta última invadiu poderosamente as consciências, por meio das mídias tecnológicas contemporâneas, que também transmitem fatos e processos reais. Ao tratar a ambos do mesmo modo, a confusão está formada, ficando quase impossível a distinção entre uma coisa e outra. Nas atuais Olimpíadas, bem como nas anteriores, imagens e sons vêm invadindo o cotidiano, vindas de longe, de um país que têm línguas, hábitos, histórias e culturas quase impenetráveis à maioria dos mortais que não são de lá. O que se tem visto, são, sobretudo, imagens pouco conclusivas e mesmo paradoxais.

Quando as câmeras vão para as ruas de Beijing, se vê uma cidade limpíssima e um povo por demais organizado, quase invisível. No ninho do pássaro, há gente de todo mundo. Os chineses se confundem com os turistas que lá estão. Quem serão os presentes nativos? Pode-se supor que lá estão os membros da nova classe rica, mesmo milionária, que nasceu nos escombros do socialismo real do país. Será? Pouco se sabe, e as mídias tradicionais pouco informam. Quem terá tido o privilégio de participar diretamente neste evento monumental?

Afinal de contas, o que é a China? O país candidato a ser o mais rico do mundo, crescendo sem parar, comprando e vendendo de e para toda parte. O segundo maior responsável mundial pela poluição, em todas suas variações e dimensões, afetando o seu próprio povo e ameaçando o planeta Terra. Um dos campeões mundiais de desrespeito aos direitos humanos, é bem verdade que seu maior acusador é forte concorrente ao mesmo pódio. Quem efetivamente manda na China? O velho Partido Comunista, a nova classe milionária ou os pesados investimentos ocidentais? Talvez, cada grupo tenha o seu quinhão.

Que mundo nascerá da hegemonia chinesa, que se avizinha a passos largos? Riqueza para alguns, salários baixíssimos para a maioria, controle imperial das potências sobre os países e nações mais pobres e indefesas? Será este o modelo de desenvolvimento, sem rosto humano, que deverá ser copiado ou aceito pelas nações emergentes?

Muitas dúvidas e poucas respostas. Pode-se falar de uma certa apreensão sobre a troca de bastões que se avizinha. Novos desafios são possíveis de se antever, para as próximas décadas.

O episódio da cerimônia de abertura onde uma linda criança chinesa dublou outra, com a voz dos anjos, põe a cavaleiro o problema da distância entre a realidade e a ficção. Se os chineses foram capazes, à busca da perfeição, mesmo que fake, de trocar imagens de pessoas reais, de que mais serão capazes? A verdadeira cantora é bela como toda a criança oriental. É difícil dizer, vendo a imagem de ambas, que a primeira era melhor do que a segunda. Nunca é demais lembrar que a beleza não está circunscrita a atributos físicos exteriores. O que vem de dentro, tal como o canto, pode superar qualquer efeito que os olhos possam enganar e ver, sem enxergar.

Luís Carlos Lopes é professor.