sexta-feira, 31 de julho de 2009

Perdão, presidente! (Ou: Ensaio sobre a cegueira)

Ricardo Noblat

Peço desculpas públicas ao presidente da República por ter criticado seu comportamento diante da crise que abala o Senado e ameaça o mandato do senador José Sarney.

Precipitei-me. Fui leviano. Imaginei ter visto Lula interferir várias vezes na vida do Senado - antes da crise irromper e com ela em curso.

Antes: quando Tião Viana (PT-AC) foi ao Palácio do Planalto e saiu de lá com o sinal verde dado por Lula para disputar a presidência do Senado.

Antes: quando Sarney foi a Lula e jurou três vezes que não seria candidato.

Antes: quando Sarney voltou a Lula e disse que seria candidato atendendo a uma convocação do PMDB.

Antes: quando Lula então abandonou Tião e ficou com Sarney.

Depois que a crise foi detonada: quando ele afirmou que Sarney era uma pessoa incomum e que, portanto, merecia ser tratado como uma pessoa incomum.

Depois: quando ele disse e repetiu várias vezes que o Senado não poderia ser paralisado por denúncias publicadas diariamente pelos jornais - e desdenhou delas.

Depois: quando ele mandou Dilma Rousseff avisar a Sarney que o apoiaria para o que desse e viesse.

Depois: quando ele forçou o PT no Senado a mudar de posição e esquecer o pedido para que Sarney se licenciasse do cargo.

Depois: quando ele escalou o ministro José Múcio Monteiro, das Relações Institucionais, para desautorizar o líder do PT Aloizio Mercadante que voltara a defender a licença de Sarney.

Foi tudo um tremendo engano da minha parte. E não me consola o fato de que a maioria dos meus colegas também se enganou.

Fomos vítimas de um ataque de cegueira coletiva.

Lula disse hoje, irritado, que nada tem a ver com a crise do Senado. E disse também que a permanência de Sarney na presidência do Senado não é problema dele.

Foi uma declaração coerente com com suas atitudes recentes.

Sarney foi devolvido ao estágio anterior de homem comum.

Perdão, presidente!

Brasil e África - relações culturais e econômicas

Repetidamente, o presidente Lula tem destacado a necessidade de o Brasil intensificar o intercâmbio comercial e cultural com a África. Uma das preocupações é a precariedade do transporte entre o país e as nações daquele continente.
Para fortalecer a relação diplomática, além da presença de 34 embaixadas no continente, Lula visitou 20 países. Na cúpula da União Africana, ele afirmou que "chegou o tempo de porem em marcha novas formas de cooperação econômica sem intervenção estrangeira".
Disse ainda que, segundo um provérbio, "se não queres que os outros escrevam por ti, escreves tu próprio a tua história. Brasil e África devem escrever juntos a sua história e o seu futuro comum".
Na ocasião, o presidente anunciou que vai organizar uma reunião dos ministros da agricultura africanos no Brasil para que possam compreender melhor a experiência brasileira no setor.
Mesmo que a relação diplomática entre essas nações seja prioridade do governo, os avanços não estão à altura das necessidades e das oportunidades. O esforço do Planalto, apesar de visível, não é suficiente.
É preciso que haja mudança na forma de pensar da sociedade. O país – como um todo – deve ter em mente que o momento de investir no relacionamento com os países africanos é agora. Sobretudo porque a África vive um boom de investimentos.
De acordo com Fareed Zakaria, escritor e jornalista norte-americano especializado em relações políticas internacionais, pela primeira vez na história, o continente africano recebe mais investimentos diretos do que auxílio.
A China, por exemplo, tem dado excepcional atenção ao continente, o que mereceu extensa reportagem da revista norte-americana Fast Company a respeito das ações chinesas na região.
Segundo mostra a reportagem, existem mais chineses na Nigéria do que britânicos no auge do período colonial. A matéria diz ainda que, enquanto os Estados Unidos se desgastava no Iraque, a China "invadia" a África.
No caso brasileiro, a bobeada é mais dramática. O país tem evidentes identidades culturais e um imenso potencial econômico e comercial com os africanos.
Entretanto, apesar de várias empresas brasileiras estarem presentes em países da região, temos potencial para avançar muito mais. Carregamos um déficit comercial significativo. Só no ano passado, foram mais de 5 bilhões de dólares perdidos.
Em 2007, foram quase US$ 3 bilhões. Assim, com um pouco mais de empenho e visão estratégica, será possível equilibrar a balança comercial e ainda expandir os investimentos diretos no mercado interno.
No decorrer deste ano, destacam-se dois eventos importantes para estreitar as relações Brasil-África. O primeiro será o colóquio promovido pelo Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, o Conselhão, coordenado pela Presidência da República.
Ele será realizado em Salvador no segundo semestre, em data a ser definida. Outro acontecimento relevante será o Fórum Brasil-África, que vai ser promovido pela Arko Advice e pela ANCEABRA, entidade nacional de empresários afro-brasileiros.
A exemplo do colóquio, o encontro será realizado na Bahia. Com isso, apesar da morosidade, aos poucos a realização de eventos despertará a sociedade para a relevância cultural e econômica do aprofundamento das relações com o continente africano.
Historicamente o Brasil tem um débito com a África, sobretudo por ter defendido o regime de apartheid – segregação racial.
Após longo e sepulcral período de silêncio, para quitar essa dívida as relações com as nações africanas ganharam novo impulso na era do presidente Lula.
Inclusive, após o término do seu mandato, em 2010, Lula já tem planos sobre o assunto. Pensa em trabalhar na integração da América Latina e da África. Segundo ele, o Brasil está perdendo um potencial extraordinário tanto na questão política quanto na comercial com o continente.
Está completamente certo.

Mestre em ciência política e doutor em sociologia pela UnB, Murillo de Aragão é jornalista, presidente da Arko Advice e membro do CDES – Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social.

O golpe em Honduras e os neoconservadores dos EUA

O golpe em Honduras e os neoconservadores dos EUA

Os militares hondurenhos não dariam um golpe de Estado se não contassem com respaldo de alguns setores, nos Estados Unidos, que se opõem à política exterior do presidente Barack Obama, sobretudo com respeito à Venezuela, Cuba e à América Latina, e querem criar-lhe dificuldades. A análise é do cientista político Luiz Alberto de Vianna Moniz Bandeira, em entrevista ao jornal A Tarde. Para ele, é provável que setores da CIA e do Pentágono, que se alinham com os neo-conservadores, tenham dado o sinal verde para a derrubada do presidente Manuel Zelaya.

Moniz Bandeira - A Tarde

Entrevista publicada no jornal A Tarde, de Salvador.


A Tarde: Com relação à crise em Honduras, é possível que tenha havido alguma participação dos Estados Unidos?

Moniz Bandeira – Eu não diria participação dos Estados Unidos, mas me parece certo que os militares hondurenhos não dariam um golpe de Estado se não contassem com respaldo de alguns setores, nos Estados Unidos, que se opõem à política exterior do presidente Barack Obama, sobretudo com respeito à Venezuela, Cuba e à América Latina, e querem criar-lhe dificuldades. Há fortes evidências neste sentido. Congressistas do Partido Republicano, como Mário Díaz-Balart, da representante da comunidade cubano-americana de Miami, e Mike Pence, também um conservador extremista, declararam que não houve golpe militar no sentido do termo e atacaram a posição do governo de Obama bem como a posição assumida pela OEA. O mesmo pronunciamento fez Roger Noriega, ex-secretário assistente o para o Hemisfério Ocidental, no governo do presidente George W. Bush, e o que mais impulsionou o agravamento das sanções contra Cuba, que Obama agora começa a reverter. Manifestou-se abertamente em favor do golpe militar, alegando que o presidente Manuel Zelaya agiu fora da lei e que os “irresponsáveis diplomatas regionais, que haviam falhado de confrontar os caudilhos anti-democráticos caudillos na Venezuela, Bolívia, Equador, Nicarágua e Honduras, foram cúmplices nos seus abusos”.

Esses neocons (neo-conservadores) justificaram o golpe militar, dizendo que os hondurenhos, derrubando o governo do presidente Manuel Zelaya, atuaram para defender a democracia e preservar a lei. Mas não que o governo de Manuel Zelaya houvesse suprimido no país as liberdades civis e as instituições democráticas.

AT: Mais precisamente, quais os vínculos que os militares em Honduras têm com os Estados Unidos?

MB – Provavelmente, setores da CIA e do Pentágono, que se alinham com os neo-conservadores e se opõem à política do presidente Barack Obama, deram ao Exército o sinal verde hondurenho para a derrubada do presidente Manuel Zelaya. Em Honduras, a presença militar dos Estados Unidos é marcante. Lá, na base aérea de Soto Cano (Palmerola), está sediada a Joint Task Force-Bravo, integrante do U.S. Southern Command (Southcom), com cerca de 350 a 500 soldados, do 612th Air Base Squadron e o 1st Battalion, 228th Aviation Regiment. Nessa base, nos anos 1970 e 1980, foram treinadas as tropas hondurenhas, integrantes do Batalhão 3-6, acusadas de inúmeros seqüestros, abusos e crimes contra os dissidentes hondurenhos. E, nos anos 1980, Honduras foi o santuário dos “contra”, dos guerrilheiros que combatiam o governo sandinista da Nicarágua, com recursos financeiros ilegais fornecidos pela administração do presidente Ronald Reagan. É lógico, portanto, concluir que os militares hondurenhos não se atreveriam a dar um golpe de Estado, em franco desafio à política exterior que o presidente Barack Obama pretende executar, sem contar com o respaldo de setores políticos do Partido Republicano, bem como do Pentágono e da CIA.

AT: O senhor disse em entrevista que Obama não teria condições de reverter a política externa de George W. Bush, que tais mudanças seriam apenas "cosméticas". Se a política externa que está sendo construída por Obama é tão “cosmética“, por que teria causado insatisfação destes setores internos do governo norte-americano, a ponto de fazê-los incitar um golpe em Honduras?

MB – Eu disse que ele, fundamentalmente, não tem condições de reverter, porque um presidente, qualquer que seja sua tendência política, não pode fazer o que quer, o que deseja, devido às relações reais de poder nos Estados Unidos. O presidente, em qualquer país, sobretudo dentro de um regime democrático, faz apenas o que pode, dentro da correlação de forças existente na sociedade. Obama, por exemplo não pode cortar substancialmente as encomendas do Pentágono, a fim de reduzir o déficit fiscal dos Estados Unidos, que cresce de ano a ano. Se tentasse fazê-lo, diversas indústrias de material bélico logo quebrariam, aumentando o desemprego e arruinando os Estados onde estão instaladas. Nos anos 1980, o Estado da Califórnia dependia mais do que qualquer outro das despesas militares, a maior parte com programas nucleares, tais como a fabricação dos bombardeios B-1 e B-2, o Tridente I e o Tridente II, os mísseis MX, a Strategic Defense Initiative (guerra nas estrelas), e vários outros programas, tais como o MILSTAR. As empresas contratadas recebiam 20% do orçamento do Departamento de Defesa. As pessoas e as organizações na Califórnia e em outros Estados naturalmente que se opunham à redução das encomendas de material bélico.

AT: Zelaya, Chávez e Evo Morales se sustentam num discurso de representação dos pobres. Esse neo-populismo de esquerda seria a única resposta possível aos regimes de direita, militares e conservadores que eram apoiados pelos Estados Unidos entre os anos 60 e 80 na região? A política de Chávez, que apontou o governo Micheletti de "ditadura", não seria também opressora para com os opositores do governo venezuelano?

MB – Não vou entrar no caso de Honduras, porque a situação, na América Central, não é igual à da América Sul. Do ponto de vista geopolítico, os países da América Central, como Honduras, gravitam mais na órbita dos Estados Unidos. Porém, o que sei é que Hugo Chávez e Evo Morales foram eleitos democraticamente e seus governo exprimem um tipo de revoltas das camadas mais exploradas e oprimidas, tanto na Venezuela como na Bolívia. E falar de “neo-populismo de esquerda” nada explica, porque, antes de tudo, é necessário explicar porque “neo”, porque “populismo”, porque “de esquerda”. O populismo é um fenômeno bastante complexo, que apresenta, em cada país, especificidades, e esse conceito perde, na generalização, o rigor científico e, em conseqüência, a utilidade teórica e prática. De modo geral, é um contrabando ideológico que os conservadores aplicam a todos os governos que tratam de atender às reivindicações populares, contrariando os interesses das elites, das classes dirigentes. E quanto ao governo do presidente Chávez, embora não se possa estar de acordo ou aprovar todas as suas iniciativas, todas as suas atitudes, não se pode dizer que sua política é “opressora” dos que se opõem ao seu governo. Que eu saiba, lá não há presos políticos e a imprensa não está sob censura. Mas é bom lembrar que os Estados Unidos, em abril de 2002, apoiaram abertamente um golpe militar-empresarial para derrubá-lo e, através da National Endowment for Democracy (NED), com fundos do Congresso, sempre financiaram, na América Latina, sobretudo na Venezuela e em Cuba, as correntes de oposição, que dizem defender a democracia.

AT - Neste novo contexto latino-americano, há definições possíveis e claras para democracia e ditadura? Quais os exemplos?

MB - Não vou entrar em discussões teóricas, conceituais, sobre o que é democracia e o que é ditadura, numa simples entrevista, sobre um caso concreto, como o golpe militar em Honduras.

AT - A Igreja Católica em Honduras foi a única instituição a defender o novo governo de Micheletti, alegando evitar a infiltração de um modelo chavista. Como avalia esta posição?

MB –A Igreja Católica tende, em geral, para o conservadorismo. No Brasil, apoiou o golpe militar de 1964, mas depois grande parte do clero inflectiu para a oposição à ditadura.

AT - Até agora o governo brasileiro tem se mantido afastado da crise em Honduras? A que o senhor atribui essa posição do governo brasileiro?

MB – O Brasil tem como princípio de política exterior não intervir nos negócios internos de outros países. Porém, demonstrando de forma inequívoca que não reconhece o governo emanado do golpe de Estado, retirou seu em embaixador de Tegucigalpa.

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Um Brasil, uma mesma proposta e dois candidatos

Ilimar Franco

A curiosa natureza da próxima sucessão presidencial

À medida que o tempo passa estão se encurtando as distâncias programáticas entre os dois principais projetos de poder político no Brasil. A realidade econômica e a popularidade do presidente Lula estão empurrando a próxima disputa eleitoral para uma estranha convergência. Provavelmente os eleitores serão chamados a votar, de acordo com um especialista em pesquisas e marketing, em "dois futuros compatíveis". Em 2010, nós eleitores ao que tudo indica seremos chamados não para votar em projetos distintos de país, mas quem será capaz de conduzir um mesmo projeto de futuro.

Vamos dar alguns exemplos. O principal candidato da oposição, o governador José Serra, vive cobrando juros mais baixos. O Copom no governo Lula está jogando os juros lá para baixo. A oposição pede menos impostos. O DEM liderou uma campanha que resultou no fim da CPMF. Por conta da crise, o governo Lula reduziu impostos e recente pesquisa GPP, encomendada pelo DEM, constata que para os entrevistados que o partido mais capaz de diminuir os impostos é o PT. O governo Lula ampliou para 11 ou 12 milhões de brasileiros o Bolsa Família e os tucanos há dois meses reivindicaram para si a criação da Rede de Proteção Social. Eles aposentaram o Bolsa Esmola de 2006. Com a descoberta do petróleo no pré-sal, os tucanos saíram na frente em defesa da Petrobras, antes de receberem qualquer acusação, e rejeitando sua privatização. A estabilidade, implantada pelo Plano Real do tucano Fernando Henrique, foi incorporada pelo governo Lula. Não há mais petista que defenda "um pouquinho de inflação" ou que chame o Real de eleitoreiro, como em 1994. As duas candidaturas vão defender mais desenvolvimento e maior distribuição de renda. Esse programa vale para as duas candidaturas. O como chegar lá, como vimos acima, também acabou evoluindo para uma convergência. Juros baixos, redução de impostos e investimentos públicos.

O que restará para nós eleitores? Vamos ter que decidir entre dois candidatos - provavelmente José Serra e a ministra Dilma Rousseff - quem têm melhor capacidade para levar um mesmo programa adiante. Quem pode fazer isso direito? O que esses candidatos carregam nas suas histórias para nos convencer? E para um contingente elevado dos eleitores haverá uma outra pergunta fundamental: Qual desses candidatos tem o apoio do presidente da República? Estou entre os que acreditam, como o líder do DEM, deputado Ronaldo Caiado (GO), que a próxima eleição será um plebiscito.

Adorável Vida!

deu no correio braziliense
Central única dos altos salários
Ex-sindicalistas, que antes faziam greves em favor dos petroleiros, ocupam hoje cargos de gerência na empresa e recebem vencimentos mensais de R$ 40 mil em média
De Amaury Ribeiro Jr.:
Durante mais de 20 anos, um grupo de sindicalistas da Petrobras, ligado à Central Única dos Trabalhadores (CUT), não hesitava em promover greves, fazer piquetes nas portas de refinarias ou até mesmo enfrentar a polícia durante as campanhas por melhores salários. Desde 2003, quando o PT assumiu o governo, o problema de salário não existe mais para esse núcleo de ex-petroleiros.
Documentos obtidos pelo Correio/Estado de Minas comprovam que um grupo de pelo menos 20 ex-sindicalistas passou a receber da Petrobras e de empresas subsidiárias um salário médio de R$ 40 mil — incluindo participação nos lucros da empresa.
Esse valor corresponde a 45 pisos mínimos salariais da categoria, que está hoje em torno de R$ 1 mil. Os vencimentos dos novos dirigentes da estatal, que variam de R$ 30 a R$ 60 mil, também estão bem acima do piso de R$ 3 mil dos funcionários da empresa com nível superior.
Remanescentes da Federação Única dos Petroleiros, a FUP, uma organização trabalhista ligada à CUT, os ex-petroleiros foram acolhidos principalmente nos departamentos de Comunicação Institucional, de Recursos Humanos e de Gás da estatal. Os bons rendimentos da empresa levaram os ex-sindicalistas a trocar os megafones por ternos bem cortados, propriedades rurais no interior de São Paulo e apartamentos na Zona Sul do Rio.
Nomeado no início do governo Lula para o cargo de gerente comunicação estratégica da Petrobras, o ex-dirigente do sindicato dos Petroleiros de Campinas Wilson Santarosa, que entrou na empresa como operador de refinaria, conseguiu fazer uma mudança ainda mais radical.
Além de se transferir para um apartamento no Leblon, bairro nobre na Zona Sul do Rio, Santarosa conseguiu trocar o número do seu CPF — documento que indica, por exemplo, se o portador tem uma dívida praça. O número 907.370.248.87, usado por Santarosa nos tempos em que ele morava em casa na periferia de Americana, no interior de São Paulo, foi cancelado pela Receita Federal.
De posse de uma nova identidade fiscal, Santarosa recebe hoje em torno de R$ 704 mil por ano de rendimentos da Petrobras e da Petros, o fundo de pensão da empresa estatal, onde exerce o cargo de conselheiro.
A papelada mostra que, em 2007, Santarosa recebeu da Petrobras a bolada de R$ 557.519,38 entre salários e outros bônus. O montante, que não inclui o valor do 13º salário, indica que só da estatal Santarosa recebeu em torno de R$ 45 mil por mês. O ex-sindicalista ganhou ainda cerca de R$ 84 mil da Petros em 2007, elevando os ganhos para R$ 641.516,48, o que deu rendimento mensal de R$ 53.400.
Com o aumento de 9,8%, concedido ano passado a toda a categoria, os rendimentos de Santarosa chegaram a R$ 704 mil por ano. Isso significa que em 2008, o ex-sindicalista recebeu renda mensal em torno RS$ 60 mil.
A fim de garantir o futuro da família, ainda conseguiu empossar sua mulher, Geide Miguel Santarosa, como ouvidora na BR Distribuidora. Ex-assessora do marido na Sindipetro de Campinas, Geide recebe cerca de R$ 10 mil por mês.

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Franciele



Sobre trambiqueiros e maracutaias

Quando Fernando Collor foi absolvido pelo Supremo Tribunal Federal das acusações de corrupção, em 1994, o atual presidente Lula declarou o seguinte:

- Como cidadão brasileiro que tanto lutou para fazer a ética prevalecer na política, estou frustrado, possivelmente como milhões de brasileiros. Só espero que, na esteira da maracutaia da anistia para Humberto Lucena (ex-presidente do Senado envolvido em caso de impressão irregular de panfletos na gráfica da instituição), não apareça um trambiqueiro querendo anistiar Collor da condenação imposta pelo Senado.

Quinze anos depois…

Luiz Antonio Ryff

Charge

Opção pela miséria

Trago comigo um ditado que me vem da infância. É daqueles ditados que são como um desenho na mente de quem o ouve. Fácil de entendê-lo.

Diz assim o ditado: “É fácil ao carroceiro levar o cavalo ao bebedouro, difícil é fazer o cavalo beber água”.

Esse aforismo é dito para pessoas que mesmo tendo boas oportunidades diante de si não as aproveitam. É o caso de pais que dão aos filhos a melhor escola, mas que não podem obrigar os filhos a estudar.

E vale o ditado, e muito, para trabalhadores de todas as áreas. Lembrei disso ao ler um obituário no jornal. Um senhor que acabara de falecer foi lembrado pelos amigos como alguém que sempre lutou para dar fim à pobreza, o sonho dele era ver o mundo sem miséria. Impossível, meu bom senhor, impossível. O Bill Clinton, certo dia, ainda na presidência americana, disse que nos Estados Unidos vivem cerca de 4 milhões de miseráveis, miseráveis, não pobres. E que esse pessoal não aceita ajuda, você pode oferecer a eles casa, comida e roupa lavada, não aceitam. Fizeram uma sacrossanta opção pela miséria.

É o que acontece na maioria das empresas, onde as pessoas só trabalham pelo salário. E por isso fazem um trabalho que é a cara delas. Não se esforçam para melhorar a proficiência, para aperfeiçoar o modo de fazer, seja o que for, nada; é gente que dá um dedo por um feriadão.

Ah, e esse tipo de gente vive fazendo cálculos para passar uma rasteira na empresa onde trabalha. São os tais que conhecem direitinho o endereço da Justiça do Trabalho. Exigem tudo dos empregadores e nada ou muito pouco oferecem em troca. Essa gente precisa ser identificada e tratada como merece, a simbólicos pão e água...

Erradicar a pobreza jamais será uma realização de qualquer governo, os empedernidos do nada não aceitam sair do nada, o adoram. Aquela garota que fica olhando para as unhas o tempo todo, dentro da loja, que olha para o relógio o tempo todo, que suspira para ir para casa ou deixar tudo ao encontrar um trouxa que lhe sirva de marido... esse tipo tem que ser identificado e mandado embora. Lojas e empresas de todo tipo não são casas de caridade, são empresas que visam ao lucro, que precisam de parceiros para ganhar dinheiro. E quando os parceiros são competentes, todos ganham mais.

Ah, e competente qualquer um pode ser, desde que se dedique e que quando for levado ao “bebedouro” (leia-se treinamento) beba da boa água da qualificação. Ou assim ou a miséria. Sem choro. Quem corre por seu gosto não se deve queixar de cansaço.


Luiz Carlos Prates

Mistério Farroupilha - 14/09/2008 - PARTE 2/3

Mistério Farroupilha - 14/09/2008 - PARTE 1/3

A anatomia do conflito

Mauro Santayana

Se o senador Aloizio Mercadante assumiu a responsabilidade de redigir a nota em que pede o afastamento de Sarney, sem ouvir o presidente da República, revela-se o conflito entre a bancada do PT e o seu fundador.

Se, no entanto, Mercadante comunicou sua intenção ao presidente, e dele não ouviu nítida recomendação contrária, os observadores podem concluir que há alguma coisa mais profunda na crise política destas horas.

Não se trata, aqui, de saber se Sarney é ou não culpado. É claro, e o presidente do Senado os admite, que houve erros de conduta, embora quase ninguém possa, nos três poderes republicanos, negar a prática de nepotismo.

É o velho instinto de proteção do clã, que funciona em nossa e em outras latitudes, no nosso e em outros tempos. É sempre lembrado o pedido de Pero Vaz Caminha a dom Manuel em favor da transferência de seu genro, inserido no texto da carta em que anuncia a descoberta do Brasil.

Espertíssimo, o escrivão da frota aproveitou o momento de júbilo, para defender seu interesse. O nepotismo é antirrepublicano, como sabemos, e a democracia o rejeita. As coisas, sem embargo das intenções e do ditame das leis, são assim, e a ação política dos cidadãos é o método correto de combatê-las.

Também pouco importa ao exame do quadro o fato de que à oposição parlamentar falte autoridade para investir contra o senador pelo Amapá, salvo, convém repetir, o caso de meia dúzia de senadores e duas ou três dúzias de deputados federais.

O que está movendo tudo – denúncias, contradenúncias, intrigas, manipulação da imprensa, escutas telefônicas, invasão da vida privada, preparação de dossiês – é o processo sucessório.

É inegável o mal-estar, em setores do PT, por ter o presidente Lula decidido, in pectore, pela ministra Dilma Rousseff como candidata do partido à sua sucessão. A senhora Rousseff é uma boa candidata.

Começa por contar com a simpatia, natural, do eleitorado feminino. É também uma pessoa que sabe mandar, como se reconhece no entourage presidencial. Mas – à parte outros problemas – não fez vida partidária, nem carreira política usual, porque lhe falta a experiência das urnas.

Ainda que dispusesse de todos os atributos, caberia ao presidente negociar, habilmente, com os outros aspirantes de seu partido à candidatura, e articular para que o seu nome partisse das bases do PT, começando pelo Rio Grande do Sul.

O chefe de governo está usando da indicação pessoal, sem ouvir o partido. É sempre oportuna a máxima do mineiro Benedicto Valadares a propósito das decisões políticas: “reunião, só depois de resolvido o assunto”.

Há, na trajetória política do presidente Lula – excepcional e admirável, como reconhecem muitos de seus adversários – o esforço constante de afirmação de autonomia.

Quando seu nome emergiu, poderoso, nas lutas sindicais do ABC, a ele se uniram setores importantes da esquerda. Os velhos comunistas, em seu instinto histórico, perceberam que ali estava, mais uma vez, a conhecida social democracia reformista, com um Kautský jovem e de barbas negras.

A esquerda católica, desiludida de um partido democrata cristão que não emplacara, nele viu a grande oportunidade de se afirmar.

Ao mesmo tempo, intelectuais que não se adaptavam às regras disciplinarias dos comunistas, supuseram que poderiam tutelar o jovem metalúrgico.

Lula se foi desfazendo de uns e de outros, mas isso não significou que se desligasse dos setores sindicais. Ali se encontrava e se encontra sua base sólida, e de confiança. Ali ele lidera, e lá se encontra o núcleo forte de seu esquema de poder. Mas, também ali, o presidente começa a encontrar algumas arestas.

É provável que o presidente almeje uma liderança sobre as massas sem a intermediação de incômodos associados, embora ninguém saiba o que abriga o seu espírito.

Os líderes são aqueles que vão à frente dos povos, não os que os arrastam acorrentados a um projeto, totalitário, ou não, a um carisma, legítimo ou não.

Os movimentos políticos – e, deles derivados, os governos – são feitos da vontade plural dos cidadãos, e representam a busca do equilíbrio, difícil, mas exigido, entre o necessário e o possível.

Nenhum homem, por mais dotado seja de inteligência e de fascínio, pode impor-se a todos os demais – a não ser por algum tempo, e com resultados impiedosos.

Lula sabe, no fundo da alma, que o homem elogiado por Obama é o menino de Garanhuns, e é a esse menino que ele deve prestar contas.

Corría el año: La trayectoria histórica de Mao Zedong

Corría el año: John Fitzgerald Kennedy, JFK

Fora Sarney

terça-feira, 28 de julho de 2009

segunda-feira, 27 de julho de 2009

José Martí

José Martí
(1853 - 1895)
Importante escritor, poeta e jornalista cubano nascido em Havana, revolucionário e herói na independência de seu país, conhecido como o Apóstolo da República de Cuba. Estudou no colégio San Pablo onde foi aluno do patriota Rafael Maria de Mendive, que se tornaria seu mentor. Publicou o jornal Pátria Libre (1868) dedicado à causa da independência de seu país, e foi condenado a trabalhos forçados e deportado para a Espanha (1871), onde viveu a proclamação da primeira República da Espanha (1873). Em sua estada na Espanha aproveitou para escrever dois livros A República da Espanha e A Revolução Cubana (1873) enquanto estudava na Universidade de Zaragoza. Terminou os bacharelados em filosofia e direito (1874). e mudou-se para o México para lecionar na Universidade da Guatemala. No México reuniu-se com a família e publicou Revista Universal (1877). Voltou para Cuba (1878), ano em que nasceu seu filho, Jose Francisco, mas não obteve permissão para trabalhar como advogado. Acusado de conspiração (1879) novamente foi preso e deportado para a Espanha. Fugindo para New York (1880), passou a preparar a revolução em Cuba. Publicou A hora e O sol (1980) e viu o nascimento de sua filha Maria Mantilla. Paralela a atividade política, continuou a escrever ensaios e poemas, com destaque para Nuestra América (1881). Viajou para a Venezuela (1881) onde escreveu La Opinion Nacional e publicou Revista Venezolana. Expulso do país voltou para New York (1882) e escreveu o livro de poesias Ismaelillo, enquanto escrevIa para o jornal argentino La Nacion. Nomeado (1884) cônsul uruguaio em New York, publicou a revista infantil La Edad de Oro (1889). No ano seguinte fundou La Liga, uma associação de defesa dos negros cubanos e portorriquenhos e, também foi nomeado cônsul argentino e paraguaio em New York. Publicou Versos Sencillos (1891) e deixou seus consulados para se dedicar a luta pela libertação de Cuba do julgo espanhol. Fundou o Partido Revolucionário Cubano (1892) e um jornal, Patria, para promover a revolução. Nesta cruzada passou por várias cidades americanas, Haiti, Santo Domingo, Jamaica, New York, Costa Rica etc (1892-1895). Em 30 de janeiro (1895) partiu para promover a insurreição em Cuba. Iniciou a invasão da ilha juntamente com o ínfimo contingente de cerca de 30 homens armados com carabinas e, durante combate contra as tropas reais, morreu em Dos Ríos, na província do Oriente, a 19 de maio.

sexta-feira, 24 de julho de 2009

borisfausto - ditadura 3/3

Boris Fausto - ditadura 2/3

Boris Fausto - ditadura 1/3

VAZA


Gripe Suína

A gripe suína vai avançando e o governo vai tranquilizando a população. É só isso que deve ser feito por ora?

Esquerdas e direitas, hoje!

Os inúmeros problemas da esquerda ajudaram as direitas a se camuflarem melhor e se postarem como única e verdadeira solução. O atual contexto internacional é bastante favorável às posições conservadoras e ao mito de que não existe mais espaço para o pensamento de esquerda.

Luís Carlos Lopes

Mais de duzentos anos se passaram da revolução francesa, entretanto, a distinção entre direita e esquerda permanece viva e útil para a compreensão do espectro político atual. Na origem, estes termos de uso político nasceram por designar os lados onde se sentavam os membros da Assembléia de 1791. Os da esquerda queriam a afirmação e o aprofundamento dos princípios dos direitos do homem e os referentes à legítima luta contra a opressão. Os da direita queriam os suprimir ou dar um jeito de contorná-los. Desde lá, havia gradações à esquerda e à direita e não faltaram os que se afirmavam numa posição, na verdade desejando a outra. Os disfarces e os artifícios retóricos existiam há séculos. Não foram inventados pela modernidade dos acontecimentos de 1789.

Nos últimos dois séculos, a mesma distinção, com todos os seus problemas, foi e continua sendo usada por toda parte. Continua sendo possível medir o arco que leva da direita à esquerda com todas suas inflexões. Nem sempre é fácil perceber os disfarces, bem como, o exagero do discurso que escamoteia os propósitos efetivos de quem se postula de esquerda ou é reconhecido como de direita. Lembrando-se sempre que é mais fácil o auto-reconhecimento à esquerda. Poucos desejam ser considerados membros do outro campo ideológico.

Escondem, enquanto podem, o que realmente acreditam. Atualmente, quem é de direita costuma dizer que a distinção não é mais válida, remete a um outro tempo etc. Quem foi de esquerda e traiu suas convicções tem imenso interesse em confundir sua audiência, desejando que se esqueça do passado, como se fosse possível renascer das cinzas.

O olhar de quem é realmente de esquerda não compactua com a exploração do homem pelo homem, nas suas imensas variações. Não aceita que as pessoas sejam manipuladas e a elas sejam negados os seus direitos mais essenciais. Não concorda com a disseminação da ignorância e com o impedimento do acesso às informações políticas e científico-culturais fundamentais. Não pode assentir com direitos e tratamentos desiguais, independentemente do sexo, da idade, das características raciais e das posições ocupadas no tecido social por qualquer pessoa. Acredita que as ordens socioculturais e políticas não são naturais e que podem ser modificadas, no interesse coletivo.

Como fazer valer tudo isto sempre foi muito difícil, ser de esquerda foi confundido com viver fora da realidade, não ter juízo e acreditar no impossível. No século XX, as coisas se complicaram ainda mais, porque, em nome da esquerda foram cometidas atrocidades típicas das direitas, cultivaram-se idéias, práticas e comportamentos muito próximos aos que as direitas sempre defenderam. O filme alemão, em cartaz, A Vida dos Outros, dá uma boa idéia do problema.

A história hoje conhecida do chamado socialismo real de Estado ajudou a confundir as opiniões e facilitou o trabalho das direitas. Por causa disto, é bom identificar a que tipo de esquerda se pertence. Tal como na velha revolução francesa, razões de Estado podem suplantar e, mesmo, destruir os ideais que deram início ao processo.

Os inúmeros problemas da esquerda ajudaram as direitas a se camuflarem melhor e se postarem como única e verdadeira solução. O atual contexto internacional é bastante favorável às posições conservadoras e ao mito de que não existe mais espaço para o pensamento de esquerda. As grandes mídias alardeiam a todo tempo o fim da possibilidade de criação de sociedades mais justas. Difundem, com o apoio de inúmeros intelectuais, a idéia de que não se pode compreender o mundo objetivamente e se lutar contra as iniqüidades atuais. Tentam dominar as consciências por meio da intriga, da mentira e de modos de pensar imunes a quaisquer saídas mais racionais. Apelam para um excesso de emoções alienadas e escondem a existência das ciências e das artes eruditas e populares autênticas, as substituindo pelo pastiche grotesco, o obscurantismo e o misticismo. No interior destas mídias, alguns tentam heroicamente evitar que a luz desapareça completamente. Isto significaria o fim de tudo, o apocalipse para quem ainda pensa e deseja fazer um trabalho decente. Para as direitas, não há problema. Elas estão acostumadas a viver com os entes dos infernos.

Ser de direita é bem mais fácil. Significa estar de acordo, mesmo que a razão indique que não se está dizendo a verdade ou que a causa defendida pode dar prejuízos até mesmo a quem a defende. Existem os que são de direita por estar defendendo seus interesses, por serem poderosos e desejarem ainda mais poder. Infelizmente, há os que defendem idéias de direita contra si próprios. Advogam crenças que os penalizam. Deixam de usar da razão e mentem para si mesmo.

Uma das velhas discussões sobre o mesmo problema é a de saber porque alguns aceitam, na grande imprensa, por exemplo, ter posições tão claramente de direita, mesmo não sendo donos dos jornais e revistas onde escrevem. O falso enigma por vezes aparece, quando se descobre, em alguns casos conhecidos, que os mais aguerridos são também os que recebem de várias fontes. A notícia e a opinião são mercadorias que podem ser oferecidas e vendidas por telefone ou em reuniões privadas. Basta consultar as janelas do noticiário existentes, sobretudo nas mídias alternativas, e ver as pontas dos icebergs, deste velho problema.


Luís Carlos Lopes é professor, autor do livro "Culto às Mídias", dentre outros.

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Venezuela no Mercosul

A venezuela entrará ou não no Mercosul? Essa é uma discussão que o parlamento brasileiro vai fazendo há mais de dois anos e não decide nunca.

RECORD ENTREVISTA MUNDO: VENEZUELA 5ª PARTE

A Venezuela deve ou não entrar no Mercosul?

Adolf Hitler, La Historia Oculta del Tercer Reich. 5/5

Adolf Hitler, La Historia Oculta del Tercer Reich. 4/5

Adolf Hitler, la historia oculta del tercer reich - Parte 3

Adolf Hitler, la historia oculta del tercer reich - Parte 2

Adolf Hitler, la historia oculta del tercer reich - Parte 1

Corría el año; Winston Churchill 22/09/08

Corría el año: Stalin 29/09/08

Josef Mengele. El Angel de la Muerte (1/2)

Adolf Eichmann - Documentário - Parte 06

Adolf Eichmann - Documentário - Parte 05

Adolf Eichmann - Documentário - Parte 04

Adolf Eichmann - Documentário - Parte 03

Adolf Eichmann - Documentário - Parte 02

Adolf Eichmann - Documentário - Parte 01

DICA DE CINEMA: Circulo de Fogo - Trailer

Canal Livre - Roraima

Canal Livre - Roraima parte 05

Canal Livre - Roraima parte 04

Canal Livre - Roraima parte 03

terça-feira, 21 de julho de 2009

Mao Zedong [ou Mao Tsé-tung, do chinês]

Mao Zedong [ou Mao Tsé-tung, do chinês]
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(1893 - 1976)
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Dirigente revolucionário e pensador chinês nascido na aldeia de Shaoshan, na província chinesa de Hunan, fundador da nova China, surgida nos meados do século XX. Filho de pequenos proprietários rurais, freqüentou a escola de sua aldeia até os 13 anos de idade, quando teve de começar a trabalhar nas terras da família, mas deixou a casa da família para continuar seus estudos em Chang-sha, capital da província, onde conheceu as idéias políticas ocidentais e especialmente com as do líder nacionalista Sun Zhongshan (Sun Yat-sen). Com o início da revolução contra a dinastia Manchu governante, alistou-se no exército revolucionário (1911) onde ficou até o nascimento da nova República da China (1912). Depois continuou os estudos na Escola Normal de Hunan (1913-1918), onde freqüentou cursos de história, literatura e filosofia chinesas e aprofundou seu conhecimento do pensamento ocidental e iniciou sua atividade política, através de participação em várias associações estudantis. Mudando-se para Pequim (1919), cursou a universidade e trabalhou durante seis meses na biblioteca da instituição, onde conheceu Li Ta-chao e Chen Tu-hsiu, futuros fundadores do Partido Comunista Chinês. Decepcionado com seus dirigentes da nação chinesa e com o liberalismo ocidental, tornou-se ideólogo do marxismo-leninismo, uma ideologia política ocidental em moda na época e, assim, participou da fundação do Partido Comunista Chinês (1921). Os comunistas aliaram-se aos nacionalistas, o Kuomintang, para combater os governos militares do norte e do centro do país, movimento onde jovem revolucionário desempenhou intensa atividade política, porém quando o líder nacionalista Chiang Kai-shek assumiu o poder (1927) voltou-se contra os antigos aliados. O líder comunista refugiou-se nas montanhas de Jinggang com outros comunistas e algumas centenas de camponeses, e iniciou uma luta guerrilheira que se prolongaria por 22 anos, período em que gradativamente se firmou como líder do Partido Comunista Chinês. Durante a segunda guerra mundial lutou ao lado dos nacionalistas contra a invasão japonesa da China (1935). Terminada a guerra, o exército revolucionário tinha cerca de um milhão de soldados e os comunistas controlavam politicamente cerca de noventa milhões de chineses. Comandando o exército revolucionário, derrotou definitivamente o Kuomintang (1949), que se refugiaram na ilha de Formosa, também chamada China Nacionalista, e foi proclamado presidente da nova República Popular da China. Convencido das insuperáveis divergências com a União Soviética, resolveu tornar a China auto-suficiente e lançou a campanha das cem flores (1956), uma política de estudos das idéias capazes de enriquecer a vida nacional. Essa política chamada de o grande salto adiante (1957-1958), separou definitivamente as duas ideologias comunistas do ponto de vista administrativo. Alguns anos depois (1966-1969), desenvolveu a revolução cultural, criando os jovens guardas vermelhos, executores da revolução e que cometeram em seu nome os piores excessos, destruindo o trabalho intelectual de toda uma geração, em nome de uma redução de distâncias entre o mundo intelectual e o povo. O movimento foi dado por encerrado no IX Congresso do Partido Comunista Chinês (1969) e seus dirigentes máximos seriam condenados à morte, em julgamentos posteriores ao governo maoísta. O grande líder continuou governando o país até a morte, em Pequim, porém seus sucessores abandonaram progressivamente o ideário maoísta. Seu livro mais divulgado foi Sobre a contradição (1936), porém outros textos teóricos tornaram-se muito populares como Problemas estratégicos da guerra revolucionária na China, A revolução chinesa e o Partido Comunista Chinês e A nova democracia, todos escritos no período revolucionário (1936-1940).

José Maria da Silva Paranhos Júnior, barão do Rio Branco

José Maria da Silva Paranhos Júnior, barão do Rio Branco
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(1845 - 1912)
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Diplomata brasileiro nascido na cidade do Rio de Janeiro, destaque pela sua atuação diplomática para a adoção de uma nova política externa no país. Estudou no Imperial Colégio de D. Pedro II e cursou as faculdades de direito de São Paulo SP e de Recife PE, onde se bacharelou (1866). Trabalhou como jornalista em Pernambuco e foi promotor público em Nova Friburgo, RJ. Eleito deputado por Mato Grosso, acompanhou o pai, o visconde do Rio Branco, como secretário em missão especial ao Prata e ao Paraguai (1869). Participou também da missão (1870-1871) que entabulou as negociações prévias de paz entre os aliados na guerra contra o Paraguai. Retornou ao jornalismo (1873), como redator e depois como diretor, ao lado de Gusmão Lobo, do periódico A Nação onde, abolicionista como o pai, pregou a emancipação dos escravos. Nomeado cônsul em Liverpool, Reino Unido (1876), foi delegado brasileiro à exposição de São Petersburgo (1884) e tornou-se conselheiro privado do imperador, de quem recebeu o título de barão do Rio Branco (1888). Neste período escreveu Esquisse de l'histoire du Brésil (1889), publicado especialmente para a exposição universal de Paris. Respondeu pela superintendência da emigração para o Brasil (1889-1893), e foi decisivo no reconhecimento internacional dos direitos brasileiros sobre o território das Missões (1895), reclamado também pela Argentina. Nomeado (1898) para a defesa dos interesses nacionais na questão do Amapá, submetida à arbitragem da Suíça, também saiu vitorioso (1900). Convidado pelo presidente Rodrigues Alves, assumiu a pasta das Relações Exteriores (1902), na qual permaneceu até sua morte, no Rio de Janeiro. Nesse período resolveu a questão do Acre, território fronteiriço habitado por brasileiros e que pertencia a Bolívia. Com o Tratado de Petrópolis resolveu pacificamente o impasse, com a incorporação do Acre ao Brasil em troca de pequenas retificações de fronteiras e compensações financeiras. Também solucionou a questão da Guiana inglesa, iniciada com divergências com o Reino Unido em relação à posse do território do Pirara, que resultou na divisão do território em questão (1904), para os dois países. Empreendeu negociações e assinou tratados sobre questões fronteiriças com a Venezuela, Colômbia, Equador, Bolívia, Peru, Uruguai, Argentina e Guiana Holandesa (posterior Suriname) que definiram os contornos do território brasileiro. Trabalhou intensamente pela ampliação e melhoria das relações entre as repúblicas hispano-americanas e a cooperação com os Estados Unidos. Graças a sua iniciativa, foi atribuído ao Brasil o primeiro cardinalato da América do Sul e o estabelecimento da primeira embaixada do Brasil, em Washington. Foi nomeado presidente perpétuo do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro e membro da Academia Brasileira de Letras. Considerado figura padrão da diplomacia brasileira, seu nome designa o órgão do ministério que se incumbe da formação dos jovens diplomatas, o Instituto Rio Branco. No centenário de seu nascimento (1945), o Ministério das Relações Exteriores publicou suas obras completas.

CUBA VENEZUELA Y BRASIL Politica Latinoamericana (3)

CUBA VENEZUELA Y BRASIL Politica latinoamericana (2)

CUBA VENEZUELA Y BRASIL, politica latinoamericana (1)

A Esquerda na América Latina - parte 3

A Esquerda na América Latina - parte 2

A Esquerda na América Latina - parte 1

Transporte Público no Brasil

FHC fala de Lula no Canal Livre (BAND)

Lula quer fazer um plebiscito em 2010

Por Tales Faria


O PSB acaba de receber os resultados de uma pesquisa de opinião – não registrada, e que portanto não pode ser divulgada – que será apresentada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo a pesquisa, uma eventual candidatura de Ciro Gomes a presidente da República não teria grandes efeitos sobre o desempenho da candidata predileta de Lula, Dilma Rousseff. Ciro roubaria votos apenas do candidato tucano, especialmente se este for o governador de São Paulo, José Serra. Sua presença na cédula de votação seria, portanto, uma garantia de que Serra não venceria as eleições no primeiro turno, apesar de, hoje, as pesquisas sobre intenções de voto apontarem Serra com vantagem suficiente sobre Dilma para ganhar no primeiro turno. Enfim, o PSB quer convencer Lula a desistir dessa história de tirar Ciro da parada, forçando uma disputa somente entre Serra e Dilma.

Mas o PT também tem suas pesquisas. Com base nelas, Lula vai argumentar com os aliados do PSB que uma disputa apenas entre Dilma e Serra forçará a campanha eleitoral de 2010 a ter um caráter plebiscitário. E que, neste caso, o grande tema da campanha será a comparação de como ficou o país nesses dois mandatos de sua gestão e nos dois mandatos de seu antecessor, Fernando Henrique Cardoso. Na comparação com a administração FHC, Lula leva franca vantagem, apontam os dados da pesquisa petista. E até mesmo os tucanos admitem que Lula sai ganhando se a discussão for colocada nestes termos.

– Está claro, por exemplo, que o Lula não quer o Ciro como candidato a presidente porque deseja transformar a eleição de 2010 numa campanha plebiscitária. Ciro tiraria o caráter de plebiscito da disputa. E eles realmente levariam vantagem comparando o governo Lula com o do Fernando Henrique. Não porque o de Lula tenha sido melhor, mas porque ele foi favorecido pelas circunstâncias. Foi favorecido inclusive pelo que foi preparado no governo anterior. Graças a tudo isso, Lula tem um prestígio próprio forte, muito superior ao da Dilma. Ele quer o plebiscito para tirar o foco da Dilma e colocar sobre o seu governo em oposição ao do Fernando Henrique. Mas nós também não somos bobos. Não vamos ficar parados. O governador José Serra está vendo tudo isso com muita tranquilidade. Não vai deixar a campanha mudar de foco. Tendo a Dilma sozinha como adversária, ou não, o Serra mostrará ao eleitorado que é ele e sua reconhecida competência que está em jogo, contra a ministra Dilma ou quem quer que seja, e não o governo Fernando Henrique contra o Lula – argumenta o deputado Antônio Carlos Pannunzio (PSDB-SP), um dos líderes da bancada de apoio a Serra no Congresso.

Pannunzio nem sequer acredita na história de Ciro Gomes sair candidato a governador de São Paulo.

– O Lula acena com isso para tirar do Ciro o interesse pela disputa presidencial. Mas ele sabe que o PT de São Paulo não aceitaria. Tenho amigos no PT paulista que já me disseram: não há hipótese de o partido ficar sem candidato próprio em São Paulo. De qualquer forma, com isso, o Lula também joga uma pressão sobre o PT paulista e acaba conseguindo escolher o nome que ele quiser dentro do partido para ser candidato a governador. Acho que nem o Ciro caiu nessa história de ser candidato a governador por aqui. Ele não teria qualquer chance de vencer. Tenho a impressão de que o Ciro toca nesse assunto só para tentar irritar o Serra. Mas é como eu disse, o governador está muito tranquilo, não vai se deixar irritar. E digo mais: faz parte do mesmo movimento de jogo de cena essa outra declaração do Ciro, segundo a qual ele não seria candidato a presidente da República se o PSDB escolhesse o governador de Minas Gerais, Aécio Neves, como candidato. O Ciro só quer estressar as coisas dentro do PSDB.

De fato, em política nem tudo é pura lógica. A declaração de Ciro de que pode deixar de ser candidato em favor do governador de Minas, Aécio Neves, é, no mínimo, uma indelicadeza com seu próprio partido, o PSB, que tem feito das tripas coração para mantê-lo como potencial candidato a presidente. Mas Ciro odeia tanto a José Serra (e vice-versa) que alguns dos movimentos desse dois têm apenas o propósito de aguinir, atubibar, sovelar, azoretar, abodigar o outro. Enfim, tudo isso que é sinônimo de atucanar.

segunda-feira, 20 de julho de 2009

La CIA y Osama Bin Laden (2-2)

La CIA y Osama Bin Laden (1-2)

A falta que faz ao Papa um pouco de marxismo

A nova encíclia de Bento XVI Caritas in Veritate de 7 de julho último é uma tomada de posição da Igreja face à crise atual. O complexo das crises que atingem a humanidade e que comportam ameças severas sobre o sistema da vida e seu futuro demandaria um texto profético, carregado de urgência. Mas não é isso que recebemos senão uma longa e detalhada reflexão sobre a maioria dos problemas atuais que vão da crise econômica ao turismo, da biotecnologia à crise ambiental e projeções sobre um Governo mundial da Globalização. O gênero não é profético, o que suporia“uma análise concreta de uma situação concreta”. Esta possibilitaria investir contra os problemas em tela na forma de denúncia-anúncio. Mas não é da natureza deste Papa ser profeta. Ele é um doutor e um mestre. Elabora o discurso oficial do Magistério, cuja perspectica não é de baixo, da vida real e conflitiva, mas de cima, da doutrina ortodoxa que esfuma as contradições e minimaliza os conflitos. A tônica dominante não é a da análise, mas da ética, do dever-ser.

Como não faz análise da realidade atual, extremamente complexa, o discurso magisterial permance principista, equilibrista e se define por sua indefinição. O subexto do texto, ou o não-dito no dito, remete a uma inocência teórica que inconscientemente assume a ideologia funcional da sociedade dominante. Já se nota na abordagem do tema central – o desenvolvimento – hoje tão criticado por não tomar em conta os limites ecológicos da Terra. Disso a encíclica não fala nada. A visão é de que o sistema mundial se apresenta fundamentalmente correto. O que existe são disfunções e não contradições. Esse diagnóstico sugere a seguinte terapia, semelhante a do G-20: retificações e não mudanças, melhorias e não troca de paradigma, reformas e não libertações. É o imperativo do mestre: “correção”, não a do profeta:”conversão”.

Ao lermos o texto, longo e pesado, terminamos por pensar: como faria bem ao atual Papa um pouco de marxismo! Este, a partir dos oprimidos, tem o mérito de desmascarar as oposições presentes no sistema atual, pôr à luz os conflitos de poder e denunciar a voracidade incontida da sociedade de mercado, competitiva, consumista, nada cooperativa e injusta. Ela representa um pecado social e estrutural que sacrifica milhões no altar da produção para o consumo ilimitado. Isso caberia ao Papa profeticamente denunciar. Mas não o faz.

O texto do Magistério, olimpicamente fora e acima da situação conflitiva atual, não é ideologicamente “neutro”como pretende. É um discurso reprodutor do sistema imperante que faz sofrer a todos especialmente os pobres. Isso não é questão de Bento XVI querer ou não querer mas da lógica estrutural de seu tipo de discurso magisterial. Por renunciar a uma análise critica séria, paga um preço alto em ineficácia teórica e prática. Não inova, repete.

E ai perde uma enorme oportunidade de se dirigir à humanidade num momento dramático da história, a partir do capital simbólico de transfomação e de esperança, contido na mensagem cristã. Esse Papa não valoriza o novo céu e a nova Terra, que podem ser antecipados pelas práticas humanas, apenas conhece essa vida decadente e, por si mesma insustentável (seu pessimismo cultural) e a vida eterna e o céu que ainda virão. Afasta-se assim da grande mensagem bíblica que possui consequências políticas revolucionárias ao afirmar que a utopia terminal do Reino da justiça, do amor e da liberdade só será real na medida em que se construirem e anteciparem, nos limites do espaço e do tempo histórico, tais bens entre nós.

Curiosamente, abstraindo de laivos fideistas recorrentes (“só através da caridade cristã é possviel o desenvolvimento integral”), quando se “esquece” do tom magisterial, na parte final da encíclica, introduz coisas sensatas como a reforma da ONU, a nova arquitetura econômico-financeira internacional, o conceito do Bem Comum do Globo e a inclusão relacional da família humana.

Parafraseando Nietzsche:”quanto de análise crítica o Magistério da Igreja é capaz de incorporar”?



Leonardo Boff é autor de Igreja:carisma e poder, Record 2005.

Charges


Charge

Joseph Raymond McCarthy

Joseph Raymond McCarthy
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(1909 - 1957)
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Político estadunidense nascido em Grand Chute, próximo a Appleton, Wiscousin, senador do Estado de Wisconsin (1947-1957) que quando presidente do Senate's Government Operations Committee, criou o macarthismo, atitude política e radicalmente contrária ao comunismo, e que se desenvolveu nos EUA, desencadeada por ele. Aos 14 anos deixou a escola para ir trabalhar, mas depois regressou à escola com vinte anos e foi estudar leis na Marquette University, onde se formou (1935). Tornou-se advogado em Wisconsin (1939) e no mesmo ano foi eleito juiz em Wisconsin (1939-1942). Em seguida, durante a Segunda Guerra Mundial foi mobilizado para a tropa e serviu como U.S. Marines, na Campanha do Pacífico, tendo chegado a capitão. Depois da guerra e de ter sido rejeitado pelo Partido Democrático por causa de seu radicalismo, elegeu-se senador pelo Partido Republicano, por Wiscousin (1947-1957). Durante os seus dez anos no Senado, ele e seu grupo tornaram-se célebres pelas investigações agressivas contra o governo federal dos EUA e pela campanha de investigações e perseguições contra todos os suspeitos de serem ou simpatizarem com os comunistas, o movimento chamado de Red Scare ou Macarthismo. Suas posições eram tão radicais que foi oficialmente censurado pelos próprios colegas do senado (1954), o que iniciou o declínio do macarthismo. Morreu pouco mais de três anos depois, ainda senador e com menos de 50 anos de idade, em Bethesda, Md. Macathismo significa hoje, por extenso, qualquer atitude radical de um governo, visando a reduzir a expressão de opiniões políticas ou sociais julgadas desfavoráveis, limitando para isso os direitos civis sob pretexto de segurança nacional..

Lavanderia Lula

Ricardo Noblat

O senador Antonio Carlos Magalhães inaugurou a Lavanderia Lula.

Em 2003, acusado de grampear telefones de adversários políticos na Bahia, correu o risco de ser julgado pelo Conselho de Ética do Senado por quebra de decoro. Apoiara a eleição de Lula um ano antes.

Lula retribuiu salvando-lhe o mandato. Desde então a lavandeira é um sucesso.

O que Lula fez por ACM não impediu que os dois quase saíssem no tapa anos mais tarde.

ACM sentiu seu império baiano ameaçado pelo PT de Jacques Wagner. Soltou os cachorros em cima de Lula. Que respondeu chamando-o de rato e suando a camisa para eleger Wagner.

Os dois só voltaram a se encontrar quando ACM estava em um hospital de São Paulo a poucos dias de morrer. Lula fez questão de visitá-lo.

Entre ACM e José Sarney (PMDB-AP), o mais recente freguês da lavanderia, Lula meteu as mãos em muito pano sujo.

O êxito dele não consiste em transformar pano sujo em pano imaculado. Por ora, ainda não opera milagres. Amanhã, nunca se sabe.

Mas Lula sempre tenta dar um jeito de impedir que pano encardido acabe jogado no lixo por imprestável. Na maioria das vezes é bem-sucedido.

Lula não discrimina entre aliados fiéis, aliados nem tão confiáveis assim, adversários moderados e adversários históricos.

Se vir alguma vantagem em enxaguá-los até que recuperem parte da pureza perdida ou se livrem de nódoas comprometedoras, ele se entrega à tarefa com gosto.

Do controverso Roberto Jefferson, na época presidente do PTB, Lula disse que se tratava de um homem a quem daria um cheque em branco.

O homem merecedor de tamanha prova de confiança deflagrou o escândalo que quase derrubou o governo.

Em meio ao escândalo, informado sobre a disposição do publicitário Marcos Valério de contar tudo o que sabia, um Lula alterado por algumas doses a mais de bebida chegou a falar em renúncia.

Foi um Deus nos acuda. Lula só sossegou quando lhe garantiram que Valério estava sob controle. Está até hoje.

Procurem algo de duro dito depois por Lula a respeito de Jefferson. É possível que encontrem um elogio.

Nada encontrarão contra José Dirceu, apontado pelo Procurador Geral da República como o chefe da “sofisticada organização criminosa” que quis se apoderar de parte do aparelho do Estado.

Lula escalou Dirceu para pagar a conta do mensalão. Para compensar, lava a biografia do amigo toda vez que julga necessário.

Foi quase pedindo desculpas públicas a Antonio Palocci que Lula o demitiu do Ministério da Fazenda forçado pelo caso da quebra do sigilo bancário do caseiro Francenildo Pereira.

Palocci jurou diante de uma CPI que jamais frequentara certa mansão suspeita de Brasília.

O caseiro jurou tê-lo visto por lá uma dezena de vezes. Lula chamou Palocci de “meu irmão”. E sonha com o dia de tê-lo de volta no governo.

E o “nosso Delúbio”, hein?

E Romero Jucá que ofereceu fazendas inexistentes como garantia de um empréstimo tomado em banco oficial? Lula saiu em defesa dos dois.

Ficou rouco de repetir: “Ninguém é culpado até ser condenado pela Justiça”.

Ao pé da letra, de acordo. Mas o que se espera de um presidente não é o mesmo que se espera de um juiz. Presidente deve satisfações à sociedade. Juiz, somente à sua consciência.

Um mau exemplo dado por um juiz nem de longe equivale a um mau exemplo dado pela pessoa mais observada e admirada pelos brasileiros.

Foi um bom exemplo o empenho de Lula em manter Renan Calheiros (PMDB-AL) na presidência do Senado? Quase conseguiu.

Lula dá um bom exemplo quando chama Sarney de “pessoa incomum” e obriga o PT a sustentá-lo no cargo?

A Lavanderia Lula presta inestimáveis serviços ao seu fundador e único dono, e também aos que dela precisam.

Mas bem não faz – pelo contrário - ao avanço entre nós de uma prática política decente e justa, capaz de atrair gente interessada em servir à coisa pública, e não em se servir dela.

Essa será a herança maldita de Lula.

Nereu de Oliveira Ramos

Nereu de Oliveira Ramos
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(1888 - 1958)
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Político brasileiro nascido em Lages, SC, presidente interino da república brasileira no período que antecedeu a eleição e posse do presidente Juscelino Kubitschek (11/11/1955-31/01/1956). Membro de uma tradicional família de políticos de Lages.
Bacharelou-se em Direito pela Faculdade de Direito de São Paulo (1909) e dois anos depois foi eleito deputado estadual por Santa Catarina (1911) e reeleito (1919). Eleito deputado federal (1930), apoiou a Aliança Liberal, mas com a Revolução (1930) e o fechamento do Congresso, perdeu o seu mandato, mas com a Assembléia Constituinte foi novamente eleito, com a maior votação em seu estado. Eleito governador (1935), com a implantação do Estado Novo continuou no comando do governo estadual como interventor até o final do Estado Novo. Com o término do regime de exceção de Getúlio Vargas (1945), foi um dos fundadores do Partido Social Democrático (PSD) em Santa Catarina, sendo eleito para a Assembléia Constituinte (1945) como deputado e senador. No ano seguinte concorreu à vice-presidência na chapa de Eurico Gaspar Dutra e foi eleito. Com o término do seu mandato, foi eleito para a Câmara dos Deputados, tornando-se seu presidente (1951-1954), quando passou ao Senado. No ano seguinte, tornou-se presidente do Senado e com o golpe dado pelo general Henrique Teixeira Lott assumiu a presidência com o impedimento de Café Filho e Carlos Luz. No ano seguinte transferiu o governo para o presidente eleito Juscelino Kubitschek e assumiu o Ministério da Justiça. Um ano depois (1957) deixou o ministério e voltou ao Senado. Faleceu em 16 de junho (1958) um desastre aéreo em Curitiba, Paraná.

domingo, 19 de julho de 2009

Tempos do sarney

Fora Sarney

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Charge


José Gervasio Artigas

José Gervasio Artigas
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(1764 - 1850)
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Militar e político uruguaio nascido em Montevidéu, Uruguai, conhecido como Protetor do povo e mais tarde como O libertador, tornando-se um símbolo do esforço das nações sul-americanas pela libertação do jugo colonial. De uma família de grandes proprietários de terra, entrou para o exército espanhol (1797) e chegou a chefe da polícia montada. Apoiando a rebelião antiespanhola ocorrida em Buenos Aires (1810), assumiu a chefia dos orientales, como eram conhecidos os uruguaios, derrotando os espanhóis em Las Piedras e chegando a sitiar Montevidéu, mas teve que recuar para Buenos Aires. Enviou delegados à Assembléia Constituinte das províncias da região de La Plata (1813); mas como a assembléia não os recebesse, declarou guerra contra os desígnios hegemônicos de Buenos Aires e passou a chefiar o movimento de independência da Banda Oriental. A luta durou sete anos, mas incapaz de resistir aos centralistas e portugueses, foi definitivamente derrotado em Tacuarembó (1820). Retirou-se então para o Paraguai, onde faleceu em Ibiray, próximo a Assunção. Em sua agitada vida pública, despertou fiéis admiradores e seguidores, assim como também poderosos inimigos. Enquanto os primeiros o chamaram defensor da libertade, os segundos o acusaram de anarquista e traidor.

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Laicidade do Estado e Acordo com o Vaticano parte 3/5

Laicidade do Estado e Acordo com o Vaticano parte 2/5

Laicidade do Estado e Acordo com o Vaticano parte 1/5

Jogo do Poder com Michel Temer (4 de 6)

Jogo do Poder com Michel Temer (5 de 6)

Jogo do Poder com Michel Temer (6 de 6)

O charme do humorismo (02/07)

Suplente não manda. Chega de fazer o suplente de boi de piranha. Enquanto ele é roído pelos jornalistas, a boiada dos titulares espertos atravessa sorridente sem ser importunada

A crise no Senado é uma corrida entre fatos assombrosos numa raia e explicações assombrosas na outra. Difícil é saber quem vai ganhar. Você achava que já tinha visto de tudo? Pois a profusão de atos secretos (esqueci, eles não são secretos: só não foram divulgados) para nomear apaniguados é a prova de que mesmo os mais veteranos no jornalismo sempre têm algo inteiramente novo para descobrir.

Se os fatos levam a vantagem da materialidade, as explicações têm o charme do humorismo.

O senador José Sarney (PMDB-AP), por exemplo, nunca soube que determinadas decisões não eram publicadas. Não ficou sabendo nem quando foi para nomear ou demitir pessoas próximas dele. Próximas mesmo. Tem muita gente distraída em volta do presidente Sarney, inclusive ele próprio. Ou talvez falte a Sarney experiência administrativa.

Quem já andou pelo serviço público sabe a importância dada à publicação de nomeações e demissões. Mas a turma de Sarney, pelo jeito, não estava nem aí para essas bobagens.

Até porque os servidores decidiam tudo por conta própria. Você é um graduado funcionário do Senado Federal e cai na sua mesa um ofício nomeando Fulano, ligado ao senador Sicrano, para um cargo. Por que importunar o senador com questiúnculas? Você mesmo decide se publica ou não, se manda para a gráfica ou se guarda na gaveta.

E o incrível é que nunca nenhum senador reclamou de não ter visto publicados atos do interesse dele!

Isso mesmo. Foram mais de seiscentas medidas ocultadas, mas não se conhece um único caso de senador que na época tenha se preocupado com o porquê da não publicação. Contem outra. Senadores e deputados costumam acompanhar essas coisas (nomeações, demissões) com lupa. É uma parte vital da função política, pois funciona como medida de poder. Mas aqui foi diferente. Ninguém quis saber. Será?

É graças a essas (e outras) que não cola tentar limitar a crise do Senado à esfera administrativa. O problema não é administrativo. É político. Convém aos senadores a versão de que eles, distraídos, não perceberam a bagunça que rolava nos subterrâneos da Casa. Só que a versão fica frágil quando se olha para um ato secreto e se nota nele a marca do interesse de sua excelência.

Daí que deva ser vista com reserva a proposta do PT e do PSDB de instalar uma comissão de “alto nível” para conduzir as providências gerenciais no Senado. Aliás, está na hora de descartar essa separação entre políticos de diferentes níveis. Todas as figuras senatoriais metidas na confusão são titulares, detentores de sólida carreira política e acostumados a receber belas votações.

Tem muito suplente no Senado? Tem. Mas eles não mandam. Chega de fazer o suplente de boi de piranha. Enquanto ele é roído pelos jornalistas, a boiada dos espertos titulares atravessa sorridente sem ser importunada.

E os salários?

Eu não esqueci da promessa do senador José Sarney de divulgar os salários dos funcionários do Senado. Ele prometeu e deve cumprir. Ou ele, ou o sucessor. Tudo bem que a Justiça em São Paulo deu liminar proibindo o prefeito Gilberto Kassab (DEM) de colocar na internet os vencimentos brutos dos servidores municipais. Como já escrevi aqui, a coisa poderia ser feita por etapas. Começar divulgando só os rendimentos, sem dizer quem ganha o quê. Seria bom saber qual o maior salário bruto no Senado, quantos ganham mais do que o presidente da República ou do que um ministro do Supremo Tribunal Federal.

No tapetão

Luiz Inácio Lula da Silva afirma que o PSDB quer levar a presidência do Senado no tapetão, derrubando José Sarney e colocando no lugar Marconi Perillo (PSDB-GO). Conversa. O governo tem maioria na Casa. Basta unificar a base governista e eleger o eventual sucessor. A verdade é que a crise agora está no colo de Lula. E ele vai ter que resolver. Por enquanto, vai ganhando tempo com a arma da retórica e com as metáforas futebolísticas.


Alon Feuerwerker

A Itália nos indica o caminho

Por que o Norte é tão rico? Por que o Sul é tão pobre?

OESP - publicado em novembro de 2003

Esqueça tudo o que você aprendeu sobre imperialismo, exploração e abundância de recursos naturais. Após décadas de estudos, os modernos cientistas sociais chegaram à conclusão que o fator determinante do sucesso ou do fracasso de uma nação é a quantidade que ela possui de "capital social".

O que, diabos, vem a ser isso? Grosso modo pode-se dizer que, no processo de interação econômica entre os membros de uma sociedade, não se acumula apenas capital físico - dinheiro - mas também capital social, que é o patrimônio de instituições, relações interpessoais e códigos de conduta que a comunidade assimila. Ao final das contas, não é a quantidade de capital econômico, mas sim a de capital social que determina se a comunidade tende ao sucesso ou ao fracasso.

Para entender como isso funciona é necessário que nos reportemos à história recente da Itália.

Desde a unificação do país, no século 19, os italianos viviam brigando entre si. O Norte da Itália, rico e desenvolvido, queixava-se de Roma, que só privilegiava o Sul, que é mais atrasado. O Sul, por sua vez, culpava o "imperialismo", exercido pelo Norte, por não conseguir se desenvolver. Em 1970, para acabar com a eterna briga, o parlamento decidiu descentralizar o governo, concedendo autonomia virtualmente total a cada uma das vinte províncias.

A experiência despertou o interesse de Harvard que mandou cientistas acompanhar o processo. A Itália, pelos seus contrastes, era uma amostragem do primeiro e do terceiro mundo. As conclusões, depois de 30 anos de pesquisas, foram surpreendentes.

Todas as províncias se tornaram autônomas em igualdade de condições. Mas as províncias do Norte, antes acusadas de "imperialistas", dispararam economicamente, tão logo "deixaram de sê-lo". Já as do Sul, ao "deixar de ser exploradas", deram um enorme passo para trás. O que determinou o sucesso de umas e o fracasso de outras?

"Capital social", é a resposta unânime dos pesquisadores. É ele que possibilita a cooperação mútua, a confiança recíproca e torna viável a ação coletiva. Quanto maior é esse capital, mais eficiente é a sociedade na consecução de seus objetivos.

Vamos tentar entender melhor. Por trás de toda sociedade próspera existe um alicerce moral, qual seja, um conjunto de normas e condutas éticas que a ninguém ocorre transigir. Essa cultura não pode ser imposta pelo Estado, mas sim nascer da própria comunidade. Todos agem corretamente, porque todos entendem que, para todos, é melhor assim. Os "malandros" sempre aparecem, mas tem vida curta. A própria comunidade, tão logo os identifica, trata de isolá-los e repudiá-los.

Não há nada de utópico nesse processo. Onde há capital social as pessoas se mostram propensas a interagir economicamente. E o fazem através de associações, cooperativas, crédito abundante e comércio. O ato de confiar no próximo faz parte das normas e costumes. Mas isso não se dá por ingenuidade. Fulano confia em Sicrano porque sabe de antemão que Sicrano, pensando na sua reputação, jamais lhe "dará o cano" e cumprirá fielmente o que tiver sido combinado entre eles.

As transações e associações, assim, se tornam mais comuns, ágeis e abrangentes. E isso amplia o leque de oportunidades e aumenta a prosperidade. O capital social, como o financeiro, se multiplica pela sua prática. Quanto mais experiências bem sucedidas se dão no presente, maior é o número de outras que se viabilizarão no futuro.

Voltando ao caso da Itália, os contrastes históricos e culturais entre Norte e Sul, fizeram toda a diferença. O Norte, fragmentado em cidades-Estado desde a Idade Média possuía uma herança cívica incomparavelmente maior do que o Sul, que sempre vivera em um regime semifeudal.

A sociedade, no Norte, era vibrante e atuante. Já no Sul se dava o contrário. Vivendo por séculos sob o despotismo, a dissimulação e a desconfiança mútua - mais do que costumes - eram regras de sobrevivência. Oportunismo era - e em parte ainda é - visto como virtude. Se Giovanni fraudava Giuseppe, o primeiro era incensado como esperto e o segundo tachado de otário. Sonegar impostos, mais do que um hábito, era uma obrigação. "Quem age direito, morre miserável", reza um famoso ditado calabrês...

Se no Norte o Estado era desnecessário, no Sul ele sempre foi inexistente. Para fazer cumprir os contratos não se recorria à justiça do Estado, mas sim a organizações como a Máfia. Em 1970, depois de instalados os governos provinciais, eles logo se tornaram fontes de privilégios e de clientelismo. Os novos burocratas haviam sido criados na mesma cultura. Como imaginar que no poder eles seriam diferentes?

O exemplo da Itália é um paradigma para entender as diferenças entre o mundo desenvolvido e o resto.

Por que a Europa se recuperou tão depressa da destruição da Segunda Guerra? Porque os seus povos detinham muito capital social.O resto veio por conseqüência.

No caso do Brasil, em termos de capital social, algo já foi conseguido, mas ainda falta um longo caminho a percorrer. E de nada adianta praguejar contra o imperialismo, o neocolonialismo ou o capitalismo internacional. As deficiências, infelizmente, são exclusivamente nossas.

Os cientistas sociais, hoje em dia, são unânimes ao afirmar: a única e efetiva riqueza que um povo possui são os laços sociais e cívicos que ele mesmo constrói.

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João Mellão Neto é jornalista

terça-feira, 14 de julho de 2009

Charge


Charge

O ocaso do coronel

Lucia Hippolito

As mais recentes denúncias sobre as estripulias do senador José Sarney estão longe de ser as últimas e apontam na mesma direção de todas as anteriores: a privatização de recursos e espaços públicos em benefício próprio. Ou de sua família. E o desprezo às leis do país.

Senão vejamos. Distraído, Sarney não reparou que recebia mensalmente R$ 3,8 mil de auxílio-moradia, mesmo tendo mansão em Brasília e tendo à disposição a residência oficial de presidente do Senado.

Culpa da burocracia do Senado.

Distraidíssimo, Sarney esqueceu de declarar sua mansão de R$ 4 milhões à Justiça Eleitoral.

Culpa do contador.

Precavido, requisitou seguranças do Senado para proteger sua casa em São Luís – embora seja senador pelo Amapá.

Milionário (embora o Maranhão continue paupérrimo), não empregou duas sobrinhas e seu neto em suas inúmeras empresas. Preferiu que se empregassem no Senado.

Milionário generoso, não quis deixar a viúva de seu motorista ao relento. Empregou-a para servir cafezinho no Senado, em meio expediente, com salário de R$ 2,3 mil. Ah, e alojou-a em apartamento na quadra dos senadores.

Generoso, não impediu que seu outro neto fizesse negócios milionários com crédito consignado no Senado.

Ainda generoso, entendeu que um agregado da família deveria ser também empregado como motorista do Senado – salário atual de R$ 12 mil – mas trabalhando como mordomo na casa da madrinha, sua filha e então senadora Roseana Sarney.

Aliás, Roseana considerou normal convidar um grupo de amigos fiéis para um fim de semana em Brasília – com passagens pagas pelo Congresso.

Seu filho, Fernando Sarney, o administrador das empresas, que sequer é parlamentar, considerou normal ter passagens aéreas de seus empregados pagas com passagens da quota da Câmara dos Deputados.

Patriarca maranhense, ocupou as dependências do Convento das Mercês, jóia do patrimônio histórico, e ali instalou seu mausoléu. O Ministério Público já pediu a devolução, mas está complicado.

Não é um fofo?

Um dos mais recentes escândalos cerca justamente a Fundação José Sarney, que se apoderou das instalações do Convento das Mercês. Consta que R$1.300 mil captados através da Lei Rouanet junto à Petrobrás, para trabalhos culturais na Fundação José Sarney foram... desviados.

Não há prestação de contas, há empresas-fantasmas, notas fiscais esquisitas.

Enfim, marotice, para dizer o mínimo. Mas Sarney alega que só é presidente de honra da Fundação.

Culpa dos administradores.

E o escândalo mais recente (na divulgação, não na operação): Sarney seria proprietário de contas bancárias no exterior não declaradas à Receita Federal. Coisa do amigão Edemar Cid Ferreira, amigão também da governadora Roseana Sarney a quem, dizem, costumava emprestar um cartão de crédito internacional. Coisa de gente fina.

Em suma, acompanhando as peripécias de José Sarney podemos revelar as entranhas do coronelismo, do fisiologismo, do clientelismo. Do arcaísmo.

Tudo isto demora a morrer. Estrebucha, solta fogo pela venta. Mas um dia desaparece.

Tal como os dinossauros.

La Batalla de Stalingrado - Parte3/3

La Batalla de Stalingrado - Parte2/3

La Batalla de Stalingrado - Parte1/3