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quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

O partido secreto

É inverídica a afirmação de que o pensamento conservador não possua muitos adeptos na universidade pública. Existe uma verdadeira guerra de posições entre os professores, alunos e funcionários mais integrados e os descontentes com a hegemonia da ignorância e do reacionarismo.
Luís Carlos Lopes

O ataque político-ideológico de setores das direitas do Brasil às universidades públicas é curioso. Ele consegue unir jornalistas pequeno-burgueses que militam na imprensa mais conservadora do país a alunos de origem pobre, vindos de famílias que jamais alcançaram o ensino superior. Estes, quase sempre, são residentes em domicílios onde a palavra escrita mais conhecida é a Bíblia e/ou a mídia mais consumida é a TV aberta. O reacionarismo é uma erva da daninha, não sendo somente uma crença das elites. O conservadorismo popular, quase sempre negado ou negligenciado, é um problema grave que precisa ser atacado.

Não raro, os professores de biologia são admoestados por seus alunos ao tentar ensinar a teoria da evolução. Estes resistem bravamente, e, coléricos, reafirmam o velho criacionismo derrotado por Darwin no século XIX. Existem os que falam e defendem seus pontos de vista publicamente e os mais covardes que calam, com medo do vexame, manifestando-se em âmbito privado e na Internet. A polêmica entre criacionistas e evolucionistas, guardando-se as devidas proporções, se repete em sala de aula de todos os ramos do saber, quando alunos mais limitados são apresentados às teorias consagradas das ciências de qualquer cepa. O preconceito secreto contra o conhecimento, de origem medieval, tem livre curso entre parcelas substantivas dos jovens e nem tão jovens do Brasil.

Os sites e blogs deste mesmo movimento reproduzem matérias jornalísticas que acusam os professores de ‘doutrinadores’, de ‘esquerdistas’, de mentirosos e outras bobagens a mais. No mesmo lugar, são encontráveis depoimentos de alunos, familiares, militantes, bem como, vídeos gravados de modo secreto e ilegal de aulas que incriminariam os perigosos professores de esquerda. A idéia é juntar ‘provas’ de que as universidades públicas, os cursinhos pré-vestibulares e, até mesmo, os concursos públicos estariam povoados por ‘comunistas’ que comem ‘criancinhas’. Eles querem uma ‘escola sem-partido’. Não querem saber que, até em silêncio, sempre se escolhe e se defende uma posição. Obviamente, os partidários destas idéias respondem a estas críticas, negando tudo. Não passam recibo do que realmente acreditam. Esquecem que o homem é um animal político, tal como ensinou Aristóteles.

É necessário sublinhar que o mesmo ataque dirige-se contra as escolas públicas e contra qualquer tipo forte ou frágil de difusão de posturas e de conhecimentos anti-hegemônicos ou a simples difusão do saber científico e artístico universal. Nenhuma palavra é escrita sobre os cursos universitários da área privada. Deve-se presumir que esses críticos e, ao mesmo tempo, usuários do ensino público devem achar que o melhor seria que todas as escolas fossem privadas e que o ‘mercado’ fosse o rei vazio do saber ensinado.

Afinal, para que falar em política, história, ciência, literatura e outras formas de arte? De que adiantaria incrementar o debate com idéias que discordariam dos sensos comuns e das tradições? A quem serviria discordar das religiões dominantes ou paralelas, da televisão de todo dia, do cinema comercial etc? As escolas, fundamentalmente as de nível superior, deveriam apenas certificar seus alunos, distribuindo os diplomas tão almejados. Não deveriam cobrar nada de mais sério deles, bem como, nada exigir além do ritual burocrático-acadêmico e nem checar se eles estão de fato preparados para as carreiras que escolheram. É o que parece que os defensores dessas idéias pensam.

Eles construíram um universo bastante afastado da realidade do que realmente se passa no ensino público universitário. É verdade, que neste ainda há espaço para discussão crítica e para a atualização dos saberes humanos. Fora dele, pouquíssimos espaços brasileiros discutem algo de mais substantivo. A tendência é de fazer o que os mestres midiáticos e conservadores mandam e recomendam. Essa janela, que insiste em interpretar o mundo, deve irritar bastante os mais tradicionalistas e conservadores, tal como sempre aconteceu.

É inverídica a afirmação de que o pensamento conservador não possua muitos adeptos na universidade pública. De fato, existe uma verdadeira guerra de posições entre os professores, alunos e funcionários mais integrados e os descontentes com a hegemonia da ignorância e do reacionarismo. Nesta mesma universidade, existe espaço para as mais diferentes correntes políticas e do saber e estas não são, necessariamente, inimigas da ordem. Há um exagero calculado e a tentativa de desqualificar o que não compreendem e rejeitam a priori. Lá, existe um pouco de tudo, como em qualquer outro ambiente humano de grandes proporções. Fazem parte dessas escolas santos e demônios, oportunistas e altruístas e muita gente que não se coloca em nenhum dos extremos conhecidos.

Por que eles tanto atacam estas instituições? Na visão de mundo deles, tudo que possa atrapalhar a dominação ideológica sufocante que almejam deve ser sumariamente destruído. Não há perdão. Eles têm saudade da época da ditadura militar e de todos os regimes autoritários do mundo afora. Desejam que o Brasil caminhe na direção de uma sociedade com uma só voz, com as pessoas controladas e sem capacidade crítica. Odeiam a ciência, a arte e se pudessem mandariam para fogueira os livros mais importantes da história da humanidade. Muitos dos seus seguidores detestam a palavra escrita, adoram a imagem e têm enorme aversão ao ato de pensar. Os que aceitam o que apreendem nos livros selecionam autores e idéias que defendam os mesmos pontos de vista ou possam ser usados nesta direção. Obviamente, isto não faz parte da superfície dos seus discursos. Pode ser depreendido, mergulhando-se nos conteúdos.

A velha técnica da manipulação implica inverter significados, cortar frases e dar interpretações truncadas. O que se quer é transformar as audiências em bonecos de ventríloquos, impedir que pensem e que decidam em sã consciência. Isto funciona. Existem mil e um exemplos da história humana da construção de versões para esconder a verdade, de se manipular grande quantidade de seres humanos e de usá-los como instrumentos do poder de uma pequena minoria.




Luís Carlos Lopes é professor e escritor.

terça-feira, 9 de julho de 2013

Urgente e Relevante


segunda-feira, 8 de julho de 2013

Cedo demais para julgar (22/02)

Coluna (Nas entrelinhas) publicada hoje (22/02/2008) no Correio Braziliense.Há situações em que os povos estão dispostos a enveredar por caminhos extremos sob o impulso do orgulho nacional, ainda que isso vá lhes trazer imensos sofrimentos. A Revolução Cubana de 1959 não foi um fato isolado, um raio em céu azul no Caribe.
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Não sei se é só piada ou tem algo de verdade, mas consta que em 1989 certo líder político da China recusou-se a dar opinião sobre a Revolução Francesa, quando desembarcava em Paris para participar da comemoração do bicentenário dela. “É cedo demais para uma avaliação”, ponderou. Ainda que seja só lenda, faz sentido. Pouco mais de dois séculos depois, a insurreição que acabou por levar Luís XVI e Maria Antonieta à guilhotina ainda é objeto de controvérsia.A historiografia antiliberal, por exemplo, debita a emergência do marxismo e das revoluções proletário-socialistas do século 20 na conta dos rebeldes que derrubaram a Bastilha em 14 de julho de 1789. Sem, é claro, esquecer de jogar parte da culpa nos intelectuais iluministas, que forneceram o substrato teórico e filosófico para questionar coisas sagradas, como o direito divino dos reis, a servidão e a ausência de igualdade de direitos.
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Já quem enxerga a História do pólo oposto afirma que o Terror, simbolizado em Maximilien de Robespierre, foi um mal necessário, a demonstrar que a violência revolucionária é a parteira da História. E que sem o Comitê de Salvação Pública não teria havido Napoleão Bonaparte. Ao qual por justiça, devem ser creditados muitos dos méritos pelas atuais taxas democráticas na Europa Ocidental. Ainda que o serviço tivese que ser completado por americanos e russos, mais de um século depois.Fazer julgamentos históricos é mesmo complicado. Vamos tomar, por exemplo, a Grande Revolta Judaica contra a dominação do Império Romano, cerca de quatro décadas após a crucificação de Jesus. Um de seus episódios mais famosos foi o cerco a Masada, fortificação no topo de um plateau no deserto da Judéia, às margens do Mar Morto. Ali, um punhado de radicais, os zelotes, coroaram com o suicídio coletivo a feroz resistência que vinham antepondo às legiões romanas.
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Os resultados práticos da revolta foram desastrosos para os judeus. O Templo de Jerusalém foi destruído e teve início uma diáspora de quase 20 séculos. Ainda hoje, quem visita Roma vê no arco de Tito a imagem esculpida dos legionários a carregar, como um troféu, o candelabro principal retirado do Templo. Sobre cujos restos repousam agora dois dos mais importantes lugares santos do Islã: as mesquitas da Rocha (a de cúpula dourada, lugar de onde Muhammad subiu ao céu) e de Al-Aqsa (onde se deflagrou a segunda Intifada).
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Fidel Castro deixou definitivamente nesta semana as funções de Estado em Cuba. Sua saúde precária precipitou a decisão. Tudo indica que o gesto do líder cubano marca a culminância de uma transição interna de poder no Partido Comunista, uma página virada. Fidel agora é História, ainda que — diferentemente de Getúlio Vargas — tenha entrado nela antes mesmo de deixar a vida.
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Eu prefiro aderir à piada do chinês em Paris e fugir de um juízo histórico sobre a Revolução Cubana. Até para não ver cobradas conclusões definitivas sobre outros fatos, anteriores. Como os dois casos citados no começo desta coluna.
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O uso indiscriminado do terror, por exemplo, deveria levar-me a condenar decisivamente a Revolução Francesa. Já as tragédias humanas decorrentes da Grande Revolta Judaica do início da Era Cristã na Judéia não deixariam alternativa: por um ângulo puramente pragmático, afrontar Roma foi mesmo uma grande estupidez, decorrente de certo fanatismo incompatível com a lógica política fria e até com a civilização.
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Há situações, entretanto, em que os povos estão dispostos a enveredar por caminhos extremos sob o impulso do orgulho nacional, ainda que isso vá lhes trazer imensos sofrimentos. A Revolução Cubana de 1959 não foi um fato isolado, um raio em céu azul no Caribe. A trajetória da ilha na sua luta pela independência antes de Fidel é uma sucessão de sonhos que se alternam com frustrações, de promessas e traições vindas do grande irmão que repousa poucas milhas ao norte.
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O processo político cubano tem mais a ver com o patriotismo do que com o socialismo — ainda que nas circunstâncias de países como Cuba seja difícil separar os dois vetores. A simpatia que a revolução liderada por Fidel desperta está relacionada com a resistência heróica ao domínio colonial e com o avanço inegável de conquistas sociais num país caribenho que tinha tudo para repetir as trágicas experiências nas nações marcadas pela escravidão, pela monocultura e pela dominação externa.É um bom debate, e que tem tudo para se estender por largo tempo. Como recomenda a sabedoria oriental, trata-se de travá-lo com paciência.
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sábado, 6 de julho de 2013

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quarta-feira, 3 de julho de 2013

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segunda-feira, 1 de julho de 2013

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domingo, 30 de junho de 2013

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quarta-feira, 26 de junho de 2013

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terça-feira, 25 de junho de 2013

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domingo, 23 de junho de 2013

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sábado, 22 de junho de 2013

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sexta-feira, 21 de junho de 2013

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sábado, 15 de junho de 2013

Sócrates