terça-feira, 31 de agosto de 2010

Golpe Branco contra Dilma: “Non passarán”!

Diorge Konrad *


Em 2 de julho de 2005 escrevi, neste mesmo espaço, o artigo “Dilma Roussef: a técnica e a política na aventura proibida da liberdade”. Era a conjuntura da crise política que as classes dominantes e a grande mídia chamaram de “mensalão”. Poucos dias antes, em 20 de junho, Dilma assumira a chefia da Casa Civil da Presidência da República. Logo, os opositores conservadores disseram que ela era uma “grande técnica”, administradora segura e competente em enfrentar crises, mas com questionáveis atributos políticos para o cargo.

Ali, nossos reacionários de plantão, sedentos para ganhar o governo no “tapetão”, no lugar de considerar que uma mulher havia atingido um dos lugares mais importantes da história da República ou o maior deles até então, procuraram desqualificá-la para a nova função política.

Na posse, a resposta de Dilma veio imediatamente: não fora por diferenças entre megawatts que ela ficara na cadeia nos piores tempos dos anos 1970. Com Dilma, desfazia-se o discurso tecnocrata de separar a técnica da política.

Passaram-se 5 anos. Neste tempo, Dilma evidenciou sua tradição de luta contra a Ditadura Civil-Militar. Respondendo às acusações de terrorismo (velha construção discursiva dos velhos macartistas e anticomunsitas), defendendo um projeto que, se ainda não é de desenvolvimento autônomo e soberano, questionador da política econômica em curso, colocou uma cunha nas privatizações e recolocou em pauta o papel do Estado como indutor da economia. De lá para cá, Dilma se tornou candidata à Presidente da República e já lidera todas as pesquisas.

Dias atrás, a ex-ministra recebeu mais um regalo de certa mídia que se locupletou com a Ditadura e se tornou a maior organização de comunicação do país, cuja história secreta já foi divulgada, mas ainda é pouca conhecida de nossa população. A capa da revista “Época”, na edição de 16 de agosto de 2010, trouxe a chamada “O passado de Dilma: documentos inéditos revelam uma história que ela não gosta de lembrar: seu papel na luta armada contra o regime militar”.

Como não gosta de lembrar “cara pálida”? O que Dilma realmente não deve gostar de lembrar devem ser as sessões de tortura a que foi submetida na DOPS e no presídio Tiradentes. Pois, do contrário, é público o seu orgulho em participar da resistência à opressão, ardilosamente chamada apenas de Ditadura Militar, a fim de escamotear seus construtores e apoiadores civis, como as Organizações Globo.

Em matéria de 11 páginas, nada pouco a uma revista semanal que conta com o financiamento e propaganda de inúmeras empresas que nada têm a reclamar dos governos brasileiros de 1964 a 1985, levanta-se dúvidas sobre o passado de Dilma. Com fontes policiais (DOPS e SNI), este órgão de “informação” repete os jargões dos porões da Ditadura. Num quadro em destaque, uma das dúvidas é sobre se Dilma se arrepende de alguma atitude tomada naquele período.

A candidata à Presidente não precisa responder a mais esta vilania, pois se não bastassem as sevícias do passado, os “democratas” (de partidos e da sociedade) de última hora não toleram que, assim como no recente Uruguai, alguém que pegou em armas contra a opressão, seja escolhida para o mais alto cargo da República.

Mas nós continuaremos a desvelar aquele processo histórico cuja memória continua em disputa na sociedade brasileira de hoje. Uma história dos que, por meios distintos, institucionais ou armados, revelam os lutadores por outro Brasil que não aquele submetido aos domínios imperialistas do capital rentista. Dilma Roussef é da geração que não se conformava com o arbítrio e, como muitas mulheres, foi à luta armada para derrotar o regime de força. Como não se calou quando tentaram derrubar seu governo, em 2005, com as mesmas armas do udenismo lacerdista que insiste em despejar suas meias-verdades na mídia, a fim de retomar o governo que o campo popular têm depositado sua esperança, rompendo com o medo imposto pelo pós-1964.

Foi ex-secretária da Fazenda do Município de Porto Alegre (1986-1988), ex-presidente da Fundação de Economia e Estatística do Rio Grande do Sul (1991-1993), ex-secretária de Energia, Minas e Comunicações do Estado do Rio Grande do Sul nos governos Alceu Collares e Olívio Dutra (1993-1994 e 1999-2001, respectivamente), ex-ministra das Minas e Energia e Chefe da Casa Civil do governo Lula. Mesmo assim, o discurso reacionário tenta negar a realidade, afirmando que Dilma não tem experiência para governar o Brasil.

Na campanha eleitoral, José Serra, o candidato da Avenida Paulista, dos mesmos liberais-conservadores que têm a companhia esclarecedora do DEM e vergonhosa do PPS, além do oportunismo eleitoral do PV, tem direcionado parte de seu ataque político para esta questão. Não bastasse isso, assim que começou a campanha de rádio e TV, a grande imprensa, tenta pautar a luta política e requenta denúncias para atingir a candidata que representa o projeto do atual governo. Isto está bem visível na nova tentativa de “golpe branco” para desestabilizar a vontade popular que tende a dar vitória eleitoral para Dilma ainda no primeiro turno. Mas como disse Isidora Dolores Ibárruri Gómez (La Pasionaria,) na Guerra Civil Espanhola: “Non Passarán!!!”. Os lutadores brasileiros sabem disso!!!


* Doutor em História Social do Trabalho pela Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP, Professor Adjunto de História do Brasil e de Teoria da História do Departamento de História da UFSM - RS

O chocalate de Dilma

É isso aí: está pintando um chocolate.
Dilma Roussef deve vencer no primeiro turno. Tem muita gente desesperada. E mais gente ainda sem entender o que está acontecendo. Todas as previsões dos especialistas fracassaram.
Só o Everaldo acertou.
Everaldo é motorista de táxi. Tem ponto no HPS. Nas horas vagas, formou-se em História.
Enquanto Carlos Augusto Montenegro, o vidente do Ibope, previa uma vitória de José Serra no primeiro turno, Everaldo já anunciava um passeio da Dilma. Everaldo é de esquerda. Montenegro é de direita?
Por que mesmo está tão fácil para a candidata do PT? É simples.
O presidente Luiz Inácio fez três coisas estupendas pelo Brasil: o Bolsa-família, o Prouni e a manutenção da política de austeridade econômica.
Foram medidas de primeiro mundo.
Quem ainda não entendeu isso? A direita. E a extrema-esquerda.
A direita acha que é muito.
A esquerda sabe que é pouco.
O Brasil pode mais.
Mas não com esse José Serra aí.
Qual o critério de escolha política de um empresário? O interesse econômico. O povo pensa da mesma maneira.
O Brasil está melhor hoje do que ontem.
Previu-se que José Serra esmagaria Dilma nos debates? Qual o fundamento dessa previsão? Nada além do chamado nexo causal fantasioso e ideológico. Funciona assim: Serra é tucano, os tucanos são racionais, a racionalidade se expressa através de um discurso encadeado e demonstra uma competência especializada, que se consegue, em geral, com mestrado e doutorado nos Estados Unidos ou na Europa.
Acontece que nem sempre funciona assim.
Dilma e Serra não têm carisma.
Jamais se viu Serra brilhar num debate.
Nada permitia imaginar que ele tornasse um monstro da argumentação de um momento para outro.
Os dois mostram níveis de competência técnica semelhantes. Ambos têm pavio curto, personalidade forte e certa arrogância. Mas Dilma representa um governo nacional progressista que deu certo, apesar das suas alianças espúrias, ou graças a elas, e encarna uma perspectiva de avanço que Serra está muito longe de reconhecer.
Na hora da campanha, com as bandas nas ruas, o que se viu foi uma guinada de Serra para a extrema-direita. O PSDB, que se parecia com o melhor do PMDB na época da sua fundação, está cada vez mais semelhante ao pior do PFL, a turma que veio da Arena e acabou abrigada nessa sigla de nome esquisito, Dem.
Dilma vai ganhar por ser melhor para o Brasil.
O único argumento que restou para a direita é a crítica à corrupção, especialmente ao mensalão.
Não cola mais. É o roto falando do descosido.
No fundo, a direita se lixa para a corrupção, assim como já se lixou para a democracia. Se der dinheiro, aposta até em ditadura. Parece rasteiro? É rasteiro. A dor da direita é ter de ver um operário esperto, capaz de costurar alianças duvidosas, fazer mais pelo Brasil do que os doutos. Por quê? Porque a direita nunca quis dividir o bolo. Achava que sempre poderia enrolar os otários e manter o controle do fazendão.
Não imaginava que a plebe se atreveria a defender seus próprios interesses e a cair na folia.

Juremir Machado da Silva

Os bundões da campanha

Estou indo pra minha sexta eleição consecutiva em 10 anos. Participei da municipal de 2000, da geral de 2002, da municipal de 2004, da geral de 2006, da municipal de 2008 e agora mais uma vez da geral. Sinto-me confortável pra comentar sobre campanhas. Até porque, em todas estas eleições, eu estava sempre em um campo político diferente. Da extrema esquerda em que fui parar em 2002, voltando pra esquerda em 2004, migrando pra centro-esquerda em 2006, hoje me encontro em uma moderada posição de conservador de direita.

Com tanto tempo de campanhas eleitorais e em tantos lugares diferentes, fui catalogando os mais variados tipos que participam destes processos. Mas hoje vou tratar de um típico específico, que pra ser sincero só encontrei na atual campanha de José Serra: o do bundão.

Já fiz campanha pro PT, pro PSTU e pro PMDB. Nesta, finalmente encontrando meu rumo, faço campanha para um Democrata do mais alto nível para o governo do estado, o senador Raimundo Colombo. Em todas as eleições que eu mencionei, mesmo com pouca idade (casos especialmente de 2000, 2002 e 2004), eu estava na coordenação. Em nenhuma campanha anterior consegui encontrar tantos bundões reunidos quanto entre aqueles que nos mais variados lugares, ambientes e mídias, faz campanha pra José Serra.

Se você está lendo este texto muito provavelmente não seja um bundão. Porque os bundões, ao virem o título utilizando a palavra bundões, já se convenceram que sou um grosseiro, sem boas maneiras, sem cultura, sem educação. Que não pode andar no meio deles. Meninos e meninas limpinhos, queridos, bem educados e chiquetésimos. Falar palavrão é feio e o anjinho chora.

Pros bundões, o bloguismo chapa-branca está certo quando acusa alguns de nossos militantes que ousam confrontar o petralhismo em seu próprio campo de trolls. Os bundões fogem dos “trolls” da nossa campanha mais do que de petralhas. Com petralhas eles gostam de debater e tentar convencê-los. Em suma, os bundões chegam a ser fofinhos, com o perdão do trocadalho. Perdem tempo com petralhas, perdem tempo com campanhas absurdas (como a campanha do voto nulo, a de libertação de Shakineh, a retroatividade de leis (dio Santo, sacramento e mais todos os palavrões que meu saudoso vovô falava em italiano, até nisso se equivalem aos petralhas, se a lei é bonitinha ás favas com a Constituição) dentre outros absurdos completamente inúteis).


Mas bundões também tem seus inimigos, que costumam em ordem ser o Reinaldo Azevedo (ele é um radicalóide de direita que só é assim por ser ex-trotskysta), o Olavo de Carvalho e todos que orbitem em sua área de influência intelectual (afinal Olavo é um monstro, um perigosíssimo radical de direita que ainda implantará o fascismo, o nazismo e o neoliberalismo no Brasil a força de um golpe macabro que ele dará sabe-se Deus como) e por último o vice de José Serra, o corajoso e nada bundão deputado Democrata Índio da Costa.

Notaram as semelhanças com os petralhas? Eu também. O sonho de todos os bundões era ter um PSDB liderado pelo Lula. Lula adquiriria o glamour do PSDB, toda sua boa educação e finesse e o PSDB teria um líder popular.

Essa gente não se emenda nunca.

Tente explicar pra eles que política é confronto, que o confronto é da natureza e a essência mesma do processo político e fatalmente vão te classificar de grosseiro, mau educado e radical. Um radical que perde votos. Um radical que só atrapalha. Que fica falando um amontoado de bobagens sectárias, reacionárias e sem sentido. Que só quer atrapalhá-los em sua cruzada para mostrar a excelência do Cidade Limpa, da imbecil Lei Anti-Fumo, do Mãe Brasileira e dos Genéricos.

É gente que nunca disputou pra valer sequer eleição de Grêmio Estudantil. E se disputou foi em um colégio chiquetésimo contra outros bundões iguazinhos a eles.

Chamar Dilma de terrorista é falta de ética, maldade e radicalismo para um bundão. Mas aí, quando vem o PT e viola sigilos bancários a torto e a direito, desde um humilde caseiro até os maiores dirigentes do principal partido da oposição, fazem biquinho e carinha de freiras no puteiro, dizendo-se extremamente consternados com tamanha agressividade no processo eleitoral.

Lembrar que Dilma, a que foi (?) terorrista, apóia o MST, um movimento que qualquer país civilizado caracterizaria como terrorista, é outra coisa de radicais da direita.

Reagir? Devolver? Ir pra porrada? São coisas que não passam e jamais passarão pela cabeça (???) de um bundão. Seria pedir demais de mentes que pensam usando o mesmo tipo de substâncias, reagentes e células que produzem a expulsão das substâncias não aproveitáveis do corpo.

Há pouco mais de um ano José Serra variava com índices de intenção de voto nas pesquisas superiores a 45%. Entretanto, quem lia as pesquisas com cuidado (como o tio Rei cansou de escrever em seu blog) notava de cara que Dilma se tornaria uma candidata competitiva. Enquanto Lula cometia uma lista infindável de ilegalidades para promover sua candidata, a oposição, composta em sua grossa maioria por bundões ficava quietinha, sem o menor sinal de reação, fazendo exatamente aquilo que os militantes bundões mais gostam: esperar a vitória cair no colo por inércia, como se política não fosse justamente a arte do confronto de posições. Verdadeira guerra continuada por outros meios como já ensinava o saudoso Von Clausewitz.

Algumas vezes, quando estou de mau humor, com sono ou acordo da pá virada, torço pra Serra tomar uma tunda antológica e sepultar de vez a Era dos Bundões na oposição.

Mas aí lembro que isso seria mais um passo na segura marcha pro desaparecimento da democracia no país.

E volto a escrever, volto a lutar, volto a tentar, dentro das minhas possibilidades, ajudar a eleger José Serra.

Mesmo a despeito dos bundões.
Eduardo Bisotto

A Sociedade Mundial da Cegueira

O poeta Affonso Romano de Sant'Ana e o prêmio Nobel de literatura, o portugues José Saramago, fizeram da cegueira tema para críticas severas à sociedade atual, assentada sobre uma visão reducionista da realidade. Mostraram que há muitos presumidos videntes que são cegos e poucos cegos que são videntes.

Hoje propala-se pomposamente que vivemos sob a sociedade do conhecimento, uma espécie de nova era das luzes. Efetivamente assim é. Conhecemos cada vez mais sobre cada vez menos. O conhecimento especializado colonizou todas as áreas do saber. O saber de um ano é maior que todo saber acumulado dos últimos 40 mil anos. Se por um lado isso traz inegáveis benefícios, por outro, nos faz ignorantes sobre tantas dimensões, colocando-nos escamas sobre os olhos e assim impedindo-nos de ver a totalidade.

O que está em jogo hoje é a totalidade do destino humano e o futuro da biosfera. Objetivamente estamos pavimentando uma estrada que nos poderá conduzir ao abismo. Por que este fato brutal não está sendo visto pela maioria dos especialistas nem dos chefes de Estado nem da grande mídia que pretende projetar os cenários possíveis do futuro? Simplesmente porque, majoritariamente, se encontram enclausurados em seus saberes específicos nos quais são muito competentes mas que, por isso mesmo, se fazem cegos para os gritantes problemas globais.

Quais dos grandes centros de análise mundial dos anos 60 previram a mudança climática dos anos 90? Que analistas econômicos com prêmio Nobel, anteviram a crise econômico-financeira que devastou os países centrais em 2008? Todos eram eminentes especialistas no seu campo limitado, mas idiotizados nas questões fundamentais. Geralmente é assim: só vemos o que entendemos. Como os especialistas entendem apenas a mínima parte que estudam, acabam vendo apenas esta mínima parte, ficando cegos para o todo. Mudar este tipo de saber cartesiano desmontaria hábitos científicos consagrados e toda uma visão de mundo.

É ilusória a independência dos territórios da física, da química, da biologia, da mecânica quântica e de outros. Todos os territórios e seus saberes são interdependentes, uma função do todo. Desta percepção nasceu a ciência do sistema Terra. Dela se derivou a teoria Gaia que não é tema da New Age mas resultado de minuciosa observação científica. Ela oferece a base para políticas globais de controle do aquecimento da Terra que, para sobreviver, tende a reduzir a biosfera e até o número dos organismos vivos, não excluidos os seres humanos.

Emblemática foi a COP-15 sobre as mudanças climáticas em Copenhague. Como a maioria na nossa cultura é refém do vezo da atomização dos saberes, o que predominou nos discursos dos chefes de Estado eram interesses parciais: taxas de carbono, níveis de aquecimento, cotas de investimento e outros dados parciais. A questão central era outra: que destino queremos para a totalidade que é a nossa Casa Comum? Que podemos fazer coletivamente para garantir as condições necessárias para Gaia continuar habitável por nós e por outros seres vivos?

Esses são problemas globais que transcendem nosso paradigma de conhecimento especializado. A vida não cabe numa fórmula, nem o cuidado numa equação de cálculo. Para captar esse todo precisa-se de uma leitura sistêmica junto com a razão cordial e compassiva, pois é esta razão que nos move à ação.

Temos que desenvolver urgentemente a capacidade de somar, de interagir, de religar, de repensar, de refazer o que foi desfeito e de inovar. Esse desafio se dirige a todos os especialistas para que se convençam de que a parte sem o todo não é parte. Da articulação de todos estes cacos de saber, redesenharemos o painel global da realidade a ser comprendida, amada e cuidada. Essa totalidade é o conteúdo principal da consciência planetária, esta sim, a era da luz maior que nos liberta da cegueira que nos aflige.

Leonardo Boff á autor de A nova era: a consciência planetária, Record (2007)

Mandatos Autônomos

Por mais estranho que seja os mandatos legislativos no Brasil, em regra, são autônomos e livres, de qualquer interferência dos eleitores e até dos partidos.

Raros são os políticos que se preocupam e conseguem dar uma dinâmica coletiva e popular aos seus mandatos.

Em geral, os mandatos são exercidos numa dinâmica individualista, personalista e distante das bases sociais que elegem os parlamentares.

Podemos dizer, sem dúvida, que esse quadro é indutor do carreirismo, do oportunismo e do descompromisso do parlamentar, e, em alguns casos da nefasta corrupção.

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Lula e a Veja

domingo, 29 de agosto de 2010

Jwlhiow - Os Melhores do Mundo DVD Oficial : Sargento Deny

Ela disse...

A candidata do PT à Presidência da República, Dilma Rousseff, questionada, em entrevista ao Jornal Nacional da Rede Globo de televisão, por que o PT fazia severas restrições ao PMDB ideológico de Ulisses Guimarães, Franco Montoro, Tancredo Neves, Mario Covas, e hoje, estabelece estreita aliança com o PMDB fisiológico, representado por Michel Temer, José Sarney, Jader Barbalho, Renan Calheiros, Romero Jucá? Ela disse: O Partido dos Trabalhadores amadureceu, e o seu amadurecimento responde a essa questão.
Como já fizemos, em outras ocasiões, cabe insistir na pergunta: O PT, serviçal do grande capital e aliado da escória da política brasileira, amadureceu ou apodreceu? Hoje, ele não tem o menor pudor em dizer aos grandes capitalistas que eles devem estar satisfeitos, pois nunca usufruíram tantos lucros, e é em nome dessa satisfação que a candidatura Dilma é a mais rica dentre todas.
É interessante observar a insistência com que o PT quer nos impor uma eterna oposição ao governo FHC. Primeiro, é oportuno que se diga, que o governo petista conservou os fundamentos da política econômica e financeira dos governos Itamar Franco e Fernando Henrique. Depois, o que se haveria de esperar de um partido que se reivindica dos trabalhadores, é que ele encarnasse os interesses históricos das massas laboriosas, e esses interesses têm como espinha dorsal a luta contra o capitalismo e nunca se ater a políticas compensatórias cujo fim é atenuar as tensões sociais e cooptar as massas desinformadas para o seu projeto continuísta, marcado pelo servilismo ao sistema sócio-econômico vigente.
A comparação FHC e Lula é completamente descabida, não só por suas semelhanças mas porque ela não vai além de um truque para nos desviar a atenção da questão essencial. A humanidade hoje vive um terrível dilema: ou ela destruirá o capitalismo ou por ele será destruída. Essa sim é a essência da questão histórica que hoje nos assalta e a discussão de governos mais ou menos populares é uma forma de escamotear o problema mais crucial dos nossos dias.
Gilvan Rocha

A candidata do presidente lula não vai tendo adversário

A candidata do presidente lula não vai tendo adversário, a campanha do senhor José Serra até agora não conseguiu emplacar nada de objetivo.
A última agora é reclamar de um dossiê, aliás algo bem popular entre os brasileiros. O que o eleitor quer saber de dossiê?
Para o povo todo mundo faz esse tipo de coisa, e quem pode mais chora menos. Aliás o senhor Serra é tido como um habilidoso coordenador de desse tipo de documento, e no entanto está aí concorrendo a presidente como se nada tivesse acontecido.

Melhores do Mundo - Debate Político

Padre Paulo Ricardo

Padre Paulo Ricardo um dos religiosos católicos mais conservadores do Brasil, seguidamente palestrante em programas da Rede Vida e outros canais católicos, lançou as burras contra a candidata do governo.

Acusa a candidata de ser abortista. A pregação do religioso foi colocada em destaque no site dos Democratas. Tudo indica que os setores mais conservadores vão fechando com Serra, e com isso contribuindo para consolidar os votos ainda não consolidados da candidata do governo, visto que o conservadoreismo ao estilo do Padre Paulo Ricardo tem poucos seguidores no Brasil, ao menos por enquanto.

Para piorar o padre Ricardo ainda compara a candidata do governo à Hitler, aí é para quebrar mesmo a candidatura Serra.

sábado, 28 de agosto de 2010

Nossas maravilhosas rodovias

Porque será que essas rodovias não são assunto no Brasil, justamente em um período eleitoral.

Serra vereador

Já tem gaiato na internet lançando Serra candidato a vereador em SP. Esses internautas não são fáceis.

Confira a íntegra do debate Folha/UOL com os candidatos à Presidência

A Praça é Nossa - Deputado João Plenário - 11/01/2007

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Charge




Plínio critica PT e PSDB no debate na Band em 2006

Lula é Popular


Um ano antes da eleição em que, após outras três tentativas frustradas, Lula foi guindado à Presidência da República, o então novo marqueteiro do PT, Duda Mendonça, publicou um livro que merece ser ressaltado. O título é Casos e Coisas.Entre outras afirmações, Duda vaticinou que o Partido dos Trabalhadores, em função da coesão, da motivação e da uniformidade ideológica de seus membros, haveria, mais cedo ou mais tarde, de alcançar o poder nacional.

Duda realçou que alguns retoques na imagem de Lula e do partido deveriam ser feitos de imediato. Entre eles, o principal era o de eliminar qualquer resquício da ideia de luta de classes, tão cara aos intelectuais marxistas. E foi mais além. O ideal, mesmo, era suprimir todos os vestígios que lembrassem luta. Segundo o marqueteiro, o bordão preferido dos petistas – “a luta continua!” – era terrivelmente contraproducente. A palavra luta lembrava briga, confusão. E se havia algo de que os brasileiros, em geral, queriam distância, era isso.

Dito e feito. Nunca mais nenhum petista – a não ser alguns desavisados – se valeu de tal slogan. Nunca mais, também, foi utilizado o argumento de que haveria uma contraposição entre os anseios dos proletários e dos seus patrões burgueses. Não havia mais por que dividi-los em duas classes em tudo opostas e conflitantes. A partir de então seríamos todos brasileiros. Com princípios, conceitos e objetivos iguais em tudo. O atual slogan do governo de Lula, “um Brasil de todos”, é um eloquente exemplo dessa então nova postura. Lula jamais venceria eleições majoritárias enquanto provocasse receio e ojeriza nas camadas mais elevadas da sociedade. Se não pudesse tê-las ao seu lado, deveria, ao menos, neutralizá-las. Tudo deveria começar com uma mudança radical de atitude, começando por sua aparência pessoal. Lula aparou a barba e corrigiu os dentes. Foram comprados ternos bem cortados, camisas sob medida e gravatas de bom gosto. Passou também a se apresentar com o rosto bronzeado e sem suor.

O tom do discurso mudou. Saiu o Lula combativo, feroz e ameaçador para dar lugar à versão “paz e amor”. Quer dizer, então, que o novo Lula é uma farsa? Não. O seu compromisso com o marxismo e com a Teologia da Libertação era apenas circunstancial. No início de sua carreira pública, como presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo, no final dos anos 70, Lula não só tinha nenhum dos cacoetes da esquerda brasileira, como também se mostrava refratário a qualquer participação dela em sua pregação. Chegou a declarar, à época, que intelectuais e estudantes só serviam para atrapalhar. Lula despontava perante a opinião pública como um líder operário de massas de perfil moderno, destituído dos vícios ideológicos que inviabilizaram os sindicalistas de antes de 1964. Mais tarde, depois de fundado o PT, ele percebeu que o apoio do pensamento de esquerda era fundamental para motivar a militância, passando, então, a permitir que professores, estudantes e padres o municiassem de argumentos.

Lula, em sua origem, não era um esquerdista. E após a chegada de Duda Mendonça deixou logo de sê-lo. Não há nada de insincero ou artificial, portanto, em seu atual perfil. Lula, no poder, tem-se revelado ora liberal, ortodoxo e conservador, ora esquerdista, “progressista” e nacionalista, ora clientelista e assistencialista. Qual deles é o verdadeiro Lula? Talvez todos. Sua política econômica é, em todos os sentidos, de cunho liberal. Ou seja, não faz apostas contra as forças do mercado, não demoniza a iniciativa privada e, no geral, procura não atentar contra o direito de propriedade e o fiel cumprimento dos contratos. É melhor que seja assim. Ao agir dessa forma, Lula ganha alguns inimigos dentro das esquerdas, mas, em contrapartida, passa a ser respeitado na comunidade internacional e no meio empresarial.

Seu lado esquerdista e terceiro-mundista se revela, principalmente, na política externa, na área fundiária e, até recentemente, no que tange ao meio ambiente. Aí vale de tudo: cortejar Hugo Chávez, Evo Morales, Rafael Correa e, agora, Fernando Lugo, do Paraguai, mesmo quando estes manifestam intenções belicosas e contrárias aos interesses do Brasil, despender tempo e dinheiro em viagens aos países pobres da África, rosnar e vociferar contra os Estados Unidos, e vai por aí em diante.
João Mellão Neto

Na política fundiária, o governo de Lula transfere recursos para o MST, nada faz contra as invasões de terras e fecha os olhos para tudo de ilegal que ocorre nesse campo. Mas é do clientelismo e do assistencialismo – práticas atrasadas e antiquadas de nossa democracia – que Lula extrai suas maiores forças. Este governo abrigou mais de 30 mil petistas na administração pública federal. Os que não estão diretamente empregados no governo são favorecidos por este por meio de contratos de prestação de serviços e de fornecimento de produtos. Tudo isso sai muito caro para o Brasil, que cada vez mais desperdiça recursos, quer por corrupção, quer por incompetência. Há, por fim, o cume do assistencialismo, que é o famigerado Bolsa-Família. Já são bastante conhecidos os inconvenientes provocados por tal programa. Ao dar dinheiro vivo às pessoas sem exigir nenhum tipo de contrapartida, o governo está incentivando a irresponsabilidade, o parasitismo e o espírito da mendicância. Está dando o peixe, abstendo-se de ensinar a pescar. O problema é que o Bolsa-Família alcança 11 milhões de famílias, em todos os rincões da Nação. Ou seja, não dá mais para voltar atrás. Lula é tudo isso e entende, também, que a coerência é um princípio descartável quando se exerce o poder. Lula é popular. Com tudo isso e apesar de tudo isso.

João Mellão Neto

Lula x Fernando Henrique Cardoso

A humanidade viveu épocas mais ou menos interessantes, em geral muito bem delimitadas, através dos séculos. Um estudo recente, feito por uma associação internacional de revistas, perguntou a duas centenas de renomados historiadores quais teriam sido a época e o local mais interessantes para se viver no segundo milênio, que se encerrava. A opção que obteve maior número de indicações foi o século 15, em Veneza. A Belle Époque – período que abrange desde o fim da Guerra Franco-Prussiana até o início da Grande Guerra, em quase toda a Europa – também foi citada. (Não faz sentido falar em Primeira Guerra Mundial porque, na época, ninguém imaginava que haveria uma segunda.)
“Deus me poupou de viver numa época desinteressante.” Tais palavras resumiam a obra e a vida de um grande historiador universal. Ele tinha razão. Não há nada mais frustrante para nós, jornalistas – que não passamos de aprendizes de historiadores – do que cobrir um cotidiano ameno, tedioso, em que nada que possa vir a interessar aos leitores acontece. Nós, aqui, do Espaço Aberto, nesta página A2 do Estado, somos encarregados de cobrir a grande política, emitir juízos minimamente ancorados no bom senso, fazer diagnósticos e arriscar alguns prognósticos sobre para onde caminha a Nação.
Já 2010, daqui a dois anos, será, sem dúvida, um período política e socialmente interessante. Haverá eleições gerais no âmbito federal e estadual e parciais, no municipal. Há a suposição de que o Brasil saia extremamente modificado dessas eleições.
O quadro intricado que se apresenta é o seguinte:
O presidente Lula, extremamente popular, não se pode apresentar como candidato à reeleição, uma vez que já cumpriu dois mandatos no cargo.
Não há nenhuma figura popular, ou mesmo de expressão, em seu partido (PT)com mínimas chances de disputar e ganhar a eleição.
Qualquer hipótese extraconstitucional, dado o clima político de extraordinária normalidade em que o País vive, já está previamente descartada.
O Partido dos Trabalhadores, em grau maior que os demais partidos, depende crucialmente do domínio da máquina administrativa para sobreviver. É nela que acomoda os seus quadros, é do dízimo pago ao partido por eles que se equilibram as finanças partidárias. Não é de se acreditar que a zangada militância petista assista passiva, de braços cruzados, sem nada fazer, à derrocada do poder.
O que, então, ocorrerá? É humanamente impossível prever. Mas, com certeza, não será uma acomodação ortodoxa nem sequer arranjada bem aos moldes da índole conciliatória nacional. Talvez a militância petista arrefeça os seus ânimos com a perspectiva de, dali a quatro anos, com Lula candidato novamente, gozar mais oito anos no comando do Executivo. Mas que a transição que se vislumbra será traumática para o Partido dos Trabalhadores, disso não resta a menor dúvida.
A outra incógnita que se coloca – infelizmente, só para daqui a dois longos anos – diz respeito a que papel ideológico desempenhará a oposição PSDB-DEM tão logo chegue ao poder.
Uma obra intocável e perene dos petistas foi a criação do programa Bolsa-Família. A esta altura, pouco interesse existe em ficar discutindo se o programa é legítimo ou ilegítimo, se auxilia efetivamente os pobres ou não. O fato é que o famigerado programa está aí, atinge cerca de 11 milhões de famílias e qualquer tentativa de desmobilizá-lo seria o suicídio político do governante que ousasse fazê-lo.
A Nova Direita que assumirá o poder com a aliança de tucanos e democratas (e não há razão para chamá-la por outro nome) há que assumir-se como tal e exercer políticas voltadas para o fortalecimento do capitalismo (ou do “capitalismo social de mercado”, que se conceda…).
Não espere, também, a Nova Direita encontrar condições tão favoráveis, no campo financeiro internacional, como as que o afortunado Lula encontrou. A era que se está encerrando, segundo os analistas, foi a de maior liquidez nas finanças internacionais em várias décadas. É por isso que continuo insistindo que é impossível comparar as performances de Lula e Fernando Henrique. Que FHC promoveu reformas institucionais de monta em seu governo, isso é patente. Que Lula não se encorajou a se empenhar em reforma alguma, isso também é evidente. Mas se Lula foi beneficiado por um quadro das finanças internacionais privilegiado, a mesma sorte não teve o seu antecessor. Além do mais, os petistas hão de reconhecer, as principais bases do governo Lula foram todas elas herdadas da gestão FHC. O Bolsa-Família nada mais é do que a junção de vários programas já então em curso, como o da Saúde, o Bolsa-Escola, o Bolsa-Alimentação e o Vale-Gás. O mérito de Lula foi unificá-los, agigantá-los e torná-los o que são hoje.

Outro mérito que cabe a FHC foi a formulação da atual política econômica, que pôs em prática numa época tormentosa e a passou para Lula já na bonança. Lula, por sua vez, teve o bom senso e a determinação de prosseguir com tal política, contra a vontade de todo seu partido e de sua corrente ideológica.
Não foram poucas as vezes que presidente Lula teve de enfrentar o “arrastão ideológico” de seu partido, a ponto de se poder afirmar que, se oposição ele teve, ela estava, por inteiro, concentrada em seu partido.
Não há, portanto, por que compará-los. Já dizia o velho sábio: “Um homem não é apenas um homem, ele é também as suas circunstâncias.”
O ano de 2010, sem dúvida alguma, não será uma época desinteressante.

João Mellão Neto

Artigo publicado no jornal “O Estado de São Paulo” em 18 de Janeiro de 2008.

Juca Entrevista - Hilário Franco Junior - parte 2

Os perigos da euforia

Wladimir Pomar

no Correio da Cidadania

25-Ago-2010

As recentes pesquisas eleitorais continuam apresentando Dilma em processo de ascensão. Aparentemente, a continuar nessa rota, a candidata do PT estaria em condições de obter a vitória no primeiro turno. Porém, essa aparência, como já reiteramos em comentário anterior, pode ser fatal para a campanha petista, por vários motivos.

Se olharmos as pesquisas com mais atenção, veremos Dilma em crescimento, Serra em queda e Marina, assim como os demais candidatos, em situação estável. A queda de Serra está associada à subida de Dilma, devendo significar que a natureza direitista e reacionária da candidatura do PSDB-DEM está vindo à luz, e que seu falso discurso de continuidade do governo Lula não colou.

Portanto, podemos deduzir que Dilma ganhou pontos principalmente entre os indecisos, entre os que estavam acreditando no discurso continuísta de Serra, e entre aqueles setores da classe média que ainda acreditavam que o PSDB é um partido social-democrata. No entanto, a candidatura Dilma ainda não abalou a candidatura Marina, onde se encontra uma parte da esquerda, embora Marina também esteja em dificuldade para manter seu discurso de continuidade do governo Lula.

Nessas condições, talvez seja a primeira vez, nas campanhas eleitorais presidenciais desde 1989, que o PT tem chances não só de vencer, mas de vencer no primeiro turno. Isto, que apresenta um aspecto positivo, por não obrigar o partido a rebaixar ainda mais seu programa eleitoral, também apresenta o aspecto negativo de levar os candidatos dos partidos de sustentação da candidatura Dilma – a governador, senador e deputado – a suporem ganha a parada presidencial e se voltarem totalmente para suas próprias campanhas.

Aliás, quem quer que se dê ao trabalho de acompanhar o horário eleitoral na televisão pode notar que até mesmo muitos candidatos do PT tiraram a imagem de Dilma de suas apresentações. A preocupação maior vem sendo colocar Lula ao lado, a fim de angariar votos para suas próprias candidaturas. Se a leitura das últimas pesquisas eleitorais levar à euforia do ‘está ganha a presidência’, mesmo que teoricamente isto seja negado, o ritmo da campanha presidencial tende a baixar, abrindo a possibilidade de subida da Marina e recuperação ou estabilidade de Serra.

Em tais condições, se a campanha Dilma pretender manter o ritmo de crescimento, ela terá de fazer ajustes, principalmente nas relações com o seu PT. É esquisito que candidatos desse partido, seja aos governos estaduais, seja aos legislativos federal e estadual, não mostrem apoio explícito à candidatura presidencial do PT. Deve haver algum desajuste entre a campanha da coligação de apoio à Dilma e a campanha petista.

Além disso, as informações de que a campanha Dilma pretende realizar maior ofensiva na conquista dos indecisos e dos ‘não-sabe’ pode ser positiva, mas talvez não baste para consolidar a perspectiva de sua vitória no primeiro turno. Talvez seja necessária uma ofensiva complementar, tratando com mais propriedade alguns temas que se tornaram cavalos de batalha na campanha Marina.

Marina vem concentrando seu fogo e ataques ao governo em temas como reforma tributária, proteção ambiental, jornada de trabalho, segurança e liberdade de comunicação. É essa crítica que a fez conquistar parte do eleitorado de esquerda, e também tem carreado apoios a candidatos de outros partidos desse espectro político. Somados, eles representam mais de 15% das intenções de voto. Assim, como é nos detalhes que o diabo se apresenta, se a campanha Dilma desprezar o trato de tais temas, pode ser por aí que ela seja surpreendida.

Wladimir Pomar é escritor e analista político.

Falando Francamente - Plínio PSOL- parte1

Falando Francamente - Plínio PSOL parte2

Falando Francamente - Plínio PSOL parte3

Falando Francamente - Plínio PSol - parte4

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Falando Francamente - Plínio PSol - parte5

CQC atrás de Marina, Serra e Dilma na corrida presidencial

SC: PMDB deve sair às ruas para pedir votos ao PT e ao DEM

Fabrício Escandiuzzi
Direto de Florianópolis
O presidente do PMDB de Santa Catarina, deputado João Mattos, fez um apelo que em outras eleições soaria como "inusitado" para os peemedebistas catarinenses. O dirigente quer que os filiados saiam às ruas para pedir, simultaneamente, votos ao PT e ao DEM.

Matos participou de um encontro com vereadores na cidade de Rio do Sul, no Vale do Itajaí, e pediu apoio à candidata do PT à presidência, Dilma Rousseff. Ao mesmo tempo, pediu "empenho" das lideranças na campanha de Raimundo Colombo, do DEM, na sucessão estadual.

O voto em Dilma, que tem como vice Michel Temer, seria uma questão de "coerência", no entendimento de Mattos. O democrata Colombo, na esfera estadual, seria a "continuidade do trabalho do PMDB" na administração do de Santa Catarina.

A adesão à campanha petista à presidência vem crescendo nas últimas semanas junto às lideranças municipais de várias localidades.

"É uma questão de coerência e disciplina partidária", disse João Mattos. "Isso ficou definido em convenção e pedimos para que a militância saia às ruas".

No início do período eleitoral, o ex-governador Luiz Henrique da Silveira chegou a declarar que apenas "3%" dos peeemedebistas estariam com Temer e Dilma. Outro ex-governador catarinense, Paulo Afonso Vieira, vem visitando municípios e organizando comitês pró-Dilma no interior.

A disputa entre a ex-ministra e candidato do PSDB, José Serra, tem um significado especial na disputa interna entre os próprios peemedebistas, divididos entre o grupo que defende o PSDB (liderado por Eduardo Pinho Moreira e Luiz Henrique), e o que defende o PT ( encabeçado por Mattos e Paulo Afonso).

Especial para Terra

CQC atrás dos candidatos Dilma Rousseff e Plínio Arruda

Falando Francamente - Plínio PSol - parte6

A oposição, pronta pra perder

Há poucas dúvidas sobre quem vai ganhar a eleição presidencial. A candidata oficial, segundo todas as pesquisas, está mais de 20 pontos na frente do principal candidato da oposição. Dificilmente perderá.

Esse é um motivo de júbilo para os que acreditam que a democracia se expressa no pensamento da maioria. E, de fato, essa é a essência da democracia - a reiteração da vontade expressa da maioria, que aprova o governo e lhe concede salvo-conduto para que ele continue executando a política que as urnas estão prontas para ratificar e consagrar.

Por que, então, esse incômodo com a situação que as urnas estão prontas a legitimar? Se o povo quer que essa situação continue, quem tem legitimidade para se opor?

Essa é a leitura rasa da democracia: um não quer, mas dois querem. Dois são mais do que um, e portanto ganha quem tem mais. Opor-se à vontade da maioria seria uma tentativa golpista de anular a sua vontade e sobrepor a ela a vontade da minoria.

Não é tão simples.

Claro como água que a vontade da maioria deve se impor. Sobre isso, não há dúvidas. A candidata escolhida pela maioria prevalecerá e ninguém vai impedir que ela forme seu governo e execute a plataforma que defendeu durante a campanha eleitoral.

O problema é mais sutil.

A democracia é um regime que se fundamenta no sistema de check and balances, uma formalização sistemática da imposição dos pesos e contrapesos, cuja principal finalidade é evitar que a prevalência da vontade da maioria signifique o esmagamento da expressão política da minoria.

Ou seja: a maioria fica legitimada pelo voto a aplicar o seu programa de governo, mas nem por isso está autorizada a esmagar e anular a expressão da vontade da minoria, com quem deve interagir através de alguma forma de diálogo e de concessões democráticas, exatamente em nome desse equilíbrio.

Esse é, claro,um pressuposto de democracias maduras. Seria muito otimismo acreditar que estejamos prontos a aplicar essa práxis no nosso incipiente estágio de evolução democrática.

É mais fácil acreditar que os vencedores estejam preparados a tripudiar sobre os vencidos do que a conceder-lhes o crédito por pressupostos universais, politicamente válidos para ambos os lados.

O fato é que a oposição política brasileira está gostosamente pronta para perder as eleições porque não se preparou intelectualmente nem programaticamente para ganhá-las. Não conseguiu contapor nenhuma Ideia fundamentalmente mais sólida às idéias hegemonicamente impostas pela situação.

Não soube avançar nem um passo sequer além do triunfalismo inconseqüente do governo e não conseguiu propor nenhuma idéia mais sólida do que o assistencialismo e o paternalismo que se impuseram como política oficial.

Como alternativa para um Bolsa Família, a oposição não conseguiu formular uma proposta melhor do que um Bolsa Família e meia. Para um discurso de Lula, não soube apresentar mais do que um discurso de um Lula e meio. A oposição se preparou com muito empenho para uma derrota, e está pronta para colhê-la, por não ser capaz de propor uma alternativa melhor. Vai perder, e não lhe falta merecimento para isso.

Só lhe resta, agora, lutar para não permitir que desapareçam as salvaguardas que evitem a sua extinção total, embora não tenha conseguido fazer por merecê-las.

Sandro Vaia é jornalista. Foi repórter, redator e editor do Jornal da Tarde, diretor de Redação da revista Afinal, diretor de Informação da Agência Estado e diretor de Redação de “O Estado de S.Paulo”. É autor do livro “A Ilha Roubada”, (editora Barcarolla) sobre a blogueira cubana Yoani Sanchez..

Plínio ARRUDA rouba a cena e provoca rivais em debate presidencial

Programa de Propaganda de Marina Silva - 26/8 (à noite)

Programa de Propaganda de Plínio de Arruda Sampaio - 26/8 (à noite)

Programa de Propaganda de José Serra - 26/8 (à noite)

Bela



Marina Silva

Muitos acreditam que a candidatura Marina Silva ainda pode crescer e essa seria a melhor possibilidade de José Serra chegar ao segundo turno. É esperar para ver.

O PRESIDENTE COM A CORDA TODA: Lula e o preconceito dos poderosos

E no RS

No RS os petistas sonham em voltar ao governo do estado, com o ministro Tarso Genro.

Tolerância zero

O presidente Luis Inácio Lula da Silva sempre gostou de conferir rótulos para popularizar os seus prediletos. Foi assim com o então ministro da Casa Civil José Dirceu, a quem atribuía a função de técnico insubstituível do time, até rifá-lo na conta dos escândalos dos Correios e do mensalão. Ou com o craque Antônio Palocci, estrategicamente retirado de campo depois da quebra do sigilo bancário do caseiro Francenildo. Com Dilma Rousseff não foi diferente.

Ungida mãe do PAC, o programa que deveria acelerar o desenvolvimento, mas que continua empacado na baixa execução - vexaminosa para qualquer gestor, mesmo o mais medíocre -, a candidata do PT é a mãe que o povo ganhou de presente para cuidar dele e conduzi-lo. Um povo que, para Lula, precisa de permanente tutela – dele e de sua sucessora. Está lá na canção melodramática que o programa de sua candidata veiculou durante a semana.

Um povo órfão. E é o próprio Lula, o primeiro e único presidente a ter uma aprovação quase unânime desse mesmo povo, quem diz, depois de governá-lo por quase oito anos.

Sua estupenda popularidade tudo transforma. Dirceu e Palocci já são ex-pecadores. Voltaram com força e confiança total. E Dilma, responsável por um PAC que tem apenas 13% de suas 13.958 ações concluídas, de acordo com o site Contas Abertas, ou 41%, se excluídas as obras de saneamento e habitação, como gosta de contabilizar o ministério da Casa Civil, crê que pode se apresentar como administradora competente. Chega até a confessar seu analfabetismo eleitoral para tentar vender sua pretensa experiência executiva.

Com que resultados?, deveria se perguntar o eleitor. Mas parece não haver espaço para tal. Se nem mesmo a oposição tem coragem de contestar a propaganda oficial, porque os eleitores o fariam?

Além de recuperar vilões que há muito deveriam estar banidos, entre eles o clã Sarney e até mesmo Collor de Mello, inimigo número 1 do país, Lula consegue como ninguém criar as verdades que a conveniência lhe dita. Não só o país não existia antes dele, como tudo que se tem hoje - da estabilidade econômica à telefonia celular (ainda que esta seja resultado da satânica privatização) - foi feito pelo seu governo. E quando o script não lhe é favorável, sempre usa as máximas: não sei de nada, todo mundo faz, é fruto da mídia golpista.

Pior: estimula, sem qualquer constrangimento, a beligerância contra aqueles que tentam lhe fazer oposição.

É a tolerância zero, onde adversários são inimigos que devem ser combatidos a qualquer preço. Por essa cartilha, ninguém deveria se arvorar em criticar o governo, Dilma e muito menos Lula. É crime, coisa dos 4% que ousam discordar, contraditar. De gente que ousa ser minoria.

Não há democracia quando a maioria tenta impor a mudez à minoria, quando o poder tem um único dono e ele só escuta a sua própria voz.



Mary Zaidan é jornalista. Trabalhou nos jornais O Globo e O Estado de S. Paulo, em Brasília. Foi assessora de imprensa do governador Mario Covas em duas campanhas e ao longo de todo o seu período no Palácio dos Bandeirantes. Há cinco anos coordena o atendimento da área pública da agência 'Lu Fernandes Comunicação e Imprensa

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Datena X Ateus - TIRE AS SUAS CONCLUSÕES

Que injustiça com o Maluf


Mas esse povo não aprende mesmo!

Olha que notícia sensacional Collor está em segundo lugar na pesquisa para o governo de Alagoas. Um ponto atrás do líder. Mas esse povo não aprende mesmo!

Sabatina Folha/UOL - Dilma e Serra são parecidos em alguns aspectos, diz...

Eleição sem política

Marco Antonio Villa

Como um aluno relapso, a oposição faltou justo na hora da prova, a eleição

Ganhar eleição é uma possibilidade, fazer política é um imperativo. O Brasil poderá com esta campanha inaugurar uma nova forma de pleito presidencial: sem debate, sem polêmica, sem divergência e sem oposição.

Nas últimas cinco eleições tivemos disputa em três delas. Mas disputa mesmo, só em 1989. Em 1994 e 1998, FHC venceu Lula facilmente, as duas no primeiro turno.

Em 2002 e 2006, Lula foi como franco favorito para o segundo turno. Eu esperava que teríamos uma eleição diferente em 2010: sem Lula e com oposição que transformasse o pleito em um momento de amplo debate nacional.

Rotundo equívoco. Lula é candidatíssimo, aparece mais que Dilma. E pior: a oposição não apareceu ao encontro marcado. Como um aluno relapso, faltou justamente no momento da avaliação, a eleição.

Mais uma campanha do não reeleja

Em toda eleição são lançadas essas campanhas.

Economia descomplicada (Programa 2 de 7)

Economia descomplicada (Programa 1 de 7)

Collor xinga e ameaça jornalista da revista IstoÉ por telefone

O PROFESSOR REFÉM-ENTREVISTA COM A AUTORA DO LIVRO


terça-feira, 24 de agosto de 2010

Petista paulistas

Petista paulistas voltam a alimentar um velho sonho: Ganhar o governo do estado. Para tanto contam com a presença forte do presidente da república.

Ditabranda na Record News

Pra frente, Brasil!

João Mellão Neto


Minha juventude transcorreu nos anos 70, durante a dita “ditadura militar”. Curiosamente, muita coisa na época era, de modo preocupante, semelhante ao que se vê hoje.

Estaríamos vivendo, agora, numa nova era autoritária? Creio que sim. E em plena vigência da democracia.

Vale ressaltar que a grande maioria dos regimes autoritários, para poderem durar, tem de ser, forçosamente, “popular”. O povo tem de ter simpatia pelo governo. E naquele tempo era isso o que ocorria.

Os “apelos nacionalistas” ou “nacionalisteiros” eram, em muito, parecidos com os que vemos hoje. E o “autoritarismo” implícito neles era o mesmo. O governo da época chegou a divulgar o slogan “Brasil, ame-o ou deixe-o”. E o povo, com uma autoconfiança exacerbada, tratava de propagá-lo ao mundo. A mensagem era mais ou menos a seguinte: nós, por aqui, estamos satisfeitos, que não nos apareça nenhum derrotista com o intuito de nos estragar a festa!

Não existe mesmo nada de novo sob o céu. Tudo acaba se repetindo. Não foram os ditos governos militares que inventaram, no Brasil, o apelo fácil do nacionalismo triunfalista. Getúlio Vargas, no período de sua ditadura, usou e abusou dessa fórmula. A ideia-força é, mais ou menos, a seguinte: tudo vai indo bem no Brasil. Isso vale tanto para a economia como para a sociedade e, também, para a nossa imagem, no exterior.

Nos tempos da ditadura varguista dizia-se que o Brasil despertava inveja nas grandes nações porque aqui havia paz social. Enquanto aquelas enfrentavam uma guerra mundial, nós, por aqui, vivíamos em rara harmonia. Para que mudar? O nosso chefe estava “firme no timão” (expressão da época) e sabia como nos conduzir. O resto do mundo não podia dizer o mesmo. Até os Estados Unidos acabaram por ser levados a se envolver no conflito. O nosso país, não! Só entrou na guerra no final e, mesmo assim, sem grande entusiasmo.

O Brasil, segundo afirmava o governo de então, era uma ilha de paz e prosperidade cercada por nações que estavam constantemente sendo visitadas pelos quatro cavaleiros do Apocalipse: Fome, Guerra, Peste e Morte.

Nos tempos da ditadura militar os apelos não eram muito diferentes. Não havia uma guerra generalizada afligindo os povos, mas as evocações ao nosso patriotismo e à propalada soberania nacional eram constantes e de grande intensidade.

Soberania nacional, aliás, era um conceito que, como atualmente, valia para tudo. Tanto para justificar a necessidade de um “Estado forte” e onipresente (nos tempos de Vargas também era assim…) como para explicar as atitudes firmes e enérgicas dos nossos governantes. E também para decifrar, para o povo, a suposta independência de nossa política externa.

Nesse campo, cabe lembrar que tanto a ditadura de Vargas se proclamava livre como também os governos militares se diziam imunes às tendências políticas de então. Chegamos até a romper o acordo de auxílio militar que tínhamos com os Estados Unidos. E agora estamos praticando uma política diplomática que afirma ser independente.

Vale recordar, a propósito, que durante o “regime militar” o Brasil proclamou que o nosso mar territorial se estenderia por nada menos que 200 milhas marítimas. Até então, como nos demais países do mundo, os nossos limites no oceano eram de 12 milhas.

Para simbolizar a nossa afirmação de soberania nacional foi erguido, na época, um gigantesco mastro no centro da Praça dos Três Poderes, em Brasília. Permanece lá até hoje. E o gritante contraste entre ele e as obras arquitetônicas originais que o circundam é evidente. De tempos em tempos, cada um dos Estados da Federação arca com os custos de providenciar uma nova Bandeira Nacional para nele ser hasteada.

Mas, passadas quase quatro décadas, ninguém mais ousa discutir a importância daquele “monumento”. Sua arquitetura, dizia-se então, é de gosto duvidoso. E quem ainda se recorda sabe que ele está lá como estandarte das “nossas 200 milhas marítimas”.

Um dos principais argumentos de nossos atuais governantes se refere ao fato de que “nunca antes” a nossa economia se mostrou tão pujante e cresceu tanto. Errado. Mesmo na gestão de José Sarney como presidente da República foram registrados crescimentos anuais do produto interno bruto (PIB) superiores a 6%. Nos governos do “regime militar”, então, já é covardia. De 1968 a 1973, o crescimento anual do PIB brasileiro superou até as atuais taxas chinesas: mais de 10%.

A ideia de que o Brasil se está destacando como “potência emergente” no mundo, infelizmente, também não é nova. Os governos do período militar eram muito ciosos desse conceito. Prestei, em meados da década de 70, um vestibular cujo tema de redação era: “Os desafios do Brasil potência.” Nenhuma novidade, portanto…

É muito arriscado afirmar que estamos no limiar de uma ditadura. Mas dá para fazer a assertiva de que estamos entrando numa era autoritária. Os prenúncios são claros. Só não enxerga quem não quiser.

Uma das candidaturas à Presidência da República nas próximas eleições se regozija em reiterar que a sua titular “pegou em armas” e lutou bravamente contra a ditadura militar. Por acaso isso quer dizer que a ideia predominante, então, era a de “restaurar o regime democrático”?

Antes fosse. O que se desejava à época, na verdade, era descartar a ditadura militar e substituí-la por outra, a “ditadura do proletariado”.

O Brasil está próximo de entrar, como muitos dos nossos vizinhos, num regime “populista”. E, cabe reafirmar, todos os “populismos” são autoritários.

E tudo em nome do povo…

Artigo publicado em 04/06/2010 no jornal “O Estado de São Paulo”

Debates de condomínio

Começaram os debates eleitorais. Ao vivo e em cores, as três candidaturas privilegiadas pela grande mídia disputam o direito de continuar 16 anos de neoliberalismo.

Neste período, o modelo econômico pouco mudou. A realidade social mudou muito menos do que querem nos fazer crer. Mudanças mesmo, só no nível político.

Agora, todo mundo morre de medo de assustar o “mercado”. Ninguém quebra contratos. O superávit primário é sagrado. O pagamento da indecente dívida pública, também. E “invasão de terras é crime”, gritam os três em coro.

Dilma, Serra e Marina até trocam acusações e disparam farpas uns contra os outros. Fazem pose de adversários radicais. Mas, o clima é de reunião de condomínio. Tem muita briga e confusão, mas ninguém está a fim de derrubar o prédio.

Todos querem ficar no lugar do síndico que está saindo. Lula é um dos melhores administradores que a burguesia arranjou para seu patrimônio. Ele que já foi morador dos andares de baixo, continua amigão de seus antigos vizinhos. Mas, guarda todo seu zelo e carinho para os bacanas que moram na cobertura.

O problema é que o prédio está condenado. Se o Brasil tivesse 100 andares, 98 seriam formados por espeluncas escuras, inseguras e mal conservadas. O 99º andar abrigaria apartamentos modestos. Já, na cobertura, muito luxo, diversão, banquetes e saída exclusiva pelo heliponto.

Todo esse luxo bancado pela exploração do trabalho da maioria dos condôminos. Ainda bem que a candidatura Plínio Sampaio, do PSOL, vem fazendo algum barulho na grande mídia. Dizendo em alto e bom som que o prédio “balança, mas não cai” tem que ser desmontado urgentemente.


Sérgio Domingues

José Serra no Roda Viva - Parte 02

José Serra no Roda Viva - Parte 01

Segurança Pública

Os candidatos a governador e a presidente falam de segurança pública com uma capacidade infinita de dizer o óbvio ou de não dizer nada.

Sem dinheiro dos empresários

O PSOL do candidato Plinio Sampaio reafirma a todo momento que não aceita dinheiro de empresários. Até aí tudo bem, os empresário parece não estarem muito dispostos a darem dinheiro para o partido.

Tucanos catarinenses

Tucanos catarinenses até agora não parecem muito empolgados com a candidatura Serra, e somam essa baixa empolgação com a mágoa, do atual governador, Leonel Pavan do PSDB, zangado por não ter sido candidato ao governo do estado.

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Com os interesses voltados para SP

O presidente já dando como certa a vitória da sua candidata na eleição presidencial, estaria agora com os interesses voltados para SP, onde sonha ver o petista Mercadante eleito como governador.

Parece o Dunga

Apesar de não estar bem nas últimas pesquisas o candidato do PSDB a presidente, José Serra, descarta possíveis mudanças no rumo de sua campanha. Parece estar realmente convicto de que merece perder.

domingo, 22 de agosto de 2010

Por Dilma, Lula volta à porta de fábrica em S. Bernardo

Sessão nostalgia.

Amanhã, a partir das 5h40m, Lula estará na porta da fábrica da Mercedez Benz, em São Bernardo do Campo, para distribuir planfletos pedindo que os operários votem em Dilma. A candidata estará com ele.

Lula também fará um no local pequeno comício.

Era assim que ele procedia quando presidiu no início dos anos 80 o Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo.

No momento, ele descansa no apartamento que tem na cidade. E onde passará a morar depois que deixar a presidência da República em 1º de janeiro próximo.


Blog do Noblat

Serra andou falando de educação

Serra andou falando de educação no programa de televisão. Pena que ele não tenha muito o que falar sobre São Paulo, afinal lá a educação pública não é nemhum modelo.

A manchete

A manchete que tem levado os petistas a euforia.

Rodovias federais

O candidato Serra recentemente afirmou que as rodovias federais são um perigo público. Ainda bem que ele sabe disse, aliás todo mundo sabe, só que nada é feito.

Pedágios

O candidato Serra tem certeza que os paulistanos aprovam os pedágios em seu estado. Não se sabe porque tanta reclamação, dever ser o que ele chama de trololó petista.

Os dois Brasileiros mais simpáticos

Os dois Brasileiros mais simpáticos dos últimos dias só podem ser Serra e Dilma, não há quem seja mais simpático que ambos, são duas sumidades em matéria de simpata.

O meu pai também fazia feira

Eu já não aguentou mais ouvir a história de que o Serra teve uma origem humilde, que o pai fazia feira e tudo o mais. O meu pai fazia feira também, e daí eu posso ficar enchendo o saco dos outros com essa história? FALA DE PROPOSTA CARA, NÃO TEM O QUE FALAR, COLOCA MÚSICA NO PROGRAMA.

A presidente

Inúmeros petistas já vão dando como favas contadas a disputa presidencial, alguns inclusive já vão dando prioridade a campanhas para deputado, senador e governador.

Atestado de óbito

Do ponto de vista político, a campanha de Serra parece ter recebido seu atestado de óbito com a divulgação da pesquisa Datafolha que mostra uma diferença acachapante a favor da petista Dilma Rousseff.

Terno pronto

Já tem gente no PT com o terno pronto para a posse da senhora Dilma no próximo primeiro de janeiro. Antecipados ou não, é um certo sentimento que ronda muita gente neste final de agosto.

Corpo mole

Se diz nos bastidores que são poucos os tucanos realmente engajados na campanha de Serra, a maioria estaria fazendo aquele básico corpo mole.

sábado, 21 de agosto de 2010

Roda da Fortuna

Ao observador mais experiente, o debate rasteiro e pedestre dos candidatos presidenciais não engana. A superficialidade pode ser arma de espertos e recurso daqueles que não têm muito o que dizer de diferente.

Engana-se quem pensa que com o início da propaganda eleitoral gratuita no rádio e na TV esta situação se modifique drasticamente. Até mesmo porque todos os principais candidatos já tiveram oportunidade e tempo suficientes para apresentarem suas propostas. Foram diversas entrevistas a jornais, revistas, rádios e televisão. Se tivessem algo mais consistente para mostrar, já teriam feito. No primeiro debate promovido pela TV Bandeirantes ficou evidente a ausência de um discurso aprofundado sobre idéias e programas.

Dilma Rousseff se atém a números e resultados que, de certa forma, falam por si. Por representar um governo popular cujo presidente é o grande eleitor da disputa, tende a não se aprofundar em propostas.

Já José Serra e Marina Silva são superficiais por absoluta falta de originalidade no que tange a aspectos essenciais. Nada de espetacular foi falado sobre economia, segurança pública, carga tributária, reforma política, política externa, entre outros temas, pelos candidatos de oposição.

Tal situação pode dar a impressão de que não existe uma agenda eleitoral posta na disputa e que a superficialidade é a regra. Não é verdade. Ao largo do debate presidencial, existe uma agenda “ônibus” que agrega gregos e troianos e que não está sendo devidamente considerada.

A agenda que identifico está centrada em dois vetores: o econômico e o social. A perna econômica refere-se à intenção de se manter o ciclo de desenvolvimento instalado nos últimos anos e que começa a dar frutos. A segunda perna da agenda é a questão social, que se relaciona tanto com os vetores econômicos de renda e emprego quanto com os programas assistenciais.

Segundo a FGV, a classe média brasileira (C) cresceu de 42% para 52% entre 2004 e 2008. O consumo da classe D já supera em volume o consumo da classe B. Para a FGV, uma família é considerada de classe média quando tem renda mensal entre R$ 1.064 e R$ 4.591. As classes A e B têm renda superior a R$ 4.591, enquanto a D ganha entre R$ 768 e R$ 1.064. A classe E (pobres), por sua vez, reúne famílias com rendimentos abaixo de R$ 768. De acordo com o Ipea, mais de 9,5 milhões de brasileiros deixaram a situação de indigência e mais de 18,4 milhões deixaram a situação de pobreza entre 2004 e 2008.

O Brasil deve crescer mais do que 6,5% este ano, e tal resultado decorre de uma combinação de aspectos: aumento do crédito, distribuição de renda, controle da inflação, aumento de emprego, programas assistenciais e gastos públicos, entre alguns outros. A explosão do consumo resultou no fortalecimento do mercado interno e destampou um mundo de oportunidades para empresários. Nunca se vendeu tanto para tantos. Nunca se empregou tanto no país.

Politicamente, a resultante dessas transformações econômicas e sociais está naquilo que o cientista político Cesar Romero identifica como “uma cadeia de interesses”. Nessa cadeia unem-se aliados improváveis em torno de interesses comuns: o desenvolvimento econômico e a distribuição de renda.

Quem seriam os adeptos da agenda? O grande empresariado que produz e vende. Aqueles que fornecem material para as grandes obras de infraestrutura. O sistema financeiro, que financia e transaciona o dinheiro. O comércio, que distribui e vende. O consumidor, que compra o que nunca comprou. O trabalhador, que está empregado e consumindo. Enfim, é uma roda da fortuna que gira impulsionada pelas circunstâncias atuais e que a maioria quer que continue assim.

Murillo de Aragão é cientista político

Conseguiram se superar

Os tucanos realmente conseguiram se superar resolveram aderir a figura de Lula para tentar virar ojogo.


GABRIEL O PENSADOR - Tô Feliz (Matei o Presidente)

Serra

Se as atuais pesquisas estiverem corretas, a possibilidade da candidatura Serra ter ido para a fita é grande, sem dó nem piedade. A passividade da oposição, deixa crer que esse resultado já era esperado.

Debate Presidencial Band José Serra , Dilma , Marina Silva e Plínio - Pa...

Bela


Lula, como o reizinho: afinal, quem sou eu?

Lúcio Flávio Pinto - Agosto 2007

É impossível ser justo e não ser simpático a Lula, admirando seu percurso até a eleição para a presidência da República. Mas quem se desiludiu com a experiência de um poderoso intelectual no exercício desse posto por oito anos tem motivos para se frustrar com os quatro anos e meio de um operário nesse mesmo cargo. O Brasil foi privilegiado pela sucessão de um representante da elite e outro da massa do povo no mais alto cargo público, em quatro mandatos sucessivos. O fato de ambos se repetirem seja no primeiro momento, quando foram oposição, quanto no segundo, quando se tornaram governo, revela a fragilidade de uma nação que desperdiça suas melhores oportunidades históricas e é mais promessa do que realidade, mais figuração do que fato.
Se circunstâncias externas foram a causa principal do desenvolvimento retardado do Brasil, causas exteriores também podiam propiciar uma engrenagem mais acelerada desse desenvolvimento. Raras vezes a conjuntura internacional nos foi tão propícia quanto nos últimos anos. Graças à explosão da demanda da China e à valorização dos preços dos nossos principais produtos de exportação, dentre outros fatores, divisas entram como nunca no Brasil. Mas ao invés de criar uma base de sustentação para o futuro, quando as variáveis podem mudar para pior, essa dinheirama está enriquecendo ainda mais os já muito ricos e mantendo uma estrutura de circunstância. Daí a ampliação e o adensamento dos paradoxos e contrastes no país, que agravou o perfil da Belíndia nos pólos extremados.

Operário, homem do povo, predestinado a mudar o Brasil, Lula já demonstrou que não está à altura da missão que a história lhe concedeu. Sua política enriqueceu banqueiros e empresários mais do que sob o consulado de Fernando Henrique Cardoso, assumidamente de elite. Quem disse isso, com todas as letras, foi o próprio Lula, na reação ao movimento Cansei, da plutocracia paulista. Lula deu aos plutocratas paulistanos tudo que eles queriam e mais alguma coisa; certamente, mais do que o devido, o iníquo. Mas eles não o acolhem como um seu nem lhe agradecem a gentileza, feita com o chapéu alheio.

Lula queria o quê? Ao proclamar que sua política enriqueceu os ricos, ele se revelou um traidor da sua gente e do seu país. Não foi para isso que foi eleito. Mas, sejamos honestos, foi exatamente isso o que ele disse que faria na última mensagem — a quem interessar possa — antes da eleição, consolidando o “Lulinha paz e amor” de Duda Mendonça, o guru da alquimia, que já nesse momento transferia para o exterior o dinheiro do seu faturamento publicitário.

É evidente, para quem é capaz de ver e pensar, que a economia brasileira, a razão de ser do sucesso de Lula, continua em piloto automático, monitorado a distância. Algumas correções e modificações são feitas, mas o rumo é o mesmo: da concentração da renda. Se o sucesso de Lula é muito maior do que o de FHC, isso se deve às condições internacionais, em primeiro lugar, que compensam todos os erros gerenciais e administrativos já cometidos, e à política de sedução e subjugação dos mais pobres, a verdadeira novidade do atual governo. E a mais eficaz.

Por que os índices de aprovação do presidente permanecem refratários a todas as conjunturas nacionais, inclusive aquelas que desnudam a omissão oportunista do chefe? Por que, independentemente da falta de uma solidariedade mínima e decente por parte do chefe para com seus subordinados, que avançam sobre seu vácuo deliberado (por preguiça e inapetência) e são sacrificados se algum resultado de sua iniciativa não dá certo (e o presidente nada sabe do que eles faziam, por conta e risco), o povão continua acreditando nesse ausente de fato?

Porque, todos os meses, o depósito do bolsa-família lhes assegura a sobrevivência, ou a existência. É uma esmola como nunca houve antes. E esmola, como todos sabem, vicia, conquanto nada resolva também (mas essa é uma questão de longo prazo, com a qual Lula tem menos intimidade ainda).

Por mais que faça para os ricos, Lula jamais será um deles. Por isso faz mais e por isso continua a ser um “desigual”. Como se resolverá essa tendência patológica? Pela aniquilação de um pelo outro, pela paz armada ou por um novo acerto cínico? Não se sabe. Mas se há ingratos se movimentando contra o presidente que tanto fez por eles, não somos nós. Nós, da classe média, ou de algumas partes dela, que também criticamos Lula, não estamos satisfeitos, não pertencemos à plutocracia, não enriquecemos e achamos que o presidente é incapaz de fazer outra coisa além de delegar competência (a que não tem, sobretudo), cortar cabeças incômodas, cultivar sua horta de povo plantado no solo da verba pública (escassa e, por isso, finita), aquinhoar os correligionários, cultivar sua digna biografia, estacionada em 2002, e dizer besteiras sem fim.

Nós não queremos derrubar o presidente nem pregamos qualquer remendo à ordem legal. Queremos que o país utilize a oportunidade que tem para se consolidar, importando máquinas e equipamentos, não bens de consumo durável ou insumos para tal; que a renda gerada pela venda ao mundo seja utilizada para criar oportunidades de trabalho, qualificar a mão-de-obra, incorporar mais gente — e mais bem preparada — à produção, montar boa infra-estrutura, ao invés de fortificar ilhas da fantasia na geléia geral brasileira e transferir nossas riquezas para outros lugares. Mas esse Lula que está aí fará isso, ainda fará, ou é um fantoche? Um fantoche dele mesmo? Um equívoco? Uma frustração?

A democracia — e só a democracia — possibilita esse processo: eleger um presidente despreparado para governar e depois, criticando-o por seu despreparo, tentar mudar sua política ou a ele próprio. Quem acha que mudança admite golpe está errado. Tanto quanto quem declara que a crítica é um golpe. Tomara que nossa frágil democracia resista a ambos. E cresça.

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Lúcio Flávio Pinto é o editor do Jornal Pessoal, de Belém, e autor, entre outros, de O jornalismo na linha de tiro (2006).

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Especialistas debatem aspectos das eleições 2010

O nascimento da ética do político

Há cerca de 5 séculos, O Príncipe marca o imaginário social
07 de agosto de 2010 0h 00

Renato Janine Ribeiro - O Estado de S.Paulo

Em milênios de filosofia, só dois filósofos quebraram as fronteiras da academia para que seus nomes gerassem adjetivos conhecidos de todos, até de quem não sabe quem eles foram: Platão e Maquiavel. Todos ouvimos falar em amor platônico ou em pessoas maquiavélicas. Não interessa que os especialistas se irritem porque Maquiavel não foi maquiavélico; o fato é que ele, como Platão, deixou uma marca no imaginário social.

O Príncipe, que em breve completará 500 anos, tem características notáveis. Primeira: é livro facílimo de ler. Segunda: apesar disso, não há acordo sobre o que quer dizer. Lemos com facilidade e não temos certeza do que ele pretende. Talvez porque, terceira característica, parece contradizer o resto da vida e obra do autor. Maquiavel foi um dos chefes da República de Florença, passou anos escrevendo uma grande obra republicana - os Discursos - mas somente se tornou um dos maiores pensadores da história devido a um livro curto que redigiu em poucas semanas, banido da cidade, com o fim de agradar aos novos senhores de uma Florença monárquica. Por isso nos perguntamos o que é O Príncipe: é um livro de apologia à monarquia ou uma sátira cáustica? Sustenta que os fins justificam os meios ou mostra a essência da política? Contradiz o político e pensador republicano ou nutre, com ele, uma secreta harmonia?

Vamos às questões principais do Príncipe. Concentro-me em duas. A primeira é a convicção de Maquiavel, segundo a qual metade - por assim dizer - do que nos sucede depende da fortuna. "Fortuna" inclui aqui o infortúnio - a sorte, o acaso, em suma, o que não está em nossas mãos. O máximo que conseguiremos, com muito empenho, será controlar a outra metade. Para isso, teremos de mostrar valor, que ele chama virtù. Usamos a palavra italiana, que significa "virtude", justamente porque é o contrário do que costumamos chamar de virtude. Sua virtù nada tem de moral. Aqui começa o problema. Enquanto estávamos só na estatística, no fifty-fifty fortuna vs. ação planejada e deliberada, tudo bem. Mas quando Maquiavel diz que, para reduzir o quinhão da fortuna, o homem tem de ser um autêntico "vir" (a palavra latina para varão, macho), ele conclui que não poderá seguir a moral cristã.

Passemos à segunda questão. Muitos, diz o autor, trataram de Estados ideais e reis justos, mas tais entes não existem ou não subsistem. Para tratar de "coisas que prestem", falará dos Estados reais e de como funcionam. Seu capítulo 15 é citado como a certidão de nascimento da ciência política: em vez de discutir como as coisas deveriam ser, pensar como realmente são. Não é fortuito que seja Fernando Henrique Cardoso - cientista político, que por coincidência já foi chamado de príncipe da nossa sociologia - quem redija o prefácio, ao qual se segue uma introdução de Antony Grafton, que tem por única falha, a meu ver, ignorar a ótima bibliografia que não foi escrita em inglês: Max Weber, Merleau-Ponty, Claude Lefort e, dos brasileiros, Newton Bignotto. De toda forma, essa tradução fluente há de concorrer com a edição, muito bem cuidada, que temos do Príncipe pela editora Martins Fontes.

Para o leitor, não haveria problema em Maquiavel afirmar que muito de nossa vida escapa a nosso controle, nem que pretenda fazer ciência e não moral. O começo de cada uma de suas duas teses é tranquilo. O que choca são as consequências. Primeira: como controlar o máximo possível de nossa vida política? Será que "os fins justificam os meios"? Consultei o Google: só em português, essa expressão aparece 16.500 vezes junto a seu nome. O curioso é que Maquiavel nunca disse isso.

Daí a segunda consequência: ele teria aconselhado os príncipes a mentir, fazer o mal, faltar à palavra, sistematicamente. Contudo, diz ele, o príncipe deve fazer o bem sempre que possível, e usar do mal só quando necessário. O que dá a Maquiavel a fama de amoral é essa dupla ressalva: não fazer o bem sempre, mas quando possível. Sua análise do poder, que é uma festa para a ciência, é uma preocupação para a moral - a tal ponto que em inglês um dos nomes do diabo, Old Nick, derivaria de seu prenome Nicolau.

Como controlar nosso destino, como reduzir o quinhão da fortuna? Não há questão mais atual. No penúltimo e vital capítulo do livro, o autor explica. Há dois tipos de homem, o cauteloso e o impetuoso. Certas épocas requerem cautela (rispetto), outras, impetuosidade. O ideal seria o homem adaptar-se à conjuntura. Este seria o homem prudente: na época se dizia que "o homem sábio (vir sapiens) dominará os astros", isto é, a fortuna. Isso se lê na medalha de Afonso V de Aragão. O "vir sapiens" é o homem prudente com virtù. Maquiavel exorta o príncipe: deve ser plástico, mutável, bom quando possível, mau se necessário, mas, sobretudo, cauteloso ou açodado conforme a ocasião. Se Cesar Borgia perdeu, foi porque não soube mudar quando os tempos assim o exigiram. O problema é que essa plasticidade do príncipe é quase impossível. Daí, um horizonte trágico: por mais que tentemos governar as circunstâncias, podemos perder.

Maquiavel está na origem da "ética do político", diferente da ética do cidadão privado, que FHC citava tanto na presidência da República e que foi teorizada por Weber. Mas o notável no pensador florentino é que, sabe ele, essa ética não é a dos resultados, a do sucesso. Pode resultar em fracasso - como no caso de Cesar Borgia. Nem por isso a política é menos nobre. Ser político não é só vencer. É saber fazê-lo com virtù - capacidade, ação deliberada e, também, uma certa honra. Talvez O Príncipe seja o mais belo elogio da política.


RENATO JANINE RIBEIRO É PROFESSOR TITULAR DE ÉTICA E FILOSOFIA POLÍTICA DA USP

Grigori Efimovitch Novikn, o Rasputin

Grigori Efimovitch Novikn, o Rasputin
(1872 - 1916)

Místico russo nascido em Pokrovskoie, Sibéria, que exerceu forte influência na corte de São Petersburgo, onde se tornou favorito da czarina Alexandra Feodorovna, esposa de Nicolau II. Filho de camponeses pobres, ganhou na juventude o apelido de Rasputin, o Depravado. Considerado monge, sem ser ordenado, adotou uma seita que chamava de flagelantes, e após peregrinar ao monte Atos, na Grécia, reapareceu em sua terra com a fama de poder curar doenças mas, ante a ameaça de ser tomado por herege, tornou-se andarilho. Devido às condições favoráveis às crenças do ocultismo pela população local, radicou-se em São Petersburgo (1905). Após sua apresentação à família real, o jovem hemofílico Aleksei, herdeiro do trono, teve uma relativa melhora, e assim, a czarina Feodorovna passou a reverenciá-lo. Ardiloso, na presença dos czares, mantinha a imagem de homem santo e circunspeto, mas fora dos círculos palacianos, pregava a doutrina da redenção pelo pecado e seduziu várias mulheres. Em função do seu prestígio, seus denunciantes eram afastados da corte. Porém sua situação se complicou, quando apareceram cópias de cartas de amor supostamente escritas pela czarina ao "santo tarado" (1912). Assim seu prestígio declinou temporariamente, pois quando o czar assumiu pessoalmente o comando das tropas russas, ao se iniciar a primeira guerra mundial, a czarina assumiu o controle dos assuntos internos e o tornou conselheiro particular. No entanto uma conspiração organizada por políticos e eclesiásticos, foi armada para matá-lo, e após ser baleado várias vezes, foi jogado nas águas geladas do rio Neva, onde morreu por afogamento.

Leis que retroagem?

Seria interessante se os candidatos explicassem o que entendem por Estado de direito, e de que modo irão defender as garantias fundamentais estabelecidas na Constituição

Do blog do Alon

O combate à corrupção não pode ser feito ao custo de rasgar a Constituição. O mesmo vale para outros combates, mas o Ficha Limpa tornou urgente a discussão. A lei, infraconstitucional, não tem o poder de alterar a Carta, ainda que esta seja, no frigir dos ovos, o que os ministros do Supremo Tribunal Federal entendem que ela é.

Está aliás na hora de o STF colocar ordem na bagunça do Ficha Limpa, aplicar um freio de arrumação. Ou a lei retroage ou não. Intolerável é a coisa ficar ao sabor das influências políticas sobre os tribunais nos estados. O Ficha Limpa é uma boa ideia, que corre o risco de virar instrumento arbitrário. Com a palavra, o STF.

Aqui entre nós, lei que retroage é um atentado ao Estado de direito democrático e à Constituição. Mas esperemos pelo que vai dizer a Suprema Corte.

O que fazer quando na esfera da corrupção, ou de outros problemas sociais, a democracia aparece como “obstáculo” a que a sociedade encontre o paraíso? Aqui, o “vou colocar todos os corruptos na cadeia” aparece como irmão siamês do “não se pode falar em democracia numa sociedade tão desigual quanto a nossa”.

O impulso autoritário está no DNA das diversas camadas da organização social brasileira. A primeira frase entre aspas no parágrafo anterior é tipicamente “da direita”, enquanto a segunda é “da esquerda”. Mas são xifópagas.

É preferível alguns corruptos estarem fora da cadeia, e mesmo poderem disputar as eleições, do que o sistema jurídico brasileiro engolir a barbaridade da norma legal que retroage a partir da data de vigência. Se o Ficha Limpa pode, por que não as outras leis?

E é preferível certa política social não ser executada, se a execução implicar lesão a direito fundamental. Paciência, é o custo de viver numa democracia. Uma ótima relação custo/benefício.

Mas admito que tais ideias não são muito populares. Para que acabem entranhadas no nosso tecido social, seria necessária uma das duas opções: ou a forte e continuada pressão popular para inverter a relação deformada entre a liberdade excessiva do estado e o deficit de liberdade do indivíduo, ou a sucessão de governos empenhados em autolimitar-se.

Aqui o leitor poderá argumentar que uma coisa não existe sem a outra, e terá dose de razão. Veja-se por exemplo a alternância de poder no último meio século no Brasil. Passaram pela cadeira — ou estão nela — todas as correntes políticas e históricas relevantes. Todas sem exceção adaptaram-se rapidamente ao princípio da absolutização do líder e da supremacia do Estado. Em palavras ou atos.

Pois a sociedade brasileira organizou-se a partir do Estado e carrega essa marca de nascença. Mas a deformação não é incurável, pode e vai sendo corrigida à medida que aumenta nosso grau de complexidade social. O crescimento da classe média não terá vindo em vão.

Outro dia a candidata Dilma Rousseff deu uma declaração interessante, ao falar sobre o proposto (por ela) ministério das pequenas e das médias empresas. Disse que a multiplicação dessas empresas é uma questão democrática. Fato.

Mas é também verdade que o governo do PT estimula a oligopolização em diversas esferas.

São debates estratégicos, e campanha eleitoral não é propriamente um lugar para tertúlias doutrinárias, mas seria interessante se os candidatos explicassem o que entendem por Estado de direito, e de que modo irão defender as garantias fundamentais estabelecidas na Constituição. E como avançar na democracia.

Poderiam começar condenando a tese de fazer retroagir as leis novas. Mesmo que elas contem com a simpatia geral. Como é o caso do Ficha Limpa.