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quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

O capitão Carlos Lamarca

O capitão Carlos Lamarca, foi uma das figuras mais lendárias da esquerda brasileira. Foi um dos poucos brasileiros que realmente levou a tarefa de ser um guerrilheiro a sério. Lamarca era capitão do exército. tinha uma carreira e um futuro praticamente tranquilo e garantido na instituição, mais preferiu ouvir a sua consciência e foi para a luta armada contra a ditadura. Num momento em que muitos, esquerdistas fantoches desfilam pelo noticiário nacional, nada melhor do que valorizar a trajetória do capitão, que, não deve ser confundida com certas personalidades que tentam se associar a sua história.

No exército consideram Lamarca um bandido. Mas ele foi um homem do seu tempo. O Brasil vivia uma ditadura militar, e ele era contra, e escolheu o caminho militar para derrotá-la.

Fracassou, mas tentou, e fez essa tentativa com método, preparo, e a esperança de que poderia ser vitoriosa a resistência armada à ditadura.

O papel de Brizola

Brizola foi um dos poucos líderes políticos, que em 1964 defendeu a resistência armada ao golpe de 64, a maioria das lideranças aceitaram entregar de bandeja o poder aos golpistas.
Brizola defendeu junto ao presidente João Goulart uma resistência efetiva ao golpe. O presidente preferiu o exílio, e entregar o poder de forma mais ou menos pacífica, disse ele que para evitar o derramamento de sangue dos brasileiros.
O fato é que os golpistas de 64, não imaginavam que dariam o golpe com tamanha facilidade e tranquilidade.
Até hoje certas personalidades envolvidas naqueles fatos, ainda fazem um inventário das responsabilidades. Quanto mais distante ficamos daqueles dias, as coisas no entanto tendem a se tornar mais obscuras.

segunda-feira, 8 de julho de 2013

Cedo demais para julgar (22/02)

Coluna (Nas entrelinhas) publicada hoje (22/02/2008) no Correio Braziliense.Há situações em que os povos estão dispostos a enveredar por caminhos extremos sob o impulso do orgulho nacional, ainda que isso vá lhes trazer imensos sofrimentos. A Revolução Cubana de 1959 não foi um fato isolado, um raio em céu azul no Caribe.
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Não sei se é só piada ou tem algo de verdade, mas consta que em 1989 certo líder político da China recusou-se a dar opinião sobre a Revolução Francesa, quando desembarcava em Paris para participar da comemoração do bicentenário dela. “É cedo demais para uma avaliação”, ponderou. Ainda que seja só lenda, faz sentido. Pouco mais de dois séculos depois, a insurreição que acabou por levar Luís XVI e Maria Antonieta à guilhotina ainda é objeto de controvérsia.A historiografia antiliberal, por exemplo, debita a emergência do marxismo e das revoluções proletário-socialistas do século 20 na conta dos rebeldes que derrubaram a Bastilha em 14 de julho de 1789. Sem, é claro, esquecer de jogar parte da culpa nos intelectuais iluministas, que forneceram o substrato teórico e filosófico para questionar coisas sagradas, como o direito divino dos reis, a servidão e a ausência de igualdade de direitos.
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Já quem enxerga a História do pólo oposto afirma que o Terror, simbolizado em Maximilien de Robespierre, foi um mal necessário, a demonstrar que a violência revolucionária é a parteira da História. E que sem o Comitê de Salvação Pública não teria havido Napoleão Bonaparte. Ao qual por justiça, devem ser creditados muitos dos méritos pelas atuais taxas democráticas na Europa Ocidental. Ainda que o serviço tivese que ser completado por americanos e russos, mais de um século depois.Fazer julgamentos históricos é mesmo complicado. Vamos tomar, por exemplo, a Grande Revolta Judaica contra a dominação do Império Romano, cerca de quatro décadas após a crucificação de Jesus. Um de seus episódios mais famosos foi o cerco a Masada, fortificação no topo de um plateau no deserto da Judéia, às margens do Mar Morto. Ali, um punhado de radicais, os zelotes, coroaram com o suicídio coletivo a feroz resistência que vinham antepondo às legiões romanas.
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Os resultados práticos da revolta foram desastrosos para os judeus. O Templo de Jerusalém foi destruído e teve início uma diáspora de quase 20 séculos. Ainda hoje, quem visita Roma vê no arco de Tito a imagem esculpida dos legionários a carregar, como um troféu, o candelabro principal retirado do Templo. Sobre cujos restos repousam agora dois dos mais importantes lugares santos do Islã: as mesquitas da Rocha (a de cúpula dourada, lugar de onde Muhammad subiu ao céu) e de Al-Aqsa (onde se deflagrou a segunda Intifada).
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Fidel Castro deixou definitivamente nesta semana as funções de Estado em Cuba. Sua saúde precária precipitou a decisão. Tudo indica que o gesto do líder cubano marca a culminância de uma transição interna de poder no Partido Comunista, uma página virada. Fidel agora é História, ainda que — diferentemente de Getúlio Vargas — tenha entrado nela antes mesmo de deixar a vida.
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Eu prefiro aderir à piada do chinês em Paris e fugir de um juízo histórico sobre a Revolução Cubana. Até para não ver cobradas conclusões definitivas sobre outros fatos, anteriores. Como os dois casos citados no começo desta coluna.
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O uso indiscriminado do terror, por exemplo, deveria levar-me a condenar decisivamente a Revolução Francesa. Já as tragédias humanas decorrentes da Grande Revolta Judaica do início da Era Cristã na Judéia não deixariam alternativa: por um ângulo puramente pragmático, afrontar Roma foi mesmo uma grande estupidez, decorrente de certo fanatismo incompatível com a lógica política fria e até com a civilização.
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Há situações, entretanto, em que os povos estão dispostos a enveredar por caminhos extremos sob o impulso do orgulho nacional, ainda que isso vá lhes trazer imensos sofrimentos. A Revolução Cubana de 1959 não foi um fato isolado, um raio em céu azul no Caribe. A trajetória da ilha na sua luta pela independência antes de Fidel é uma sucessão de sonhos que se alternam com frustrações, de promessas e traições vindas do grande irmão que repousa poucas milhas ao norte.
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O processo político cubano tem mais a ver com o patriotismo do que com o socialismo — ainda que nas circunstâncias de países como Cuba seja difícil separar os dois vetores. A simpatia que a revolução liderada por Fidel desperta está relacionada com a resistência heróica ao domínio colonial e com o avanço inegável de conquistas sociais num país caribenho que tinha tudo para repetir as trágicas experiências nas nações marcadas pela escravidão, pela monocultura e pela dominação externa.É um bom debate, e que tem tudo para se estender por largo tempo. Como recomenda a sabedoria oriental, trata-se de travá-lo com paciência.
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sábado, 4 de maio de 2013

Quem quer abolir o direito de greve?

O papo de limitar do direito de greve continua . Pois bem quem já fez greve, sabe o que isso significa. Mas o problema é exatamente esse. A grande maioria dos brasileiros nunca fez uma greve, por medo de ser dispensada por empresários pouco afeitos a uma vida democrática.
Agora o que querem, é simplesmente suprimir esse direito do trabalhador , previsto na constituição. Mas é claro que os juristas, pelegos do governo, vão dizer que não é isso, mas é exatamente isso que o governo quer, e vem emitindo sinais claros nesse sentido.
Um governo de ex-sindicalistas, por favor não confunda com um governo dos trabalhadores, propor a limitação do direito de greve, é um símbolo das opções que esse governo fez nos últimos cinco anos.
O que causa asco é saber que tal proposta de abolir, dirão os pelegos limitar, o direito de greve venha de um governo, que se arroga no direito de se dizer representante dos trabalhadores.
Esses senhores que vem a público com uma cara de "administradores competentes", defendem suprimir um mandamento constitucional, que deveriam respeitar, mas já estamos pedindo muito. O fato é que não estão autorizados legalmente para suprimir direito algum.
Ora, vão criar vergonha nessa cara suja. Vamos abrir os olhos e divulgar, quem são os traíras que hoje querem jogar no lixo aquilo, que foi conquistado pela luta de milhões de trabalhadores, novamente não os confunda com certos sindicalistas.
Quem quer abolir o direito de greve? As greves são apontadas por muitos como um grave problema social. Mas se não fossem as greves no serviço público, as coisas estariam em pior estado, em que se encontram atualmente. Foram paralisações que garantiram ganhos mínimos para os servidores e para a sociedade.
As greves devem incomodar, aqueles que gostariam que o salário do servidores públicos ficasse a disposição, para ser gasto daquela forma que só as autoridades corruptas costumam gastar, o suado dinheiro dos Brasileiros.

quarta-feira, 3 de abril de 2013

Nós e Eles

Antonio Ozaí da Silva


Não estou entre os que vêem o mundo e realidade social e política sob as lentes do maniqueísmo.[1] Resisto à concepção dualista que reduz a complexidade do real à oposição entre o bem e o mal. O humano é um ser não redutível ao raciocínio maniqueísta. A história da humanidade demonstra que os bons, que se vêem como os justos, cometeram atrocidades. O mal mora no coração e nas mentes dos bons e ninguém é absolutamente bom ou mal. A depender das circunstâncias somos capazes de atitudes que não imaginamos e não nos reconhecemos. A nossa bondade pode causar muitos estragos, ainda que involuntariamente.

A história também comprova que meios considerados maus podem gerar bons resultados. O movimento da história é dirigido pela violência. Como diria o filósofo da práxis, a violência é a parteira da história. No entanto, ela é cruel e sangrenta. Consome almas e corpos; causa sofrimentos, dores indescritíveis e deixa marcas nos que sobrevivem. Não obstante, para o bem ou para o mal, a violência transforma o mundo. Só os ingênuos, os candidatos à beatificação e os que vivem com a cabeça nas nuvens não reconhecem este fato. Os profetas desarmados sucumbem. Se refletirmos bem, mesmo as religiões que afirmam o bem contra o mal foram regadas com sangue e padecimentos. Estudemos, por exemplo, as origens e evolução do cristianismo!

É a dialética da contradição humana. Somos seres contraditórios e talvez o maniqueísmo seja uma espécie de porto seguro. Quando estabelecemos muros que separam os “bons” dos “maus”, os “puros” dos “impuros”, invariavelmente nos colocamos do lado dos “bons” e dos “puros”. Isto nos dá segurança, sentido à vida e apazigua as nossas consciências. E aos que acreditam nos céus, alimenta a esperança de que serão salvos. Não esqueçamos que também o maniqueísmo é uma construção humana e corresponde às necessidades do ser no mundo. É compreensível.

A politização do ideário maniqueísta é um problema. A dialética é derrotada e substituída por dualismos que beiram a irracionalidade. Os “bons” e os “maus” são definidos a partir de critérios morais, à maneira religiosa, e o maniqueísmo é instrumentalizado para definir lados como absolutos. Amigos versus inimigos, nós contra eles. Ora, a divisão dual é incapaz de explicar a heterogeneidade entre os “nossos” – e pode nos fazer crer, erroneamente, que não há diferenças entre eles.

Contudo, é preciso escolher um lado. A neutralidade é uma doce ilusão e o apolitismo é próprio, como diria Brecht, do analfabetismo político. Há muito que escolhi o meu lado e, apesar das crises, da queda dos muros ideológicos (ainda bem!) e das decepções políticas, ainda me identifico com a escolha que fiz. Politicamente, estou com aqueles que lutam contra as injustiças geradas pela sociedade capitalista. São os libertários e marxistas, mas também os cristãos da teologia da libertação e/ou que assumem posições políticas à esquerda. Sim, estou entre os que se identificam com os princípios e valores ideológicos da esquerda. Somos “nós” contra “eles”.

Não é a rendição ao maniqueísmo, muito pelo contrário. Há muito superei a fase em que acreditava que estava entre os “bons” contra os “maus”. Tenho clareza de que o nosso lado, como o deles, é composto por seres humanos imperfeitos. Sei que os meios e fins de muitos dos “nossos” são profundamente autoritários. Se tomassem o poder político, eu estaria na oposição de esquerda em defesa da liberdade de expressão e de crítica. Muitos dos “nossos” também são corruptíveis e não vacilariam em perseguir os “inimigos” da nova ordem. Sou parte do “nós”, mas sem ilusões em suas utopias autoritárias e meios que contradizem os fins almejados, tão retoricamente enfatizados!



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[1] A filosofia maniqueísta surgiu na Babilônia e Pérsia no século III. O seu fundador foi o profeta Mani (ou Manés).

sexta-feira, 22 de março de 2013

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

A CRIAÇÃO DE UM MITO CHAMADO JOSÉ DIRCEU

Zé Dirceu, muito mais do que um competente dirigente partidário, foi uma criação da imprensa e dos velhos e acomadados dirigentes do PT, que fecharam o Partido para a sociedade e para a juventude. Pensem no líder do PT que tem menos de 40 anos hoje. São os mesmos que fundaram e afundaram o Partido.

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

quarta-feira, 29 de junho de 2011

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Ofender-se para não debater (06/10)

Quando a Igreja defendia os perseguidos políticos na ditadura, o pessoal hoje no poder achava muito natural os religiosos terem militância

Se o partido que abraça determinada bandeira tem o direito de faturar politicamente a partir dela, por que não estender o mesmo direito a quem não concorda com a proposta?

O PT capitalizou alto em círculos socialmente progressistas quando tentou bancar a ferro e fogo o Programa Nacional de Direitos Humanos, na sua terceira versão (PNDH 3). O texto nasceu de uma conferência nacional. Depois de muita negociação interna no governo, foi mexido e virou decreto presidencial.

Com isso, o partido e Luiz Inácio Lula da Silva aproximaram-se ainda mais de quem defende a legalização do aborto, o controle social sobre os veículos de comunicação e mecanismos jurídicos mais favoráveis à rapidez na reforma agrária. Certamente ganharam votos nos grupos que concordam com o conteúdo do PNDH 3 e com o espírito deste.

Mas o PT ofende-se quando os contrários à visão de mundo embutida no PNDH 3 e às iniciativas decorrentes do programa se mobilizam e procuram convencer o eleitorado a votar contra o PT.

As iniciativas do PT são sempre “positivas” e “propositivas”, ainda que circunstancialmente precisem ser engavetadas por causa das condições desfavoráveis. Já os movimentos em oposição às propostas do PT são sempre “negativos”.

Menos. Assim como é legítimo o PT buscar votos nos movimentos feministas comprometidos com a defesa do aborto legal, é perfeitamente democrático grupos religiosos proporem que o eleitor deixe de votar no PT, por causa disso.

A maneira não agrada? Que os magoados -vale para ambos os lados- busquem reparação judicial. Não dá é o PT, ou qualquer outra legenda, achar que vai introduzir e retirar assuntos da pauta unicamente a partir das conveniências eleitorais.

O eleitor não dá muita importância para as opiniões e preferências pessoais dos candidatos sobre temas comportamentais. Ninguém ganha nem perde eleição por causa disso. Temas só adquirem densidade política quando o debate aponta para ações efetivas.

A questão não é o que os candidatos “pensam sobre”, é o que farão se eleitos. Por isso todo debate é bom, e não deve haver temas interditados.

O PT lá atrás foi vanguarda para desbloquear a discussão de pontos como a união civil homossexual, a legalização do uso das drogas e a ampliação irrestrita do direito ao aborto legal.

Agora, como a polêmica não parece adequada aos propósitos imediatos, trata de interditar a suposta “baixaria”, a pretexto de “elevar o nível” na eleição.

A vida é mais simples do que isso. O PT deseja fazer avançar, num eventual novo governo, as propostas do PNDH 3? Que defenda abertamente e peça votos com isso. O PT acha que não é o caso de implementá-las? Então assuma publicamente o compromisso de mandar o calhamaço ao arquivo pelos próximos quatro anos.

No grito é que não vai levar. Nem na base da cara feia ou de se fazer de ofendido. Vai precisar assumir compromissos e entender que o poder tem limites. Por forte que o PT possa ser hoje, a Igreja Católica carrega mais de 2 mil anos na estrada e já enfrentou gente bem mais poderosa do que Lula e os aliados dele.

Sem falar nas igrejas evangélicas. Aqui, um aspecto especialmente triste. Como a turma não tem coragem de bater de frente com o pessoal do Papa, preferem investir contra os evangélicos.

Afinal, esta nação foi inaugurada com uma missa católica.

Apesar disso, não lembro de outra ocasião em que padres e pastores alcançaram este grau de unidade, pelo menos desde que ambas as categorias ajudavam a combater a ditadura.

E, a propósito, quando as igrejas cristãs defendiam os perseguidos políticos na ditadura, o pessoal hoje no poder achava muito natural os religiosos terem militância política.

Coluna (Nas entrelinhas) publicada no Correio Braziliense.

Alon Feuerwerker

sábado, 29 de janeiro de 2011

TV PALAVRA ABERTA 20/10/2009