quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Serra acusa PT de intimidar e censurar imprensa

O presidenciável tucano reponsabilizou também o governo federal sem, no entanto, mencionar o nome do presidente Lula

Wilson Tosta e Felipe Werneck, de O Estado de S.Paulo

Em um duro discurso, o candidato do PSDB à Presidência,José Serra, acusou nesta quinta-feira, 19, o governo federal e o PT de tentarem, nos últimos anos, intimidar e censurar a imprensa, durante o 8º Congresso Brasileiro de Jornais, promovido pela Associação Nacional de Jornais no Rio de Janeiro.

Sem citar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Serra disse que as tentativas de censurar o setor de comunicação social se dão de três formas. A primeira, segundo, ele, é a "democrática entre aspas", pela realização de conferências como as de Comunicação, Direitos Humanos e Cultura, que, afirmou, "se voltaram de fato para o controle da nossa imprensa, através do suposto controle da sociedade civil."

"Quantas pessoas participam dessas conferências? Quinze mil? Vinte mil? Isso não representa o povo brasileiro. Representa um partido e setores que revelaram uma certa porosidade. São feitas com dinheiro público, são de um partido e de frações de um partido, do PT", afirmou ele, acrescentando que esses encontros geraram cerca de 600 projetos de lei que estão no Congresso.

Serra também acusou o governo de tentar intimidar o setor de comunicação, pela ameaça de restrições à publicidade de certos produtos, e denunciou a existência de um suposto patrulhamento exercido contra profissionais de imprensa. O candidato também criticou a TV Brasil, mantida pela estatal Empresa Brasil de Comunicação, e criticou a Lei Eleitoral, que, afirmou, impõe um "isentismo" obrigando jornalistas a se preocupar com versões, não com fatos.

O candidato admitiu que às vezes reclama da ação da imprensa, mas afirmou que não o faz com o ânimo de quem quer censurar. "É muito diferente de ter um aparelho de Estado que se organiza para trazer sob seus desígnios o jornalismo, usar a opressão do Estado através de pronunciamentos, de pressão econômica, pressão de chantagem, pressão de patrulhamento em favor de um partido", atacou.

Depois do discurso, Serra assinou a Declaração de Chapultepec (documento lançado em 1994 no México em defesa da liberdade de imprensa) e, em entrevista, se recusou a responder a perguntas sobre as críticas que fizera ao PT e ao governo no discurso.


Blog do Noblat

Campanha pelo voto consciente - Osvaldo

Novo Telecurso - Ensino Médio - História - Aula 47 (1 de 2)

Novo Telecurso - Ensino Médio - História - Aula 47 (2 de 2)

1968, O RENASCER DAS CINZAS E O HOMEM NOVO

“O anseio meu nunca mais vai ser só
Procura ser da forma mais precisa
O que preciso for
Pra convencer a toda gente
Que no amor e só no amor
Há de nascer o homem de amanhã”
(Geraldo Vandré, "Bonita")


O ideário político dos contestadores de 1968 é pouco lembrado e menos ainda reverenciado, já que não convém aos que hoje confrontam o capitalismo e suas inúmeras mazelas (desigualdade social, ganância e competição exacerbadas, parasitismo, mau aproveitamento do potencial produtivo que hoje seria suficiente para proporcionar-se uma existência digna a cada habitante do planeta, danos ecológicos, etc.) a partir de posições mais ortodoxas.

Nas barricadas parisienses, gritando slogans como “a imaginação no poder” e “é proibido proibir”, muitos estudantes erguiam as bandeiras negras do anarquismo, que marcara forte presença nos movimentos revolucionários do século 19, mas havia perdido terreno desde a vitória do bolchevismo em 1917.

A tentativa de construção do socialismo em países isolados e economicamente atrasados já se evidenciava desastrosa, por degenerar em totalitarismo. A URSS e seus satélites, bem como a China e Cuba, sacrificavam uma das principais bandeiras históricas das esquerdas, a liberdade, para priorizarem a outra, a igualdade.

E nem a esta última conseguiam ser totalmente fiéis. Propiciavam, sim, melhoras materiais significativas para os trabalhadores, mas nem de longe extinguiram os privilégios, tornando-os até mais afrontosos ao substituírem as antigas classes dominantes por odiosas nomenklaturas (as camadas dirigentes do partido único e as burocracias governamentais, que se interpenetravam e coincidiam na justificativa/imposição de seu status de mais iguais).

O desencanto dos jovens europeus com o socialismo real se somou à constatação de que o proletariado industrial das nações prósperas se tornara baluarte, e não inimigo, do capitalismo. Seduzido pelos avanços econômicos que vinha obtendo, preferia tentar ampliá-los do que apostar suas fichas numa transformação radical da sociedade. Ou seja, face à célebre alternativa de Rosa Luxemburgo – reforma ou revolução? – os aristocratizados operários do 1º mundo optaram pela primeira, como Edouard Bernstein previra.

Em termos teóricos, o filósofo Herbert Marcuse já dissecara tanto o desvirtuamento do marxismo soviético quanto a transformação do capitalismo avançado num sistema impermeável à mudança, a partir da sedução do consumo, da eficiência tecnológica e da influência atordoante da indústria cultural, que estava engendrando um homem unidimensional (incapaz de exercer o pensamento crítico).

Foi ele a grande inspiração dos jovens contestadores de 1968, mesmo porque praticamente augurara sua entrada em cena, assumindo o papel de vanguarda que o proletariado deixara vago.

Para Marcuse, somente os descontentes com a sociedade (pós) industrial – intelectuais, estudantes, boêmios, poetas, beatniks e demais outsiders – perceberiam seu totalitarismo intrínseco e seriam capazes de revoltar-se contra ela. Os demais, partícipes do sistema como produtores e consumidores, seguiriam mesmerizados por sua racionalidade perversa.

O diagnóstico de Marcuse acabaria sendo melancolicamente confirmado quando esses descontentes colocaram a revolução nas ruas de Paris e o proletariado lhes voltou as costas, preferindo arrancar pequenas concessões de De Gaulle do que apeá-lo do poder. O Partido Comunista Francês, quem diria, desempenhou papel decisivo na manutenção do status quo, ajudando a salvar o capitalismo na França.

Mas, o esmagamento das primaveras de Paris e de Praga não conteve o impulso dessa nova maré revolucionária, que continuou pipocando nos vários continentes, com especial destaque para a contracultura e o repúdio à Guerra do Vietnã por parte da juventude estadunidense.

Foi, principalmente, nos EUA que os novos anarquistas se lançaram à criação de comunidades urbanas e rurais para praticarem um novo estilo de vida, solidário e livre. Substituíam os antigos laços familiares pela comunhão grupal – ou, como diziam, tribal – e dividiam fraternalmente as tarefas relativas à sua sobrevivência, tal como sucedia nas colônias cecílias de outrora.

A idéia era a de irem expandindo a rede de territórios livres até que engolfassem toda a sociedade. Então, em vez de colocarem a tomada do poder como ponto-de-partida para as transformações sociais, deflagradas de cima para baixo, eles pretendiam expandir horizontalmente seu modelo, pelo exemplo e adesão voluntária (nunca pela coerção!), até que se tornasse dominante.

Acreditavam que, descaracterizando seus ideais para conquistarem os podres poderes, os revolucionários acabavam sendo mudados pelo mundo antes de conseguirem mudar o mundo. Então, era preciso que ambos os processos ocorressem simultaneamente: deveriam construir-se como homens novos à medida que fossem construindo a sociedade nova.

Esse anarquismo renascido das cinzas e atualizado foi o último grande referencial revolucionário do nosso tempo, daí despertar até hoje a simpatia dos jovens que buscam a saída do inferno pamonha do capitalismo (uma definição antológica do Paulo Francis!) e a ojeriza daquela esquerda que ainda se restringe aos projetos de conquista do poder político.

A questão é se, como em outras circunstâncias históricas, a maré revolucionária será novamente retomada a partir do último ápice atingido (mesmo que com intervalo de décadas entre os dois ascensos).

Os artistas, antenas da raça, crêem que sim. Desde o genial cineasta suíço Alain Tanner (Jonas, Que Terá 25 Anos no Ano 2000), para quem as vertentes e tendências de 1968 voltarão a confluir, reatando-se os fios da História, até nosso saudoso Raul Seuxas, que nos aconselhava a tentarmos outra vez e tantas vezes quantas fossem necessárias, não dando ouvidos às pregações tendenciosas da mídia contra a geração das flores e das barricadas.

Esta digressão, que começou citando uma pungente canção de Vandré, merece ser encerrada com um desabafo, que talvez venha a se revelar profético, do bravo guerreiro Raulzito (em “Cachorro Urubu”): “Todo jornal que eu leio/ Me diz que a gente já era/ Que já não é mais primavera/ Oh baby, oh baby,/ A gente ainda nem começou”.

Celso Lungaretti, 57 anos, é jornalista e escritor. Mais artigos em http://celsolungaretti-orebate.blogspot.com/

Debate 2010 - Presidência - Parte 2

Debate 2010 - Presidência - Parte 1 - 2

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Era Lula: voto útil ou rendição?

Sérgio Domingues

Muita gente boa de luta apóia o governo Lula. Dizem que o governo petista está longe de ser perfeito, mas é o mal menor. Por isso, estão apoiando Dilma Rousseff. É o chamado voto útil.

Mas, não basta dizer que o atual governo melhorou a situação dos pobres. Nem que há mais diálogo com os movimentos. Ou que foram criados mais empregos. Tais elementos podem ser positivos, mas não fazem a diferença necessária na dura luta de classes que travamos.

A verdadeira questão é: o governo atual colaborou para fortalecer a luta dos trabalhadores e do povo em geral? A resposta é negativa.

As ações do PT à frente do Executivo enfraqueceram e confundiram as organizações populares e dos trabalhadores. Muitas delas tornaram-se dependentes de verbas oficiais. Algumas entraram no caminho da burocratização. Outras já eram dependentes e burocráticas. Estão adorando. O resultado é o enfraquecimento das lutas populares.

Do lado dos patrões, a tranqüilidade é quase geral. Alguns desconfiam da intimidade entre PT, CUT, MST, movimentos de negros, indígenas, mulheres, gays etc. Mas, poucos realmente sentem alguma ameaça real. A maioria confia na capacidade lulista de controlar esses "baderneiros".

E estão certos. Sob o governo Lula, a radicalização das lutas foi mínima. Imperaram os pedidos educados e chorosos. Sempre recusados pelo governo, sem choro nem vela.

Um governo Dilma seria dominado pelo PMDB. Um partido de confiança da classe dominante. A própria candidata já avisou, por exemplo, que não vai tolerar “invasões do MST".

É hora dos movimentos sociais fazerem um balanço radical do papel do governo Lula. Do contrário, vamos confundir voto útil com rendição.


FONTE: Pílulas Diárias
SITE: http://pilulas-diarias.blogspot.com

Leonardo Boff fala sobre Marina Silva

terça-feira, 17 de agosto de 2010

domingo, 15 de agosto de 2010

Collor é Dilma

Ninguém mais empolgado com a canditatura Dilma do que o companheiro Fernando Collor. Promete toda dedicação a campanha.

Por que mais rica?

É verdade que nós, modo geral, não temos o hábito de pensar. Até dizem que pensar dói, ou seja, é um exercício doloroso de reflexão e questionamento. Em face disso, poucas são as pessoas que atentam para o fato de que a candidata Dilma Rousseff, auto-proclamada mãe dos pobres, tem a campanha mais rica dentre todos os postulantes à Presidência da Republica. De onde vem tanto dinheiro? A resposta é clara. Vem dos banqueiros, altos comerciantes, agropecuaristas e industriais. Vem da alta burguesia, das empreiteiras, que sabem muito bem ser a candidatura Dilma Rousseff um bom investimento. Isso ficou claro para eles durante os oito anos de governo Lula. Nesse período nunca a burguesia lucrou tão fartamente, nunca a burguesia gozou de tanta estabilidade social, pois o governo Lula, para bem servir ao sistema capitalista, tratou de patrocinar a miséria através do Bolsa Família, enquanto engessou as centrais sindicais e estudantis, tudo isso a um custo bastante razoável. Dilma Rousseff se apresenta como uma candidatura continuísta. Eleita presidenta, haverá de assegurar os mesmos lucros e a mesma tranquilidade social que o suborno e a propina haverão de garantir. A bem da verdade, porém, não somente a candidatura dessa senhora tem o caráter continuísta. Marina e José Serra também têm a mesma postura. A burguesia, entretanto, imagina que o Partido dos Trabalhadores – PT, fora do governo, poderá instrumentalizar as centrais sindicais e estudantis como forma de fazer oposição a governos tipo: Marina e José Serra.
Céu de brigadeiro. Mar tranquilo. Eis o que foi para a burguesia o governo Lula e promete ser um eventual governo Dilma Rousseff. Fora do script, está a candidatura de Plínio de Arruda Sampaio, e em razão disso, é que somente agora, a poderosa Rede Globo de Televisão resolveu inserir esse candidato no debate, e assim mesmo, de forma reduzida, pois enquanto os continuístas desfrutam de tempo maior, ao Plínio de Arruda é reservado um tempo bem menor nas entrevistas e reportagens da aludida rede de televisão.
Gilvan Rocha

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sábado, 14 de agosto de 2010

Preparando 2014

Já tem tucano preparando a campanha de 2014 ou são afoitos ou o desespero é grande.

Será no primeiro turno

Já rola solta na Internet um animado debate sobre a possibilidade da candidata Dilma Roussef vencer as eleições no primeiro turno. Não são poucos aqueles que vem expressando uma opinião sobre essa possibilidade. O número de tucanos que ainda não botaram o bloco na rua, deixa entender que talvez não vão mesmo colocá-lo.

Um Getúlio sem UDN

Já escrevi aqui mesmo no Blog que Serra ganharia a eleição por 60 a 30 no 1º turno. Era uma avaliação objetiva e não mera torcida. Relembrei do famoso referendo pró ou contra o desarmamento da população de bem. Apontei a principal semelhança: enquanto apenas um lado falava, o Sim, a favor do desarmamento, chegou a marcar 80% nas pesquisas do Ibope. Chegada a campanha, feita pelo extremamente competente Chico Santa Rita, hoje candidato a deputado federal do PV de São Paulo e um dos poucos marqueteiros que não se deixa seduzir somente pela forma deixando de lado o conteúdo aqui no Brasil, o Não venceu de maneira avassaladora com mais de 60%.


Acontece que eu ignorei um dado importante: havia da parte da turma que defendia o Não, vontade de fazer política de verdade. De falar o que precisava ser dito sem medo de ir no fígado do adversário. Foi dito que os cidadãos de bem seriam proibidos de se armar, enquanto bandidos continuariam com verdadeiros arsenais de guerra. Simples. Claro. Objetivo. Como todas as campanhas que o Santa Rita coordena, desde Collor em 1989. Esta vontade de fazer política de verdade, de maneira clara, de ir no fígado, parece simplesmente inexistir na atual oposição.


Mea culpa. Mea máxima culpa. Eu deveria ter percebido isto antes. Foram oito anos de covardia e de retraimento. Quando Lula assumiu e mandou as mesmas reformas que o PT combateu por oito anos a fio no governo FHC, a oposição deu uma demonstração de lealdade maior que as bancadas "governistas", votando tudinho sem sequer ocupar a tribuna para fazer o que se espera de políticos, sejam de situação ou oposição: POLÍTICA. Não ocupou a tribuna para denunciar o oportunismo de um governo que começava já fraudando a sua própria trajetória política e partidária, de quem combateu aquelas mesmas reformas com ferocidade inaudita durante longos oito anos do governo FHC. Simplesmente aprovaram e fizeram carinha de bons moços: "Não somos como o PT que apostava no quanto pior, melhor", diziam como verdadeiros coroinhas franciscanos. Era só o começo.


Quando o PT começou a bombardear Palocci dia sim e outro também pela continuidade na política econômica herdada de FHC e tocada no Banco Central pelo até 2002 tucano Henrique Meirelles, os "opositores" do governo Lula montaram uma verdadeira tropa de choque para defendê-lo no Congresso. Beirava o inacreditável. A "oposição" protegendo o PT de si próprio.


No Valdomirogate, primeiro escândalo de corrupção no governo petista, ainda pré-mensalão, foram pra cima de Zé Dirceu por motivos menores, motivados apenas pelo que se considerava "arrogância" do general maior da tropa lulista. Mas no mensalão, escândalo que deixou claro a nulidade da eleição de 2002, financiada por dinheiro sujo de caixa 2, além da tentativa claríssima de dar um golpe branco na democracia, ao tentar anular o Congresso Nacional com a compra de deputados no varejo, a "oposição" foi de uma covardia ímpar. Se recusou a cumprir com seu papel constitucional e pedir o impeachment do presidente. Com considerações acadêmicas girando em torno de Maquiavel, um fracassado político que perdeu absolutamente todas as disputas em que se enfiou, acreditou que deveria deixar Lula "sangrar". Usaram um argumento absolutamente risível para não admitirem o medo terrível que sentiam dos tonton macoutes do petismo, MST, CUT e UNE a frente.


Por covardia deixaram Lula se recuperar. Por covardia deixaram o PT se rearticular. Por covardia, mandaram o melhor candidato que tinham em 2006 disputar o governo de São Paulo. Por covardia escolheram um ex-governador de São Paulo absolutamente desconhecido fora do estado. Por covardia fizeram uma campanha pífia no 1º turno, uma campanha coordenada pelo mesmo Luís Gonzáles que hoje coordena a campanha de Serra. Uma campanha transformada em show room de empreiteiras. Lula fez isso. Geraldo aquilo. Lula fez aq uele outro. Geraldo fez mais. E só não perderam ainda no 1º turno, por pura covardia, graças aos aloprados da campanha de Aloízio Mercadante, liderados pelo churrasqueiro do Lula, que num puta amadorismo impediram Lula de liquidar logo a fatura.


Mas a covardia foi cobrada no 2º turno e Geraldo fez história ao ser o primeiro candidato a Presidente na história do país a fazer menos votos no 2º turno do que no 1º. Pura covardia.


Agora a história se repete. Mesmo quando um sopro de coragem e altivez surge, como no caso do candidato a vice Índio da Costa, os covardes tratam logo de retomar o comando da irreversível marcha dos covardes rumo a derrota. Recusam-se a discutir temas sérios. Preferem ficar no que os geniais marqutetólogos apontam como sendo OS temas da eleição. Quanta falta faz um estudo um pouquinho mais demorado das campanhas americanas. Descobririam que por lá, os que aqui são chamados de marqueteiros, com sorte, cuidariam da publicidade da campanha. Política é coisa séria demais pra cair na mão desta gente.


Pra irmos finalmente ao que me traz aqui. O velho alemão cheio de furúnculos na bunda Karl Marx, dizia que a história repete-se duas vezes: primeiro como farsa, depois como tragédia. No Brasil estamos pulando etapas. Caímos direto na tragédia.


Lula é um Getúlio pós moderno. É impossível para qualquer pessoa com um mínimo de sensatez negar sua absoluta genialidade política. Quando um animal político dotado de tamanha capacidade encontra pela frente uma oposição covarde e despreparada como a nossa, o resultado só pode ser aquele que se processa quando um predador encontra uma presa frágil no reino animal.


Getúlio era populista e comunicava-se extremamente bem com as massas. Lula também. A diferença fundamental é que Lula dispõe de um colchão de apoio partidário e social com o qual Getúlio jamais sonhou. Getúlio tinha apoio fechado mesmo apenas do PTB, a terceira força partidária do país. Lula tem do PT, uma máquina de fazer política nas mais variadas frentes sem qualquer limite. O PT é um PTB infinitamente melhorado. Tem mais quadros técnicos, tem mais intelctuais partidários, tem mais massa, não fica restrito a bases urbanas, como era o caso do PTB.


Getúlio tinha como principal aliado o PSD, partido dos grotões, mas com alguns quadros excepcionalmente preparados como Tancredo Neves e logo em seguida Ulysses Guimarães, além de um Benedito Valadares em Minas Gerais e tantos outros. Com um partido como esse a política da negociata e da boquinha pura e simples jamais funcionaria. Acordos pontuais eram necessários. A partilha do poder real era exigida. Lula tem o PMDB, um partido infinitamente mais fácil de controlar e de negociar, podendo ainda enfeixar em suas mãos o poder de verdade. Basta pagar em espécie, com alguns ministérios e outras diretorias financeiras.


Mas pra encerrar os paralelos, vamos logo a principal diferença. Lula tinha na oposição a UDN, capitaneada por um Carlos Lacerda que dia sim e outro também descia o braço no presidente e em seus aliados. Um Lacerda que não tinha medo do perigo. Que não se resumia a fazer a política água com açúcar da oposição atual, que tinha no seu Clube da Lanterna gente disposta a matar e morrer para protegê-lo. Agora me contem: cadê o Lacerda da oposição atual? Cadê o Clube da Lanterna? Cadê até mesmo um maluco do Jânio Quadros, que não teve o menor pejo de ir com tudo pra cima de um governo hiper bem avaliado como o de Juscelino Kubitschek, que representava a aliança entre PSD e PTB?


Desse jeito, temos um Getúlio sem UDN, uma oposição sem um Lacerda. O resultado parece apontar para a eleição de um Dutra de saias infinitamente piorado. Algo que com Lacerda e Jânio jamais aconteceria.


É deplorável. Mas é a realidade. Me obrigo a fazer auto-crítica enquanto é tempo. E rezar para o Brasil não descer ainda mais pro fundo poço. Porque mesmo Getúlio era muito melhor do que Lula e Dutra era um homem honrado, não um assassino com idéias totalitárias. Lamento. Mas chegamos a isso.


Quanto a minhas análises anteriores repito: Mea Culpa. Mea Máxima Culpa.
Eduardo Bisotto

Bela


Entrevista Dilma Rousseff - Jornal Nacional -09/08/2010 - William Bonner

Sabatina com José Serra - Jornal Nacional - 11/08/2010

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

LUIZ INÁCIO, O GRANDE ATOR DA TRAGÉDIA BRASILEIRA

Saramar

Depois de oito anos de mandato, não se pode afirmar que Luiz Inácio da Silva esteve à frente do governo brasileiro, principalmente porque ele não teve tempo para cumprir suas obrigações constitucionais como presidente da república.


Durante este período, Luiz Inácio da Silva, esteve muito ocupado exercendo uma função pela qual mereceria o Oscar: a de melhor ator.


Nas campanhas políticas anteriores, inicialmente, ele se vestiu de nordestino pobre, retirante da miséria, da seca e da fome que, graças a algum milagre ainda não muito explicado, conseguiu vencer na vida e chegar ao cargo máximo da república.


Devido a um acidente de percurso (a denúncia de um dos seus acólitos), Luiz Inácio vestiu-se de inocência própria das mocinhas do filme, quando a corrupção praticada por seus assessores mais importantes foi desvendada. Neste momento, como toda heroína de filme B, fugiu para Paris e, canastrão travestido de vítima, quase conseguiu derramar umas lágrimas.


Depois, Luiz Inácio interpretou o papel do operário pobre que, graças a muito trabalho e às lutas sindicais, adquiriu uma consciência política imensurável. Tal consciência o levou a se preocupar com os pobres, tornando-se, a partir de então, o salvador, o messias dos miseráveis, em claro contraponto aos “outros políticos”, ou como ele gosta de lembrar a “eles”, aqueles que não acreditam em sua interpretação.


Mais tarde, já estabelecido entre os miseráveis, os inocentes e os espertalhões brasileiros, o primeiro ator foi tentar a carreira internacional, experimentando sucesso instantâneo, como é comum neste mundo onde predominam as medíocres e fugazes celebridades.


Esta é uma fase em que todo ator precisa manter seu auto controle para não se perder na ilusão da fama. A maioria não consegue, é claro. Só os grandes indivíduos se mantêm à tona da pantanosa adulação e domam o ego superestimado.


Luiz Inácio da Silva nunca foi um grande indivíduo. Então... Já se sabe. Seus parcos conhecimentos, sua paupérrima formação (exceto nos assuntos que lhe interessam pessoalmente) e o fato de ser incensado cotidianamente por todo tipo de vassalo (inclusive aqueles que se dizem isentos) mostraram à prima dona que o Brasil já não era suficiente para conter a imensidão do seu talento. Assim, ele se rendeu ao deslumbramento e assumiu mais um papel: o salvador do mundo.


E foi neste curto, porém dinâmico papel que Luiz Inácio sentiu as emanações do começo do fim, quando já pensava em encarnar o papel do próprio Deus, quem sabe superando-o.


Em todas as atuações em que interpretou um estranho deus, o outrora grande ator escolheu o personagem errado, talvez por ter esquecido que Deus, o verdadeiro, nunca fica do lado dos bandidos, dos ditadores, dos tiranos assassinos, dos desalmados e dos corruptos. Por isso, ultimamente, tem evitado frequentar os mais importantes palcos mundiais, restringindo-se àqueles onde sua atuação ainda é admirada, ou seja, os mesmos onde atuam outros canastrões, sinistros vilões protagonistas da tragédia humana.
Na tentativa de encarnar este papel, Luiz Inácio da Silva meteu os pés pelas mãos e, coitado, fez feio e quase foi vaiado. Em consequência deste desastre de público e de crítica, já sente o banzo do ostracismo.


Agora, antes mesmo de passar a coadjuvante, prova viva de como a decadência afeta os falsos atores, Luiz Inácio da Silva insiste em desafiar o fatal fechar das cortinas e cego diante do fim de todos os atos, aceita encarnar até personagens que o colocam à margem da lei. Assim, ele encena, agora, seu último papel: o de cabo eleitoral.


E como se empenha, meu amigo. Ele abandonou tudo para investir neste último alento de sua carreira, julgando que, caso sua encenação seja aplaudida, ele reviverá e voltará a atuar nos grandes palcos, primeiro do Brasil, depois do mundo. Luiz Inácio da Silva, como os americanos que tanto despreza, acredita que “o céu é o limite”.


Felizmente, o pano está prestes a descer e finalmente, encerrar-se-á esta tragédia encenada por um excelente e cruel ator e assistida por mais de 190 milhões de pagantes.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Gabriel O Pensador - Pega Ladrão

Dois projetos?

A esquerda francamente direitosa representada pelo PT, PSB e PCdoB esforça-se por fazer crer que no pleito eleitoral que se avizinha, outubro de 2010, estarão em disputa dois projetos. Um projeto de direita e outro projeto indevidamente chamado de esquerda. Isso é uma bela mentira, se é que a mentira pode ser bela, pois desde o lançamento do plano real no governo Itamar, foi instalada uma política econômica e financeira que sobreviveu a todos os governos e se propõe a sobreviver através das candidaturas postas: José Serra, Dilma Rousselff e Marina Silva .
É bom esclarecer, que Lula, antes de ser eleito, deixou bem claro através de um documento chamado de CARTA AO POVO BRASILEIRO, que respeitaria a política econômica de FHC. Com isso ele procurava tranquilizar os grandes industriais, o agronegócio e especialmente os banqueiros. Prometeu e cumpriu zelosamente. Manteve os pilares da política econômica lançada desde o governo Itamar Franco.
Dizer que o governo de Luis Inácio Lula da Silva representou um avanço é cometer uma idiotice. O Brasil atual ocupa vergonhosamente o nono lugar entre os países de maior nível de desigualdade social na América Latina. A realidade sócio-econômica que vivemos repousa no fato de existirem, fundamentalmente, duas classes sociais com interesses antagônicos e inconciliáveis: a burguesia e os trabalhadores. É impossível servir a dois senhores. Na verdade, Lula serviu e serve muito bem ao grande capital enquanto engana o povo com medidas populistas financiando a miséria através do Bolsa Família que bem serve ao capitalismo pois evita tensões sociais enquanto pratica uma política de engessamento dos movimentos populares às custas do erário, mantendo as centrais sindicais e centrais estudantis no mais profundo imobilismo.
Não foi à toa que Barak Obama definiu Lula como “o cara”. Não foi sem razão que os representantes mundiais do grande capital resolveram agraciar Lula como o político do ano em 2009. Tudo isso é um reconhecimento de que o metalúrgico Lula tornou-se um precioso quadro a serviço do capitalismo, assim com o seu colega, o metalúrgico polonês Lesh Valessa, fez em seu país.
Gilvan Rocha

domingo, 8 de agosto de 2010

sábado, 7 de agosto de 2010

U2 - Where The Streets Have No Name - live TV Brasil 2006

Íntegra da sabatina da Folha com o ministro da Educação, Fernando Haddad

http://noticias.uol.com.br/uolnews/brasil/2008/03/25/ult4649u14.jhtm

Debate

Deu na Folha de S. Paulo
Debate

Audiência foi a menor dos últimos anos

O debate de anteontem na Band amargou média consolidada de 2,9 pontos segundo o Ibope.

Em 2002 e 2006, os primeiro debates alcançaram 8,7 e 3,3 -ambos na Band.

A semifinal da Copa Libertadores, exibida pela Globo no mesmo horário, teve 32 pontos.

terça-feira, 3 de agosto de 2010

O terceiro elemento

Ela está chegando... Até onde, ainda não dá para saber. De quem estou falando? Da terceira colocada na corrida eleitoral: Marina Silva. A propaganda gratuita no rádio e televisão começa dia 17 de agosto e será veiculada até 30 de setembro. As próximas pesquisas talvez ainda não reflitam o que passa no inconsciente de muitos eleitores. Tipo, como essa mulher pertinaz vai conseguir votos com pouco mais de 1 minuto?

E é aí que mora o perigo da imprevisibilidade. Não para Marina, preparada para qualquer resultado. Mas para seus concorrentes com muito mais tempo e visibilidade de graça na mídia. Sim, porque, de repente, tamanha desvantagem da candidata verde poderá se tornar atrativo. De que jeito? Ah. A ousadia em competir com tanta coragem despertaria no público a curiosidade de assistir sua performance num tempo mínimo.

Tem quem ainda insista em rotulá-la como uma "pobre coitadinha ingênua". Embora alguns sejam sinceros em pensar assim, por incapacidade de reconhecerem sua trajetória de crescimento intelectual e social. Entretanto, o que importa salientar é o seguinte: com pouco mais de um minuto, o risco de desagradar é menor.

Imaginem se esse tempinho for criativo, inovador... Terá aprovação instantânea, literalmente. E acompanhar essa competição assimétrica poderá se tornar emocionante. Afinal, um elemento imprevisível teria desarmado um jogo político que pretendia transformar esta eleição presidencial em plebiscito; empobrecendo a democracia. Plebiscito só faz sentido para uma proposta específica para a qual caiba à sociedade apenas decidir: sim ou não.

A candidatura de Marina surpreende até pela escolha do seu vice. Filho de um funcionário público, o empresário Guilherme Leal é um dos donos da Natura; uma indústria de cosméticos produzidos principalmente para as mulheres, vendidos de porta em porta. Portanto, a candidata não tem problema com cosméticos, apenas com sua alergia a certos tipos de maquiagem.

Tampouco Leal caiu de paraquedas. Atua, há anos, em projetos sociais e ambientais no chamado terceiro setor. Quando fundou a Natura, com seu sócio Luiz Seabra, optou por matérias-primas de fontes renováveis, demonstrando, já na década de 1980, uma visão de futuro. Em sua vida fica evidente a vocação de empreendedor e a competência para administrar negócios. Não foi à toa que a revista americana Forbes incluiu seu nome na lista das mil maiores fortunas do planeta.

Nem é de hoje que Marina e Leal se conhecem. Após se demitir do Ministério do Meio Ambiente, ela vem participando, a convite dele, de encontros organizados por um grupo de grandes empresários engajados em causas ambientais, decididos a se envolverem com política, para o bem do país e das próximas gerações. Nesses encontros há intelectuais, economistas...

Marina Silva foi a primeira candidata nesta campanha eleitoral a alertar não apenas para a mudança global do clima, mas também para a necessidade de educação de qualidade, conhecimento científico e tecnologia. Tudo em defesa de um desenvolvimento sustentado, que passa pela estabilidade econômica. Claro.

Não dá para esquecer. Há um terceiro elemento neste jogo político!


Ateneia Feijó é jornalista