Nos anos 60, e depois nos 80, os estudantes tiveram um efetivo engajamento político nas suas entidades. Hoje lamentavelmente as entidades dos estudantes estão dedicadas quase que exclusivamente as atividades esportivas.
Uma presença maior na política, e nas atividades culturais, infelizmente passa ao largo dessas entidades. Esse fato é apenas um exemplo da imensa descrença dos jovens pela política atualmente.
O que fazer? Podem perguntar muitos jovens, não sei apenas escrevo para descrever uma realidade, e chamar a atenção para o fenômeno, que afeta negativamente a juventude.
Mesmo existindo uma lei que garante aos estudantes a organização de grêmios livres nas escolas, estes não tem tido uma atuação efetiva nas escolas e na sociedade. Para agravar ainda mais a apatia estudantil, muitos professores e diretores de escola não simpatizam com a organização dos estudantes.
Também eles, os professores não participam em sua grande maioria dos seus sindicatos, como poderiam incentivar os seus alunos a se organizar? Não se educa pelo exemplo?
A ditadura militar teve como uma das sua grandes realizações desarticular o movimentos estudantil, e obteve pleno êxito. Deixou as organizações estudantis acéfalas de seus principais líderes, e esse processo até hoje não foi superado.
Quem ganha com a desorganização dos estudantes? Vale a pena refletirmos sobre isso.
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PS: No dia 11 de agosto se comemora o dia do estudante, normalmente com pouco protagonismo dos estudantes.

2 comentários:
www.orm.com.br, CARTA NA MESA, Belém, 13/02/2007
UMA FORMAÇÃO POLÍTICA TRÁGICA
Não sou cientista político e, seguindo preceito de Einstein, pelo qual um exemplo basta, ainda bem. Também é sabido que uma vertente somente não explica fatos como um todo. No entanto, uma guerra de banner’s que se instalou no seio do movimento estudantil da UFPA, que provavelmente já contaminou este pelo Brasil afora, remete para uma experiência política recente, quando o material mais possível, financeiramente, de propaganda política, era um adesivo simples, quando muito um broche. O convencimento vinha através de idéia tais como: perseguição implacável aos corruptos, moralidade ética acima de tudo, democratização da universidade pública, donde acabar com a possibilidade de docente deixar de ser professor para virar bur(r)ocrata era ponto de honra, luta inarredável pela educação, ensinar a pescar e não dar o peixe etc, etc.
As razões por completo não sei, mas certamente algumas derrotas foram determinantes; em qualidade, eram votos dos melhores, mas em quantidade, não. E, certamente, descobriram um dos culpados: a luta desigual entre panfletinhos e caras campanhas. E, de repente, como por milagre, os brochinhos deram lugar aos publicitários milionários, peças publicitárias imensas, grandiosas carreatas etc. Agora, corrupção torna-se algo que até os outros já haviam feito, ética pode, em alguns casos, ser pura perseguição das elites/imprensa compradas, milhões caem do céu e ninguém sabe de onde vieram e qualquer pedido de explicação só interessa para parte da burguesia exercitar sua capacidade de perseguição. Agora, alimentar-se das isca antes até se aprender a pescar talvez seja melhor de ser dourado com uma boa campanha recheada de confetes.
Nisto tudo, entra o cerne de uma sociedade: a universidade. Esta é o centro de tudo. Desconheço qualquer fenômeno que pulse no seio social que não tenha pelo menos um espectro fundamental deste sendo 'tocado' dentro dos muros das universidades. Por exemplo, se pedir prestação de contas de recursos públicos de algumas prefeituras pode ser um ato perigoso, isto até para quem tem o aparato policial federal disponível, não menos é em alguns setores desta. O grave é que uma das funções da universidade é produzir os melhores parâmetros, políticos e sociais, para todos, servir de modelo e referência e construir mentalidades.
Numa das últimas eleições aqui na UFPA, apareceu um grupo fazendo propaganda com banner’s vistosos, os quais muitas empresas deste país gostariam de ter, para algumas até necessários, como peças de propaganda. No entanto, a maioria não pode. A primeira reação foi de espanto e de algumas críticas contundentes. Só que os votos vieram, o que afinal era o importante de fato, e muitos passaram em acreditar no banner.
Ocorre que, na UFPA, estão convocando para se discutir, inclusive pobreza e exclusão social, através de propaganda em banner’s, que não saem por menos de R$ 20,00 cada. E, quando assistimos uma imensa quantidade de políticos nacionais que tudo fazem pelo voto, e só por este e mais nada, ninguém sabe onde nascem, se criam e se alimentam tais excrescências. Uma das lições da Revolução Francesa ainda não foi entendida: a burguesia, muitos banqueiros, financiou, em todos os sentidos, a classe baixa para derrubar o rei, mas não fez isto por mudar de mentalidade. No entanto, quando esta ascendeu ao poder, para cumprir seu lema de liberdade, igualdade e fraternidade, cortou, literalmente, o pescoço de muitos burgueses. Foi assim ou não foi, fantástico guru Del(u)fim? Agora, num país em que alguns docentes sequer podem revelar sua história de como entrou no ensino superior, só vai ensinar... istória.
João Batista do Nascimento, www.cultura.ufpa.br/mat, Transmitida por correio.ufpa.br
Belém
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