quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Eleição sem política

Marco Antonio Villa

Como um aluno relapso, a oposição faltou justo na hora da prova, a eleição

Ganhar eleição é uma possibilidade, fazer política é um imperativo. O Brasil poderá com esta campanha inaugurar uma nova forma de pleito presidencial: sem debate, sem polêmica, sem divergência e sem oposição.

Nas últimas cinco eleições tivemos disputa em três delas. Mas disputa mesmo, só em 1989. Em 1994 e 1998, FHC venceu Lula facilmente, as duas no primeiro turno.

Em 2002 e 2006, Lula foi como franco favorito para o segundo turno. Eu esperava que teríamos uma eleição diferente em 2010: sem Lula e com oposição que transformasse o pleito em um momento de amplo debate nacional.

Rotundo equívoco. Lula é candidatíssimo, aparece mais que Dilma. E pior: a oposição não apareceu ao encontro marcado. Como um aluno relapso, faltou justamente no momento da avaliação, a eleição.

Mais uma campanha do não reeleja

Em toda eleição são lançadas essas campanhas.

Economia descomplicada (Programa 2 de 7)

Economia descomplicada (Programa 1 de 7)

Collor xinga e ameaça jornalista da revista IstoÉ por telefone

O PROFESSOR REFÉM-ENTREVISTA COM A AUTORA DO LIVRO


terça-feira, 24 de agosto de 2010

Petista paulistas

Petista paulistas voltam a alimentar um velho sonho: Ganhar o governo do estado. Para tanto contam com a presença forte do presidente da república.

Ditabranda na Record News

Pra frente, Brasil!

João Mellão Neto


Minha juventude transcorreu nos anos 70, durante a dita “ditadura militar”. Curiosamente, muita coisa na época era, de modo preocupante, semelhante ao que se vê hoje.

Estaríamos vivendo, agora, numa nova era autoritária? Creio que sim. E em plena vigência da democracia.

Vale ressaltar que a grande maioria dos regimes autoritários, para poderem durar, tem de ser, forçosamente, “popular”. O povo tem de ter simpatia pelo governo. E naquele tempo era isso o que ocorria.

Os “apelos nacionalistas” ou “nacionalisteiros” eram, em muito, parecidos com os que vemos hoje. E o “autoritarismo” implícito neles era o mesmo. O governo da época chegou a divulgar o slogan “Brasil, ame-o ou deixe-o”. E o povo, com uma autoconfiança exacerbada, tratava de propagá-lo ao mundo. A mensagem era mais ou menos a seguinte: nós, por aqui, estamos satisfeitos, que não nos apareça nenhum derrotista com o intuito de nos estragar a festa!

Não existe mesmo nada de novo sob o céu. Tudo acaba se repetindo. Não foram os ditos governos militares que inventaram, no Brasil, o apelo fácil do nacionalismo triunfalista. Getúlio Vargas, no período de sua ditadura, usou e abusou dessa fórmula. A ideia-força é, mais ou menos, a seguinte: tudo vai indo bem no Brasil. Isso vale tanto para a economia como para a sociedade e, também, para a nossa imagem, no exterior.

Nos tempos da ditadura varguista dizia-se que o Brasil despertava inveja nas grandes nações porque aqui havia paz social. Enquanto aquelas enfrentavam uma guerra mundial, nós, por aqui, vivíamos em rara harmonia. Para que mudar? O nosso chefe estava “firme no timão” (expressão da época) e sabia como nos conduzir. O resto do mundo não podia dizer o mesmo. Até os Estados Unidos acabaram por ser levados a se envolver no conflito. O nosso país, não! Só entrou na guerra no final e, mesmo assim, sem grande entusiasmo.

O Brasil, segundo afirmava o governo de então, era uma ilha de paz e prosperidade cercada por nações que estavam constantemente sendo visitadas pelos quatro cavaleiros do Apocalipse: Fome, Guerra, Peste e Morte.

Nos tempos da ditadura militar os apelos não eram muito diferentes. Não havia uma guerra generalizada afligindo os povos, mas as evocações ao nosso patriotismo e à propalada soberania nacional eram constantes e de grande intensidade.

Soberania nacional, aliás, era um conceito que, como atualmente, valia para tudo. Tanto para justificar a necessidade de um “Estado forte” e onipresente (nos tempos de Vargas também era assim…) como para explicar as atitudes firmes e enérgicas dos nossos governantes. E também para decifrar, para o povo, a suposta independência de nossa política externa.

Nesse campo, cabe lembrar que tanto a ditadura de Vargas se proclamava livre como também os governos militares se diziam imunes às tendências políticas de então. Chegamos até a romper o acordo de auxílio militar que tínhamos com os Estados Unidos. E agora estamos praticando uma política diplomática que afirma ser independente.

Vale recordar, a propósito, que durante o “regime militar” o Brasil proclamou que o nosso mar territorial se estenderia por nada menos que 200 milhas marítimas. Até então, como nos demais países do mundo, os nossos limites no oceano eram de 12 milhas.

Para simbolizar a nossa afirmação de soberania nacional foi erguido, na época, um gigantesco mastro no centro da Praça dos Três Poderes, em Brasília. Permanece lá até hoje. E o gritante contraste entre ele e as obras arquitetônicas originais que o circundam é evidente. De tempos em tempos, cada um dos Estados da Federação arca com os custos de providenciar uma nova Bandeira Nacional para nele ser hasteada.

Mas, passadas quase quatro décadas, ninguém mais ousa discutir a importância daquele “monumento”. Sua arquitetura, dizia-se então, é de gosto duvidoso. E quem ainda se recorda sabe que ele está lá como estandarte das “nossas 200 milhas marítimas”.

Um dos principais argumentos de nossos atuais governantes se refere ao fato de que “nunca antes” a nossa economia se mostrou tão pujante e cresceu tanto. Errado. Mesmo na gestão de José Sarney como presidente da República foram registrados crescimentos anuais do produto interno bruto (PIB) superiores a 6%. Nos governos do “regime militar”, então, já é covardia. De 1968 a 1973, o crescimento anual do PIB brasileiro superou até as atuais taxas chinesas: mais de 10%.

A ideia de que o Brasil se está destacando como “potência emergente” no mundo, infelizmente, também não é nova. Os governos do período militar eram muito ciosos desse conceito. Prestei, em meados da década de 70, um vestibular cujo tema de redação era: “Os desafios do Brasil potência.” Nenhuma novidade, portanto…

É muito arriscado afirmar que estamos no limiar de uma ditadura. Mas dá para fazer a assertiva de que estamos entrando numa era autoritária. Os prenúncios são claros. Só não enxerga quem não quiser.

Uma das candidaturas à Presidência da República nas próximas eleições se regozija em reiterar que a sua titular “pegou em armas” e lutou bravamente contra a ditadura militar. Por acaso isso quer dizer que a ideia predominante, então, era a de “restaurar o regime democrático”?

Antes fosse. O que se desejava à época, na verdade, era descartar a ditadura militar e substituí-la por outra, a “ditadura do proletariado”.

O Brasil está próximo de entrar, como muitos dos nossos vizinhos, num regime “populista”. E, cabe reafirmar, todos os “populismos” são autoritários.

E tudo em nome do povo…

Artigo publicado em 04/06/2010 no jornal “O Estado de São Paulo”

Debates de condomínio

Começaram os debates eleitorais. Ao vivo e em cores, as três candidaturas privilegiadas pela grande mídia disputam o direito de continuar 16 anos de neoliberalismo.

Neste período, o modelo econômico pouco mudou. A realidade social mudou muito menos do que querem nos fazer crer. Mudanças mesmo, só no nível político.

Agora, todo mundo morre de medo de assustar o “mercado”. Ninguém quebra contratos. O superávit primário é sagrado. O pagamento da indecente dívida pública, também. E “invasão de terras é crime”, gritam os três em coro.

Dilma, Serra e Marina até trocam acusações e disparam farpas uns contra os outros. Fazem pose de adversários radicais. Mas, o clima é de reunião de condomínio. Tem muita briga e confusão, mas ninguém está a fim de derrubar o prédio.

Todos querem ficar no lugar do síndico que está saindo. Lula é um dos melhores administradores que a burguesia arranjou para seu patrimônio. Ele que já foi morador dos andares de baixo, continua amigão de seus antigos vizinhos. Mas, guarda todo seu zelo e carinho para os bacanas que moram na cobertura.

O problema é que o prédio está condenado. Se o Brasil tivesse 100 andares, 98 seriam formados por espeluncas escuras, inseguras e mal conservadas. O 99º andar abrigaria apartamentos modestos. Já, na cobertura, muito luxo, diversão, banquetes e saída exclusiva pelo heliponto.

Todo esse luxo bancado pela exploração do trabalho da maioria dos condôminos. Ainda bem que a candidatura Plínio Sampaio, do PSOL, vem fazendo algum barulho na grande mídia. Dizendo em alto e bom som que o prédio “balança, mas não cai” tem que ser desmontado urgentemente.


Sérgio Domingues

José Serra no Roda Viva - Parte 02

José Serra no Roda Viva - Parte 01

Segurança Pública

Os candidatos a governador e a presidente falam de segurança pública com uma capacidade infinita de dizer o óbvio ou de não dizer nada.

Sem dinheiro dos empresários

O PSOL do candidato Plinio Sampaio reafirma a todo momento que não aceita dinheiro de empresários. Até aí tudo bem, os empresário parece não estarem muito dispostos a darem dinheiro para o partido.

Tucanos catarinenses

Tucanos catarinenses até agora não parecem muito empolgados com a candidatura Serra, e somam essa baixa empolgação com a mágoa, do atual governador, Leonel Pavan do PSDB, zangado por não ter sido candidato ao governo do estado.

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Com os interesses voltados para SP

O presidente já dando como certa a vitória da sua candidata na eleição presidencial, estaria agora com os interesses voltados para SP, onde sonha ver o petista Mercadante eleito como governador.

Parece o Dunga

Apesar de não estar bem nas últimas pesquisas o candidato do PSDB a presidente, José Serra, descarta possíveis mudanças no rumo de sua campanha. Parece estar realmente convicto de que merece perder.

domingo, 22 de agosto de 2010

Por Dilma, Lula volta à porta de fábrica em S. Bernardo

Sessão nostalgia.

Amanhã, a partir das 5h40m, Lula estará na porta da fábrica da Mercedez Benz, em São Bernardo do Campo, para distribuir planfletos pedindo que os operários votem em Dilma. A candidata estará com ele.

Lula também fará um no local pequeno comício.

Era assim que ele procedia quando presidiu no início dos anos 80 o Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo.

No momento, ele descansa no apartamento que tem na cidade. E onde passará a morar depois que deixar a presidência da República em 1º de janeiro próximo.


Blog do Noblat

Serra andou falando de educação

Serra andou falando de educação no programa de televisão. Pena que ele não tenha muito o que falar sobre São Paulo, afinal lá a educação pública não é nemhum modelo.

A manchete

A manchete que tem levado os petistas a euforia.

Rodovias federais

O candidato Serra recentemente afirmou que as rodovias federais são um perigo público. Ainda bem que ele sabe disse, aliás todo mundo sabe, só que nada é feito.

Pedágios

O candidato Serra tem certeza que os paulistanos aprovam os pedágios em seu estado. Não se sabe porque tanta reclamação, dever ser o que ele chama de trololó petista.

Os dois Brasileiros mais simpáticos

Os dois Brasileiros mais simpáticos dos últimos dias só podem ser Serra e Dilma, não há quem seja mais simpático que ambos, são duas sumidades em matéria de simpata.

O meu pai também fazia feira

Eu já não aguentou mais ouvir a história de que o Serra teve uma origem humilde, que o pai fazia feira e tudo o mais. O meu pai fazia feira também, e daí eu posso ficar enchendo o saco dos outros com essa história? FALA DE PROPOSTA CARA, NÃO TEM O QUE FALAR, COLOCA MÚSICA NO PROGRAMA.

A presidente

Inúmeros petistas já vão dando como favas contadas a disputa presidencial, alguns inclusive já vão dando prioridade a campanhas para deputado, senador e governador.

Atestado de óbito

Do ponto de vista político, a campanha de Serra parece ter recebido seu atestado de óbito com a divulgação da pesquisa Datafolha que mostra uma diferença acachapante a favor da petista Dilma Rousseff.

Terno pronto

Já tem gente no PT com o terno pronto para a posse da senhora Dilma no próximo primeiro de janeiro. Antecipados ou não, é um certo sentimento que ronda muita gente neste final de agosto.

Corpo mole

Se diz nos bastidores que são poucos os tucanos realmente engajados na campanha de Serra, a maioria estaria fazendo aquele básico corpo mole.

sábado, 21 de agosto de 2010

Roda da Fortuna

Ao observador mais experiente, o debate rasteiro e pedestre dos candidatos presidenciais não engana. A superficialidade pode ser arma de espertos e recurso daqueles que não têm muito o que dizer de diferente.

Engana-se quem pensa que com o início da propaganda eleitoral gratuita no rádio e na TV esta situação se modifique drasticamente. Até mesmo porque todos os principais candidatos já tiveram oportunidade e tempo suficientes para apresentarem suas propostas. Foram diversas entrevistas a jornais, revistas, rádios e televisão. Se tivessem algo mais consistente para mostrar, já teriam feito. No primeiro debate promovido pela TV Bandeirantes ficou evidente a ausência de um discurso aprofundado sobre idéias e programas.

Dilma Rousseff se atém a números e resultados que, de certa forma, falam por si. Por representar um governo popular cujo presidente é o grande eleitor da disputa, tende a não se aprofundar em propostas.

Já José Serra e Marina Silva são superficiais por absoluta falta de originalidade no que tange a aspectos essenciais. Nada de espetacular foi falado sobre economia, segurança pública, carga tributária, reforma política, política externa, entre outros temas, pelos candidatos de oposição.

Tal situação pode dar a impressão de que não existe uma agenda eleitoral posta na disputa e que a superficialidade é a regra. Não é verdade. Ao largo do debate presidencial, existe uma agenda “ônibus” que agrega gregos e troianos e que não está sendo devidamente considerada.

A agenda que identifico está centrada em dois vetores: o econômico e o social. A perna econômica refere-se à intenção de se manter o ciclo de desenvolvimento instalado nos últimos anos e que começa a dar frutos. A segunda perna da agenda é a questão social, que se relaciona tanto com os vetores econômicos de renda e emprego quanto com os programas assistenciais.

Segundo a FGV, a classe média brasileira (C) cresceu de 42% para 52% entre 2004 e 2008. O consumo da classe D já supera em volume o consumo da classe B. Para a FGV, uma família é considerada de classe média quando tem renda mensal entre R$ 1.064 e R$ 4.591. As classes A e B têm renda superior a R$ 4.591, enquanto a D ganha entre R$ 768 e R$ 1.064. A classe E (pobres), por sua vez, reúne famílias com rendimentos abaixo de R$ 768. De acordo com o Ipea, mais de 9,5 milhões de brasileiros deixaram a situação de indigência e mais de 18,4 milhões deixaram a situação de pobreza entre 2004 e 2008.

O Brasil deve crescer mais do que 6,5% este ano, e tal resultado decorre de uma combinação de aspectos: aumento do crédito, distribuição de renda, controle da inflação, aumento de emprego, programas assistenciais e gastos públicos, entre alguns outros. A explosão do consumo resultou no fortalecimento do mercado interno e destampou um mundo de oportunidades para empresários. Nunca se vendeu tanto para tantos. Nunca se empregou tanto no país.

Politicamente, a resultante dessas transformações econômicas e sociais está naquilo que o cientista político Cesar Romero identifica como “uma cadeia de interesses”. Nessa cadeia unem-se aliados improváveis em torno de interesses comuns: o desenvolvimento econômico e a distribuição de renda.

Quem seriam os adeptos da agenda? O grande empresariado que produz e vende. Aqueles que fornecem material para as grandes obras de infraestrutura. O sistema financeiro, que financia e transaciona o dinheiro. O comércio, que distribui e vende. O consumidor, que compra o que nunca comprou. O trabalhador, que está empregado e consumindo. Enfim, é uma roda da fortuna que gira impulsionada pelas circunstâncias atuais e que a maioria quer que continue assim.

Murillo de Aragão é cientista político

Conseguiram se superar

Os tucanos realmente conseguiram se superar resolveram aderir a figura de Lula para tentar virar ojogo.


GABRIEL O PENSADOR - Tô Feliz (Matei o Presidente)

Serra

Se as atuais pesquisas estiverem corretas, a possibilidade da candidatura Serra ter ido para a fita é grande, sem dó nem piedade. A passividade da oposição, deixa crer que esse resultado já era esperado.

Debate Presidencial Band José Serra , Dilma , Marina Silva e Plínio - Pa...

Bela


Lula, como o reizinho: afinal, quem sou eu?

Lúcio Flávio Pinto - Agosto 2007

É impossível ser justo e não ser simpático a Lula, admirando seu percurso até a eleição para a presidência da República. Mas quem se desiludiu com a experiência de um poderoso intelectual no exercício desse posto por oito anos tem motivos para se frustrar com os quatro anos e meio de um operário nesse mesmo cargo. O Brasil foi privilegiado pela sucessão de um representante da elite e outro da massa do povo no mais alto cargo público, em quatro mandatos sucessivos. O fato de ambos se repetirem seja no primeiro momento, quando foram oposição, quanto no segundo, quando se tornaram governo, revela a fragilidade de uma nação que desperdiça suas melhores oportunidades históricas e é mais promessa do que realidade, mais figuração do que fato.
Se circunstâncias externas foram a causa principal do desenvolvimento retardado do Brasil, causas exteriores também podiam propiciar uma engrenagem mais acelerada desse desenvolvimento. Raras vezes a conjuntura internacional nos foi tão propícia quanto nos últimos anos. Graças à explosão da demanda da China e à valorização dos preços dos nossos principais produtos de exportação, dentre outros fatores, divisas entram como nunca no Brasil. Mas ao invés de criar uma base de sustentação para o futuro, quando as variáveis podem mudar para pior, essa dinheirama está enriquecendo ainda mais os já muito ricos e mantendo uma estrutura de circunstância. Daí a ampliação e o adensamento dos paradoxos e contrastes no país, que agravou o perfil da Belíndia nos pólos extremados.

Operário, homem do povo, predestinado a mudar o Brasil, Lula já demonstrou que não está à altura da missão que a história lhe concedeu. Sua política enriqueceu banqueiros e empresários mais do que sob o consulado de Fernando Henrique Cardoso, assumidamente de elite. Quem disse isso, com todas as letras, foi o próprio Lula, na reação ao movimento Cansei, da plutocracia paulista. Lula deu aos plutocratas paulistanos tudo que eles queriam e mais alguma coisa; certamente, mais do que o devido, o iníquo. Mas eles não o acolhem como um seu nem lhe agradecem a gentileza, feita com o chapéu alheio.

Lula queria o quê? Ao proclamar que sua política enriqueceu os ricos, ele se revelou um traidor da sua gente e do seu país. Não foi para isso que foi eleito. Mas, sejamos honestos, foi exatamente isso o que ele disse que faria na última mensagem — a quem interessar possa — antes da eleição, consolidando o “Lulinha paz e amor” de Duda Mendonça, o guru da alquimia, que já nesse momento transferia para o exterior o dinheiro do seu faturamento publicitário.

É evidente, para quem é capaz de ver e pensar, que a economia brasileira, a razão de ser do sucesso de Lula, continua em piloto automático, monitorado a distância. Algumas correções e modificações são feitas, mas o rumo é o mesmo: da concentração da renda. Se o sucesso de Lula é muito maior do que o de FHC, isso se deve às condições internacionais, em primeiro lugar, que compensam todos os erros gerenciais e administrativos já cometidos, e à política de sedução e subjugação dos mais pobres, a verdadeira novidade do atual governo. E a mais eficaz.

Por que os índices de aprovação do presidente permanecem refratários a todas as conjunturas nacionais, inclusive aquelas que desnudam a omissão oportunista do chefe? Por que, independentemente da falta de uma solidariedade mínima e decente por parte do chefe para com seus subordinados, que avançam sobre seu vácuo deliberado (por preguiça e inapetência) e são sacrificados se algum resultado de sua iniciativa não dá certo (e o presidente nada sabe do que eles faziam, por conta e risco), o povão continua acreditando nesse ausente de fato?

Porque, todos os meses, o depósito do bolsa-família lhes assegura a sobrevivência, ou a existência. É uma esmola como nunca houve antes. E esmola, como todos sabem, vicia, conquanto nada resolva também (mas essa é uma questão de longo prazo, com a qual Lula tem menos intimidade ainda).

Por mais que faça para os ricos, Lula jamais será um deles. Por isso faz mais e por isso continua a ser um “desigual”. Como se resolverá essa tendência patológica? Pela aniquilação de um pelo outro, pela paz armada ou por um novo acerto cínico? Não se sabe. Mas se há ingratos se movimentando contra o presidente que tanto fez por eles, não somos nós. Nós, da classe média, ou de algumas partes dela, que também criticamos Lula, não estamos satisfeitos, não pertencemos à plutocracia, não enriquecemos e achamos que o presidente é incapaz de fazer outra coisa além de delegar competência (a que não tem, sobretudo), cortar cabeças incômodas, cultivar sua horta de povo plantado no solo da verba pública (escassa e, por isso, finita), aquinhoar os correligionários, cultivar sua digna biografia, estacionada em 2002, e dizer besteiras sem fim.

Nós não queremos derrubar o presidente nem pregamos qualquer remendo à ordem legal. Queremos que o país utilize a oportunidade que tem para se consolidar, importando máquinas e equipamentos, não bens de consumo durável ou insumos para tal; que a renda gerada pela venda ao mundo seja utilizada para criar oportunidades de trabalho, qualificar a mão-de-obra, incorporar mais gente — e mais bem preparada — à produção, montar boa infra-estrutura, ao invés de fortificar ilhas da fantasia na geléia geral brasileira e transferir nossas riquezas para outros lugares. Mas esse Lula que está aí fará isso, ainda fará, ou é um fantoche? Um fantoche dele mesmo? Um equívoco? Uma frustração?

A democracia — e só a democracia — possibilita esse processo: eleger um presidente despreparado para governar e depois, criticando-o por seu despreparo, tentar mudar sua política ou a ele próprio. Quem acha que mudança admite golpe está errado. Tanto quanto quem declara que a crítica é um golpe. Tomara que nossa frágil democracia resista a ambos. E cresça.

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Lúcio Flávio Pinto é o editor do Jornal Pessoal, de Belém, e autor, entre outros, de O jornalismo na linha de tiro (2006).

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Especialistas debatem aspectos das eleições 2010

O nascimento da ética do político

Há cerca de 5 séculos, O Príncipe marca o imaginário social
07 de agosto de 2010 0h 00

Renato Janine Ribeiro - O Estado de S.Paulo

Em milênios de filosofia, só dois filósofos quebraram as fronteiras da academia para que seus nomes gerassem adjetivos conhecidos de todos, até de quem não sabe quem eles foram: Platão e Maquiavel. Todos ouvimos falar em amor platônico ou em pessoas maquiavélicas. Não interessa que os especialistas se irritem porque Maquiavel não foi maquiavélico; o fato é que ele, como Platão, deixou uma marca no imaginário social.

O Príncipe, que em breve completará 500 anos, tem características notáveis. Primeira: é livro facílimo de ler. Segunda: apesar disso, não há acordo sobre o que quer dizer. Lemos com facilidade e não temos certeza do que ele pretende. Talvez porque, terceira característica, parece contradizer o resto da vida e obra do autor. Maquiavel foi um dos chefes da República de Florença, passou anos escrevendo uma grande obra republicana - os Discursos - mas somente se tornou um dos maiores pensadores da história devido a um livro curto que redigiu em poucas semanas, banido da cidade, com o fim de agradar aos novos senhores de uma Florença monárquica. Por isso nos perguntamos o que é O Príncipe: é um livro de apologia à monarquia ou uma sátira cáustica? Sustenta que os fins justificam os meios ou mostra a essência da política? Contradiz o político e pensador republicano ou nutre, com ele, uma secreta harmonia?

Vamos às questões principais do Príncipe. Concentro-me em duas. A primeira é a convicção de Maquiavel, segundo a qual metade - por assim dizer - do que nos sucede depende da fortuna. "Fortuna" inclui aqui o infortúnio - a sorte, o acaso, em suma, o que não está em nossas mãos. O máximo que conseguiremos, com muito empenho, será controlar a outra metade. Para isso, teremos de mostrar valor, que ele chama virtù. Usamos a palavra italiana, que significa "virtude", justamente porque é o contrário do que costumamos chamar de virtude. Sua virtù nada tem de moral. Aqui começa o problema. Enquanto estávamos só na estatística, no fifty-fifty fortuna vs. ação planejada e deliberada, tudo bem. Mas quando Maquiavel diz que, para reduzir o quinhão da fortuna, o homem tem de ser um autêntico "vir" (a palavra latina para varão, macho), ele conclui que não poderá seguir a moral cristã.

Passemos à segunda questão. Muitos, diz o autor, trataram de Estados ideais e reis justos, mas tais entes não existem ou não subsistem. Para tratar de "coisas que prestem", falará dos Estados reais e de como funcionam. Seu capítulo 15 é citado como a certidão de nascimento da ciência política: em vez de discutir como as coisas deveriam ser, pensar como realmente são. Não é fortuito que seja Fernando Henrique Cardoso - cientista político, que por coincidência já foi chamado de príncipe da nossa sociologia - quem redija o prefácio, ao qual se segue uma introdução de Antony Grafton, que tem por única falha, a meu ver, ignorar a ótima bibliografia que não foi escrita em inglês: Max Weber, Merleau-Ponty, Claude Lefort e, dos brasileiros, Newton Bignotto. De toda forma, essa tradução fluente há de concorrer com a edição, muito bem cuidada, que temos do Príncipe pela editora Martins Fontes.

Para o leitor, não haveria problema em Maquiavel afirmar que muito de nossa vida escapa a nosso controle, nem que pretenda fazer ciência e não moral. O começo de cada uma de suas duas teses é tranquilo. O que choca são as consequências. Primeira: como controlar o máximo possível de nossa vida política? Será que "os fins justificam os meios"? Consultei o Google: só em português, essa expressão aparece 16.500 vezes junto a seu nome. O curioso é que Maquiavel nunca disse isso.

Daí a segunda consequência: ele teria aconselhado os príncipes a mentir, fazer o mal, faltar à palavra, sistematicamente. Contudo, diz ele, o príncipe deve fazer o bem sempre que possível, e usar do mal só quando necessário. O que dá a Maquiavel a fama de amoral é essa dupla ressalva: não fazer o bem sempre, mas quando possível. Sua análise do poder, que é uma festa para a ciência, é uma preocupação para a moral - a tal ponto que em inglês um dos nomes do diabo, Old Nick, derivaria de seu prenome Nicolau.

Como controlar nosso destino, como reduzir o quinhão da fortuna? Não há questão mais atual. No penúltimo e vital capítulo do livro, o autor explica. Há dois tipos de homem, o cauteloso e o impetuoso. Certas épocas requerem cautela (rispetto), outras, impetuosidade. O ideal seria o homem adaptar-se à conjuntura. Este seria o homem prudente: na época se dizia que "o homem sábio (vir sapiens) dominará os astros", isto é, a fortuna. Isso se lê na medalha de Afonso V de Aragão. O "vir sapiens" é o homem prudente com virtù. Maquiavel exorta o príncipe: deve ser plástico, mutável, bom quando possível, mau se necessário, mas, sobretudo, cauteloso ou açodado conforme a ocasião. Se Cesar Borgia perdeu, foi porque não soube mudar quando os tempos assim o exigiram. O problema é que essa plasticidade do príncipe é quase impossível. Daí, um horizonte trágico: por mais que tentemos governar as circunstâncias, podemos perder.

Maquiavel está na origem da "ética do político", diferente da ética do cidadão privado, que FHC citava tanto na presidência da República e que foi teorizada por Weber. Mas o notável no pensador florentino é que, sabe ele, essa ética não é a dos resultados, a do sucesso. Pode resultar em fracasso - como no caso de Cesar Borgia. Nem por isso a política é menos nobre. Ser político não é só vencer. É saber fazê-lo com virtù - capacidade, ação deliberada e, também, uma certa honra. Talvez O Príncipe seja o mais belo elogio da política.


RENATO JANINE RIBEIRO É PROFESSOR TITULAR DE ÉTICA E FILOSOFIA POLÍTICA DA USP

Grigori Efimovitch Novikn, o Rasputin

Grigori Efimovitch Novikn, o Rasputin
(1872 - 1916)

Místico russo nascido em Pokrovskoie, Sibéria, que exerceu forte influência na corte de São Petersburgo, onde se tornou favorito da czarina Alexandra Feodorovna, esposa de Nicolau II. Filho de camponeses pobres, ganhou na juventude o apelido de Rasputin, o Depravado. Considerado monge, sem ser ordenado, adotou uma seita que chamava de flagelantes, e após peregrinar ao monte Atos, na Grécia, reapareceu em sua terra com a fama de poder curar doenças mas, ante a ameaça de ser tomado por herege, tornou-se andarilho. Devido às condições favoráveis às crenças do ocultismo pela população local, radicou-se em São Petersburgo (1905). Após sua apresentação à família real, o jovem hemofílico Aleksei, herdeiro do trono, teve uma relativa melhora, e assim, a czarina Feodorovna passou a reverenciá-lo. Ardiloso, na presença dos czares, mantinha a imagem de homem santo e circunspeto, mas fora dos círculos palacianos, pregava a doutrina da redenção pelo pecado e seduziu várias mulheres. Em função do seu prestígio, seus denunciantes eram afastados da corte. Porém sua situação se complicou, quando apareceram cópias de cartas de amor supostamente escritas pela czarina ao "santo tarado" (1912). Assim seu prestígio declinou temporariamente, pois quando o czar assumiu pessoalmente o comando das tropas russas, ao se iniciar a primeira guerra mundial, a czarina assumiu o controle dos assuntos internos e o tornou conselheiro particular. No entanto uma conspiração organizada por políticos e eclesiásticos, foi armada para matá-lo, e após ser baleado várias vezes, foi jogado nas águas geladas do rio Neva, onde morreu por afogamento.

Leis que retroagem?

Seria interessante se os candidatos explicassem o que entendem por Estado de direito, e de que modo irão defender as garantias fundamentais estabelecidas na Constituição

Do blog do Alon

O combate à corrupção não pode ser feito ao custo de rasgar a Constituição. O mesmo vale para outros combates, mas o Ficha Limpa tornou urgente a discussão. A lei, infraconstitucional, não tem o poder de alterar a Carta, ainda que esta seja, no frigir dos ovos, o que os ministros do Supremo Tribunal Federal entendem que ela é.

Está aliás na hora de o STF colocar ordem na bagunça do Ficha Limpa, aplicar um freio de arrumação. Ou a lei retroage ou não. Intolerável é a coisa ficar ao sabor das influências políticas sobre os tribunais nos estados. O Ficha Limpa é uma boa ideia, que corre o risco de virar instrumento arbitrário. Com a palavra, o STF.

Aqui entre nós, lei que retroage é um atentado ao Estado de direito democrático e à Constituição. Mas esperemos pelo que vai dizer a Suprema Corte.

O que fazer quando na esfera da corrupção, ou de outros problemas sociais, a democracia aparece como “obstáculo” a que a sociedade encontre o paraíso? Aqui, o “vou colocar todos os corruptos na cadeia” aparece como irmão siamês do “não se pode falar em democracia numa sociedade tão desigual quanto a nossa”.

O impulso autoritário está no DNA das diversas camadas da organização social brasileira. A primeira frase entre aspas no parágrafo anterior é tipicamente “da direita”, enquanto a segunda é “da esquerda”. Mas são xifópagas.

É preferível alguns corruptos estarem fora da cadeia, e mesmo poderem disputar as eleições, do que o sistema jurídico brasileiro engolir a barbaridade da norma legal que retroage a partir da data de vigência. Se o Ficha Limpa pode, por que não as outras leis?

E é preferível certa política social não ser executada, se a execução implicar lesão a direito fundamental. Paciência, é o custo de viver numa democracia. Uma ótima relação custo/benefício.

Mas admito que tais ideias não são muito populares. Para que acabem entranhadas no nosso tecido social, seria necessária uma das duas opções: ou a forte e continuada pressão popular para inverter a relação deformada entre a liberdade excessiva do estado e o deficit de liberdade do indivíduo, ou a sucessão de governos empenhados em autolimitar-se.

Aqui o leitor poderá argumentar que uma coisa não existe sem a outra, e terá dose de razão. Veja-se por exemplo a alternância de poder no último meio século no Brasil. Passaram pela cadeira — ou estão nela — todas as correntes políticas e históricas relevantes. Todas sem exceção adaptaram-se rapidamente ao princípio da absolutização do líder e da supremacia do Estado. Em palavras ou atos.

Pois a sociedade brasileira organizou-se a partir do Estado e carrega essa marca de nascença. Mas a deformação não é incurável, pode e vai sendo corrigida à medida que aumenta nosso grau de complexidade social. O crescimento da classe média não terá vindo em vão.

Outro dia a candidata Dilma Rousseff deu uma declaração interessante, ao falar sobre o proposto (por ela) ministério das pequenas e das médias empresas. Disse que a multiplicação dessas empresas é uma questão democrática. Fato.

Mas é também verdade que o governo do PT estimula a oligopolização em diversas esferas.

São debates estratégicos, e campanha eleitoral não é propriamente um lugar para tertúlias doutrinárias, mas seria interessante se os candidatos explicassem o que entendem por Estado de direito, e de que modo irão defender as garantias fundamentais estabelecidas na Constituição. E como avançar na democracia.

Poderiam começar condenando a tese de fazer retroagir as leis novas. Mesmo que elas contem com a simpatia geral. Como é o caso do Ficha Limpa.

O Massacre de Ruanda - Domingo Espetacular

Tiros em Ruanda (Trailer)