domingo, 21 de junho de 2009
sábado, 20 de junho de 2009
Lembram do tempo em que o presidente denunciava
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Porque o cidadão ainda não foi afastado da presidência do senado?
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Simon teria coragem ?
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O presidente está certo!
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sexta-feira, 19 de junho de 2009
Os caras
Na minha antiga máquina de escrever já era a mesma coisa, algumas teclas estavam desbotadas, gastas. Agora, no computador, ocorre o mesmo, nas mesmas teclas. O que será? Bolas, eu as uso mais que as outras.
Mas esse usar das mesmas teclas, ou de usar algumas mais que outras, traz, não raro, alegrias, grandes alegrias.
Dia destes, antes de iniciar uma palestra numa das nossas cidades, um jovem sentou-se ao meu lado e muito educadamente pediu licença. Contou-me que eu o “salvei”. Fez-me sabedor de sua história, que ele andava por aí... e hoje sabe o que quer, considera-se um vencedor, mudou de rumos, sente-se feliz. Deu-me detalhes. Fiquei feliz.
Mas o que foi que eu fiz para ajudá-lo tanto assim? Com certeza ter batido nas mesmas teclas. Faz um bem danado ver alguém tirar velhos textos aqui publicados e tirá-los da bolsa como prova... Bah, subi ao palco que era um leão depois disso.
Quantas vezes, por exemplo, já disse que é muito bom ser campeão, ser o primeiro, ser apontado como referência, ser tido por competente, por capaz, por disciplinado etc etc, quantas vezes já disse isso aqui?
Quantas vezes fiquei furioso ao lembrar que os bons alunos na escola um dia foram chamados de CDFs? Chamados por quem? Pelos vagabundos, pelos nadas, pelos invejosos...
Dia destes contei aqui sobre os CDFs (sigla de uma expressão de calão, e todo calão é baixo, não é preciso redundá-lo) contei aqui que os primeiros CDFs foram chamados de “nerds”. Quem eram os nerds? Eram jovens que se envolviam com ciência e tecnologia nos inícios da década de 1950, foram os primeiros a estudar seriamente computadores. E sabe o leitor como os nerds eram definidos pelo American Heritage Dictionary? Eram definidos como “pessoas comicamente desagradáveis”. Isso mesmo. E os detratores dos nerds não desconfiavam que eles colocariam os americanos mais tarde na Lua... Sim, foram os nerds que fizeram isso, e mais tarde ainda criaram os centros de tecnologia do Vale do Silício, na Califórnia.
Coitados dos detratores dos bons alunos, coitados.
Pois não é que li esta semana no Estadão que os “nerds” estão sendo “caçados” pelas gurias nos pátios das universidades. Elas descobriram que eles são “os caras”. São alinhados, têm boa conversa, são gentis, gente fina, enfim. E ainda tiram 10 nas provas. Que tal, guri, que tal, guria, que tal ser um nerd? Não custa nada, não dói e pode colocá-los no pedestal da vida e dos corações alheios. Ah, estas velhas e desgastadas teclas: ser é melhor que ter. E ser é ter.
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quinta-feira, 18 de junho de 2009
Entrevista de Roberto Jefferson - Parte III
Roberto Jefferson - Como também não foram citados Ciro Gomes e seu grupo, o próprio ministro da Cultura, Gilberto Gil.
Cezar Santos - O sr. teve contatos com o ex-tesoureiro Delúbio Soares? Era na mesma base pragmática?
Roberto Jefferson - Sim. O PT tratava a gente como prostituta.
Euler Belém - E não tinha razão? FHC fazia diferente?
Roberto Jefferson - Claro que sim. FHC conversava com todo mundo. Eu era líder do PTB e o PTB não estava no governo, apoiávamos a governabilidade sem cargos no governo. Se eu ligasse para o Fernando Henrique agora, às 18 horas (olha no relógio de pulso), em meia hora ele me atenderia. Lula levou dois anos para receber os parlamentares da base. Ele não conversava, tudo parava em Zé Dirceu. E o Fernando Henrique falava de ideais, de projetos, era algo diferente. Me recordo quando ele foi homenageado pelo Bill Clinton, na Casa Branca. Fernando Henrique chegou de manhã, eu liguei achando que não seria atendido. Pois às 4 horas da tarde eu estava lá no Alvorada, falando com ele, ouvindo-o contar como foi, a importância daquilo para o Brasil, para ele pessoalmente. Eu me senti importante.
Cezar Santos - Fernando Henrique sabia afagar os aliados?
Roberto Jefferson - Sim. Quando foi à posse do Bush, FHC me contou a conversa que teve com o presidente americano, ficou uma hora e meia falando comigo. Então eu me senti grande. Política não é só acertar carguinhos de poder e financiamento de campanha.
Euler de França Belém - Por que FHC não é popular e Lula é popular?
Roberto Jefferson - Porque Fernando Henrique enfrentou crises econômicas e Lula, não. Foram cinco tempestades difíceis nessa área.
Cezar Santos - O projeto da reeleição não foi tremendo equívoco?
Roberto Jefferson - Foi um pecado grave, sim. Ofendeu o sistema democrático. Foi ruim e não deu certo. As marcas do Fernando Henrique foram as crises e ter criado a reeleição para benefício próprio. E aí fez um segundo mandato pior em relação ao primeiro, por causa das crises. Mas é um homem de bem. Lula fica cuspindo no prato que recebeu, a herança maldita, mas é uma herança bendita, porque todos os fundamentos que permitiram o sucesso do governo Lula hoje foram plantados por Fernando Henrique. Lula está fazendo uma ingratidão com FHC.
Cezar Santos - Falando em equívoco, o sr. vê condições de passar o terceiro mandato para Lula?
Roberto Jefferson - Seria o erro Fernando Henrique 2. Essa tentação seria a herança maldita. Pensando bem, é até bom que ele tente, porque o único inimigo que Lula tem hoje no Brasil é ele mesmo, sua vaidade, sua ambição. Lula tem 53% de aprovação, não é tanto como dizem, se ele tentar pode perder. Se perder, ele sepulta 2014, não consegue fazer o sucessor. Por que ficaria uma condenação prévia, uma lambada dura, vira o Hugo Chávez brasileiro.
Euler de França Belém - E essa relação de Lula com Chávez? O pessoal do governo não classifica as Farc como narco-terrorista e evidências disso aparecem cada vez mais, como mostra uma série de reportagens do jornal El País.
Roberto Jefferson - PT e Farc sempre tiveram relação no passado. Aquela Carta de São Paulo, há suspeita até de que as Farc financiaram o PT no passado. É uma cumplicidade ideológica. Pelo menos Lula não tem se misturado com Chávez, não faz o jogo dele. A política externa do Brasil é diferente.
Euler de França Belém - Vi em jornais latino-americanos declaração de Lula dizendo que Chávez é o maior presidente da história da Venezuela nos últimos 50 anos.
Roberto Jefferson - Lula tem elogiado um monte de gente no Brasil também (risos).
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Jornal Nacional - 25 de abril de 1984 - Diretas Já - Parte 2
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Jornal Nacional - 25 de abril de 1984 - Diretas Já - Parte 1
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A planificação socialista pode funcionar?
Com a crise econômica atingindo o mundo inteiro, muitas pessoas se questionam sobre a possibilidade de organizar a sociedade de uma outra forma. Kate Connelly e Esme Choonara explicam como poderia funcionar uma planificação socialista da economia. Leia mais...
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Deputados querendo ganhar popularidade
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quarta-feira, 17 de junho de 2009
A “Loura” não é má
"Loura" é como a prefeita de Fortaleza é chamada, carinhosamente, pelos mais próximos dela. Ultimamente, temos ouvido alguns xingamentos e o argumento de que ela já não é a mesma Luiziane do tempo em que era funcionária da Emlurb, líder estudantil, vereadora, deputada estadual.
Há muito, o PT endireitou. Mas a "loura" pertencia a uma facção petista que se opunha a esse endireitamento. Tratava-se de uma militante aguerrida, de uma parlamentar combativa.
Quando havia manifestações populares bradando por direitos, lá estava a "loura" com seu discurso veemente em defesa do povo explorado pelo capitalismo, mas que ela imaginava ser pelo governo de plantão, erro comum do seu partido e assemelhados.
Também nas greves de trabalhadores em defesa dos seus direitos, ela lá estava apoiando-os na luta considerada por demais justa.
Tudo isso, porém, mudou e mudou muito, quando a nossa heroína passou para o outro lado do balcão e deixou de ser uma parlamentar livre das amarras, tornando-se gestora da desigualdade, isto é, quando assumiu um posto cuja tarefa é executar políticas do interesse da burguesia, próprias da função de governo, nesse sistema. Não só foi a "loura" que mudou de lado. Junto, ela arrastou um contingente de militantes para auxiliá-la nesse perverso papel de gestora da desigualdade, convertendo muitos desses militantes em meros office-boys e office-girls do capitalismo.
Isso, porém, não implica em dizer que a "loura" e seu séquito tornaram-se gente má. É verdade que alguns estão deslumbrados e até se locupletam com as benesses da posição que ocupam. Contudo, essa não é a regra, pois, o que os move é a vaidade do convívio e os afagos que o sistema matreiramente lhes dispensa - e esses são os tropeços da história.
Ontem, combatentes aguerridos; hoje, cooptados pelo jogo do capitalismo.
Gilvan Rocha é presidente do Centro de Atividades e Estudos Políticos – CAEP.
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Olavo de Carvalho
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ENTREVISTA: Ernesto Cardenal
"Ortega é falsamente de esquerda. Tem traído a esquerda, tem traído os princípios da Revolução, tem traído o sandinismo, tem traído o Sandino e o povo da Nicarágua", desabafa o poeta nicaraguense, um dos pioneiros da Teologia da Libertação.
Por Latinautas*
Ernesto Cardenal, que completa 82 anos no próximo dia 20, intitula-se cristão, marxista, poeta e militante. Desde moço, combateu as ditaduras da família Somoza. Após o fracasso da insurreição de 1954, deixou a Nicarágua para dedicar-se à vida monástica. Tornou-se sacerdote em Manágua, no ano de 1965 e, na década de 70, adotou a linha da Teologia da Libertação. Julgou, em 1976, em Roma, os crimes contra os Direitos Humanos na América Latina. Fundou a Comunidade de Solentiname, na qual se fomentou a criação de cooperativas e diversos espaços culturais. Com o triunfo da revolução de 1979, foi nomeado Ministro da Cultura.
Signatário de vultoso currículo acadêmico nas áreas de filosofia, letras e teologia, que inclui passagens por universidades no México, Nova Iorque, Columbia, Madri e Roma, Cardenal é, além de notório poeta, prosador e escultor.
Carta Maior – Por que o senhor envolveu-se na luta armada contra Somoza?
CM – Como nasceu a sua ligação com a Teologia da Libertação?
CM – Por que a Igreja Católica fez aquela crítica que acusava de perigosa a Teologia da Libertação e por que suspenderam o senhor em 1985?
CM – O senhor foi, em 1976, enviado pela FSLN a Roma para julgar as violações aos direitos humanos na América Latina. Quais foram as violações e qual resultado deste julgamento?
CM – O processo democrático na América Latina é recente. Por quê? O senhor acredita que os países no continente são realmente democráticos?
CM – O que é Utopia para o senhor?
CM – Qual foi a importância do início de um novo processo social na Nicarágua com a criação da Comuna de Solentiname?
CM – Ernesto Cardenal acredita que Daniel Ortega é de esquerda?
CM – O que necessita a esquerda Nicaraguense hoje?
(*) Latinautas é o apelido dado pela Carta Maior à equipe da expedição "Da América para as Américas", formada por Milena Costa de Souza, Pedro José Sorroche Vieira, Thiago Costa de Souza e Ligia Cavagnari. Eles atravessam as américas, passando por 17 países, percorrendo mais de 25 mil km em busca de uma identidade de resistência à hegemonia política, econômica e cultural exercida pelos EUA.
Fonte: Agência Carta Maior - 12 de janeiro de 2007, São Paulo
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Sua Excelência não convenceu
Muito nervoso, maltratando a língua portuguesa, o presidente do Senado, senador José Sarney, foi à tribuna para se defender das críticas, segundo ele, muito injustas, que não respeitam sua biografia.
Não convenceu. Listou vários fatos de sua biografia. Falou dos 50 anos de vida pública, misturou fatos ocorridos durante a ditadura com ações suas na presidência da República.
Eximiu-se de toda e qualquer responsabilidade pela desmoralização completa por que passa o Senado da República. Repetiu inúmeras vezes que a crise não é dele, é do Senado.
Lamento, mas o senador José Sarney é o maior responsável pela crise.
Não se trata de desmentir ou de apagar a biografia do nobre parlamentar. Longe disso. Quem reescrevia o passado eram os historiadores soviéticos. A história de José Sarney é bem conhecida.
O que há de mais curioso a ressaltar no discurso de quase meia hora é a total falta de compromisso de José Sarney com os últimos dez ou 15 anos da história do Senado. Sarney discursou como se tivesse chegado ontem à presidência da Casa.
Como se não estivesse presidindo o Senado pela terceira vez. Como se não fosse pessoalmente responsável pela criação de cerca de 50 das 181 diretorias recém-descobertas na Casa.
Como se não fosse pessoalmente responsável pela nomeação de Agaciel Maia como diretor-geral do Senado. Como se não tivesse legitimado uma série de atos de Agaciel Maia e do diretor de Recursos Humanos, João Carlos Zoghbi.
Não é trivial privatizar o Senado da forma como o Senador José Sarney o fez. Tinha até outro dia um neto e duas sobrinhas empregados. Recebia auxílio-moradia tendo residência particular em Brasília e tendo à sua disposição, desde fevereiro, a residência oficial do Senado.
Sua estrategista de campanha era também diretora do Senado. Exonerada para fazer campanha, teve a exoneação cancelada (tudo através de documentos sigilosos).
Sua casa em São Luis era protegida por seguranças do Senado... embora ele seja senador pelo Amapá.
Semana passada, sua Excelência foi padrinho de casamento da filha de Agaciel Maia, ex-diretor-geral do Senado. Que agora, depois de prestar relevantes serviços ao senador Sarney, está sendo jogado às feras. Pelo senador Sarney.
O senador José Sarney não tem direito de afirmar que a crise não é dele.
Quando tenta diluir a crise do Senado brasileiro na crise de representação mais geral, que acontece em muitos parlamentos do mundo, o senador tenta uma manobra esperta.
É verdade que há crise em outros países, mas lá os parlamentares renunciam, pedem desculpas públicas, devolvem o dinheiro desviado. Alguns até se matam.
Não se espera nenhuma atitude radical por parte do senador Sarney. Nem mesmo a renúncia à presidência do Senado virá por livre e espontânea vontade.
Mas o clima de rebelião entre os funcionários do Senado é evidente. A forte reação da opinião pública também.
Uma vez o senador José Sarney contratou a Fundação Getúlio Vargas para fazer um diagnóstico da situação do Senado e propor medidas. Deu certo. Nada aconteceu.
Desta vez, repetiu a manobra. Mas suspeito muito de que não vai funcionar.
Os tempos são outros, Excelência.
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terça-feira, 16 de junho de 2009
Protestos virtuais
Os novos movimentos de protesto popular se tornaram inoperantes nestes tempos de tantas falcatruas. As alegações dos governos de que não houve aumento da corrupção, e sim, incremento das investigações pode levar a população a se sentir segura quanto à veracidade das informações procedentes do poder instituído.
Sem a presença da UNE (União Nacional dos Estudantes – para quem já esqueceu), nos debates e nas ruas, parece que a situação do país é tranqüila, seguindo o rumo certo da democracia plena. A vitória dos ex-militantes de esquerda amorteceu os sentimentos profundos que explodiam nas manifestações que chegavam a colocar na Esplanada dos Ministérios, em Brasília, milhares de brasileiros unidos em busca da utopia.
Foram muitas as ocasiões, desde a redemocratização, nas quais o povo foi para as ruas exigindo o fim da corrupção, do desemprego, dos impostos extorsivos, da insegurança pública e da falta de assistência à saúde.
Nesses novos tempos, o que vemos são os estudantes em busca de meia-entrada em tudo e recebendo as benesses do poder. Até mesmo as esperanças com a nova liderança estudantil se esvaem no silêncio de suas estrelas quando devem se pronunciar sobre as mazelas do país. É triste a constatação da leveza das palavras e das ações, que são tão distantes dos tempos dos Josés que lideravam os movimentos estudantis à época da ditadura: José Dirceu e José Serra; e agora, Josés?
A acomodação popular é conseqüência da falta de líderes. Os que existem foram cooptados pelo poder e silenciam, ou são extremamente moderados em seus pronunciamentos. O movimento sindical está satisfeito com tudo que acontece, e até os sem-terra ficam sossegados, despertando somente quando os recursos oficiais que os mantêm minguam. O último movimento popular de que se tem notícia foi o “Cansei”, que, parece, se cansou mesmo.
Mas existe um trabalho de bastidores que os políticos têm considerado muito bom para a governabilidade. É o protesto virtual que abarrota de mensagens as caixas-postais dos computadores oficiais. No mais recente episódio – o que examinava a cassação do presidente do Senado Federal, senador Renan Calheiros –, as informações publicadas na imprensa diziam que milhares de internautas pediam sessão e votação abertas e a cassação do senador.
As máquinas não suportaram tantas mensagens de protesto. É sabido que este método de protesto é infrutífero. Os senadores não precisam ter acesso direto aos e-mails, que são lidos por assessores. E, a prática é simples: aperta-se a tecla “selecionar tudo” e, em seguida, a tecla “delete”. Pronto. Sem polícia, sem violência e sem transtornos. As vias públicas ficam liberadas, os políticos tranqüilos e o povo sem respostas.
A solução do protesto virtual vem se juntar ao namoro no chat e à traição conjugal sem conseqüências para a família. Hoje é possível acompanhar os movimentos dentro de casa através de câmeras ligadas ao computador. É assim que muitos crimes são desvendados, muitos desaparecidos são localizados, e, também, muitas contas bancárias são violadas. É o mundo moderno, e ninguém, em sã consciência, se colocará contrariamente à evolução.
O que nos deixa perplexos é a desunião na defesa do interesse público. A população brasileira está inerte e voltada para seus problemas pessoais. Os que possuem condições financeiras se confinam em suas fortalezas, e os pobres se amedrontam com a violência urbana e, também, se curvam à força dos marginais que dominam as comunidades e as periferias das cidades.
Mesmo quando a criminalidade e a violência quase destroem a vida dos cidadãos de bem, eles se sentem impotentes para exigir das autoridades a proteção policial e programas sociais que minimizam as agruras. Se as autoridades instalarem computadores nas comunidades e na periferia, nenhum cidadão terá motivação para protestar pessoalmente contra os descalabros dos governos e governantes que se homiziam nos palácios cercados de segurança e se movimentam em viaturas, aviões e vagões blindados e com vidros escuros. Os protestos virtuais chegarão e serão deletados.
*Paulo Castelo Branco é advogado, ex-secretário de Segurança Pública do Distrito Federal e autor dos livros Brasília 2030 – a reconstrução, A morte de JK e A poeira dos dias.
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segunda-feira, 15 de junho de 2009
Mudança climática dará impulso a onda migratória, diz estudo
Mudança climática dará impulso a onda migratória, diz estudo
São Paulo
Nas próximas décadas as mudanças climáticas vão forçar milhões de pessoas a abandonar suas casas para fugir da seca e da elevação do nível dos mares, o que vai requerer um novo plano para migração de massa, diz um relatório divulgado nesta quarta-feira.
Serão necessários recursos para ajudar migrantes a escapar de desastres naturais que vão se agravar, ameaçando a estabilidade política, afirma o relatório divulgado pela U.N. University, Care International e Columbia University.
"Migração induzida pelo meio ambiente e deslocamentos de população têm o potencial de se tornar um fenômeno sem precedentes, tanto em alcance como gradação", diz o estudo, intitulado "Em busca de abrigo: Mapeando os efeitos das mudanças climáticas sobre a migração e os deslocamentos humanos".
"Nas próximas décadas, as mudanças climáticas vão motivar ou forçar milhões de pessoas a abandonar suas casas em busca de meios de vida viáveis e de segurança."
O relatório afirma que a ciência das mudanças climáticas ainda é muito nova para fazer projeções de números exatos de migrantes, mas cita uma estimativa da Organização Internacional de Migração de que por volta de 2050 haverá 200 milhões de migrantes induzidos por problemas ambientais.
O estudo destaca especialmente regiões vulneráveis do mundo incluindo: Estados-ilhas como Tuvalu e as Maldivas, áreas secas como o Sahel (África) e no México e regiões em deltas de rios, como em Bangladesh, Vietnam, e Egito.
"Nos deltas densamente povoados dos rios Ganges, Mekong e Nilo, um aumento no nível do mar de 1 metro poderia afetar 23,5 milhões de pessoas e reduzir em pelo menos 1,5 milhão de hectares a terra atualmente explorada por agricultura intensiva", diz o estudo.
Cientistas especializados em clima dizem que o nível do mar poderá subir pelo menos um metro neste século.
O mundo precisa investir para tornar as comunidades e países pobres mais resistentes às mudanças climáticas, afirma o relatório.
"Estes recursos têm de ser novos e acrescidos a compromissos já existentes, tais como os do Official Development Assistance", diz o estudo.
Por exemplo: investimento em irrigação tornariam os fazendeiros menos dependentes das chuvas. A educação também ajudaria — por exemplo, com orientações sobre medidas para proteger o solo.
Migrantes de regiões de desastres climáticos poderão precisar ter novos direitos, diz o estudo. "Os deslocados pelos impactos crônicos das mudanças climáticas precisarão ser reassentados. No momento, as pessoas que se mudam por causa da piora das condições de vida são classificadas como migrantes econômicos voluntários e não têm reconhecidas suas necessidades especiais de proteção."
As conversações conduzidas pela ONU para estender o Protocolo de Kyoto depois de 2012 estão sendo realizadas em Bonn, na Alemanha, e enfrentam as divisões entre países pobres e ricos sobre como repartir o custo de prevenção e contenção das mudanças climáticas.
Reuters
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Espaços
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Sai, Sarney!
O mais recente foi Toshikatsu Matsuoka, ministro da Agricultura, em maio de 2007. Ele aceitou suborno de um empresário e pediu reembolso de despesas que sempre foram cobertas por seu gabinete.
A ser processado e talvez preso, preferiu se enforcar.
O próximo domingo será um dia tristemente histórico para a Inglaterra. Pela segunda vez, um presidente da Câmara dos Comuns, o equivalente à nossa Câmara dos Deputados, renunciará ao cargo, acusado de má conduta. O primeiro a renunciar foi Sir John Trevor em 1695. Seu crime? Ter embolsado grana de um comerciante em troca do apoio à aprovação de uma lei.
Michael Martin, 63 anos, presidente da Câmara dos Comuns há quase dez, não se vendeu a ninguém nem tirou vantagens ilícitas do cargo. Mas foi conivente com os colegas que tiraram.
Deputados com direito a verba para bancar moradia em Londres conseguiram reembolso por gastos para consertar quadras de tênis, limpar fossas, comprar cadeiras de massagem e aparelhos de televisão de tela plana. Os mais ousados cobraram até pelo aluguel de filmes pornográficos.
O cordato Martin avalizou os desmandos. Uma vez que eles foram descobertos pela imprensa, tentou encobri-los. Como a tarefa se revelou impossível, pediu ajuda à polícia para identificar as fontes de informações dos jornalistas. A polícia nem se mexeu.
Por fim, Martin se rendeu. Seguirá o exemplo dado por Trevor há 314 anos.
Aqui já assistimos a renúncia de presidentes da Câmara e do Senado enrolados em denúncias de quebra de decoro. Foi o caso de Severino Cavalcanti, presidente da Câmara. E de Jader Barbalho, Antonio Carlos Magalhães e Renan Calheiros, presidentes do Senado.
Diferentemente de Trevor no passado, e agora de Martin, eles não abandonaram os cargos premidos pelo sentimento de vergonha. Renunciaram para não ser cassados. Foi um ato sem vergonha. Assim puderam preservar os direitos políticos e voltar ao Congresso reeleitos.
José Sarney está no olho do furacão que varre o Senado desde que ele foi eleito em fevereiro último para presidi-lo pela terceira vez. A primeira foi em 1995.
O que existe de podre no Senado não é obra exclusiva dele. Um presidente do Senado não pode tudo, muito menos sozinho.
Mas é um escárnio Sarney continuar fingindo que nada tem a ver com a crise mais grave da história do Senado. Não apenas tem a ver: Sarney é o principal responsável por ela. A semente da crise foi plantada no primeiro mandato dele como presidente do Senado.
“Eu só tenho a agradecer ao Dr. Agaciel Maia pelos relevantes serviços que ele prestou”, disse Sarney ao se despedir do ex-diretor-geral do Senado, defenestrado da função devido à crise.
Agaciel foi nomeado por Sarney. Ao longo de 14 anos, acumulou poderes e cometeu toda a sorte de abusos com a concordância explícita ou velada de Sarney e dos que o sucederam no comando do Senado.
Na semana passada, ao som da música do filme “O Poderoso Chefão”, Agaciel casou a filha Mayanna sob as bênçãos de Sarney, Renan Calheiros e de dois outros ex-presidentes do Senado – Garibaldi Alves e Edison Lobão.
Para lá do inchaço do quadro de funcionários do Senado, do pagamento de horas extras não trabalhadas, da criação de diretorias fantasmas, da homologação de licitações suspeitas e da assinatura de decretos secretos, há fatos que dizem respeito diretamente a Sarney e que o deixam mal na foto.
Dono de imóvel em Brasília e inquilino da mansão destinada ao presidente do Senado, Sarney recebeu durante mais de um ano auxílio-moradia de R$ 3.800,00 mensais reservada a senadores sem teto.
Flagrado, primeiro negou que recebesse. Depois se apropriou do mote de Lula e disse que não sabia.
Um neto de 22 anos de Sarney assessorou durante mais de um ano o senador Epitácio Cafeteira (PTB-MA). Foi a maneira que Cafeteira encontrou, segundo admitiu, de agradecer ao pai do rapaz por tê-lo reaproximado de Sarney.
Há uma sobrinha de Sarney lotada no ex-gabinete da filha dele no Senado, Roseana Sarney, atual governadora do Maranhão. E há outra empregada no gabinete do senador Delcídio Amaral (PT-MTS) em Campo Grande. Essa ganha sem trabalhar.
É possível acreditar que o pai da crise esteja de fato empenhado em resolvê-la? Ou que reúna condições para tal? E quem disse que seus pares estão interessados em refundar o Senado?
A essa altura, uma só coisa depende de fato de Sarney: a renúncia à presidência do Senado para atenuar as nódoas recentes de sua biografia.
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domingo, 14 de junho de 2009
Tendência suicidária
Leio os principais comentaristas econômicos dos grandes jornais do Rio e de São Paulo. Aprendo muito deles porque venho de outro campo do saber. Mas na minha opinião, continuam seguindo a cartilha neoliberal que os dispensa de um pensamento mais crítico. Ainda manejam a interpretação clássica dos ciclos do capitalismo depois da abundância sem se dar conta da mudança substancial do estado da Terra, ocorrida nos últimos tempos. Por isso noto neles certa cegueira paradigmática. Comentam a crise irrompida no centro do sistema e assinalam o desmoronamento de suas teses mestras mas continuam com a crença ilusória de que o modelo que trouxe a desgraça pode ainda nos tirar dela. Esta miopia de visão lhes impede de considerar os limites da Terra que impõem limites ao projeto do capital. Tais limites foram ultrapassados em 30%. A Terra dá sinais claros de que não aguenta mais. Quer dizer, a sustentabilidade entrou num processo de crise global. Mais e mais cresce a convicção de que não basta fazer correções. Somos obrigados a trocar de rumo caso quisermos evitar o pior que é ir ao encontro de um colapso sistêmico.
O sistema em crise, digamos-lhe o nome - em termos de modo de produção é o capitalismo e de sua expressão politica é o neoliberalismo - responde fundamentalmente a estas questões: como ganhar mais com um mínimo de investimento, no menor tempo possível e aumentar ainda o poder? Ele supõe o domínio da natureza e a desconsideração das necessidades das gerações futuras. O desenvolvimento pretendido se mostrou insustentável porque lá onde se instalou, criou desigualdades sociais graves, devastou a natureza e consumiu seus recursos para além de sua capacidade de reposição. Na verdade, trata-se apenas de um crescimento material que se mede por benefícios econômicos e não de um desenvolvimento integral.
O grave é que a lógica deste sistema se contrapõe diretamente à lógica da vida. A primeira é linear, se rege pela competição, tende à uniformização tecnológica, à monocultura e à acumulação privada. A outra, a da vida, é complexa, incentiva a diversidade, as interdependências, as complementariedades e reforça a cooperação na busca do bem de todos. Este modelo também produz mas para servir à vida e não em exclusivo ao lucro, visando o equilíbrio com a natureza, a harmonia com a comunidade de vida e a inclusão de todos os seres humanos. Opta viver melhor com menos.
Paul Krugman, editorialista do New York Times, denunciou corajosamente (JB 20/12/08) que não há diferença básica entre os procedimentos de B. Madoff que lesou em 50 bilhões de dólares a muitas pessoas e instituições e aqueles dos especuladores de Wall Street que também enganaram a milhares de aplicadores e pulverizaram grandes fortunas. Conclui: “o que estamos vendo agora são consequências de um mundo que ficou louco”. Esta loucura é conjuntural ou sistémica? Penso que é sistêmica porque pertence à dinâmica mesma do capitalismo: para acumular mantém grande parte da humanidade em situação de escravos “pro tempore” e pôe em risco a base que o sustenta: a natureza com seus recursos e serviços.
Cabe à pergunta: não há uma pulsão suicidária inerente ao capitalismo, como projeto civilizatório, de explorar de forma ilimitada um planeta sabidamente limitado? É como se toda a humanidade fosse empurrada para dentro de uma correnteza violentíssima e não pudesse mais sair dela. Seguramente o destino seria a morte. Será que não é este o desígnio inscrito em nosso atual DNA civilizatório que se esboçou já há mais de dois milhões de anos quando surgiu o homo habilis, aquela espécie de humanos que, por primeiro, começou a usar o instrumento no afã de dominar a natureza, se potenciou com a revolução agrária no neolítico e culminou no atual estágio de vontade de completa dominação da natureza e da vida? A seguir este curso para onde iremos?
Como somos seres de inteligência e com imenso arsenal de meios de saber e de fazer, não é impossível que reorientemos nosso curso civilizatório e demos centralidade mais à vida que ao lucro, mais ao bem comum que à vantagem individual. Então nos salvaríamos in extremis e teríamos ainda um futuro discernível pela frente.
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Excessivamente paulista
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sábado, 13 de junho de 2009
Olavo de Carvalho - O COMUNISMO NO BRASIL É INEVITÁVEL!
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Conveniente lembrar
Passados seis anos da gestão Lula é conveniente lembrar como foi feita a distribuição dos cargos federais no inicio do governo em 2003. Todo o processo foi centralizado na figura de José Dirceu. Por essa razão pesaram sobre ele as maiores acusações em relação aos comissionados que se envolveram em falcatruas. O fato é que José Dirceu fez questão de centralizar tudo, e ao fazer isso, chamou para si toda responsabilidade para o que viesse no futuro. Pois bem o que veio todos acabamos sabendo.
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A filosofia pode nos ajudar
A questão é grave demais para ser entregue apenas aos economistas. O que afeta a todos, todos têm direito de se manifestar e ajudar a decidir.
Cresce a convicção nos meios pensantes que o paradigma da modernidade ocidental hoje globalizado entrou em crise pelo seu próprio esgotamento e por efeito de implosão. É semelhante a uma árvore que chegou ao seu clímax e então tomba, fatalmente, por haver esgotado sua energia vital. Assim, digamos-lhe o nome, o capitalismo alcançou o seu fim num duplo sentido: fim como realização de suas virtualidades e fim como termo final e morte.
Logicamente, se acompanharmos as discussões internas dos grupos organizados pela ONU com nomes notáveis como Stiglizt, prémio Nobel de economia e outros, para pensar alternativas à crise, damo-nos conta da perplexidade geral. A tendência é reanimar um moribundo com o neo-keynesiasmo, forma suave do neoliberalismo com a presença mais orgânica do Estado na economia. Outros tentam pela via do ecosocialismo muito presente no FSM de Belém. É uma opção promissora. Mas não fez ainda, a meu ver, a virada completa que implica uma nova concepção da Terra como Gaia e a superação do antropocentrismo conferindo cidadania também à natureza. Querem, com razão, um desenvolvimento ecologicamente respeitoso da natureza, mas ainda no quadro do desenvolvimento. Ora, conhecemos a lógica voraz do desenvolvimento. Melhor, precisamos antes de uma retirada sustentável do que de um desenvolvimento sustentável. Seria o começo da realização do ecosocialismo.
Quer dizer: com os recursos técnicos, financeiros e com a infra-estrutura material já criada pela globalização, teríamos condições de socializar um modo de vida sustentável para todos. A Terra, colocada sob o descanso sabático, poderia se autoregenerar e sustentar a todos. Viveríamos mais com menos. Mas como somos culturalmente bárbaros e eticamente sem piedade, não tomamos esta decisão politica. Preferimos tolerar que milhões morram do que mudarmos de rumo. E assim gaiamente continuamos a consumir, sem consciência de que logo aí na na frente um abismo nos espera.
Podemos e merecemos um destino melhor. E este não é apenas possível, mas necessário. E é aqui que os filósofos podem nos ajudar. Há dezenas de anos, muitos deles vêm afirmando que a excessiva utilização da razão em função do lucro e da mercantilização de tudo, à custa da pilhagem da Terra, nos levou à crise atual. Para resgatar a sanidade da razão precisamos enriquece-la com a razão sensível, estética e cordial na qual se funda a ética e uma visão solidária da vida. Ela é a mais adequada à nova fase do encontro das culturas e da unificação da história humana. Ou então prosseguiremos por um caminho trágico e sem retorno.
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sexta-feira, 12 de junho de 2009
80 milhões de brasileiros têm alguma dívida
Cerca de 80 milhões de brasileiros devem hoje algum dinheiro a bancos e outras instituições de crédito, de acordo com dados do Sistema de Informações de Crédito do Banco Central. Com 42% da população do país endividada de alguma forma, o BC está preocupado com o risco que esta situação pode trazer ao sistema financeiro do país. Ela é resultado direto da expansão do crédito vivida hoje pelo Brasil.
A autoridade monetária está especialmente incomodada com a subida do número de clientes de banco com dívidas altas, acima de 5.000 reais. Segundo informa uma reportagem do jornal Folha de S.Paulo deste domingo baseada em dados do sistema do BC, 15,6 milhões de pessoas deviam 5.000 reais ou mais em fevereiro deste ano.
Em dezembro de 2005, estes endividados eram 10,6 milhões. Ou seja, de lá até o início de 2008, os clientes de bancos com dívidas altas cresceram 47,17%. De acordo com os números do Banco Central, em fevereiro, a dívida das pessoas físicas com os bancos somava 442,4 bilhões de reais. Destes, 146 bilhões (33%) tinham prazo de vencimento em até 180 dias e 74,7 bilhões (16,8%) venciam em até 360 dias.
Na média, segundo informa o diário paulista, cada cliente tem três dívidas diferentes. Os brasileiros financiam a casa, o carro, e ainda fazem mais uma dívida alta em outra operação de crédito – como o consignado, um empréstimo pessoal ou o uso do cheque especial e do rotativo do cartão de crédito.
Da Veja on line "
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Para que criar fantasmas?
Na última semana, alguns colunistas e políticos da oposição abriram baterias contra a regionalização da publicidade do governo federal. Não gostaram de saber que os anúncios da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom), até 2003 concentrados em apenas 499 veículos e 182 municípios, em 2008 alcançaram 5.297 órgãos de comunicação em 1.149 municípios -um aumento da ordem de 961%.
Por incrível que pareça, conseguiram enxergar nesse saudável processo de desconcentração um ardiloso mecanismo de corrupção dos jornais e rádios do interior. Essa seria a explicação para as altas taxas de avaliação positiva do presidente Lula, registrada pelos institutos de opinião.
O raciocínio não tem pé nem cabeça. Vamos aos fatos.
As verbas publicitárias de todos os órgãos ligados ao governo federal permaneceram no mesmo patamar do governo anterior, em torno de R$ 1 bilhão ao ano. Desse total, 70% são investidos por empresas estatais, que não fazem publicidade do governo, mas de seus produtos e serviços, para competir com companhias privadas.
Além disso, os ministérios e autarquias, que respondem por 20% da verba publicitária federal, não podem fazer propaganda institucional, só campanhas de utilidade pública (vacinação, educação de trânsito, direitos humanos etc.). Apenas a Secom está autorizada a fazer publicidade institucional. Para esse fim, seu orçamento é igual ao do governo anterior (cerca de R$ 105 milhões).
Não houve aumento de verbas. O que mudou foi a política. Em vez de concentrar anúncios num punhado de jornais, rádios e televisões, a publicidade do governo federal alcança agora o maior número possível de veículos. Pelo mesmo custo, está falando melhor e mais diretamente com mais brasileiros. Acompanhando a diversificação que está ocorrendo nos meios de comunicação.
A circulação dos jornais tradicionais do eixo Rio-São Paulo-Brasília, por exemplo, está estagnada há mais de cinco anos, próxima dos 900 mil exemplares. No mesmo período, conforme o Instituto Verificador de Circulação, os jornais das outras capitais cresceram 41%, chegando a 1.630.883 exemplares em abril. As vendas dos jornais do interior subiram mais ainda: 61,7% (552.380). No caso dos jornais populares, a alta foi espetacular, de 121,4% (1.189.090 exemplares).
Por que deveríamos fechar os olhos para essas transformações? A dota hoje o princípio da mídia técnica: a participação dos órgãos de comunicação na publicidade é proporcional à sua circulação ou audiência. Houve época em que eram comuns distorções, às vezes bastante acentuadas, a favor dos grupos mais fortes. Isso acabou.
Esses critérios técnicos, amplamente discutidos com o TCU e entidades do setor, têm favorecido a democratização, a transparência e a eficiência nos investimentos de publicidade do governo federal. Não há privilégios nem perseguições. Tampouco zonas de sombra. Muito menos compra de consciências.
É importante ressaltar ainda que a comunicação do governo não se dá principalmente pela publicidade. Esta apenas presta conta das ações mais importantes e consolida algumas ideias-força. O governo comunica-se com a sociedade basicamente por meio da imprensa, respondendo a perguntas, críticas e inquietações.
Para ter uma ideia, em 2008 o presidente Lula deu 182 entrevistas à imprensa, respondendo, em média, a 4,8 perguntas por dia, incluindo fins de semana e feriados. É pouco provável que exista um chefe de governo no mundo que tenha conversado tanto com a imprensa quanto o nosso. Atendendo a todo tipo de imprensa, pois não existe no Brasil só a imprensa do eixo Rio-São Paulo-Brasília. São várias, com percepções e interesses diferentes. Cada uma fazendo o jornalismo que lhe parece mais apropriado e se dirigindo ao público que conseguiu conquistar.
Exemplo: quando Lula lançou em São Paulo o atendimento em 30 minutos aos pedidos de aposentadoria no INSS, os grandes jornais não destacaram o fato. Mas o tema foi manchete de quase todos os jornais populares e diários das demais capitais. O que para uns foi nota de pé de página, para outros foi a notícia do dia.
Por tudo isso, temos que ficar atentos às mudanças na forma como os brasileiros se informam. O crescimento da internet é um fenômeno que abre extraordinárias possibilidades e lança imensos desafios. Não podemos fechar os olhos para a realidade: os jovens, cada vez mais, buscam informações nos portais, nos blogs e nas redes sociais da internet.
Por último, não se sustenta o raciocínio de que as altas taxas de aprovação do governo Lula teriam a ver com um arrastão de compra de jornais e rádios no interior. Basta recorrer ao último Datafolha, que atribui 67% de ótimo e bom para o governo federal nas regiões metropolitanas e 71% no interior. A diferença está situada dentro da margem de erro da pesquisa. Os números são praticamente os mesmos. O resto é preconceito.
O mais provável é que as altas taxas de aprovação do governo tenham uma explicação bem mais simples: a maioria da população está satisfeita com seu trabalho. É legítimo que aqueles que não concordam com tal percepção recorram à luta política para mudá-la. O debate faz parte da democracia. E faz bem a ela. Mas é necessário criar fantasmas?
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"temos que trabalhar com o que temos"
A justificativa do presidente Lula para fazer alianças com Renan Calheiros e José Sarney é muito boa: "temos que trabalhar com o que temos". É possível imaginar que se os nazistas estivessem organizados em partido no Brasil, o presidente não rejeitaria uma aliança com eles.
Postado por Atílio às 6:49 PM 0 Comente Aqui!
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Aliás o nome dele já diz tudo.
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Herança Farroupilha
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Legalização da grilagem
05-Jun-2009
O governo legalizou a grilagem. Não é a primeira vez. No período colonial e no império houve diversas dessas legalizações.
A mais escandalosa até o presente foi a legalização permitida pela Lei de Terras de 1850. O Registro Paroquial instituído por essa lei permitia aos poderosos fazendeiros, mediante simples declaração, legalizar posses com o vigário da sua cidade, cabendo ao declarante indicar o tamanho e os limites dessas terras! Desse modo, as sesmarias caducas (terras públicas, portanto) foram legalizadas e formaram os enormes latifúndios que perpetuam até hoje a escandalosa concentração da propriedade da terra.
Mas, agora, a Medida Provisória 458, aprovada esta semana no Senado, foi mais longe: entregou 67 milhões de hectares de terras a grileiros que tomaram posse ilegalmente de terras devolutas já arrecadadas pelo Estado e matriculadas nos registros públicos como terras públicas. Desse modo, pessoas que deveriam ser criminalmente processadas foram aquinhoadas com a faculdade de comprar, por dá cá aquela palha, as terras que usurparam da reforma agrária.
A medida é totalmente inconstitucional e visa unicamente "lavar" títulos ilegítimos de terra (como se lava dinheiro do narcotráfico) para que seus detentores - os grileiros - possam transferi-los aos mega agronegócios nacionais e estrangeiros. Esses honrados empresários não querem confusão com a Justiça quando forem montar as enormes fazendas de produção de soja, cana-de-açúcar para fabricação de etanol, carne e exploração madeireira naquela região.
Além de inconstitucional, a Medida Provisória representa um enorme prejuízo ecológico, pois já não há mais quem desconheça que a região amazônica é imprópria para o tipo de exploração que essas empresas irão implantar.
Infelizmente, o estado de anomia da sociedade brasileira é tamanho que uma monstruosidade destas passa no Congresso sem maiores manifestações dos diversos setores sociais.
Se nem a entrega de terras que a Constituição destinou à reforma agrária nem o comprometimento do equilíbrio ecológico de uma região sabidamente vulnerável conseguem tirar a opinião pública do estado letárgico em que se encontra, não há muita esperança de que a consideração do risco à soberania nacional sobre aquela região consiga provocar alguma reação.
De qualquer forma, contudo, é preciso deixar registrado aqui: a Medida Provisória, agora convertida em lei, se não for fulminada pela Justiça, marcará o início de um novo período na história do país – uma mudança de qualidade no histórico de "entreguismo" da burguesia brasileira. Até hoje essa burguesia desfibrada entregou ao capital estrangeiro a propriedade da indústria, das finanças, do comércio e dos serviços. Mas ainda não havia cedido a propriedade da terra, porque o domínio da terra é a condição primeira da soberania.
Não é preciso lembrar o Acre para saber o que acontece quando um país deixa que a maioria das terras de uma região caia em mãos de estrangeiros. Na década de setenta, os militares, preocupados com a compra de terras por estrangeiros na Amazônia, fizeram editar uma lei que punha limites nessas transações.
A conjuntura que estamos vivendo é a mais adversa que a Nação brasileira já enfrentou, de modo que toda reação parece inútil. Mas que ninguém se iluda: a história cobrará desta geração a entrega da Amazônia ao capital estrangeiro.
Quem não quiser que seus descendentes carreguem essa vergonha, precisa se manifestar agora.
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Há 30 anos morria John Wayne, um dos maiores "caubóis" do cinema
Há 30 anos morria John Wayne, um dos maiores "caubóis" do cinemaApesar de ter nome de mulher - ele se chamava Marion -, John Wayne foi uma das maiores personificações do legítimo macho durão e conservador, tanto nas telas como fora delas. Nascido em 26 de maio de 1907, Wayne entrou para a história do cinema como um de seus maiores ícones. Fumante inveterado, morreu em 11 de junho de 1979 por conta de um câncer.
Natural de Iowa, Wayne se mudou para a ensolarada Califórnia com a família aos quatro anos de idade. Por ser um bom jogador de futebol americano, conseguiu uma bolsa de estudos na USC (Universidade do Sul da Califórnia, na sigla em inglês), mas um ferimento o tirou do time. Quando isso aconteceu, ele passou a trabalhar em uma sorveteria cujo dono colocava ferraduras nos cavalos para os filmes de Hollywood. Foi assim que acabou conhecendo o astro de westerns mudos, Tom Mix, que conseguiu arranjar um trabalho de auxiliar de contra-regas para Wayne nos estúdios locais. Aos poucos, ele começou a fazer pontas nos filmes e foi aí que desenvolveu uma amizade com aquele que seria um dos maiores diretores do gênero, John Ford.
Em 1939, foi Ford quem transformou Wayne em astro de primeira grandeza quando o colocou no papel do bandido heróico Ringo Kid em Nos Tempos das Diligências. Wayne acabou trabalhando com o diretor em mais de 20 filmes, como no clássico Rastros de Ódio. Neste filme, ele fazia o papel do rude Ethan Edwards, homem racista e intragável, que parte numa busca de sete anos para resgatar a sobrinha raptada por índios. Sua predileção pelo personagem foi tanta que deu o nome de Ethan para um de seus filhos. Outro grande filme da parceira Ford/Wayne foi O Homem que Matou o Fascínora, que consagrou a máxima "quando a lenda é maior que a verdade, publica-se a lenda".
Fora das telas, Wayne era considerado um radical de direita, tendo sido um ativo perseguidor de "comunistas" na caça às bruxas dos anos 50, um defensor da guerra do Vietnã e até mesmo um racista declarado. Em uma entrevista para a revista Playboy nos anos 70 chegou a declarar: "não podemos de repente ajoelhar e desistir de tudo para os negros. Eu acredito na supremacia dos brancos até que os negros sejam educados a um ponto de responsabilidade". Sobre os índios ele disse: "era uma questão de sobrevivência. Precisávamos de terras que os índios egoisticamente tentavam manter para si".
Essa postura belicista e radical o levou a produzir, dirigir e atuar, em 1968, Os Boinas Verdes, único filme a defender a presença americana no Vietnã. Apesar disso, Wayne era muito admirado, até mesmo por seus desafetos. O radical de esquerda Abbie Hofmann chegou a dizer que gostava do estilo de Wayne, justificando que mesmo um homem das cavernas podia admirar o dinossauro que estava tentando engoli-lo.
Não foram poucos os pedidos para que Wayne entrasse para a política, mas ele achava patético um ator governando. Apesar disso, não hesitou em apoiar publicamente Ronald Reagan quando este se tornou governador da Califórnia.
Por ser um fumante inveterado, teve que remover o pulmão esquerdo e quatro costelas em 1964 devido a um câncer. Nos anos 70 foi diagnosticado com um câncer de estômago. Antes de morrer, teve a coragem de interpretar um velho cowboy com a doença em O Último Pistoleiro ao lado de Jimmy Stewart. Com 142 filmes no currículo e um Oscar de melhor ator por Bravura Indômita, faleceu em 11 de junho de 1979. Ele havia pedido que sua lápide tivesse o epitáfio "Feio, Forte e Formal", mas por 20 anos ela ficou sem inscrições até que foi colocada justamente uma de suas respostas à polêmica entrevista da Playboy: "o amanhã é a coisa mais importante da vida. Vem para nós à meia-noite, limpo. É perfeito quando chega e se coloca em nossas mãos. Espera que tenhamos aprendido alguma coisa com o ontem".
Especial para Terra
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Em 2002 o PMDB foi formalmente com Serra e não serviu para muito coisa
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