domingo, 4 de setembro de 2011

Citando governo paralelo, Simon critica José Dirceu e Lula

Citando governo paralelo, Simon critica José Dirceu e Lula

Terra Magazine
30/08/2011 • 18h49

O senador Pedro Simon (PMDB-RS) fez uma espécie de alerta à presidente Dilma Rousseff nesta terça-feira no plenário do Senado. Segundo ele, os encontros do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do ex-ministro José Dirceu com membros do atual governo podem enfraquecer a autoridade dela. Para o peemedebista, que fez questão de dizer que não acredita na prática de "negociatas ou atos ilícitos" entre os envolvidos, esses encontros poderiam ser confundidos com um governo paralelo. As informações são da Agência Senado.

"O que o senhor José Dirceu está fazendo num quarto de hotel com o presidente da Petrobras (José Sérgio Gabrielli) aqui em Brasília? Estariam fazendo o quê? Discutindo política. E é competência do senhor José Dirceu conversar com o presidente da Petrobras, num hotel, discutindo política? É competência do senhor José Dirceu ter uma série de pessoas, uma série de ministros, num quarto de hotel em Brasília, discutindo política?" disse o senador.

Pedro Simon afirmou ainda que "todo dia" o ex-presidente Lula aparece na imprensa "falando com o ministro, falando com o governador, com o parlamentar". O senador disse que Lula nunca falou mal da atual presidente e que sempre reforçou a tese de que, em 2014, ela será candidata à reeleição. Porém, questionou se essas reuniões não seriam um "governo paralelo". "São essas coisas que estão ficando graves. E alguém se pergunta então se a presidente Dilma não está recuando. Eu digo que não", afirmou.

Simon ressaltou que Dilma tem um "estilo sóbrio" de governar, em que as pessoas indicadas pelos partidos para o governo devem ter ficha limpa, biografia transparente e competência para exercer o cargo que desempenham. E que, quando há necessidade, ela afasta seus subordinados "sem estardalhaço". "Na Câmara, no Senado, líderes, partidos iam fazer represálias", disse ele, que afirmou ainda não acreditar que ela "retroaja na sua maneira de ser".

Pedro Simon concluiu o pronunciamento dizendo que "reza" para que a presidente tenha coragem e que "não se assuste com alguns, principalmente do PT e do PMDB", pois o que for feito no governo será cobrado pelo povo na rua.

Espantoso! Supreendente! Lula critica a imprensa

Espantoso! Supreendente! Lula critica a imprensa

Adriana Vasconcelos, O Globo

Na rápida passagem pelo IV Congresso Nacional do PT, que teve início na noite de [ontem], o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva admitiu que pela primeira vez, ao iniciar um pronunciamento, não sabia o que dizer, temendo se meter nas questões internas do partido ou do governo.

Mas rapidamente recobrou a verve usada nos oito anos que governou o país, primeiro criticando a imprensa e depois manifestando solidariedade à sua sucessora Dilma Rousseff, defendendo a sua reeleição daqui a quatro anos.

- Ninguém pode cobrar de você, Dilma, o que você não teve tempo de fazer. Ainda mais uma pessoa que vai governar quatro, oito anos - afirmou o ex-presidente, numa tentativa de desfazer os rumores crescentes na base governista de que Dilma poderá desistir da reeleição em favor de Lula.

E sob os aplausos da plateia, Lula criticou duramente a imprensa, reclamando que esta gosta de colocar na sua boca muita coisa que nunca disse.

- Muitos que falam em democracia, não exercitam essa democracia. Eu li num jornal que ia ter uma nota de apoio ao José Dirceu com o meu aval. É mentira, porque não disse isso. Mas já que estou aqui, vou dar o meu aval. Não é possível que essas pessoas escrevam tanta mentira - reclamou.

Transição

Transição

Merval Pereira, O Globo

"A presidente Dilma busca um caminho para se afirmar, e nessa busca recua e avança à medida que as circunstâncias e suas forças políticas permitem avanços ou exigem recuos.

O PT agora mesmo, no seu IV Congresso que se realiza em Brasília, vai criticar a faxina contra a corrupção e voltar a velhas teses que já estavam arquivadas pela própria Dilma, de controle social dos meios de comunicação.

Uma postura contrária ao que a presidente Dilma pensa, explicitada pelo engavetamento do projeto do ex-ministro Franklin Martins pelo atual ministro das Comunicações Paulo Bernardo.

A retomada da proposta tem sua origem na reportagem de capa da revista "Veja" sobre o ex-ministro José Dirceu, que, se sentindo perseguido, trabalhou politicamente dentro do PT para que o partido assumisse novamente essa bandeira.

Trata-se de um governo que está tentando encontrar seu caminho, o mais das vezes de maneira atabalhoada, às vezes sem apoio de sua própria base como no caso da faxina, ocasião em que teve o apoio de parte importante da oposição, representada pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

Dessa vez, na decisão dos juros, o governo teve o apoio de outra parte do PSDB, representado pelo ex-governador José Serra, que por sua vez não apoiava a faxina, identificando-a como uma manobra marqueteira.

O fato é que a política brasileira está muito confusa neste momento, em que ninguém é de ninguém, ninguém tem compromissos."

Em documento, PT recusa ‘faxina’ de Dilma e pede reforma contra corrupção

Em documento, PT recusa ‘faxina’ de Dilma e pede reforma contra corrupção

Partido abre seu 4º Congresso, no qual apresentará resolução que evidencia incômodo com demissões promovidas nos ministérios sob suspeitas de irregularidades e desvios

Em uma resolução política de 24 páginas, o PT não conseguiu esconder o incômodo com a chamada "faxina" promovida pelo governo da presidente Dilma Rousseff, que derrubou quatro ministros em dois meses e 12 dias. Sob o argumento de que a oposição, apoiada por uma "conspiração midiática", quer dissolver a base parlamentar do governo, o documento que guiará os debates do 4.º Congresso do PT - desta sexta-feira, 2, a domingo, 4, em Brasília - não faz rodeios. A recomendação é para o partido repelir as "manobras" para promover a "criminalização generalizada" da base aliada.

O texto, obtido pelo Estado, diz que o núcleo de combate à corrupção reside na reforma política e do Estado. Não tece críticas à conduta de Dilma, mas faz questão de defender o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, citando as medidas tomadas por ele para o "combate implacável" à corrupção. Nos bastidores, petistas temem que ações de Dilma acabem carimbando o governo Lula como "corrupto", já que todos os demitidos foram herdados da gestão passada.

O PT atribui a turbulência no governo, provocada pelas demissões na Esplanada e em repartições dos Transportes e da Agricultura, à oposição "e a seus aliados na mídia conservadora". Para a cúpula petista, é mais do que necessário discutir no Congresso o marco regulatório da comunicação social.

"A oposição, apoiada - ou dirigida - pela conspiração midiática que tentou derrubar o presidente Lula, apresenta-se agora liderando uma campanha de ‘apoio’ à presidente Dilma, para que esta faça uma "faxina" no governo", diz o texto.

Na sequência, o documento constata que políticos "sem credibilidade", e "omissos" no combate à corrupção em seus próprios Estados, tentam agora "dissolver a base parlamentar do governo Dilma", a fim de bloquear suas iniciativas.

Com sinal verde da Executiva Nacional do PT, reunida na quinta-feira, 1º, o texto ainda poderá sofrer emendas e mudanças no Congresso petista, amanhã. O encontro, a ser aberto nesta sexta com festa por Dilma e Lula, foi convocado para reformar o estatuto do PT.

Reforma

O partido faz a defesa genérica de alianças, em 2012, com siglas que apoiam o governo. As maiores polêmicas serão desidratadas, para não causar constrangimento a Dilma. O presidente do PT, Rui Falcão, disse que a luta contra os malfeitos é um compromisso "inarredável" e sem trégua. "Mas o núcleo desse combate à corrupção há de ser travado por meio de uma reforma política eleitoral e de uma reforma do Estado."

Disposto a mostrar apoio a Dilma, o PT afirma na resolução que as substituições na equipe ministerial e as disputas "naturais" no Parlamento não paralisaram os programas do governo. Mesmo assim, destaca que a dinâmica de um governo de coalizão requer da presidente a manutenção de iniciativas, "com o cuidado de não baixar a guarda".

Seis anos após o escândalo do mensalão, o PT aproveitará a segunda etapa de seu 4.º Congresso - a primeira foi no ano passado, quando oficializou a candidatura de Dilma ao Planalto - para pregar o financiamento público das campanhas. O partido diz que, para vencer a "batalha" da opinião pública, será preciso desmontar armadilhas da "espiral do cinismo", que aceita a corrupção como "inevitável".

Embora o Banco Central tenha reduzido a taxa básica de juros de 12,5% para 12% ao ano, o PT avalia que tanto a Selic como a questão do câmbio precisam se enfrentadas com "medidas mais ousadas". "O câmbio elevado é uma ameaça à economia brasileira", afirma o texto.


(Por Vera Rosa, de O Estado de S.Paulo, 2-9-2011)

sábado, 3 de setembro de 2011

Greve dos professores e lixo linguístico

Greve dos professores e lixo linguístico
Imagino a luta imensa dos professores/as de língua portuguesa contra essa maré gigantesca de maus tratos contra nossa mal tratada nossa língua, marcada por gerundismos baratos, por vícios e incorreções redacionais e orais. O pior de tudo é quando ouvimos, vemos e lemos boa parte de nossos colegas em toda a parte e níveis escreverem e falar muito mal. Alguns até por ocupar cargos de chefia não admitem correções nem os “subalternos”, principalmente os puxa sacos e subservientes, ousam corrigir. Há professores/as que trabalham disciplinas outras, que não a língua portuguesa, que não se dão ao trabalho de aprender um bocadinho de gramática, tanto na fala cotidiana como na comunicação formal. Conheço um que fala muito em mercado, em defesa do neoliberalismo, &nbs p;mas que comete erros de arrepiar e de doer os ouvidos, quando sou obrigado a ouvi-lo ou a ler o lixo lingüístico nos e-mails que nos envia. Cada vez que o ouço sofro de dores intestinais. Ele e outros são péssimos exemplos para a formação lingüística dos/as alunos/as.
Parece marca registrada que administradores/as de empresas, contabilistas, engenheiros, médicos/as, enfermeiros/as, psicólogos/as, jornalistas (esses são lamentáveis) e outros profissionais desobriguem-se ao respeito à nossa língua, puxando-a para o ralo da vulgaridade e da miséria cultural. Há pessoas formadas em cursos superiores que se sentem mal em falar e escrever corretamente por temerem a pecha de pedantismo. No entanto, não se furtam à falta de ética de ser fofoqueiras, dedo duros, divisionistas, arrogantes, subservientes, puxa sacos, puxa tapetes, “nariz empinado” etc. Raciocinam que escrever e falar corretamente as tornaria formais e distantes do meio em que vivem. Equivocam-se. Na verdade, o que torna as pessoas distantes das outras é a visão de mundo. As omissas, as alienadas, as subservientes à ide ologia dominante é que se colocam fora do convívio dos iguais, num clima de enganosa superioridade. As pessoas que pensam, que refletem, que falam e escrevem corretamente, mas que se inserem na luta por transformações e que se articulam com o povo e com as pessoas com quem trabalham, num permanente espírito de serviço, não são arrogantes nem contadas como tal.
Há coisas ditas, principalmente ditas, que fazem doer os ouvidos. São afrontosos os tais de “a nível de”, “com certeza”, isso principalmente por parte de quem lida com a educação e com a ciência, cujos territórios são marcados privilegiadamente pelas incertezas, é inaceitável; o excesso de verbos, causam arrepios, como por exemplo, “vou estar viajando amanhã”; erros de número como "a unha", "o dente", "o pulmão", "o quadril", "o rim", "lavar a mão", "mais" em vez de mas etc. Afinal, vou, viajo ou estou? Tenho uma só unha etc? E o tal de gerúndio, então? É triste ligar para a operadora de meu celular e ouvir aquele pessoal iniciar a conversa com a droga da pergunta: “em que posso estar te ajudando?”
Por outro lado, há que pensarmos na greve nacional dos/as professores/as. A Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) articula greve geral exigindo dos governos municipais, estaduais e federal o cumprimento da Lei do Piso Salarial que determina que os/as professores/as de formação de nível médio, que cumprem carga horária de 40 horas semanais, não ganhem menos do que do que R$950,00. Viste o valor? É exatamente isso. Os/as colegas têm que fazer greve, piquetes, pressões e mobilizações para exigir ganhar não menos do que esse valor aí. Atualmente, segundo pesquisa da Confederação Nacional dos Municípios (CNM), a grande maioria das prefeituras paga aos/às seus/suas professores/as entre R$587,00 e 1.011,39.
A forma como os poderes públicos e privados lidam com os/as professores/as é dos mais espetaculares maus exemplos de anti-educação. Nenhum/a professor/a trabalha somente as alegadas horas de regência de classe em sala de aula. A carga de trabalho que cada professor/a leva para casa em correção de trabalhos, provas e os malditos diários de classe é descomunal e atentatória aos direitos humanos, que causa doença, estresse e problemas familiares. Além disso, não há como os/as professores/as estudar e fazer cursos sob esse regime de exploração e cansaço. Nessa perspectiva da safadeza do sistema de ódio à educação, que se implantou no Brasil desde o golpe que instaurou a ditadura em 1964, corroborado pelo neoliberalismo de Fernando Collor e de Fernando Henrique Cardoso, e ainda defendido por falsos educadores, transformando o ensino em privilégio restrito à classe dominante e em produto comercial caro e de má qualidade para os/as trabalhadores/as, tem que sofrer mudanças. Efetivamente, essa luta se encontra na pauta das pressões dos/as professores/as em nível nacional agora, que devemos apoiar. Devemos reforçar em todas as frentes a luta para que 50% do Fundo Social do Pré-sal destine-se à educação. Os governos devem comprar vagas nas instituições particulares, onde não houver prédios públicos, para que nossa juventude estude gratuitamente e aumentar as capacitações salarial, teórica e prática de nossos/as professores/as. É evidente que a educação não faz transformações econômicas, sociais e políticas, mas, como dizia Paulo Freire, não há como construi r desenvolvimento sem ela. Esta é questão de direitos humanos. Esta é processo permanente. Como dizia Marx: os educadores devem ser educados, também. A educação justa em todos os sentidos é direito de todos nós. As lutas por mais justas condições para a educação são altamente educativas. Nessa luta até nossa fala e linguagem melhoram. Os/as professores/as que se omitem a elas incorrem em falta de ética e em falta de respeito à educação.
Por isso temos que alegrarmo-nos com a vitória da democracia. Nos governos de Lula e de Dilma as lutas dos/as trabalhadores/as não são tratadas como caso de polícia, como fez José Serra e Geraldo Alkmim em São Paulo, jogando a polícia sobre professores/as, alunos/as, outros/as trabalhadores/as e a própria polícia quando entrou em greve. As lutas sociais nunca foram e nunca serão objeto de polícia, mas de políticas públicas justas. Só não percebem isso Nelson Jobim e Silas Malafaia, que votaram em José Serra por mesquinhos e medíocres interesses pessoais.
Viva a greve dos/as professores/as. Viva a educação de qualidade, com professores/as bem pagos/as e politicamente comprometidos/as.



Contribuição de Dom Orvandil Moreira Barbosa, bispo da Diocese Brasil Central - IATB. Filósofo e profesor universitário, envolvido na luta pelas transformações sociais, políticas e econômicas.

Haddad: "Possibilidade de aliança entre PT e PMDB no 1º turno é remota"

Haddad: "Possibilidade de aliança entre PT e PMDB no 1º turno é remota"
2 de setembro de 2011 08h24 atualizado às 08h38





Bacharel em Direito, mestre em Economia e doutor em Filosofia, o ministro da Educação, Fernando Haddad, tem o desafio de se tornar o candidato do PT à Prefeitura de São Paulo em 2012. Mais do que isso: aos 48 anos, com fala serena e terno sempre alinhado, precisa ganhar musculatura para fazer campanha, conquistar a militância do partido e justificar todo o apoio que o ex-presidente Lula e a presidente Dilma Rousseff dão à sua candidatura.

Não é tarefa simples. Entretanto, na entrevista exclusiva que concedeu a Terra Magazine, em seu gabinete em Brasília, o ministro mostrou que já se articula com os dirigentes do PT em São Paulo e que tem consciência de que uma aliança com o PMDB no primeiro turno é uma "possibilidade remota".

Sobre ministério, Haddad fala com tranquilidade, valida-se de muitos dados e termos técnicos, ao estilo Dilma Rousseff, e mostra-se bem mais confortável do que quando o assunto em pauta é eleição.

Mesmo assim, o ministro diz que "já tem alguns anos" que conversa com o ex-presidente sobre uma possível candidatura em São Paulo, e que o partido está aberto a ajudá-lo no que for preciso.

Confira a seguir as principais partes da entrevista

Terra Magazine - O senhor é ministro da Educação desde 2005. Acredita que o ProUni (Programa Universidade para Todos) foi a grande conquista de sua gestão?
Fernando Haddad - O ProUni é um programa de muita visibilidade e que vai atingir, até o final desse ano, a marca de um milhão de bolsas concedidas. Então, não há como negar a sua importância, sobretudo para aqueles que não tinham a possibilidade de acesso ao ensino superior. Agora, do ponto de vista estrutural, eu penso que a marca que nós vamos deixar é o Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE), que promoveu a maior reforma educacional que o Brasil viveu e que atingiu desde a educação infantil à pós-graduação, passando pelo ensino fundamental, médio, expansão das universidades, fixação das metas de qualidade, criação de indicadores que são monitorados pela sociedade, enfim, um conjunto de ações aderido por 5.563 prefeitos e 27 governadores. O PDE, do qual o ProUni faz parte, é uma visão de conjunto e é o que, na minha opinião, vai ficar para a história da educação do país.

E o que ainda falta fazer?
Nós temos três projetos importantes no Congresso Nacional: o Pronatec (Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego), que foi aprovado na Câmara na quarta-feira (31) com mínimas alterações; a empresa pública de gestão dos hospitais, que vai garantir que 100% dos leitos dos hospitais sejam vinculados ao SUS (Sistema Único de Saúde); e o Plano Nacional de Educação (PNE), que institucionaliza a cultura do Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE) lançado em 2007, e projeta a educação brasileira para 2020. Se nós aprovarmos mais essas três iniciativas, eu diria que a reforma educacional que pretendíamos fazer prepara o país para os próximos dez anos.

Os problemas com o Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) - prova roubada em 2009 e os erros de impressão no gabarito em 2010 -, foram alvos de duras críticas para o MEC. Quem errou?
Quem errou já foi punido. O criminoso que furtou a prova do Enem em 2009 foi condenado a mais de cinco anos de prisão. E eu penso que se fez justiça num prazo relativamente curto. Pouco mais de um ano depois do crime, veio uma punição em primeira instância e o Ministério Público (MP) pediu pena mais severa, com a qual eu concordo, porque foi um crime contra o Estado e a juventude. E o Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira), que sofreu um abalo muito grande em função dessa agressão, vem se restabilizando e, a meu ver, reencontrando seu caminho como um dos melhores institutos de pesquisa educacionais do mundo.

E os erros de impressão em 2010?
A gráfica assumiu. Ao contrário de 2009, a gráfica assumiu 100% dos prejuízos e reaplicou-se a prova para 0,1% dos candidatos que não tiveram a oportunidade de substituir seus cadernos de prova. Não houve necessidade de ação judicial.

O senhor sabe quem, se for candidato à Prefeitura de São Paulo em 2012, isso poderá ser usado contra o senhor na campanha.
Eu espero discutir o Enem com muita tranquilidade. Espero que seja um tema de campanha, porque nós colocamos três milhões de pessoas a mais para estudar nas universidades graças ao Enem. Primeiro, como porta de entrada do ProUni e, depois, como porta de entrada da expansão das universidades federais. Será excelente se esse assunto entrar em pauta.

Na última semana de agosto, a prova ABC (feita com seis mil alunos do 3º ano do ensino fundamental em todas as capitais do país) trouxe resultados negativos para a educação no Brasil. Somente 32% dos alunos tiveram o desempenho esperado. Como o senhor encara essa estatística e o que é preciso fazer para melhorá-la?
A qualidade da educação no Brasil vem melhorando segundo todos os indicadores. Acho incrível que ainda haja especialistas que neguem as evidências empíricas e recusem os números que não são do Ministério da Educação, mas de organismos internacionais, dando conta de que nós promovemos uma inflexão positiva da curva de qualidade da educação no país. Hoje, o que se discute é o ritmo da melhora e não a melhora propriamente dita.

A importância dessa prova ABC é a seguinte: ela revela que as desigualdades educacionais começam muito cedo, o que estimula os investimentos que o MEC decidiu fazer ainda em 2007 na educação infantil. Incluímos a educação infantil no Fundeb (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica) e criamos o inédito programa de expansão da rede física de creches e pré-escolas, o Pró-Infância, que a presidenta Dilma incluiu no PAC 2, ou seja, transformou num programa estratégico do seu governo, com o compromisso de convênio para a construção de mais 6 mil novas unidades até 2014. Não é a escola em si, é todo um preparo que tem que ser feito junto às famílias e junto aos estabelecimentos de educação infantil para que essas desigualdades não se reproduzam ao longo do ciclo educacional.

Sobre as eleições municipais em São Paulo: quando e como o ex-presidente Lula disse ao senhor que o queria como candidato do PT?
Na verdade, o presidente Lula é uma pessoa muito comprometida com a renovação do partido. Eu sempre faço menção a uma característica dele pouco notada, que é o fato de ele ter promovido muitos secretários nacionais, secretários executivos e assessores à condição de ministro, como Alexandre Padilha (Saúde), Orlando Silva (Esporte), eu mesmo, Izabela Teixeira (Meio Ambiente) e por aí vai... Para usar uma metáfora futebolística tão ao gosto dele: o presidente Lula é um olheiro, ele observa as pessoas e verifica como promover quem considera que está politicamente engajado, mas que tem a capacidade de executar com uma máquina pública tão debilitada como é a do Estado brasileiro. A partir desse momento, ele estimula para promover uma política renovada, arejada, oxigenada, com novas ideias, com novos quadros...

É isso que ele aposta no senhor.
Aí não seria adequado falar. Sobre mim, especificamente, ele é que tem que dizer. Mas o que eu noto é que ele tem uma satisfação pessoal em oferecer oportunidades para todos que considera capaz de renovar a política no Brasil.

E quando ele avisou que estava sendo "olheiro" do senhor?
Desde que ele me convidou para ministro.

Mas e para ser candidato em São Paulo?
Já tem alguns anos que a gente conversa sobre São Paulo. Mas, a partir do momento em que ele dá oportunidade para alguém que não tem a trajetória, digamos, tradicional na política, e oferece a condição de ser ministro do governo dele, o que ele está sinalizando, não é?

Assim como a presidente Dilma, o senhor teve uma carreira bastante administrativa. O que o senhor precisa ganhar ou aprender para se tornar um candidato - mais do que isso, o candidato de Lula e da presidente Dilma?
É uma trajetória completamente diferente da que eu vivi até aqui, então terei que passar por um processo de adaptação e aprendizado muito grande pela frente. Mas o que eu noto no PT é uma disposição em colaborar com isso. As pessoas com mais experiência em eleições, campanha, montagem de governo, estão se mostrando muito solícitas e disponíveis para conversar comigo. Você não procura um dirigente e ele desconversa. Ao contrário, ele diz: "independente do meu alinhamento com a sua candidatura, eu vou te ajudar". O clima é de cooperação.

Mas, pessoalmente, o que o senhor acha que precisa para ser um candidato?
Eu preciso fazer o que me dispus a fazer. Preciso participar das caravanas que estão sendo, para mim, mais que para os outros, muito importantes. Porque dos outros quatro pré-candidatos (senadores Marta e Eduardo Suplicy e os deputados federais Jilmar Tatto e Carlos Zarattini), dois já foram candidatos à prefeitura - a Marta três vezes e o Eduardo, duas. Pessoas a quem já foi oferecida uma oportunidade no passado para a estreia. E sempre tem uma estreia.

E a aproximação com a militância?
Preciso disso e acho que as caravanas e discussões vão me ajudar.

O ex-presidente chamou os quatro pré-candidatos do PT para uma conversa reservada (exceto Eduardo Suplicy). O senhor foi o primeiro a ser recebido e fez a reunião mais demorada. Lula disse que iria costurar o apoio em torno do senhor naquela tarde?
Não. Nós não tratamos das outras candidaturas, nós falamos de São Paulo. Ele queria saber como andavam as conversas com os dirigentes, quis se apropriar do que estava acontecendo para poder ajudar. Acredito que foi uma conversa parecida com todos.

O ex-presidente falou alguma coisa sobre pedir para que a senadora Marta Suplicy permanecesse no Senado, assim como já pediu a presidente Dilma Rousseff?
Não. De maneira nenhuma.

E sobre a possibilidade de desistência dos outros candidatos, evitando assim as prévias internas no PT. O senhor e Lula já falaram sobre isso?
Não, não, ele nunca tratou disso. Nem naquele dia nem em nenhum outro, até porque ele sabe que não depende de uma única pessoa a realização ou não das prévias. É um processo complexo e dinâmico.

O senhor já está costurando o apoio em torno da sua candidatura com as lideranças do PT em São Paulo? Como estão as conversas?
Uma vez que uma das minhas colocações preliminares sobre essa pré-candidatura era a de que, de segunda a sexta-feira, eu estaria 100% envolvido nas minhas atividades do MEC, nos poucos momentos que tenho fora das caravanas, eu me dedico ao diálogo interno com os vereadores, deputados estaduais e federais, com os dirigentes do diretório municipal, estadual e nacional, para ouvir as expectativas dessas pessoas e me colocar como alguém que quer que o processo de escolha de um nome para 2012 termine em unidade.

Alguns dias depois de receber os pré-candidatos petistas, o ex-presidente recebeu o deputado federal Gabriel Chalita, pré-candidato do PMDB à Prefeitura de São Paulo. O senhor acredita numa chapa única com Chalita, com o PT na cabeça?
Olha, nesse momento eu acredito que há uma grande possibilidade de PT e PMDB estarem juntos num segundo turno. Estarem juntos num primeiro turno é uma possibilidade remota.

Tem gente no PT que acha que é melhor ter dois candidatos, um do PT e um do PMDB, para minar o caminho do PSDB na capital; enquanto outros querem essa chapa única, como no governo federal. Com quem o senhor concorda?
São cálculos políticos que vão ser feitos no momento adequado. É importante estabelecer essas pontes desde logo para que haja unidade em torno de um mesmo plano para a cidade.

Se não foi sobre chapa única, então o que o senhor acha que Chalita foi falar com Lula?
Não participei da conversa, mas imagino que os dois falaram dessa ponte necessária, até pelo papel decente que o Chalita teve na campanha da presidente Dilma em 2010, de impedir que aquela campanha subterrânea, de difamação e calúnia, prosperasse no seio de pessoas que têm suas crenças, sua fé, que merecem todo o respeito, mas que estavam sendo influenciadas por propaganda enganosa e anônima.

Se a sua candidatura emplacar de vez no PT, quando o senhor irá deixar o Ministério da Educação para fazer campanha?
Quando falei com o presidente Lula e a presidenta Dilma sobre o assunto, eu assegurei que, enquanto tivesse condições de cumprir meu papel no ministério adequadamente, eu gostaria de permanecer no MEC, mas, evidentemente, é preciso ter muita responsabilidade e saber o momento correto de sair.

O ex-presidente Lula gostaria que o senhor saísse em campanha logo, enquanto a presidente Dilma prefere que o senhor fique um pouco mais no cargo...
Não houve esse tipo de conversa sobre datas, até porque seria prematuro. Temos ainda uns dois ou três meses de trabalho junto ao Congresso para o MEC e as caravanas, que ainda estão começando.

E quem será seu sucessor?
Isso cabe à presidenta escolher.

Acredita que o MEC ficará com um dos petistas que pleiteiam a candidatura à Prefeitura de São Paulo, como a senadora Marta Suplicy?
Realmente prefiro não comentar. Um assunto desses é uma prerrogativa quase que exclusiva do chefe do Executivo. Jamais fiz um movimento no sentido de ser convidado para ser ministro da Educação e tive a honra de ser convidado três vezes. Se eu não fiz por mim, imagina por outros. Isso seria deselegante com a presidenta. Quanto menos constrangimentos nós causarmos, melhor.

por: Terra Magazine

Comentário Luiz Carlos Prates (31/05/2011) - "Reajuste professores"

Documentos revelam ligação entre CIA e Kadhafi

WASHINGTON, EUA, 3 Set 2011 (AFP) -Documentos descobertos em um prédio do governo líbio revelam ligações estreitas entre a CIA e os serviços de inteligência do regime de Muamar Kadhafi durante o governo de George W. Bush, revela The Wall Street Journal nesta sexta-feira.

Durante o governo de George W. Bush (2001-2009), a CIA entregou suspeitos de terrorismo ao regime de Kadhafi, sugerindo a linha de interrogatório, afirma o jornal, que cita documentos descobertos na sede de um órgão de segurança em Trípoli.

Em 2004, a CIA estabeleceu "uma presença permanente" na Líbia, diz uma mensagem de Stephen Kappes, um dirigente da agência, dirigida a Mussa Kussa, chefe dos serviços de inteligência líbios entre 1994 e 2009.

A mensagem começa com "Querido Mussa" e está assinada por "Steve", destaca The Wall Street Journal.

O despacho foi descoberto por membros da Humabn Rights Watch (HRW), que o entregaram à imprensa.

Em Londres, o jornal The Independent publicou informação similar sobre ligações entre os serviços líbios e britânicos na mesma época.

ao/lr

Rebeldes deixam armas à espera de fim de negociação com Sirte

Demonstrando confiança na rendição negociada de Sirte e dos últimos focos de resistência das forças pró-Muammar Kadafi, os líderes das tropas rebeldes líbias pediram nesta sexta-feira aos combatentes que entraram vitoriosos em Trípoli para voltarem a suas províncias, pois consideram que a capital está a salvo. A retirada faz parte de um plano elaborado pelo Conselho Militar dos insurgentes para redistribuir as forças e restabelecer o clima de normalidade no país e na capital.

Em entrevista à agência EFE, Hamis Zintani, comandante das forças rebeldes, admitiu que "levou algum tempo para desarmar a população, construir postos de controle e garantir alguns objetivos estratégicos, porque algumas de nossas tropas não estão bem treinadas para isso". Para o comandante, tudo está preparado para que soldados de Trípoli assumam o controle da segurança na capital.

"A polícia demorou a sair às ruas porque tinha medo de que a população a associasse ao antigo regime. Medo de que alguns vão tentar a revanche por conta própria, mas pouco a pouco foram saindo e vendo que não há perigo", disse. "Agora já está todo organizado, e temos número suficiente de policiais. Há muitos jovens que podem ser úteis à revolução em suas cidades", acrescentou.

Praticamente do outro lado do país, em Naufaliya e Ben Jawad, que ficam a cerca de 150 quilômetros a leste de Sirte, o último grande reduto kadafista, os rebeldes esperam literalmente com os braços cruzados a evolução dos eventos. O Conselho Nacional Transitório (CNT) ampliou até sábado da semana que vem o prazo para que os partidários de Kadafi se rendam de maneira pacífica.

Muitos rebeldes aproveitaram a sexta-feira para celebrar a festividade muçulmana do Eid ul-Fitr, que marca o fim do Ramadã, apesar de à noite terem sido registrados alguns confrontos esporádicos entre Ben Jawad e Sirte. Alguns combatentes rebeldes continuam de guarda em diferentes postos de controle, como em um localizado a três quilômetros de Naufaliya, para evitar possíveis ataques.

Um dos guerrilheiros que faz guarda, Abder Rahman, de 42 anos, afirmou desejar um final negociado para a crise em Sirte, cidade natal de Muammar Kadafi. "Não queremos mais derramamento de sangue, desejamos uma solução tranquila, eles são nossos irmãos", disse.

Esta esperança é compartilhada por seus companheiros de armas, que asseguram que não desejam mais mortes. Enquanto isso, as autoridades políticas, que ontem receberam em Paris um grande respaldo da comunidade internacional, já estão com as atenções voltadas para a futura Líbia.

O general Omar al Hariri, membro da equipe de crise do CNT, anunciou hoje em Trípoli que as unidades militares e as forças rebeldes se fundirão para criar um novo Exército Nacional líbio, cuja missão será garantir a segurança do país.

Em entrevista coletiva no hotel Radisson da capital, o militar pediu paciência aos líbios e prometeu que em um "breve espaço de tempo" haverá novos soldados profissionais nas ruas. "Não existe diferença alguma entre as forças rebeldes e o Exército Nacional. Grande parte do Exército esteve com os rebeldes desde o princípio. Todos lutaram no mesmo front e agora vão continuar unidos", afirmou o general.

Dilma e Bono


sexta-feira, 2 de setembro de 2011

A charge do Jornal da CBN - Estradas ruins


Eduardo Giannetti da Fonseca - Parte 3


Eduardo Giannetti da Fonseca - Parte 2


Eduardo Giannetti da Fonseca - Parte 1


Amin, Kadafi e Negromonte

Amin, Kadafi e Negromonte
Do deputado Esperidião Amin (PP-SC) sobre a entrevista bélica de Mário Negromonte, cheia de metralhadoras e revólveres:

- Acho que são fluidos do deserto. São ares da Líbia que estão chegando aqui. A Bahia é sempre pioneira. Tudo que chega lá em cima chega primeiro na Bahia. Mas o Kadafi passa e isso passa também.

Por Lauro Jardim

Pecuária é grande responsável por desmatamento da Amazônia

Pecuária é grande responsável por desmatamento da Amazônia
Redação do DIARIODEPERNAMBUCO.COM.BR



TerraClass. Esse é o nome da nova metodologia usada para analisar as peculiaridades dos 18% do que foi desmatado em toda Amazônia. A área de estudo, realizado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), abrange os nove estados da Amazônia Legal e analisa os dados do desmatamento entre os anos de 2007 e 2008.

O sistema foi lançado nesta sexta-feira (02) e mostra a destinação das áreas de floresta após o desmatamento. A iniciativa partiu de uma solicitação do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, que queria qualificar o desflorestamento mapeado pelo Projeto de Monitoramento do Desflorestamento na Amazônia Legal (PRODES).

O estudo é um melhoramento da análise de pesquisas anteriores e traz informações sobre a ocupação das pastagens dentro das áreas desmatadas.

Pecuária é a grande vilã

Até 2008, a floresta perdeu por desmatamento o total de 719. 210 km² (uma área quase três vezes o tamanho do estado de São Paulo). E de acordo com levantamento, 62,2% dessa área desmatada foram ocupados por pastagens. Isso coloca a pecuária como a maior responsável pelo desmatamento da região amazônica.

Segundo o Inpe, a maior parte dessa área é ocupada atualmente por pasto limpo. "É aquela área em que houve efetivamente um investimento. Ela representa uma intervenção deliberada humana, com bastante cabeça de gado, com a intenção de intensificação de produção", disse Gilberto Câmara, diretor do Inpe.

Câmara ressaltou ainda que a atividade da agricultura ocupa apenas 5% da área total desmatada – o Mato Grosso é o único estado da região que tem um peso significativo na produção de alimentos.

"Não tem como dizer que a agricultura é a responsável pelo desmatamento, ela não é um vetor importante. O uso que nós fizemos da floresta não foi nobre, não foi para a agricultura produtiva, foi para a agropecuária que ainda hoje é extensiva e precisa de políticas públicas para usar melhor a terra que a gente roubou da natureza", afirmou o diretor.

O estudo também trouxe um dado importante. Parte do que foi desmatado na floresta tem condições de se regenerar. De acordo com TerraClass existem 150.815 km² de matas secundárias, ou seja, áreas que, se permanecerem intactas, podem recuperar a biodiversidade natural.

A intenção do governo agora é, a partir desses dados, fazer um melhor aproveitamento do potencial produtivo da região e ao mesmo tempo, garantir a preservação dos recursos naturais do bioma.

Por Éverton Oliveira, da redação Uai Meio Ambiente

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Charge




O Governo Lula e a reforma do neoliberalismo *

O Governo Lula e a reforma do neoliberalismo *
Armando Boito [**]

A questão de saber se o Governo Lula mantém o modelo capitalista neoliberal colocou-se desde o início desse governo. Talvez, a maioria dos analistas e observadores tenha se encaminhado para um tipo de resposta segundo o qual Lula e os partidos que integram seu governo vêem reproduzindo o modelo capitalista neoliberal tal e qual esse modelo foi herdado de FHC. Nós pensamos um pouco diferente.

O Governo Lula está construindo uma nova versão do modelo capitalista neoliberal. Ele promoveu pequenas mudanças na política econômica e na política social que, embora não cheguem a provocar mudanças na dependência econômica e financeira da economia nacional e nas condições de vida da população trabalhadora, são mudanças que poderão dar um novo fôlego político a esse modelo antinacional e antipopular de capitalismo.

Na verdade, nenhuma das mudanças significa a introdução de elementos completamente novos em relação ao que vinha sendo feito anteriormente. Elas são, antes de tudo, a radicalização de algo que começara a ser feito sob o segundo mandato de FHC. De tal modo que, se fosse para nos fixarmos na questão de saber se Lula dá ou não dá seqüência à política de FHC, poderíamos dizer que ele dá seqüência ao que começou a ser feito no final do segundo mandato de Fernando Henrique Cardoso. Lula segue o FHC2, mas não o FHC1.

A política de exportação e a burguesia interna

O primeiro ajuste que o Governo Lula efetuou no modelo aparece na sua política agressiva de exportação. Essa política não rompe a hegemonia do capital financeiro, mas atende aos interesses de parte da burguesia interna, permitindo uma ampliação da base burguesa do modelo capitalista neoliberal.

Ao longo do seu primeiro mandato, Fernando Henrique Cardoso acumulou déficits crescentes e cumulativos na balança comercial do país. Isso, de um lado, agradou o capital internacional. Significava uma ruptura com a política desenvolvimentista e abria o mercado interno aos produtos estrangeiros. Porém, de outro, lado, a médio e longo prazo essa política pode gerar problemas para o próprio capital financeiro. O desequilíbrio das contas externas pode comprometer a capacidade do Estado brasileiro de pagar os juros da dívida interna e externa e, no limite, um nível muito baixo de reservas internacionais pode, inclusive, suprimir a liberdade básica do capital financeiro internacional que é a liberdade e entrar e (principalmente) de sair, sem atropelos ou prejuízos, do país. Estivemos próximo dessa situação com a crise cambial de 1999. A fuga de capital estrangeiro - dezenas de bilhões de dólares em poucas semanas - foi o sintoma de um desequilíbrio mais geral que exigia correções de rumo. Fernando Henrique Cardoso percebeu isso. Decidiu desvalorizar o real e, para fazê-lo, atirou ao mar seu até então fiel escudeiro, o Presidente do Banco Central Gustavo Franco. Em seguida, desvalorizou o real, abandonou a sua política de déficit na balança comercial e partiu para uma política de balança comercial superavitária.

Na campanha eleitoral de 2002, já estava claro que essa correção de rumo deveria se manter. Fernando Henrique Cardoso talvez não fosse o timoneiro mais indicado para dirigir o barco nessa direção. Lula, o seu partido e a CUT, ao contrário, sempre estiveram politicamente próximos da Fiesp quando essa protestara, ao longo da década de 1990, contra os “exageros” da abertura comercial e contra os juros elevados. Uma vez no governo, Lula decidiu radicalizar na direção desse ajuste. Iniciou a sua política agressiva de exportação, centrada no agronegócio e nos produtos industriais de baixa densidade tecnológica, e implementou as medidas cambiais, creditícias e outras necessárias para manter essa política. A eleição de Lula foi uma vitória parcial da burguesia interna que fustigou FHC ao longo dos anos 90, mesmo que sem nunca romper com ele – chamamos de burguesia interna aquele setor da burguesia que possui base de acumulação no território nacional mas não apresenta um comportamento político de burguesia nacional antiimperialista. Embora essa fração burguesa permaneça como uma força secundária no bloco no poder, uma vez que o Estado continua priorizando os interesses do capital financeiro, o fato é que o Governo Lula ofereceu para ela uma posição bem mais confortável na economia nacional. O resultado disso pode ser visto no comportamento da Fiesp. Essa entidade, que foi crítica dos aspectos mais financistas da política econômica e da abertura comercial dos anos 90, é presidida hoje por um homem de confiança do Palácio do Planalto, que se elegeu para a Fiesp com o apoio do governo federal. A parte da burguesia industrial que permanece insatisfeita e recalcitrante refugiou-se no Ciesp, em luta aberta com a Fiesp – divisão inédita na história da burguesia industrial paulista.

Mas, por que é possível afirmar que, apesar disso, o capital financeiro permanece hegemônico? Porque Lula estimula a produção na exata medida em que isso atenda os interesses do capital financeiro. Em primeiro lugar, ele estimula a produção voltada para a exportação. Não teria sentido, de fato, estimular a produção voltada para o mercado interno. Isso interessaria aos trabalhadores brasileiros que aspiram melhorar suas condições de vida, mas não ao capital financeiro e ao governo que representa os interesses desse capital. O objetivo da produção é a caça aos dólares e o trabalhador brasileiro compra a sua comida em moeda nacional. Por isso, estimula-se especificamente a exportação e não a produção em geral. Em segundo lugar, mesmo no estímulo à exportação, é preciso não ultrapassar a medida daquilo que interessa às finanças. Mais dólares, mas - atenção! - desde que esses dólares possam ser direcionados para o pagamento dos juros da dívida. Logo, o superávit primário e os juros devem permanecer elevadíssimos mesmo que isso limite as exportações. Faltam estradas, portos, funcionários em quantidade e qualidade suficientes para fazer do Brasil uma grande plataforma de exportação de produtos primário e industriais rudimentares – nem mesmo esse destino tacanho nos parece permitido. Mas, do ponto de vista do capital financeiro, não teria sentido desviar para a infraestrutura o dinheiro que deve ser reservado para remunerar os bancos – logo, em vez de investimentos em infraestrutura, tome superávit primário, com ou sem acordo com o FMI. O mesmo raciocínio aplica-se à política de juros elevados, que limita a produção e, inclusive, a exportação. A produção deve ser estimulada na direção (comércio exterior) e na medida que interesse aos banqueiros e, por não compreender isso, Carlos Lessa foi posto para fora do BNDES.

A política externa do Governo Lula faz parte dessa nova política exportadora. Os defensores desse governo costumam afirmar que sua política externa é a sua parte sã. Não pensamos assim. O que todos devem se perguntar é sobre os laços dessa política externa com a política interna do governo. Feita essa pergunta veremos o seguinte: a política externa visa, centralmente, ampliar mercado para os produtos brasileiros no exterior. Seu carro chefe é a luta contra o protecionismo agrícola dos países centrais. O G20, organizado pelo Estado brasileiro e por outros Estados da periferia na reunião de Cancun da OMC em outubro de 2003, visa exatamente suspender tal protecionismo. O discurso que o Governo Lula aciona para legitimar a reivindicação do G20 é um discurso neoliberal que pleiteia a “verdadeira abertura” dos mercados e concentra a luta no protecionismo agrícola. Abdica, simultaneamente, de lutar por novas regras do comércio internacional que favoreçam e protejam os países menos desenvolvidos, luta que não teria nada a ver com liberdade de comércio, e abdica também de lutar pela melhoria da posição da economia brasileira na divisão internacional do trabalho, aceitando nossa condição de vendedor de soja, algodão, sapato e similares.

As políticas compensatórias e o novo populismo conservador

O que analisamos até aqui foi o ajuste que o Governo Lula promoveu no interior do bloco no poder em decorrência dos vetores convergentes oriundos do desequilíbrio econômico nas contas externas e da pressão política de parte da burguesia brasileira – o agronegócio e a grande indústria. Agora, vamos examinar a segunda mudança no modelo neoliberal, mudança que diz respeito mais diretamente às classes trabalhadoras.

Se a burguesia interna pressionou contra alguns aspectos da política neoliberal de FHC, grande parte dos trabalhadores resistiu a essa política, com greves, manifestações de massa, ocupação de terras e, também, com votação em candidatos filiados a partidos que se diziam antiliberais. Essa pressão avolumou-se, como é sabido, ao longo da década de 1990. Porém, para os trabalhadores organizados, o Governo Lula não fez concessão. Continua sonegando uma política salarial e mantém o arrocho dos salários com mão de ferro, é omisso diante do drama do desemprego, retirou direitos previdenciários do setor público e, também, do setor privado, enfim, não trouxe nada de novo. Porém, o Governo Lula não ficou parado. Ele recuperou e ampliou o populismo conservador de Collor e de FHC. As reivindicações dos trabalhadores organizados são preteridas, pois o seu atendimento custaria muito caro ao capitalismo brasileiro e ao capital financeiro, mas, ao mesmo tempo, o governo passa a fazer demagogia social com os trabalhadores pauperizados, desorganizados e politicamente desinformados. É importante notar que esse novo populismo deve provocar deslocamentos na base social do próprio PT, cujas relações com os trabalhadores organizados está se deteriorando.

Fernando Henrique Cardoso multiplicou as bolsas e ajudas efêmeras, incertas e insuficientes que vinham sendo implementada desde o Governo Sarney: auxílio gás, auxílio leite, bolsa escola, renda de emergência etc. O Governo Lula unificou tudo isso numa bolsa família e aumentou um pouco a dotação orçamentária para esse fim. Não são direitos, são sobras de caixa que dependem do humor de Antonio Palocci, isto é, do humor do capital financeiro. Ademais, o Governo Lula está sabendo explorar simbolicamente essa iniciativa: faz solenidades para distribuir bolsas, faz publicidade na rádio e na TV etc. Os ministros da área social simulam resolver no varejo a desgraça que os ministros da área econômica promovem no atacado. Não se trata de uma proposta de organização política dos trabalhadores pauperizados pelo capitalismo neoliberal para fazer deles uma força pela mudança do modelo econômico. O Governo Lula mantém essa população pobre desorganizada e desinformada, explora-a politicamente – para ser mais preciso, explora-a eleitoralmente – porque sabe que a organização do povo poderia criar uma situação que o obrigaria a substituir a oferta de bolsas pela consolidação de direitos. Todos se mobilizam para apresentar a pessoa de Lula como o pai dos pobres – personagem que ele assumiu com gosto e persistência apresentando-se, a todo momento, como o pai da “família Brasil”. Há semelhanças entre esse novo populismo e antigo populismo de Getúlio Vargas, mas há diferenças importantes também. Vargas apelava aos trabalhadores para levar de vencida ou contornar a resistência das oligarquias e do imperialismo à industrialização do Brasil, enquanto o Governo Lula, dando seqüência a um novo filão descoberto por Fernando Collor, apela aos descamisados para jogá-los contra os trabalhadores organizados de modo a fazer passar a política do capital financeiro nacional e internacional.

As políticas compensatórias não vão resolver os graves problemas da população trabalhadora que recebe um salário insuficiente, que está subempregada ou desempregada. Veja-se o mais recente exemplo desse tipo de iniciativa. O Governo Lula criou uma bolsa para jovens que atendam os seguintes requisitos: a) habitem grandes capitais, b) tenham entre 18 e 24 anos, c) estejam desempregados e d) tenham completado o ciclo de ensino fundamental. Pois bem, se preencherem essa série de quatro atributos decididos pelos tecnocratas das políticas compensatórias poderão usufruir da bolsa? Não! Poderão, simplesmente, entrar num sorteio para concorrer a uma dessas bolsas de R$100,00 a ser paga ao longo de doze meses e desde que tal beneficiário faça um curso de qualificação profissional. Ou seja, uma espécie de loteria do escárnio e que só pode se explicar pelo interesse eleitoral rasteiro do governo, que foi derrotado nas eleições municipais das principais capitais brasileiras.

O que podemos esperar

Não valeria a pena apoiar uma política que, pelo menos, oferece uma posição mais favorável para a produção, reduzindo um pouco o poder absoluto do capital financeiro? Ou colocando a coisa em termos sociológicos e políticos: não valeria a pena os trabalhadores se aliarem à burguesia interna na luta contra o capital financeiro?

Muitos poderiam responder afirmativamente a essa questão. Há uma longa tradição na esquerda brasileira que insiste na necessidade e na possibilidade de os trabalhadores aliarem-se àquilo que seria uma burguesia nacional. Nós não pensamos que esse seja um caminho correto. A política de oferecer um certo alento à produção, como está delimitada pelas necessidades do capital financeiro, é uma política voltada para a exportação. Ora, isso significa, de um lado, que reproduzimos a condição de economia dependente e subordinada às economias centrais e, de outro lado, que condenamos o trabalhador brasileiro a permanecer nas péssimas condições de vida nas quais ele já se encontra. O arrocho salarial é o principal trunfo competitivo dos produtos brasileiros no exterior. Contar com a tecnologia do agronegócio e da indústria no Brasil não é sensato, já que essa tecnologia é sofrível e a infraestrutura de transporte e de escoamento é péssima (devido à necessidade do superávit primário para remunerar o capital financeiro); aliviar ainda mais o imposto que incide sobre as empresas exportadoras seria inviável (de novo o superávit primário se impõe); desvalorizar de modo desmedido o real para aumentar a renda dos exportadores ameaçaria o clima de segurança que o capital estrangeiro exige para entrar e sair sem sustos do país; o que resta mesmo é explorar ao máximo o trabalhador. O Governo Lula mantém o arrocho draconiano sobre o salário mínimo não apenas, e nem principalmente, para, como ele quer fazer crer, conter o “gasto” da previdência. O arrocho do salário mínimo é fundamental para reduzir o preço dos produtos exportados, aumentando a competitividade das exportações brasileiras, e é justamente por isso que os trabalhadores não têm nada a ganhar numa eventual aliança com a burguesia voltada para a exportação.

As mudanças secundárias promovidas na política social tampouco trarão, como já disse, melhoria para os trabalhadores – essas mudanças configuram algo que poderíamos denominar social-liberalismo, política que não altera a “face social” do modelo capitalista neoliberal. Mas, essas mudanças estão criando, como têm indicado diversos militantes dos movimentos sociais, uma situação política nova. De um lado, é verdade que essas mudanças reforçam o apelo populista do Governo Lula junto aos trabalhadores pobres e desorganizados. O governo aproxima-se, com uma política populista conservadora, dos mesmos trabalhadores que o derrotaram em 1989 - naquela ocasião, a candidatura Lula defendia uma plataforma de expansão dos direitos sociais e Fernando Collor logrou fazer com que esses trabalhadores a vissem como uma plataforma que proporia o aumento de privilégios. Mas, de outro lado, o PT vai perdendo força entre os trabalhadores organizados, agravando suas tensões com esse setor. Abre-se aqui, portanto, todo um campo de trabalho para a oposição de esquerda ao Governo Lula. Esse campo precisa ser explorado sem conciliação e sem sectarismo.

[*] As idéias aqui apresentadas foram expostas inicialmente em duas palestras a estudantes e ativistas dos movimentos populares – uma no CecAC do Rio de Janeiro e outra no Instituto de Física Teórica da Unesp-SP. Para redigir este texto, pude aproveitar a contribuição dessas duas discussões. Claro, contudo, que apenas eu sou responsável pelo que apresento aqui.

[**] Professor Ciência Política da Unicamp e Editor da revista Crítica Marxista

Publicado na Revista da Adusp de maio de 2005.

Painel (Globo News) faz uma avaliação da educação no Brasil - PARTE 2


O mapa do Pará divido

Essa divisão vai a voto em onze de dezembro de 2011.

Frases

“De todos os assaltos que sofri, prefiro os que vêm por boletos”. Marcelo Siqueira
“Olho por olho e o mundo acabará cego”. Mahatma Gandhi
“Peixe e visita depois de três dias começam a feder”. Benjamin Franklin

sábado, 27 de agosto de 2011

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

O desconforto de Serra no PSDB

Adriana Vasconcelos


O recente destempero do ex-governador paulista José Serra em seu último encontro com o presidente estadual do PSDB, deputaro Marcus Pestana (MG), quando os dois quase sairam no braço, foi apenas uma pequena amostra de como anda o clima dentro do partido.

Serra vem dando sinais, cada vez mais claros, de seu desconforto no PSDB, desde que perdeu o controle da legenda para o senador mineiro Aécio Neves e foi obrigado a aceitar, como prêmio de consolação, a presidência do Conselho Político do partido.

O primeiro sinal concreto de que já não tem a mesma influência que tinha dentro do partido foi sentido durante a primeira reunião do Conselho Político, quando Serra não conseguiu o apoio dos demais conselheiros para divulgar no site do PSDB um documento que havia produzido de análise da conjuntura política, na qual fazia duras críticas ao governo Dilma e ressaltava que a divisão interna era o pior adversário da oposição.

Serra acabou desafiando a cúpula tucana ao publicar o documento em seu site pessoal, sem mencionar que o texto não tinha o apoio da legenda.

O ex-governador paulista também passou recibo de insatisfação logo após a cerimônia preparada pelos tucanos para comemorar os 80 anos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, ao se queixar que uma gravação feita por Aécio _ que não compareceu ao evento por ter se acidentado ao cair de um cavalo _ teria sido exibida após o seu pronunciamento.

_ Vocês já escolheram o candidato do partido à Presidência? _ disparou Serra, queixando-se por não ter sido o último a falar antes de Fernando Henrique.

Inconformado com a possbilidade de perder o posto de candidato do PSDB à Presidência em 2014 para Aécio, Serra agora se recusa a ouvir os argumentos de aliados de que sua melhor opção neste momento seria disputar a prefeitura de São Paulo em 2012, como forma até de se manter competitivo numa eventual disputa futura com o senador mineiro.

A estratégia traçada por Serra é de levar às últimas consequências sua briga pela vaga de candidato à próxima sucessão presidencial. E pelo visto, ela não passa pela realização de prévias internas no partido.

A previsão feita pelo ex-governador, em conversas nos bastidores, é de que ele e Aécio não estarão na mesma legenda em 2014.

Resta saber quem vence essa queda de braço.

Mas vale lembrar os rumores _ negados com veemência por Serra _ de que o ex-governador teria estimulado o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, a criar o PSD, que poderia ser um destino possível para ele, caso os tucanos lhe neguem legenda para a próxima disputa presidencial.

[Canal Livre] Jesus realmente existiu?


Jornal da Cultura 24/08/2011 - 3º Bloco


Jornal da Cultura 24/08/2011 - 2º Bloco


Entrevista de Tancredo Neves ao Canal Livre Parte 9


Entrevista de Tancredo Neves ao Canal Livre Parte 8


Entrevista de Tancredo Neves ao Canal Livre Parte 7


Entrevista de Tancredo Neves ao Canal Livre Parte 6


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Entrevista de Tancredo Neves ao Canal Livre Parte 4


Entrevista de Tancredo Neves ao Canal Livre Parte 3


Entrevista de Tancredo Neves ao Canal Livre Parte 2


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Ventana Indiscreta: Conflicto Israel - Hizbalá (Parte 3)