quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Lula fará sombra a sucessores

"Parece pinto no lixo." Assim um auxiliar dos mais próximos descreve o estado de humor do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O petista tem motivos de sobra para estar contente, sobretudo após a pesquisa Datafolha publicada hoje (12/09) que mostra recorde de popularidade e aprovação em todas as camadas sociais do país.

Lula perdeu três eleições presidenciais seguidas. Cogitou desistir do sonho presidencial. Conviveu com uma fundada desconfiança sobre o preparo para governar. Pegou um primeiro ano de mandato para lá de difícil. Beijou a lona no mensalão. Levou um susto no final do primeiro turno da eleição de 2006. Quebrou a maldição de que o segundo mandato é pior do que o primeiro.

Apesar desses obstáculos, as coisas no atacado têm ido bem para Lula até este 12 de setembro de 2008. Há crises pontuais. Um dia é o dossiê. Outro, o grampo. Mas isso faz parte do trabalho de presidente da República. Quem não quiser amolação não deve procurar esse emprego.

Salvo um acidente de percurso, Lula tende a terminar o mandato como o presidente mais bem-avaliado desde a redemocratização em 1985. A expressiva inclusão social e a retomada de um ciclo de crescimento econômico deverão ser suficientes para colocar o petista ao lado de Getúlio Vargas e Juscelino Kubitschek na galeria de grandes presidentes do Brasil. O carisma e a sorte inegáveis ajudarão a melhorar sua fotografia histórica.

Confirmado esse cenário, teremos um quadro político pós-2010 no qual um ex-presidente da República será uma força que sombreará quem estiver de plantão no Palácio do Planalto.

Na visão de um observador arguto que acompanhou o presidente nos últimos anos, o tamanho da força de Lula será um problema para os próximos presidentes.

Numa onda queremista, Getúlio voltou ao poder. Mas viveu num inferno político que terminou em suicídio. JK saiu nas graças do povo e confiante no retorno em breve ao poder, mas houve um golpe de Estado no meio do caminho.

Para sorte do petista, a democracia brasileira é madura hoje. Com raras exceções, a oposição é responsável e não flerta com golpes. Um Lula popular poderá aspirar legitimamente a disputar o retorno ao Palácio do Planalto em 2014. Desistir de vez ou concorrer de novo a Presidência é um detalhe até menor. Lula deverá ser um fortíssimo pólo de poder no Brasil durante muito tempo --talvez o mais forte. Ele tende a entrar vivo para a História.

Kennedy Alencar, 40, é colunista da Folha Online e repórter especial da Folha em Brasília. Escreve para Pensata às sextas e para a coluna Brasília Online, sobre os bastidores da política federal, aos domingos.Também é comentarista do telejornal "RedeTVNews", no ar de segunda a sábado às 21h10.

Dança do ventre - Salome rakset el fadaa

Lisi Hannan Dança do Ventre - Belly Dance

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Daiane Fraga





Beleza


Bolívia - O risco de uma guerra civil

Para oferecer uma análise do que ocorre hoje em Bolívia é necessário saber a posição do analista. Assim, fundamento algumas considerações. Primeiro, reconheço a legitimidade do governo Evo Morales, eleito com 53% dos votos e que no referendo de agosto de 2008 recebeu a confirmação de 67% do eleitorado. Também vejo o ex-dirigente cocalero representando um setor mais aberto ao diálogo do que outras forças sociais e indígenas.

Segundo, compreendo que qualquer país tem o direito ao uso soberano de seu subsolo e riquezas naturais. Quando o governo de La Paz aponta a redistribuição impositiva com a taxação do gás está fazendo sua obrigação. O financiamento de programas sociais de um Estado deve se dar por meio de suas próprias riquezas e não de mais endividamento.

Terceiro, entendo a reclamação de "autonomia" por parte dos departamentos "cívicos" como uma base de discurso quase separatista e isso nenhum governo nacional pode tolerar. Na Bolívia o que se vê hoje é o aprofundamento das Guerras da Água (2000) e do Gás (2003), e das resposta da oligarquia frente à Assembléia Nacional Constituinte.

A situação pode se aproximar de um desfecho através de rodadas de negociações entre o governo eleito e o Conselho Nacional Democrático (Conalde). Morales se vê diante de uma encruzilhada. Pode usar das atribuições constitucionais e ordenar a repressão aos prefectos de Pando, Santa Cruz, Tarija e Beni.

Sobre tal decisão paira a dúvida do governo boliviano quanto ao grau de lealdade de suas forças armadas e policias. As coisas aceleraram após o massacre no departamento de Pando, onde pelo menos 30 pessoas foram assassinadas e mais de 106 desaparecidos, elevando a crise política à condição de uma possível guerra civil.

São dezenas de entidades e movimentos que estão à esquerda de Morales e do MAS. Todas têm matriz indígena ainda mais forte e não estão dispostas a negociar os direitos adquiridos e nem as novas formas de exercício da democracia. Ou seja: o governo que se viu forçado a abrir diálogo com uma oposição derrotada nas urnas corre o risco da rebelião popular, encabeçada também por uma parte de seus próprios eleitores.

Bruno Lima Rocha é cientista político - (www.estrategiaeanalise.com.br / blimarocha@via-rs.net)

terça-feira, 16 de setembro de 2008

Charge


Blog do Noblat

Blog do Noblat :
"O que a imprensa fez por Lula
A popularidade do Lula é alta apesar da imprensa bater nele diariamente. Poucos governantes tiveram uma popularidade tão alta com uma imprensa unanimamente contraria.
O governo Lula não teria feito metade do que fez sem essa cobrança diária dos jornalistas. São chatos? São, mas a cobrança não deixa o governo se acomodar.
O oposto acontece com os governos tucanos. Durante o governo FHC, os analistas cansavam de dizer que estava tudo bem, para lá na esquina tudo desabar algumas vezes.
Em Sâo Paulo acontece igual. O mesmo grupo político está no governo estadual há 27 anos (a reconciliação do Serra com o Quércia faz com que esse governo recue até o Montoro), sendo que está tudo bem até o próximo desastre.
Que a imprensa nacional continue assim. Que a imprensa paulista saia do seu 'estado' de anestesia crítica."

Se preparando para o futuro

Secas e inundações ameaçam o nosso planeta, mas infelizmente muita gente ainda não se deu conta do tamanho do problema. Nos preparemos para o que virá pela frente.

Bolivia, Phillip Goldberg

Blog do Noblat

Blog do Noblat :
"Royalties do petróleo não melhoram educação no Rio
9 cidades que mais obtêm recursos não se destacam de outras do Sudeste, diz estudo
Pesquisa da Universidade Candido Mendes levou em conta o desempenho de escolas no Ideb e o número de docentes com nível superior
De Antônio Gois:
Se o país realmente quiser utilizar recursos da exploração de petróleo na camada pré-sal para investir em educação, como tem defendido o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, seria prudente, antes, analisar com lupa os resultados das cidades que mais recebem royalties de petróleo em todo o Brasil.
Um estudo da Universidade Candido Mendes mostra que no Rio de Janeiro -Estado que mais recebe royalties no país- os indicadores de qualidade e de infra-estrutura nas escolas dos nove municípios mais agraciados com recursos do petróleo em nada se destacam em relação a escolas do Sudeste.
A pesquisa, de Gustavo Givisiez e Elzira Oliveira, será apresentada no 16º Encontro Nacional de Estudos Populacionais, que começa no final do mês. O estudo aponta que, na média, os royalties não fizeram diferença até 2006, quando se analisa o conjunto de escolas de Quissamã, Rio das Ostras, Carapebus, Macaé, Casimiro de Abreu, Búzios, Campos dos Goytacazes, São João da Barra e Cabo Frio -cidades do Rio."

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Bolívia


Blog do Noblat

Blog do Noblat:
"Medo de ameaça à democracia
Com o cuidadoso discurso de que a solução para o conflito na Bolívia deve passar pelo 'diálogo construtivo' combinado com o princípio da não-intervenção, mas receoso quanto aos riscos para a democracia na região, o governo brasileiro vai defender, na reunião de hoje da União das Nações Sul-Americanas (Unasul), no Chile, um acordo o mais rápido possível entre o presidente Evo Morales e a oposição. Para a diplomacia brasileira esse entendimento deve ser alcançado a curtíssimo prazo, tendo em vista que, na visão do Brasil, a democracia está seriamente ameaçada na região.
Na reunião, convocada no sábado pela presidente chilena, Michelle Bachelet, é praticamente certa a evocação da cláusula democrática de Ushuaya — pela qual o país que rompe os princípios democráticos fica de fora de acordos comerciais e de cooperação. Fica banido do clube, que tem a democracia como principal patrimônio da América do Sul. A evocação da cláusula democrática indica que um governo na Bolívia que não for eleito democraticamente não será reconhecido na região.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e os demais presidentes sul-americanos devem também aprovar uma moção de apoio a Morales, como uma forma de tentar fortalecer o presidente boliviano.
Ontem, líderes da oposição pediram a atuação do Brasil como mediador das negociações com o governo de Morales."

BLOG DO MELLO

BLOG DO MELLO:
"culpa
...uma emissora de TV de Santa Cruz, um dos departamentos da Media Luna golpista boliviana, que pretende derrubar o governo daquele que consideram um “indio de mierda”, o presidente Evo Morales.
Eles culpam Evo Morales e o povo boliviano pelo golpe de Estado que estão tentando dar na Bolívia.
É muita cara de pau.
É mais ou menos como nossa mídia corporativa, que diz que a Bolívia está dividida (quando a aprovação a Evo no referendo foi de 67,4%), chama os golpistas de oposicionistas, e de tumultos o que é uma tentativa de golpe de Estado..."

Bolívia « Visão Latino-Americana

Bolívia « Visão Latino-Americana:
"Bolivia: Povo de El Alto pede armas para enfrentar oposicionistas
Aproximadamente uma centena de pessoas, provenientes da cidade de El Alto (suburbio de La Paz) estiveram na Praca Murillo (local do palacio presidencial) pedindo armas ao governo boliviano.
De acordo com um dos manifestantes, as armas sao para enfrentar os oposicionistas que querem dividir a Bolivia. Alguns argumentaram que mesmo se o governo nao os apoiar com armas, eles buscaram uma forma de encarar os oposicionistas.

Thiago de Aragao"

Paraguai

Paraguai « Visão Latino-Americana:
"PARAGUAI: Lugo denuncia suposto plano golpista
Em uma mensagem diriga ao país, o presidente Fernando Lugo denunciou a existência de um suposto plano golpista contra seu governo. Lugo afirmou que o plano estaria sendo orquestrado pelo ex-general Lino Oviedo e pelo ex-presidente Nicanor Duarte Frutos.
O chefe de Estado paraguaio disse que um general de alta patente havia sido convocado pelo presidente do Congresso a fim de ser consultado sobre a crise responsável por manter paralisado o Senado há semanas.
O presidente informou ainda que o general Máximo Díaz foi chamado em caráter reservado por Oviedo para saber sua opinião sobre o conflito no Parlamento.

(Equipe Arko América Latina - americalatina@arkoadvice.com.br)"

Aquecimento Global II - O que é o Aquecimento Global? (4)

Aquecimento Global II - O que é o Aquecimento Global? (3)

domingo, 14 de setembro de 2008

Globo ecologia Parte 1 - Aquecimento Global

Introdução - Aquecimento Global

Vida Global

Vida Global:
"Governo da Bolívia anuncia acordo com oposição

O governo do presidente Evo Morales anunciou neste domingo ter chegado a um acordo de princípios para incluir a autonomia regional reivindicada por cinco dos nove departamentos do país na nova Constituição."

Vida Global

Vida Global:
"Exército da Bolívia rejeita ajuda de Chávez

Em um recado claro e direto ao presidente da Venezuela, Hugo Chávez, o comandante do Exército da Bolívia, general Luis Trigo, advertiu que as Forças Armadas não vão tolerar nenhuma intervenção militar estrangeiras. Chávez ofereceu ajuda a Morales em caso de tentativa de golpe ou de guerra civil.

O general também alertou os manifestantes para que parem com atos de violência, ataques a prédios públicos e a instalações de petróleo e gás. Caso contrário, o Exército será obrigado a intervir."

Ex-militares confirmam torturas no Araguaia

Segundo depoimento de dez ex-soldados do Exército que participaram de ações, não só guerrilheiros foram torturados, mas também civis

Marcelo Auler

Dez ex-recrutas do Exército que participaram da Guerrilha do Araguaia entre 1972 e 1975 confirmaram, em depoimentos à Comissão Nacional de Direitos Humanos do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), a execução de guerrilheiros pelos militares, assim como a prática de tortura não apenas contra os inimigos, mas também de civis. Nos depoimentos, esses ex-soldados denunciaram ter sofrido maus-tratos e sevícias nos treinamentos recebidos.

Falaram ainda da cooptação de índios pelas Forças Armadas para localizar membros do PC do B na selva. Mas não esclareceram o maior mistério do caso: a localização dos corpos dos guerrilheiros mortos.

"Trata-se de um fato diferenciado, que é a confissão de agentes do próprio Estado", diz o presidente nacional da OAB, Cezar Britto, sobre os documentos que a Ordem encaminhou, em março passado, ao Superior Tribunal Militar (STM). "Não são depoimentos de vítimas do ato, mas de quem confessa ter praticado, ainda que sob ordens, fatos graves. É uma diferença substancial. Daí porque a OAB reivindica que se apure a veracidade das declarações que, se verdadeiras, dão certo cunho de oficialidade ao que era negado."

Os depoimentos são de alguns dos 315 ex-soldados que ingressaram com 116 ações solicitando a reintegração às Forças Armadas no quadro da reserva remunerada. Alegam ter sofrido danos físicos e morais no combate à guerrilha, na região conhecida como Bico do Papagaio, no sul do Pará e, na época, norte de Goiás (hoje Tocantins). Das ações já protocoladas na Justiça Federal de Brasília, ao menos 275 são de sócios da Associação Brasileira dos Ex-combatentes da Guerrilha do Araguaia, segundo seu presidente, Dorimar Gomes Soares.

Ex-soldado, o hoje taxista Gomes Soares licenciou-se do cargo na associação para concorrer à Câmara Municipal de Marabá (PA) pelo PT. Ele explica a dificuldade para a localização dos corpos: "É uma questão que as Forças Armadas guardam a sete chaves. Fizeram muitas ações na região, que era uma mata selvagem e hoje a mata já não existe mais. Realizaram a operação limpeza, recolhendo cadáveres e ossadas."

Alguns dos ex-recrutas apontaram a Serra das Andorinhas, nas margens do Rio Araguaia, no sul do Pará, como local para onde os militares levaram os inimigos. A conselheira da OAB Herilda Balduíno, da Comissão de Direitos Humanos que ouviu os ex-soldados em 2006, lembra que essa versão da Serra das Andorinhas já circulava antes dos depoimentos.

BURACO

"O local onde foram jogados vários guerrilheiros ainda vivos era chamado de buraco grande da Serra das Andorinhas, de difícil acesso", afirma o ex-enfermeiro Adailton Vieira Bezerra. Ele fala em "pelo menos oito pessoas, incluindo uma guerrilheira grávida", atiradas nesse buraco. Alega ter sido informado disso "pelos mateiros, entre eles Arlindo da Silva, e também por sargentos e oficiais daquela base".

No alto escalão do governo há reservas sobre as informações dos ex-soldados, como explicou um ministro ao Estado: "Nos contatos deles conosco, de vez em quando, logo transparece um certo componente de troca: se ajudarmos nas indenizações, eles ajudam a localizar. Assim fica muito difícil. Uma autoridade pública tem de manter longa distância de qualquer coisa que cheire a chantagem", comenta, pedindo para não ser identificado.

O ex-secretário de Direitos Humanos Nilmário Miranda esteve no Araguaia com um desses ex-soldados e garante: "Não deixamos nada sem verificar, mas as informações deles eram imprecisas."

A conselheira Herilda alerta ser preciso encarar os depoimentos com precaução, por serem de quem reivindica compensação por seqüelas supostamente geradas na guerrilha. Mas, admite, as declarações "devem ter algum grau de sinceridade, pois eles estavam no palco das operações e presenciaram os fatos".

ÍNDIOS

O ex-soldado Eduardo Xavier dos Santos Oliveira revelou, por exemplo, que as Forças Armadas cooptaram indígenas para ajudar a localizar os guerrilheiros. Oliveira afirma que várias vezes conduziu para os helicópteros caixas que continham munições que eram distribuídas para os índios suruís. "Eles eram os melhores mateiros e recebiam por cada pessoa capturada entre 10 mil e 14 mil cruzeiros", conta. O livro Operação Araguaia, de Taís Morais e Eumano Silva, relata que, na busca pelos cadáveres, a Comissão de Desaparecidos Políticos, em 2005, encontrou na Reserva Indígena Suruí restos de pernas de duas pessoas, nove dentes e projéteis.

O conselheiro da OAB Nélio Machado, que estudou o caso, também defende cautela com as revelações. "Os depoimentos devem ser considerados por terem sido prestados de forma solene. O assunto nunca foi devidamente apurado, quer em relação à violência que provocou, quer em relação àqueles que de alguma forma foram vítimas de uma subordinação que praticamente inviabilizou a divergência, até mesmo no plano ético. Eles se achavam praticamente em estado de coação e sofreram seqüelas que não devem ser desconsideradas. Há muita dor dos dois lados."
Estadão

Blog do Noblat

Blog do Noblat :
"Bolívia - Evo Morales ordena detenção de governador
De Fabiano Maisonnave:
O presidente boliviano, Evo Morales, determinou ontem à noite a prisão do governador de Pando, Leopoldo Fernández, acusado de desafiar o estado de sítio instaurado há dois dias e de usar pistoleiros brasileiros nos confrontos da quinta-feira, que deixaram um saldo de pelo menos 16 mortos.
Por volta das 19h, o ministro da Presidência, Juan Ramón Quintana, anunciou, em entrevista à rádio Erbol desde Cobija (capital de Pando), que Fernández seria preso ainda à noite e que o Exército ocuparia a cidade - atualmente, controla apenas o aeroporto.
Quintana disse que o governador será preso por incitar a desobediência ao estado de sítio decretado por Morales, o qual, entre outras medidas restritivas, proíbe reuniões. 'Esse desacato vai ter um limite, a detenção do governador', disse.
Em entrevista à Folha por telefone no início da noite, Fernández disse que não defendera nem atacara o estado de sítio, mas afirmou que se trata de um pretexto para isolar e militarizar Pando e depois repetir a mesma ação nos demais departamentos 'rebeldes'. 'Aqui está um clima de guerra.'"

Bolívia, terra em transe

Celso Lungaretti*

Está colocada mais uma vez em xeque, desta vez na Bolívia, a ilusão de que se possa promover revoluções nacionais, de cima para baixo, na era do capitalismo globalizado.

O script é sempre o mesmo: conquistar o governo central por meio do voto, para, a partir daí, tentar tomar o poder e revolucionar a sociedade.

Os resultados são sempre os mesmos: ou os revolucionários se tornam reformistas ao longo desse processo, desistindo de uma transformação maior e conformando-se em administrar o Estado burguês de acordo com (e em comunhão de interesses com) os burgueses; ou o poder econômico os expele violentamente do governo.

No primeiro caso, evidentemente, está o Brasil de Lula, com a administração petista assegurando um ambiente favorável, como nunca antes neste país, para os bancos e o grande capital multiplicarem seus ganhos, enquanto distribui migalhas às massas para perpetuar-se no governo.

No segundo caso está a Bolívia de Evo Morales, que foi colocado no governo pela maioria de eleitores pobres e agora está descobrindo, da pior maneira possível, que a minoria dos ricos não aceita compartilhar suas riquezas por decreto.

Os ingredientes do golpe em gestação são clássicos. Como no Brasil de 1964, os governadores das províncias bolivianas mais prósperas estão no centro da articulação golpista, repetindo os exemplos de Adhemar de Barros (SP), Carlos Lacerda (RJ) e Magalhães Pinto (MG).

Os atos de sabotagem e os bloqueios adotados nos departamentos da Bolívia são uma atualização do locaute de caminhoneiros que preparou o terreno para o pinochetazzo.

De quebra, a mão sinistra dos EUA move os cordéis nos bastidores, como, comprovadamente, fez no Brasil e no Chile.
O pior é que, na seqüência do golpe, deverá vir um banho de sangue como o chileno, para quebrar a resistência da maioria da população, subjugando-a à minoria vitoriosa.

Salta aos olhos que, sem uma intervenção dos grandes da região, provavelmente concertada na OEA, Morales será derrubado e os povos indígenas do altiplano, massacrados.

E não há a mínima possibilidade de que tal intervenção venha reforçar a posição de Morales. O poder econômico, como sempre, prevalecerá, impedindo que Hugo Chávez, por exemplo, vá com suas tropas socorrer o aliado.

O melhor que podemos esperar, em tal cenário, é uma solução de compromisso, com os dois lados da crise boliviana forçados a ceder para evitar-se o pior.

Sendo a alternativa um genocídio, temos mais é de torcer para que a operação apaziguadora chegue a tempo.
Depois, caberá à esquerda sul-americana efetuar uma profunda reflexão sobre suas estratégias e táticas, pois o prazo de validade dessas que levaram ao impasse boliviano caducou no século passado.

*Celso Lungaretti, 57 anos, é jornalista e escritor. Mantém os blogs O Rebate, em que publica textos destinados a público mais amplo; e Náufrago da Utopia, no qual comenta os últimos acontecimentos.

Blog do Murillo de Aragão

Blog do Murillo de Aragão:
"Mantega diz que a grande massa do país se concentra na classe média
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, avaliou nesta sexta-feira (12) que a classe média já é dominante no país, conforme publicação da revista britânica The Economist que chega nesta semana às bancas.
'O país está indo muito bem e está criando uma mobilidade social de modo que a classe média hoje é a classe dominante. Mas pode melhorar mais ainda. Estamos trabalhando neste sentido', disse o ministro ao deixar o Ministério da Fazenda.
Questionado se o governo estaria considerando alterações nas alíquotas do IR Pessoa Física, de modo que a classe média pague menos imposto, Mantega manteve o discurso de que isso poderá ser feito somente após a conclusão da reforma tributária - que ainda está sendo avaliada pelo Congresso Nacional."

Blog do Noblat

Blog do Noblat :
"O sonho de Lula
Quer saber qual a chapa dos sonhos de Lula para sua sucessão em 2010? Dilma Rousseff para presidente. Sérgio Cabral para vice.
A cintura de Dilma está menos dura. Na semana passada, em conversa com um amigo, ela disse que Gilmar Mendes, presidente do Supremo Tribunal Federal, tem toda a razão de investir contra a banalização de grampos telefônicos."

O grande editor da imprensa nacional

Por Rolf Kuntz


O editor mais poderoso da imprensa brasileira é o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ele cita com freqüência o nome de Getúlio Vargas, mas, quando se trata de lidar com os meios de comunicação, seu mestre deve ser mesmo Jânio Quadros. Jânio, em seu segundo mandato como prefeito de São Paulo, sempre decidiu quando ocupar as primeiras páginas, ou, no mínimo, ganhar destaque no dia-a-dia. Virava notícia quando deixava a barba crescer. Virava notícia, de novo, quando cortava a barba. Quando pendurou chuteiras na porta de seu gabinete, insinuando a intenção de se aposentar, todos correram para fotografá-las. Nada precisava fazer de importante para ocupar o noticiário. Lula tem-se mostrado igualmente hábil na produção de noticiário sem fato relevante. Quem precisa de fatos, quando é tão fácil ocupar espaço nos jornais e tempo nos meios eletrônicos?

O presidente conseguiu, na primeira semana de setembro, converter num grande evento a primeira extração, ainda experimental, de óleo do campo de Jubarte, como se aquilo fosse o início da exploração dos novas áreas do pré-sal, muito maiores e de acesso muito mais difícil. Para isso, montou-se um espetáculo com ministros, comitiva política e diretores da Petrobras, todos fantasiados com macacões cor de laranja, e criou-se um palco para Lula recitar uma porção de gracinhas.

Numa de suas frases mais citadas, o presidente chamou a Petrobras de "mãe da industrialização do país". A intenção – desfazer o ambiente de briga com a estatal, criado por ele mesmo nas semanas anteriores – era evidente e foi apontado pelos jornais. Mas ninguém se deu ao trabalho de examinar a própria frase, uma besteira histórica. A Petrobras não é mãe de industrialização nenhuma.

Antes dela, o governo havia criado, nos anos 1940, a Companhia Siderúrgica Nacional, a Companhia Vale do Rio Doce e a Fábrica Nacional de Motores. No começo dos anos 1950 foi fundado o Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico (BNDE). Na segunda metade dos 50, enquanto a Petrobras mal engatinhava, Juscelino Kubitschek, com seu Plano de Metas, deu enorme impulso à implantação de indústrias, com ênfase especial ao setor automobilístico. Se alguém quiser ir mais longe no tempo, dê um passeio pela Zona Leste de São Paulo e reveja os edifícios de tijolos vermelhos das fábricas do início do século 20.

Sentido da mensagem

Por que os jornalistas deveriam esclarecer esse ponto, em vez de apenas citar o presidente? Por que não, se aceitaram o trabalho de esclarecer a referência da ministra chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, ao Sítio do Pica-Pau Amarelo?

A disposição da imprensa brasileira de reproduzir passivamente qualquer frase presidencial – ou mesmo ministerial – deve parecer espantosa a quem ainda associa as idéias de notícia e de relevância. Basta um pouco mais de sonoridade. No dia 28 de agosto, no meio de um discurso de 18 páginas, o presidente referiu-se ao petróleo do pré-sal como um prêmio de loteria: "Não é porque tiramos um bilhete premiado que vamos nos deslumbrar e sair por aí gastando", disse Lula.

Quem teve de guiar nas avenidas congestionadas de São Paulo, entre as 18h e 19h daquela quinta-feira, teve de ouvir a declaração pelo menos cinco ou seis vezes, pelo rádio, sempre fora de contexto e sem nenhuma explicação. Aquelas palavras foram reproduzidas como grande notícia nos jornais do dia seguinte, como se o presidente houvesse dito uma frase de importância transcendental.

Por que ele teria dito aquilo? Até aquele dia, o presidente, ministros e governadores haviam discutido a partilha do dinheiro – ainda inexistente – do novo petróleo, e só de fora do governo haviam surgido advertências sobre o risco de gastar antes de ter. Fora de contexto, o palavrório nada significava, mas era apresentado como proclamação de enorme importância.

Fiel à boa disposição de anotar e repetir frases presidenciais, os jornais deram destaque, também no começo de setembro, ao lembrete dirigido por Lula aos governadores: o petróleo do pré-sal, segundo ele, pertence à União, não aos estados. É verdade. Pertence à União, mas a Lei do Petróleo contém regras detalhadas para a distribuição do produto da atividade. O pagamento de royalties a estados e municípios não decorre de uma liberalidade do poder central. É um direito estabelecido em lei.

E aí: qual o sentido da mensagem, se essa lei continua em vigor? Repórteres e editores, no entanto, raramente acrescentam detalhes desse tipo à cobertura, limitando-se, quase sempre, a reproduzir as falas ou trechos das falas de autoridades. Se o leitor quiser saber algo mais sobre o assunto, ou se tiver dúvidas sobre o contexto, problema dele.

O resto é secundário

Durante algumas semanas, a cobertura, é justo reconhecer, deu espaço a discussões sobre a política do pré-sal. Nessa discussão surgiram observações importantes sobre os investimentos necessários à exploração desse petróleo e o problema do financiamento – temas inicialmente negligenciados no falatório presidencial. Mas o governo aparentemente conseguiu impor o seu discurso, produzindo fatos – nem todos importantes – em número suficiente para dominar a cobertura.

Isso não é raro e ocorre não só na área econômica. No caso dos grampos telefônicos, a imprensa tem dado muita importância a detalhes fornecidos por autoridades: o Exército tem equipamento para escuta, o ministro da Justiça apresentou um projeto de lei para aumentar a punição a quem pratica bisbilhotice ilegal, e assim por diante.

Ora, saber quem tem equipamento de escuta não é o mais importante, neste momento. Se o assunto for tecnologia, muitos investigadores particulares, daquele tipo especializado em casos de adultério, em brigas de sócios ou contra-espionagem industrial, poderão dar conferências muito proveitosas. O projeto de uma nova lei também não afeta a questão relevante neste momento.

Uma lei já existe e foi violada. Trata-se de saber quem cometeu o crime de bisbilhotar o presidente do Supremo Tribunal Federal e um senador e quem pode ter sido o mandante ou beneficiário dessa malandragem. O resto é secundário, mas esse resto vem sendo noticiado como se fosse o grande assunto.

Para o governo, e especialmente para os suspeitos, nada mais conveniente: quanto mais se cuidar dos aspectos secundários, tanto melhor.

Somos todos pós-modernos?

Escrito por Frei Betto



A resposta é sim se comungamos essa angústia, essa frustração frente aos sonhos idílicos da modernidade. Quem diria que a revolução russa terminaria em gulags, a chinesa em capitalismo de Estado e tantos partidos de esquerda assumiriam o poder como o violinista que pega o instrumento com a esquerda e toca com a direita?



Nenhum sistema filosófico resiste, hoje, à mercantilização da sociedade: a arte virou moda; a moda, improviso; o improviso, esperteza. As transgressões já não são exceções, e sim regras. O avanço da tecnologia, da informatização, da robótica, a gloogletização da cultura, a telecelularização das relações humanas, a banalização da violência, são fatores que nos mergulham em atitudes e formas de pensar pessimistas e provocadoras, anárquicas e conservadoras.



Na pós-modernidade, o sistemático cede lugar ao fragmentário, o homogêneo ao plural, a teoria ao experimental. A razão delira, fantasia-se de cínica, baila ao ritmo dos jogos de linguagem. Nesse mar revolto, muitos se apegam às "irracionalidades" do passado, à religiosidade sem teologia, à xenofobia, ao consumismo desenfreado, às emoções sem perspectivas.



Para os pós-modernos a história findou, o lazer se reduz ao hedonismo, a filosofia a um conjunto de perguntas sem respostas. O que importa é a novidade. Já não se percebe a distinção entre urgente e importante, acidental e essencial, valores e oportunidades, efêmero e permanente.



A estética se faz esteticismo; importa o adorno, a moldura, e não a profundidade ou o conteúdo. O pós-moderno é refém da exteriorização e dos estereótipos. Para ele, o agora é mais importante que o depois.



Para o pós-moderno, a razão vira racionalização, já não há pensamento crítico; ele prefere, neste mundo conflitivo, ser espectador e não protagonista, observador e não participante, público e não ator.



O pós-moderno duvida de tudo. É cartesianamente ortodoxo. Por isso não crê em algo ou em alguém. Distancia-se da razão crítica criticando-a. Como a serpente Uroboros, ele morde a própria cauda. E se refugia no individualismo narcísico. Basta-se a si mesmo, indiferente à dimensão social da existência.



O pós-moderno tudo desconstrói. Seus postulados são ambíguos, desprovidos de raízes, invertebrados, sensitivos e apáticos. Ao jornalismo, prefere o shownalismo.



O discurso pós-moderno é labiríntico, descarta paradigmas e grandes narrativas, e em sua bagagem cultural coloca no mesmo patamar Portinari e Felipe Massa; Guimarães Rosa e Paulo Coelho; Chico Buarque e Zeca Pagodinho.



O pós-modernismo não tem memória, abomina o ritual, o litúrgico, o mistério. Como considera toda paixão inútil, nem ri nem chora. Não há amor, há empatias. Sua visão de mundo deriva de cada subjetividade.



A ética da pós-modernidade detesta princípios universais. É a ética de ocasião, oportunidade, conveniência. Camaleônica, adapta-se a cada situação.



A pós-modernidade transforma a realidade em ficção e nos remete à caverna de Platão, onde nossas sombras têm mais importância que o nosso ser e as nossas imagens que a existência real.



Frei Betto é escritor, autor de "Calendário do Poder" (Rocco), entre outros livros.

Um balanço sobre o resultado do referendo

Com 67,8% de apoio, Evo Morales superou em mais de 14% os votos que em, 18 de dezembro de 2005, catapultaram-no como o primeiro presidente eleito com maioria absoluta desde a recuperação da democracia, em 1982. Conseguiu, assim, a terceira vitória com mais de 50% de seu mandato cumprido, depois do triunfo para a Assembléia Constituinte, em 2006.

Pablo Stefanoni - Brecha (Uruguai)

Evo Morales superou a aposta mais arriscada de seu governo com uma porcentagem de votos inesperada mesmo pelos governistas mais otimistas: com a quase totalidade dos votos contabilizados, 67,8% dos bolivianos disse Sim à continuidade no poder do presidente boliviano no referendo revogatório realizado neste domingo com a finalidade de remover pacificamente os entraves ao projeto nacionalista popular liderado pelo governante indígena, enfrentado uma oposição fortemente regionalizada.

Assim, e apesar de dois anos e meio de crises e tensões políticas e institucionais, Evo Morales superou em mais de 14% os votos que em, 18 de dezembro de 2005, catapultaram-no como o primeiro presidente eleito com maioria absoluta desde a recuperação da democracia, em 1982. Conseguiu, assim, a terceira vitória com mais de 50% de seu mandato cumprido, depois do triunfo governista para a Assembléia Constituinte, em 2006. E esta situação contrasta com seus antecessores na presidência, que se mantinham no governo graças a acordos parlamentares baseados em um pragmatismo forçado e que garantiam maiorias artificiais às quais os eleitores não tinham dado seu aval nas urnas.

Não obstante, também foram ratificados todos os prefeitos opositores, o que limita a potência política da vitória presidencial. Rubén Costas foi ratificado em Santa Cruz com 67%, Ernesto Suárez em Beni com 64%, Mario Cossío em Tarija com 58% e Leopoldo Suárez em Pando com 56%. Como prêmio consolação, o governo conseguiu mandar embora o governador de Cochabamba, Manfred Reyes Villa, pondo um freio à expansão em direção ao oeste da "meia-lua" autonomista liderada por Santa Cruz, e o de La Paz, José Luis Paredes, dois opositores que ganharam a eleição de 2005 em dois bastiões do Movimento ao Socialismo (MAS), graças ao voto cruzado com Morales.

Assim, apesar da contundência de sua vitória, o cartão-postal da Bolívia que surgiu da votação é o de um ocidente indígena unanimemente alinhado com Evo Morales e um oriente autonomista onde combinaram-se um importante crescimento do projeto governista e a massiva ratificação do projeto autonomista inspirado no modelo espanhol. Por isso, depois de uma jornada pacífica todos festejaram e é neste fato aparentemente auspicioso que reside o drama da Bolívia: a dificuldade de deixar para trás o "empate catastrófico" entre dois blocos étnico-regionais com visões de país enfrentadas. Com o risco de que cada bloco utilize a legitimidade das urnas —e escute sua própria "mensagem das urnas"— em uma fuga para adiante que pode convulsionar novamente o país. O virtual fracasso da mesa de diálogo, que nesta quinta-feira ficou em nada depois de várias horas de reuniões, no meio de acusações cruzadas de "falta de generosidade", antecipa um futuro de escaramuças que poderiam crescer em intensidade.

"(O referendo) é um respaldo à decisão popular tomada nos referendos autonômicos, que abre a porta para a aplicação dos estatutos de autonomia", avaliou o governador Mario Cossío assim que foram conhecidos os resultados. "O que foi planejado como uma emboscada mal-intencionada foi derrotado nas urnas", acrescentou o governador Costas, em greve de fome em protesto por um recorte tributário do estado central. Considerou que a consulta não vai resolver os problemas da Bolívia e chamou Evo Morales de "macaco", sem nomeá-lo diretamente, e Hugo Chávez de "macacão", artífices, segundo ele, de um novo terrorismo de Estado. Anunciou, além disso, a criação de uma força policial e de uma agência tributária locais, e a convocatória para eleições —sem base legal— para uma espécie de Parlamento local chamado Conselho Departamental. Ou seja, o avanço em direção a uma autonomia de fato, com perigosas conseqüências de desconexão política e institucional.

Morales foi ratificado com 80% em La Paz , Oruro e Potosí, e com perto de 70% em Cochabamba, o que representa um "cordão de segurança" para a sua estabilidade política. O voto camponês foi quase unânime e já se fala da "chaparização" da zona rural boliviana, em referência às elevadas porcentagens de votos que Morales costuma conseguir na região cocaleira de Chapare, onde iniciou sua escalada dos sindicatos agrários para o mundo político. Na província de Omasuyos, pertencente a La Paz, ex-baluarte do líder aymara Felipe Quispe, que hoje está fora do jogo, o Sim ao presidente chega a 98,5%. Na província cochabambina de Tiraque o Sim estava perto de 97% e chegava a quase 98% na província de Sajama, pertencente a Oruro. Na província gasífera tarijenha de O'Connor a aprovação chegou a 66%.

O mandatário indígena também “perfurou” a "meia-lua" autonomista: conquistou Pando (na Amazônia) com 53% e virtualmente empatou em Tarija —fronteiriça com a Argentina—, com 49,83% dos votos pelo Sim, frente a 50,17% pelo Não. Em Beni contava com 43,7%, e aumentando, frente aos menos de 20% obtidos em 2005 e tem um piso nada desprezível de quase 40% em Santa Cruz, sua praça mais hostil. Também ganhou Chuquisaca, apesar dos violentos conflitos pela demanda de Sucre de voltar a ser a capital plena do país.

A mistura de identificação étnica e políticas sociais compõe o "carinho por Evo". "As classes médias não dão valor aos 200 Bolivianos (em torno de 30 dólares) mensais da Renda Dignidade para os idosos, mas para um camponês isso eqüivale a quatro cordeiros por mês. A mesma coisa vale com o bônus Juancito Pinto para os escolares", explicou o mandatário em um diálogo com jornalistas. E anunciou que a eletrificação do campo será seguida pelos telefones. "Hoje já há camponeses que cuidam de suas ovelhas falando pelo celular", acrescentou.

Assim, as porcentagens do inédito referendo imaginado para superar a atual crise política mostram um inédito apoio ao governo nacional, cuja construção de hegemonia —que não é a mesma coisa que maioria eleitoral— enfrenta a resistência das elites na região sul-oriental do país, sede das principais reservas de gás e das terras mais férteis, que também conseguiram legitimar-se nas urnas, e, junto com elas, o seu projeto autonômico.

"Evo Morales não perdeu, mas isso não nos importa. Aqui em Santa Cruz nós ganhamos. Com este resultado ele não vai poder continuar enchendo o saco", desabafou o prefeito de Santa Cruz, Percy Fernández, famoso por suas declarações intempestivas, que dias atrás convocou os militares para um golpe de Estado. "(Evo) Não pisa mais em (Santa Cruz)", gritavam em coro os manifestantes concentrados na central praça 24 de Setembro para festejar os resultados, como se o fato de ser "revogado" em uma região o impedisse de governar nessa parte do país.

Entre os obstáculos ao diálogo aparecem os estatutos autonômicos aprovados em referendos ilegais em maio e junho passados, que a dirigência da "meia-lua" não quer levar à discussão, junto com sua rejeição ao projeto de nova Constituição promovido pelo governo nacional. Pretendem, além disso, a restituição dos impostos recortados para pagar a Renda Dignidade e aumentar os orçamentos municipais. Por sua vez, o governo propôs "constitucionalizar" as autonomias, mas no marco do texto aprovado em dezembro pela Assembléia Constituinte —com um perfil nacionalista e indigenista—, e submeter os temas em conflito a um plebiscito nacional "para que o povo dirima".

Mas, por enquanto, as possibilidades de aproximação transitam por um caminho cheio de obstáculos, incluídos um rosário de receios, desconfianças e visões enfrentadas de país, em uma luta entre uma nova elite emergente e outra que perdeu sua influência nacional, mas conseguiu entrincherar-se em suas regiões graças à reativação das identidades locais que remetem às históricas brigas contra o centralismo de La Paz e tocam fibras sensíveis, como a suposta revanche étnica promovida por um governo aymara-quéchua. Os mais radicais, como o grupo independentista Nação Camba, falam inclusive das "hordas do Estado incaico".

Em qualquer caso, os resultados estão tirando do meio dois discursos maniqueístas: que as autonomias não passam de uma demanda de um pequeno grupo oligárquico sem um real apoio popular e, mais ainda, as cotidianas queixas de políticos opositores e analistas assinalando que o de Evo Morales é um governo sustentado por um fundamentalismo indígena que havia perdido as classes médias e governava encurralado na Bolívia andina. A expansão para o oriente do voto do presidente boliviano, combinado com uma a ampla confirmação dos líderes autonomistas deixou claro, também, que uns e outros estão aí para ficar e nenhum bando pode ignorar seus adversários, iludir-se com derrubá-los ou retirar-lhes a legitimidade para governar.

Bolívia: intervenção ou morte

Escrito por Luiz Eça


"Seremos pacientes e cautelosos. Mas paciência tem limites", Evo Morales.

Estão muito claras as motivações dos atentados que assolam a Bolívia.

A elite econômica e os políticos de direita, encastelados nas cinco províncias orientais, não podem aceitar um governo que deseja redistribuir a renda, beneficiando os mais pobres; controlar a economia, extinguindo privilégios; e dar certo grau de autonomia às comunidades indígenas, exploradas e marginalizadas em 183 anos de história

Além disso, o intervencionismo de Morales - embora se insira no quadro de um regime misto, onde o Estado ora é sócio das empresas, ora socializa setores mal explorados por elas - causa repulsa nas atrasadas classes abastadas bolivianas.

Por fim, o fato de Evo Morales ser um presidente índio é repelido pela minoria branca e europeizada – 15% da população –, dominante sobre a maioria quechúa e aymara - 60%. Expressões usadas pelos governadores da oposição para agredir Morales como "macaco", "índio infeliz" e "índio porco" são reveladoras.

Na verdade, os grupos políticos e econômicos que sempre dirigiram a Bolívia não têm muita autoridade para justificar suas posições.

Seguindo fielmente o FMI, eles entregaram ao presidente eleito em dezembro de 2005 uma Bolívia nas seguintes condições: país mais pobre da América do Sul, com 60% dos seus 9 milhões de habitantes abaixo da linha da pobreza e 38% em extrema pobreza; desemprego de 12%, com 40% de sub-empregados; renda dos indígenas 40% inferior a dos não-indígenas.

Nos dois anos e meio de governo Morales, tal quadro começou a mudar. Primeiro, ele procurou aumentar as rendas do Estado, revendo os acordos de exportação de gás e petróleo com o Brasil e a Argentina, desvantajosos ao país, e estabelecendo o controle estatal sobre a exploração dessas riquezas. A Bolívia passou a ficar com 85% dos lucros e suas exportações dobraram de 2005 para 2006, chegando a 4,9 bilhões de dólares.

Par estimular a industrialização e reduzir o desemprego, concedeu-se, através de licitação, a exploração da mina de Mutun à empresa siderúrgica indiana Jindall Steel & Power, com proposta de investir 1,5 bilhão de dólares já e mais 2,5 bilhões em 8 anos. Mutun possui reservas de 40 bilhões de toneladas de ferro, 10 bilhões de magnésio (70% das reservas mundiais) e se achava sub-explorada.

Acordo com o Irã prevê o investimento de 230 milhões de dólares na instalação de uma fábrica de cimento, mais 1,1 bilhão em energia, agricultura e indústria alimentícia.

Na área social, Morales anunciou uma reforma agrária que seria iniciada com a desapropriação de 14 mil hectares de terras, a maioria não cultivada, concedidas irregularmente como favores políticos por governos anteriores. Pesados investimentos foram realizados na Educação e destinou-se parte do imposto cobrado sobre o gás para os idosos pobres.

Mesmo não realizando as economias preconizadas pelo FMI, o governo conseguiu superávit em 2006 e 2007, algo que não acontecia na Bolívia desde 1940.

No entanto, para poder realizar as reformas necessárias, era preciso uma nova Constituição. Ela foi aprovada pelo Congresso, com abstenção da direita, mas precisa passar por referendo popular.

A revolta dos governadores dos cinco departamentos da oposição começou com manifestações de protestos. Exigiam autonomia - o controle da distribuição dos recursos dos hidrocarbonetos produzidos localmente (82% do gás do país), o fim das pensões financiadas com parte do imposto do gás e a rejeição "in limine" da nova Constituição.

No meio da crise, Morales e seus adversários concordaram com a realização de um referendo revogatório, no qual o povo poderia manter ou afastar o presidente, governadores de departamentos e prefeitos das províncias.

O resultado foi favorável ao governo central. Morales obteve 67% dos votos a favor e venceu em 95% das 112 províncias. Quatro governadores de direita também venceram e três foram rejeitados, sendo dois da oposição e um do governo, o qual não obstante saiu ganhando, pois lhe coube nomear os prefeitos provisórios até nova eleição.

Fortalecido, Morales esperava que a oposição abrandasse e aceitasse a realização do referendo constitucional.

Aconteceu o contrário. O apoio popular a Morales, representado pelos 67% dos votos, era uma garantia de vitória para ele. Por isso, a direita continuou em pé de guerra.

As manifestações se intensificaram, numa escalada de violência que hoje chega ao bloqueio de estradas para impedir a chegada de alimentos às cidades, incêndio de edifícios de instituições do governo central – com destruição de documentos públicos, ataques a aeroportos, estações de trens, locais de reuniões de indígenas e, por fim, explosões de gasodutos e cortes no envio de gás para o Brasil -, visando paralisar as exportações. Tudo para provocar o caos, criando um ambiente propício para um golpe de Estado.

O governo fez o possível para conseguir um acordo. Aceitou a autonomia administrativa, mas sem desistir nem do controle dos recursos naturais nem da nova Constituição. Em vão. Diante da violência da oposição, Morales agiu brandamente. O Exército foi proibido de atirar, devendo limitar-se a guardar as instalações de produção de petróleo e gás. Mas a violência chega agora a um grau insuportável. Está evidente o objetivo de derrubar o governo ou pelo menos separar os cinco departamentos da Bolívia – os gritos de "independência" são freqüentes nas ações direitistas.

Não se acredita que a moderação do governo acabe acalmando os ânimos. Já há motivos de sobra para se declarar a intervenção federal nos departamentos revoltosos. Mas Morales hesita. Precisaria usar o exército, opor violência à violência, e ele não quer vítimas. Teme também que, chamado a intervir, o Exército fique ao lado das forças direitistas. Historicamente é o que tem acontecido.

Existe a idéia de recorrer à mobilização popular, armar os índios, mineiros e camponeses para defender o governo. Nesse caso, conforme Ivan Canelas, porta-voz de Morales, estaria aberto o caminho para "um tipo de guerra civil". O que poderia desagradar os militares e fazê-los aderir à sedição.

Intervir usando o Exército, de acordo com a lei, ou com o povo armado implica em sérios riscos.

Mas Morales terá de optar por uma delas. Ou renunciar ao seu sonho de construir uma Bolívia com justiça, igualdade e esperança.

Luiz Eça é jornalista.

sábado, 13 de setembro de 2008

"O aborto é fruto da promiscuidade humana"

"O aborto é fruto da promiscuidade humana" essa é a opinião do pastor Silas Malafaia da Assembléia de Deus. E aí para onde esse debate vai?

Blog do Noblat

Blog do Noblat :
"Alta aprovação a Lula é 'sorte', diz oposição
De Maria Clara Cabral:
A oposição ao governo no Congresso avalia que o recorde de aprovação obtido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em pesquisa Datafolha divulgada anteontem é coisa 'momentânea' e diz que o presidente apenas está colhendo os frutos plantados no passado.
Na opinião dos oposicionistas, Lula deu 'sorte' de o petróleo na camada pré-sal ter sido descoberto agora. Líderes da oposição também acusam o presidente de estar 'permanentemente em campanha', o que reflete no levantamento.
'É claro que esse resultado é decorrência de sorte e muita campanha. O povo está achando que a descoberta do pré-sal é a solução de todos os problemas e põe isso na conta do Lula, mas é coisa de momento', avalia o líder do PSDB na Câmara, deputado José Aníbal.
Já o líder do DEM no Senado, José Agripino (RN), diz acreditar que grande parte da boa avaliação venha do momento econômico. O senador afirma, no entanto, que com a escalada da taxa de juros a economia não estará tão bem em 2009 e, conseqüentemente, a avaliação de Lula também cairá.
'Todo o resultado positivo da economia vem de governos anteriores. Ele [Lula] só está colhendo os frutos do que foi plantado lá atrás', diz."

O diálogo na Bolívia

Muita pouca gente acredita em diálogo entre governo e oposição na Bolívia.

Carlos Damião - UOL Blog

Carlos Damião - UOL Blog:
"O CANDIDATO PRESO

Interessante a história do único candidato a prefeito de Tigrinhos, município da região Oeste catarinense. Ele foi preso, por causa de falcatruas comerciais (fraudes na comercialização de fumo), mas continua candidato.
É o tal caso: tem ficha suja, mas quem se importa? Pobres de nós.O CANDIDATO PRESO

Interessante a história do único candidato a prefeito de Tigrinhos, município da região Oeste catarinense. Ele foi preso, por causa de falcatruas comerciais (fraudes na comercialização de fumo), mas continua candidato.
É o tal caso: tem ficha suja, mas quem se importa? Pobres de nós."

Influência de Chávez no Paraguai pode crescer

Especialistas propõem negociar Itaipu, contrabando na fronteira e situação dos brasiguaios, que mais podem perder com a querela


Antonio Vital*

Enquanto o governo brasileiro sinaliza uma negociação até alguns dias atrás descartada pelo presidente Lula, especialistas de diversas formações tentam imaginar o que seria um bom acordo que não fira o principal: as cláusulas do Tratado de Itaipu. Em debate na TV Câmara na noite de terça-feira (22), no programa Expressão Nacional, cinco deles deram suas contribuições.

Participaram do programa o deputado Marcondes Gadelha (PSB-PB), presidente da Comissão de Relações Exteriores da Câmara; o deputado Cláudio Diaz (PSDB-RS), presidente da representação brasileira no Parlamento do Mercosul; o cientista político Ricardo Oliveira, da Universidade Federal do Paraná (UFPR); o jornalista argentino Eduardo Davis, da agência EFE; e o historiador Amado Luiz Cervo, da Universidade de Brasília (UnB). A posição do governo paraguaio foi transmitida, via entrevista gravada, pelo embaixador paraguaio no Brasil, Luis González Arias, que se encontrava em Assunção.

Os debatedores foram unânimes em pontuar que o bispo católico Fernando Lugo, eleito presidente do Paraguai, não tem razão para reclamar do acordo de Itaipu, pelo qual o Paraguai ficou dono de metade da então maior hidrelétrica do mundo sem desembolsar um tostão – herdando, é claro, uma dívida que só será paga em 2023, daí o valor relativamente baixo, de US$ 2,80 por KW/h, que recebe pela energia.

Os pontos em comum: o preço da eletricidade é justo para os dois países e quem corre risco mesmo em caso de aumento do ressentimento contra os brasileiros no Paraguai são os brasiguaios, aqueles produtores rurais brasileiros responsáveis pelo grosso do agronegócio do país vizinho graças à soja e que têm situação jurídica indefinida.

Amado Cervo deu o tom da discussão ao defender a ampliação do debate para a definição da situação dos brasiguaios e para a imposição de um limite ao contrabando institucionalizado na fronteira, negócio lucrativo e que tem peso significativo na economia paraguaia. Poucas horas antes, o presidente Lula concordou em sentar-se para conversar com Lugo. E no dia seguinte o jornal Valor Econômico traria uma reportagem com o que seria a proposta brasileira: antecipar parte do pagamento referente à compra de energia que só seria feita em 2023, justamente quando a dívida do Paraguai acaba. "Com o fim da dívida", informa o Valor, "deixam de valer também pontos importantes do tratado, entre eles um que proíbe que os dois sócios vendam parte da energia a que têm direito a terceiros países".

A proposta não foi confirmada oficialmente e carrega um problema a mais para o Brasil, que não pode dispensar a energia de Itaipu, responsável por 20% do que é consumido aqui – o que ocorreria se o Paraguai pudesse, por exemplo, vender aquilo que não utiliza para a Argentina, operação hoje proibida pelo tratado de 1973. O embaixador paraguaio acrescentou um elemento a mais na discussão ao acenar com uma possibilidade de um acordo aceitável para o governo paraguaio. O Brasil poderia ajudar o país vizinho a distribuir a energia gerada em Itaipu, hoje subutilizada. Isso porque o Paraguai não tem infra-estrutura suficiente, o que compromete seu crescimento e impede o uso da energia. Uma forcinha do Brasil seria providencial.

O problema, nesse caso, é que Lugo fez promessas demais e criou uma expectativa na população que pode acarretar sérios problemas à sua administração, segundo os participantes do debate. Ele prometeu energia barata e até de graça para os pobres, além da criação de empregos para 100 mil famílias desocupadas, construção de 40 mil casas por ano, distribuição de 30 mil lotes de terra para camponeses e indígenas, tudo com o que receberia a mais pela energia de Itaipu.

Como Lugo terá pouca margem de apoio no Congresso paraguaio, em uma aliança de coalizão onde tem muita força o conservador Partido Liberal Radical Autêntico (PLRA), não é exagerada a previsão de que a chamada governabilidade não será fácil para ele. Vide os problemas enfrentados por Evo Morales na Bolívia. Daí, talvez, a avaliação do governo Lula de que é melhor oferecer algo do que permitir a radicalização do processo político na fronteira, com o eventual aumento de influência do venezuelano Hugo Chávez, de quem até agora Lugo aparenta não querer muita proximidade.

Cláudio Diaz elaborou a sua proposta de acordo: estender o prazo de pagamento da dívida de Paraguai com Itaipu até 2030. Marcondes Gadelha manifestou preocupação com o destino dos brasiguaios e com a campanha de distorção histórica levada a cabo no Paraguai em relação ao Brasil. E não só em relação a Itaipu.

Até velhos ressentimentos da Guerra do Paraguai, no século XIX, são alimentados além-fronteira. "Os brasiguaios podem sofrer retaliações. O Brasil devia fazer uma campanha de contra-informação para esclarecer a população", disse.

Os seguidos editoriais do maior jornal em circulação no Paraguai, o ABC Color, não deixam dúvidas sobre a radicalização do processo. No dia da eleição, domingo (20), a primeira página do jornal dizia o seguinte: "Em Itaipu nosso povo é obrigado a ‘ceder’ ao Brasil a maior riqueza com que conta o país para sair da pobreza, a um preço ínfimo (...). Reverter esta humilhante e insólita injustiça deve ser a máxima prioridade do governo que surja das urnas nas eleições de hoje".

Ricardo Oliveira, especialista no Tratado de Itaipu, defendeu os valores estabelecidos no acordo firmado entre os dois países e foi categórico: se houver alteração, quem vai pagar o preço será o consumidor brasileiro.

*Antonio Vital é apresentador do programa Expressão Nacional

Congresso em Foco

Diplomacia incoerente

Ambigüidade costuma ser ferramenta útil em política externa. Permite que se evitem precipitações e part pris desastrosos. Mas ambigüidade não significa, não pode significar, incoerência. Só é legítima enquanto rito de passagem, na expectativa de que os fatos se tornem mais nítidos e permitam opção mais consciente e sensata.

No caso da política externa brasileira no Continente, não se trata de ambigüidade – e sim de incoerência. Dois pesos e duas medidas. Basta ver o comportamento do Itamaraty em relação à Colômbia, de Álvaro Uribe, e à Bolívia, de Evo Morales.

As Farcs (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) são mundialmente reconhecidas como grupo terrorista. O tom ideológico que busca impor à sua causa desfaz-se diante de seus métodos criminosos: assassinato e seqüestro de inocentes para obtenção de dinheiro (calcula-se que há 2.800 seqüestrados em poder dos guerrilheiros), venda de drogas, roubo de gado etc.

Diante delas, a diplomacia brasileira abstém-se. Não admite nem sequer o rótulo de “grupo beligerante”. Considera-as “legítimas” e ofereceu, inclusive, o território nacional para um encontro entre aquelas lideranças e o governo constitucional da Colômbia, eleito pelo povo. Em 6 de março deste ano, na seqüência da morte de Raúl Reyes, segundo no comando das Farcs, Marco Aurélio Garcia, assessor internacional de Lula para a política externa, declarou o seguinte ao jornal francês Le Figaro:

- Eu lhes lembro que o Brasil tem uma posição neutra sobre as Farcs: nós não as qualificamos nem de grupo terrorista nem de força beligerante.” E disse mais: “Acusá-las (às Farcs) de terrorismo não serve pra nada quando a gente quer negociar.

Diante, porém, da oposição a Evo Morales, que recorreu também a expedientes terroristas (embora bem menos contundentes que os das Farcs), explodindo tubulações de gás e desafiando por meio de armas o governo constitucionalmente eleito, a conversa é outra. Ameaça-se de rompimento de relações se a oposição tomar o poder e, até, de auxílio armado para o governo de Morales. São palavras do mesmo Garcia, ditas há três dias:

- O Brasil não reconhecerá o governo que queira substituir um governo democraticamente constituído”.

E classificou de "terroristas" os ataques às instalações para o transporte de gás para o Brasil.

Não há dúvida de que foram, mas por que não reconhecer o mesmo em relação às ações das Farcs, que são mais antigas, constantes e violentas, e desafiam um governo também eleito democraticamente? Como agravante, as Farcs geram danos colaterais ao próprio Brasil.

Sabe-se, por exemplo, que fornecem drogas aos traficantes brasileiros, em troca de armas, e tinham no notório Fernandinho Beira-Mar, do Comando Vermelho, um dos pilares do crime organizado no Brasil, um interlocutor constante. Fernandinho está preso, mas o Comando Vermelho continua na ativa e deve dispor de outros negociadores.

Álvaro Uribe, presidente constitucional da Colômbia, tem o apoio de mais de dois terços dos 40 milhões de colombianos. Os militantes das Farcs reúnem cerca de oito mil pessoas. Não obstante essa disparidade numérica, o governo brasileiro considera que o que há na Colômbia é um confronto “legítimo” de forças políticas, cuja via de solução é a negociação, para a qual se oferece como mediador.

Na Bolívia, quase metade da população contesta Morales, e o governo brasileiro considera “ilegítima” aquela contestação e, em vez de propor mediação, a ameaça previamente, com a força de sua liderança no Continente. Dois pesos e duas medidas. Não é ambigüidade; é incoerência.

Ruy Fabiano é jornalista

A Terra em 100 Anos - Parte 1 de 5

A Terra em 100 Anos - Parte 4 de 5

A Terra em 100 Anos - Parte 3 de 5

A Terra em 100 Anos - Parte 2 de 5

Blog do Murillo de Aragão

Blog do Murillo de Aragão:
"Banco do Brasil oferece R$ 685 milhões por Besc e Bescri
O Banco do Brasil (BB) propõe pagar R$ 685 milhões em ações pelo Banco do Estado de Santa Catarina (Besc) e pela Besc S.A. Crédito Imobiliário (Bescri). Se a incorporação for aprovada na Assembléia Geral Extraordinária (AGE), marcada para o dia 30 deste mês, o BB pagará aos acionistas das duas instituições R$ 411 milhões e R$ 274 milhões, respectivamente.
O pagamento será feito mediante emissão de 23,074 milhões de ações ordinárias nominativas, respeitando a relação de uma ação do BB para 12,13308922 ações ON do Besc e um papel do BB para 1.592,261627 ações ON da Bescri. No caso do ativo PNA, vale a proporção de 1 ação de emissão do BB por 12,13308922 ações PNA do Besc. O mesmo se aplica ao papel PNB do Besc.
As informações constam de fato relevante divulgado na quinta-feira (11) pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM)."

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Bolívia

As coisas tendem a esfriar ou a se aquecerem na Bolívia é o que todos estão atentos. O Brasil quer o diálogo que parece bastante improvável neste momento.

Fuerzas Armadas NO obedecen a la derecha vendepatria de la Media Luna ¡VIVA BOLIVIA UNIDA con EVO MORALES!